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Castelo de Sines

O Castelo de Sines, no Alentejo, localiza-se na freguesia, na cidade e no município de Sines, distrito de Setúbal, em Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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História

Antecedentes

O local onde se ergue o castelo foi habitado desde a pré-história, mais precisamente o período Paleolítico, devido à sua grande importância para a defesa, uma vez que se situa no alto de uma colina sobre o oceano. Com efeito, as escavações arqueológicas revelaram a presença de vestígios de ocupação do Paleolítico e Epipaleolítico. O investigador Arnaldo Soledade avançou a teoria, na sua obra Sines Terra de Vasco da Gama, de que no local do castelo teria existido um castro durante a Idade do Ferro. Porém, o primeiro povoado estável só se terá formado durante a época romana, provavelmente na área do castelo, sendo talvez o porto da cidade de Miróbriga, situada a cerca de 17 Km de distância. Para isso terá contribuído a posição privilegiada de Sines, numa região costeira com poucos abrigos naturais.

O castelo medieval

O local onde se ergue o castelo foi depois ocupado durante a Alta Idade Média, tendo vários autores avançado a teoria de que no século VII, ou durante o período moçárabe, existiu um templo cristão, provavelmente no local da Igreja Matriz. Grande parte da estrutura deste santuário primitivo foi depois aproveitada para as muralhas do castelo, como foi constatado pelos trabalhos arqueológicos. Porém, não foram encontrados vestígios definitivos de habitação durante o período islâmico. Com efeito, nas escavações verificou-se um grande hiato em termos de indícios arqueológicos, entre os séculos VI, último período de ocupação, e XVI, quando foi provavelmente construído.

Século XVI a XIX

Alguns dos soldados do castelo fizeram parte da Confraria de São Sebastião, que esteve ligada à Ermida de São Sebastião, construída por volta do século XVI. No século XVII foi planeado um ambicioso programa de desenvolvimento do castelo, como forma de melhorar as suas condições de defesa contra os ataques dos corsários. No entanto, só foi parcialmente executado, sendo dessa época a instalação da bateria na face meridional. Foi também nessa centúria que foi construído o Forte do Revelim, que tinha como finalidade proteger a povoação de Silves e as suas embarcações, funcionando em conjunto com o castelo. Durante a Guerra Peninsular, nos princípios do século XIX, Sines foi pilhada por tropas francesas, que picaram o brasão da coroa real joanina, sobre a porta do castelo. No período de transição entre os séculos XIX e XX o castelo deixou de ter funções militares, tendo o seu interior sido reaproveitado como espaço para casas e hortas.

Século XX

Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 24 de Junho de 1933. Em meados do século XX ruiu parte da muralha, no lanço fronteiro ao Largo João de Deus. Em 1956 foram feitas algumas obras de restauro, que tiveram como finalidade consolidar a estrutura de parte co castelo. Na década de 1960 o castelo foi alvo de trabalhos arqueológicos por parte de José Miguel da Costa, que encontrou os vestígios de um templo cristão dentro da estrutura das muralhas. O monumento foi muito danificado pelo terramoto de 1969, tendo uma das torres desabado. Em 1970 foi inaugurada a estátua a Vasco da Gama, junto à torre ocidental do castelo. Em 1972, foram feitas escavações no castelo, por parte do Grupo de Trabalhos Arqueológicos da Área de Sines, na sequência de obras nas imediações.

Século XXI

Em meados da década de 2000, o castelo entrou em obras, no sentido de permitir a instalação do Museu Municipal de Sines e da Casa-Museu Vasco da Gama. Esta intervenção fez parte de um programa maior para a dinamização cultural e social do monumento, incluindo a organização do festival Músicas do Mundo e de outros eventos, e englobou igualmente a recuperação e arranjo paisagístico da área em redor, como o Largo Poeta Bocage. As obras no castelo em si foram planeadas e coordenadas pelo arquitecto Ricardo Estevam Pereira, e além da instalação dos dois espaços museológicos, também incluíram outras intervenções no imóvel, nomeadamente no terreiro e nas muralhas, tendo sido rasgada uma nova porta na muralha oriental. Esta nova entrada melhorou os acessos ao interior do castelo, e permitiu a sua integração nos percursos pedestres de Sines, tendo potenciado o Largo João de Deus como espaço urbano.

