Castelo de Rambouillet
O Château de Rambouillet é um palácio francês, antiga residência Real e actualmente residência presidencial desde 1896. Fica situado em Rambouillet, sede de um arrondissement do sul de Yvelines, em França, dentro de um parque de 100 hectares no seio da Floresta de Rambouillet.
As origens. A família d'Angennes
Em 1368, Jean Bernier, cavaleiro, conselheiro e mestre dos pedidos da residência do Rei, magistrado de Paris, comprou a Girard de Tournebu um simples solar que fez transformar, em 1374 num verdadeiro château fortificado e rodeado por fossos. Este palácio primitivo tinha um plano pentagonal irregular, com um corpo de casas triangular guarnecidas com torreões, uma grande torre, uma pequena fortificação à entrada e um pátio fechado por muralhas. Estas transformações devem ser compreendidas como parte da prescrição de Carlos V que, em 19 de Julho de 1367, ordenou que todos os castelos fossem armados; foi também nesta época que o rei fez fortificar o Palácio do Louvre e a Bastilha.
Fleuriau d'Armenonville e a criação dos jardins
Na sequência do casamento da segunda filha de Julie d'Angennes, o domínio passou para o Duque de Uzès. Este nobre, devido a problemas financeiros, acabou por vender a herdade, em 1699, a um dos seus credores, Joseph Fleuriau d'Armenonville. Fleuriau d'Armenonville, que dispensou apenas 140.000 livres (antiga moeda francesa) para adquirir o domínio, o qual viria a render-lhe 500.000 no período de alguns anos. Segundo a tradição, foi ele quem fez transformar os jardins à francesa, criando uma sucessão de parterres e de planos de água, alimentados pelas numerosas fontes dos seus terrenos pantanosos. Foi escavado um canal no eixo da fachada Sudoeste do palácio e prolongado por por um tapete verde. Um outro canal, perpendicular, ficava ao longo dos parterres de cercadura que se estendiam junto ao palácio. Para além desses parterres foram dispostos três tanques de formas diferentes. O parque foi decorado por Simon Mazière, Pierre Legros e René Frémin.
O Château dos Bourbons
Louis Alexandre de Bourbon, Conde de Toulouse, filho natural legitimado de Luís XIV e de Madame de Montespan, almirante de França, desejava possuir um domínio de caça nos arredores de Paris, tendo fixado a sua escolha em Rambouillet. Fleuriau d'Armenonville foi forçado a ceder-lhe o domínio em 1706, por uma soma de 500.000 livres. O Conde de Toulouse desenvolveu e ornamentou consideravelmente o domínio. Procedeu a importantes aquisições fundiárias, juntando o marquesado de Rambouillet às terras de Saint-Léger-en-Yvelines, Montfort-l'Amaury, Gazeran e a uma boa parte do ducado d'Épernon. Eleva assim o domínio até aos 13.000 hectares. Fez construir esplêndidas cavalariças e vastas áreas de serviço, ligadas ao palácio por um subterrâneo. Mandou realizar, igualmente, importantes trabalhos no próprio palácio.
Rambouillet no século XIX
Sob a Revolução, o domínio foi abandonado. Napoleão I fez restaurar o palácio, inscrevendo-o na sua lista civil. Ele apreciava Rambouillet pelas possibilidades cinegéticas que o domínio oferecia, pelo que empreendeu trabalhos de reordenamento no edifício. Uma primeira campanha, sob a direcção do arquitecto Guillaume Trepsat, conduziu, em1805, à demolição da ala Noroeste, desequilibrando de forma irremediável a composição do pátio de honra. Pensou, então, em reconstruir todo o edifício, tendo sido elaborados vários projectos, em 1809, pelo arquitecto Auguste Famin, embora nenhum deles tenha sido retido. Famin, no entanto, foi encarregado de rever um certo número de circulações interiores, assim como a decoração de vários apartamentos. No parque, espalhou novas oficinas e fez plantar novas essências, entre as quais uma alameda de "ciprestes da Louisiana" (Taxodium distichums), a primeira na França, a qual ficaria célebre (foi, infelizmente, abatida durante uma tempestade, em Dezembro de 1999).
Rambouillet, residência presidencial
Após a queda do Segundo Império, a administração encarou a hipótese de transformar o palácio em hospital, provocando os protestos indignados de Adolphe Thiers mas, a partir de 1883, os Presidentes da República retomaram a tradição das caçadas em Rambouillet. Jules Grévy, Sadi Carnot e Jean Casimir-Perier gostavam do palácio. O edifício foi adaptado a residência de Verão por Félix Faure e tornou-se oficialmente residência presidencial no dia 23 de Fevereiro de 1886, estatuto que divide com outros palácios franceses como o Palácio do Eliseu, sede da Presidência em Paris, ou o Fort de Brégançon, próximo de Marselha. O Château de Rambouillet foi sede da primeira reunião dos países mais industrializados do mundo (G6), por iniciativa do Presidente Valéry Giscard d'Estaing, em 1975. Participaram seis países: a Alemanha (Helmut Schmidt), os Estados Unidos da América (Gerald Ford), a França, a Itália (Aldo Moro), o Japão (Takeo Miki) e o Reino Unido (Harold Wilson) .
A cabana das conchas
A cabana das conchas foi edificada pela década de 1770, por Claude-Martin Goupy, arquitecto de Luís João Maria de Bourbon, Duque de Penthièvre, para a nora deste último, Maria Luísa de Saboia-Carignan, Princesa de Lamballe. Esta cabana é reveladora da inclinação pela pitoresca rusticidade que se desenvolveu a partir de 1760, a qual é atestada, igualmente, pelo hameau de la Reine (aldeola da Rainha), em Versailles (construído entre 1783 e 1787). Do exterior, esta construção assemelha-se a uma cabana e, de resto, estava originalmente coberta de colmo embora o interior fosse ricamente decorado com mármore, conchas e madrepérola.
A ermida
Realizada sobre uma alta escarpa do parque, chamada "do Coudray", a Ermida corresponde, igualmente, a um exercício quase obrigatório nos parques à inglesa da segunda metade do século XVIII. Esta esrmida data, como a cabana de conchas, da campanha de trabalhos efectuadas na década de 1770 por Claude-Martin Goupy para o Duque de Penthièvre. Muito mais vasta que a maioria das ermidas contemporâneas, compreende várias peças, entre as quais uma capela. Danificada por um incêndio em 1977, entrou em obras de restauro no ano de 2005.
A leitaria da Rainha
A leitaria da Rainha foi construída em 1785 por ordem de Luís XVI para Maria Antonieta, numa tentativa de fazê-la gostar de Rambouillet recordando-lhe o Petit Trianon de Versailles. Mais tarde, a leitaria foi renovada por Napoleão Bonaparte. Edificada pelo arquitecto Thévenin, a leitaria constitui uma das mais importantes oficinas de jardim do século XVIII. Compreende uma sala redonda coroada por uma cúpula, a qual abre sobre uma gruta que protege uma ninfa com uma cabra Amaltéia, devida a Pierre Julien (1787).


