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Melgaço (Portugal)

Melgaço é uma vila raiana portuguesa do Distrito de Viana do Castelo pertencendo à sub-região do Alto Minho e à região do Norte, sendo sede do Município de Melgaço que tem uma área urbana de 11,51 km2, num total de 238,25 km2, e 7.773 habitantes em 2021, tendo, por isso, uma densidade populacional de 32 habitantes por km2, estando subdividido em 13 freguesias. O município é limitado a norte e leste pela comunidade autónoma espanhola da Galiza, a sul pelo município de Arcos de Valdevez e a oeste por Monção. É o município mais setentrional do país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Geografia

Composto por uma densa rede hidrográfica, sendo o seu terrritório delimitado ou atravessado pelos rios Minho, Mouro, Trancoso e Laboreiro assim como pelos municípios galegos de Entrimo, Verea, Quintela de Leirado, Padrenda, Crescente e Arbo e portugueses de Arcos de Valdevez e Monção, as suas 13 freguesias distribuem-se por zonas de planalto, montanha, serra, vale, planície e encostas. A sua geografia é composta por um anfiteatro de altitudes gradualmente crescentes a partir da orla ribeirinha até ao Cabeço do Pito e ao Planalto de Castro Laboreiro, na zona leste, e aos cumes de Chãs da Lama, Alto do Corisco, Alto do Fojo, Coto do Corno, Cão Pendurado e Chão da Roca, que pontificam na zona sul. O ponto mais elevado do município situa-se no Giestoso, também referido pelos locais como "O Talefre", sendo a 4ª montanha mais elevada do distrito de Viana do Castelo e a 29ª mais alta de Portugal Continental, com 1335 metros de altitude, na união de freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro. Outro ponto de elevação nas proximidades do Planalto de Castro Laboreiro é a zona da Pena de Numão (ou Anamão), onde se situa a antiga Ermida da Senhora de Numão.

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História

Com a existência de pinturas rupestres, no Fieiral, uma das maiores necrópoles pré-históricas da Península Ibérica, no planalto de Castro Laboreiro, e vários monumentos megalíticos, nomeadamente em Parada do Monte, Cousso e Gave, os primeiros povoamentos humanos na localidade de Melgaço remontam essencialmente ao Neolítico e, em outras zonas do município, à Idade do Cobre e à Idade do Bronze, onde ainda persistem vestígios de mais de oitenta edificações ancestrais, como mamoas, dólmens, antas e alinhamentos megalíticos. Durante a Idade do Ferro, a localidade era composta por diversos povoamentos gróvios e galaicos de origem celta, preservando-se até aos dias de hoje vários exemplares da cultura castreja para além dos traços linguísticos, folclore, música, costumes e tradições, como a prática da transumância, marcada pelas brandas e inverneiras na localidade. Atualmente em paradeiro desconhecido, o "Ídolo de Paderne", uma pequena escultura zoomorfa, oferecida ao arqueólogo e etnógrafo José Leite de Vasconcelos durante as suas expedições pela região melgacense, foi apenas um dos muitos artefatos de cultura pré-histórica que foi encontrado nas ruínas das antigas cividades do município.

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Freguesias

O município de Melgaço está dividido em 13 freguesias:

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Evolução da população do município

★ Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa, regendo-se pelas orientações do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853, tiveram lugar a partir de 1864, encontrando-se disponíveis para consulta no site do Instituto Nacional de Estatística (INE). (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.) (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

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Cultura regional e folclore

Localizada na fronteira entre Portugal e Espanha, Melgaço sempre beneficiou das relações culturais com as regiões vizinhas, nomeadamente com a Galiza. Por si, esta dinâmica estreita originou uma indústria redobrada nas excentricidades próprias dos meios rurais, transformando a localidade no epicentro português dos mitos brejeiros e numa verdadeira babilónia de vernacular castiço, contando com uma longa tradição de lendas de bruxas, mouras encantadas e princesas suevas, heroínas minhotas, como a lenda de Inês Negra, ou ainda contos e fábulas de criaturas fantásticas, como arganões, mafarricos e outros seres com poderes mágicos, semelhantes às esculturas de lagartos e dragões, encontrados em Monte de Prado, na encosta ribeirinha, pelo professor Paulo de Souza Pinto, cujas características são em tudo semelhantes às proas dos barcos viquingues, que incursaram várias vezes pela área, assim como pela restante costa marítima e ribeirinha do norte de Portugal e da Espanha. Esta cultura popular foi sendo transmitida oralmente ao longo de gerações, estando atualmente em declínio.