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Características

Localização

O castelo de Sines situa-se no alto de uma falésia sobre o oceano, no centro histórico da cidade. Nas imediações encontram-se vários monumentos e edifícios históricos, como a Igreja Matriz, a Estátua a Vasco da Gama, o edifício dos Paços do Concelho, e a Capela da Misericórdia. Perto da muralha nascente encontra-se igualmente um complexo de fábricas romanas de preparados de peixe.

Configuração

O castelo ocupa uma área considerada reduzida, de apenas cerca de meio hectare, o que provavelmente indicia que aquando da sua construção já a povoação era demasiado grande para ser totalmente provida de uma cerca. A configuração da fortaleza aproxima-a mais das novas tendências manuelinas do que as antigas tradições góticas, sendo isto particularmente visível na sua planta, de forma trapezoidal irregular, de forma sensivelmente rectangular, enquanto que os antigos castelos góticos geralmente eram de planta ovalada. Tem uma torre de menagem e três torreões, dois dos quais de planta poligonal, situados nos vértices da fachada setentrional, enquanto que o terceiro é composto por uma torre circular no canto Sudoeste. Adossada ao lado meridional do castelo encontra-se uma bateria, de pequenas dimensões e forma ligeiramente estrelada.

Interior

O castelo conta com duas entradas: a antiga principal, que dá acesso ao Largo Poeta Bocage, e uma nova aberta durante o programa de restauro na década de 2000, virada para o Largo João de Deus. No passado existiram igualmente outras portas, que foram encerradas. No interior, adossado aos dois torreões de planta poligonal e situado junto à porta principal, encontra-se o antigo paço, que originalmente tinha dois pisos, mas foi profundamente alterado em obras posteriores. Neste edifício, igualmente conhecido como Paço dos Governadores Militares ou alcáçova, foi instalado o núcleo sede do Museu de Sines, que ocupa o piso térreo e o primeiro andar daquele edifício. No piso térreo encontra-se a Casa Forte do Museu, onde se encontram as peças de maior valor, como o Tesouro do Gaio, do século VII a.C. e origem fenícia, o Tesouro do Africano, composto por moedas de prata, e o espólio numismático do fundador do museu, José Miguel da Costa, que é considerado como um dos mais ricos em Portugal.

Eventos

O monumento é normalmente utilizado em eventos de vários tipos, tendo por exemplo albergado em 2009 um conjunto de iniciativas no âmbito das Jornadas Europeias do Património, que incluíram o lançamento do livro Forte do Pessegueiro, fortificação da costa de Sines após a Restauração de António Martins Quaresma, na Sala de Armas do castelo, em 2022 a Feira do Mar, que incluiu conferências e encontros sobre a temática dos oceanos, em 2023 a peça Eu Fêmea do Teatro do Mar, e em 25 de Abril de 2025 um concerto comemorativo da Escola das Artes do Alentejo Litoral. Destaca-se principalmente o Festival Músicas do Mundo, considerado como um dos maiores festivais de world music em Portugal, que normalmente é organizado no interior do castelo.

Espólio

Em termos de espólio arqueológico, na área do castelo foram encontrados fragmentos de mosaicos e de peças de cerâmica, identificados como pertencentes ao período romano e à alta Idade Média. Entre o material romano encontra-se terra sigillata, bojos de ânforas e tesselas. Destaca-se igualmente a descoberta, nos princípios da década de 1960, de duas fíbulas romanas na cerca do castelo. Uma delas da tipologia de charneira e arco triangular, um modelo muito comum na época romana, inclusive no futuro território português entre os séculos I a.C. e I d.C., mas o outro é muito raro em Portugal, sendo mais semelhante aos modelos utilizados na Europa Central, principalmente na Alemanha, nos séculos IV a V d.C.. Parte do espólio do castelo fez parte da exposição inicial do Museu Municipal de Sines, inaugurado em 30 de Dezembro de 1962.

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Fontes consultadas

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