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Desporto e lazer

Tornando-se nas últimas décadas num conhecido destino turístico de natureza, com características geográficas e geológicas que lhe concedem uma posição de destaque e renome no Norte de Portugal, após a criação da Escola Superior de Desporto e Lazer, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, e do Centro de Estágios/Complexo Desportivo e de Lazer do Monte de Prado, Melgaço tem apostado fortemente na promoção do seu município através de novas infraestruturas e atividades desportivas e de lazer. Usufruindo da sua paisagem e riqueza histórica e cultural, denominando-se ainda como "o destino de natureza mais radical do país", a prática de desportos de rio e montanha ocorre durante todo o ano, sendo em matéria de desportos radicais, o rafting o mais emblemático. Para além dos desportos aquáticos mais comuns como a canoagem ou o canyoning, outra forte aposta têm sido os percursos que atravessam as diferentes paisagens da região, tendo já sido palco de competições nacionais e regionais de TT, BTT, drift, ciclocrosse, trail ou ainda de pedestrianismo. Desde os mais recentes trilhos marginais do rio Minho, às rotas na montanha, com um forte cariz para alertar a necessidade de preservação da vida animal, como a do lobo ibérico e de outras espécies autóctones em vias de extinção, inseridas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, ou ainda no icónico planalto de Castro Laboreiro, onde se superam os 1.300 metros de altitude e é possível atravessar uma das maiores necrópoles megalíticas da Península Ibérica, em Melgaço não faltam opções para os entusiastas do ar livre ou da adrenalina.

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Economia

Na economia de Melgaço destaca-se a produção do fumeiro e, essencialmente, a produção vinícola, com destaque para o vinho espumante e o vinho alvarinho de Melgaço. Em 2015 existiam cerca de 30 produtores de vinhos no município que lançavam no mercado uma média anual de 150 mil garrafas de espumantes. O espumante de Melgaço é um vinho de cordão fino, mousse cremosa, acidez no ponto e uma grande harmonização gastronómica, sendo que a maioria dos espumantes é elaborada a partir da casta alvarinho, mas também com algumas versões de vinho rosé e tinto. Devido ao seu microclima único, a casta branca da espécie da Vitis vinifera, é um dos ex libris do município e como principais eventos para promover a indústria local e os seus produtos, anualmente são realizadas a Festa do Alvarinho e do Fumeiro, organizada desde 1994, e a Festa do Espumante de Melgaço. Para além dos vinhos, desde 1884, é realizada a extração e comercialização da água mineral de Melgaço, no lugar do Parque Termal do Peso, sendo a sua produção inicialmente realizada pela empresa Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, S.A, a partir de 1920, e atualmente pela Super Bock Group (antiga UNICER). A Água de Melgaço é porventura a última água mineral gasocarbónica em Portugal que é engarrafada tal como é captada, sendo bastante rica em ferro.

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Gastronomia

De origens ancestrais e fortemente influenciada pelo ciclo das culturas, pesca e caça ou criação das raças autóctones da região minhota e raiana, da gastronomia típica de Melgaço destacam-se os enchidos de produção artesanal e qualidade reconhecida a nível nacional, o presunto de porco bísaro, a carne de vaca cachena, o cabrito do monte assado no forno, a cabidela, a truta à minhota e o arroz de lampreia, sendo a última uma das iguarias mais apreciadas e emblemáticas da região minhota. Fazendo ainda jus à tradição, em Castro Laboreiro, feito com farinha de centeio, trigo ou milho, o "pão preto" ou broa castreja é ainda habitualmente produzida à moda antiga, num dos muitos fornos e moinhos comunitários que revestem a localidade, sendo o primeiro pão a sair, a "tenda", para repartir com a família e amigos como manda a tradição local. Também a destacar, para além do conhecido vinho alvarinho e de vários licores produzidos na região, existe uma antiga tradição de doçaria, sendo o bucho doce, a rosca mulata, e as broas de mel as sobremesas mais apreciadas, para além das compotas e do mel de urze, entre outras variedades, que fazem uso do micro-clima local e da fruta e flora sazonal.

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Política

Administração municipal

O município de Melgaço é administrado por uma câmara municipal, composta por um presidente, um vice-presidente e cinco vereadores. Existe ainda uma assembleia municipal, que é o órgão deliberativo do município, constituída por 21 deputados eleitos. O cargo de Presidente da Câmara Municipal é atualmente ocupado por José Albano Esteves Domingues e o de Vice-Presidente por Manuel José Cardoso Rodrigues, ambos militantes do PSD, eleitos nas eleições autárquicas de 2025, tendo sido eleitos dois vereadores pelo PS e três pelo PSD.

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