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Castela e Leão

Castela e Leão é uma comunidade autónoma espanhola, classificada como «comunidade histórica e cultural» no seu Estatuto de Autonomia. Estabelecida enquanto pré-autonomia, em 1978, e oficializada como comunidade autónoma em 1983, é, segundo o seu Estatuto de Autonomia, a moderna união do antigo Reino de Castela com o Reino de Leão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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História

A comunidade autónoma de Castela e Leão é o resultado da união, em 1983, de nove províncias: as três que após a divisão territorial de 1833 (através da qual foram criadas as províncias), se adscreveram à Região de Leão e seis adscritas a Castela-a-Velha, excetuando neste último caso as províncias de Santander (atual Cantábria) e Logronho (atual Rioja). No caso da Cantábria, foi defendida a criação de uma comunidade autónoma por motivos históricos, culturais e geográficos, enquanto que na Rioja o processo se tornou mais complexo devido à existência de três opções, fundamentadas todas elas tanto em motivos históricos como socioeconómicos: união com Castela e Leão, união a uma comunidade vasco-navarra ou criação de uma autonomia uniprovincial, opção esta apoiada pela maioria da sua população.

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Geografia

Localização

Castela e Leão é uma comunidade autónoma situada no quadrante norte-ocidental da Península Ibérica. O seu território limita a norte com o Principado das Astúrias e com a Cantábria, bem como com o País Basco (Biscaia e Álava); a leste com a comunidade autónoma da Rioja e com Aragão (província de Saragoça), a sul com as comunidades de Madrid, Castela-Mancha (províncias de Toledo e Guadalaxara) e Estremadura (província de Cáceres) e a oeste com a Galiza (províncias de Lugo e Ourense) e Portugal.

Orografia

A morfologia de Castela e Leão é formada, na sua maioria, pela Meseta e por uma cintura de relevos montanhosos. A Meseta é uma altiplanície de altitude média perto dos 800 msnm, coberta por materiais argilosos aí depositados que lhe conferem uma paisagem seca e árida. Seguindo a morfologia da zona, é possível observar:

Geologia

A Meseta setentrional é constituída por leitos paleozoicos. No princípio do Mesozoico, finalizado o levantamento herciniano que elevou a atual Europa Central e a zona galaica de Espanha, os materiais depositados foram arrastados através da ação erosiva dos rios. Durante o levantamento alpino, os materiais que formavam a Meseta sofreram fissuras através de múltiplos pontos. Desta fratura resultaram os montes de Leão, com montanhas de pouca altitude e, constituindo a espinha dorsal da Meseta, a Cordilheira Cantábrica e o Sistema Central, formados por materiais como o granito ou piçarras metamórficas. O complexo cársico de Olho Guarenha, formado por 110 km de galerias e covas surgidas em materiais carbonáticos do Coniaciano, situadas sobre uma plataforma de margas impermeáveis, é o segundo maior da península.

Hidrografia

A principal rede hidrográfica de Castela e Leão é constituída pelo rio Douro e seus afluentes. Desde o seu nascimento nos Picos de Urbião, em Sória, até à sua foz na cidade do Porto, o Douro percorre 897 km. Do norte descendem o rio Pisuerga, o Valderaduey e o Esla, os seus afluentes mais caudalosos, e pelo leste, com menor quantidade de água nos seus caudais, destacam-se o Adaja e o Duratón. Depois de passar a cidade de Samora, o Douro encaixa-se entre os canhões do Parque Natural das Arribas do Douro/Parque Natural do Douro Internacional, na raia entre os dois países. Pela margem esquerda chegam importantes afluentes como o Tormes, o Huebra, o Águeda, o Coa e o Paiva, todos originários do Sistema Central. Pela direita, unem-se-lhe o Sabor, o Tua e o Tâmega, nascidos no maciço Galaico. Passada a zona das Arribas, o Douro dirige-se a oeste, continuando o seu percurso por Portugal até desembocar no Oceano Atlântico.

Clima

Castela e Leão possui um clima mediterrânico continentalizado, com invernos longos e frios e temperaturas médias de entre 3 ºC e 6 ºC em janeiro. As épocas de verão são curtas e cálidas (com médias de 19 ºC a 22 ºC), mas com os três ou quatro meses de aridez estival característicos do clima mediterrânico. A pluviosidade é escassa, com médias de 450–500 mm anuais, acentuando-se nas terras mais baixas. Na comunidade autónoma, o frio estende-se de uma forma quase ininterrupta durante grande parte do ano, formando por isso um elemento característico do seu clima. Os períodos mais frios do inverno associam-se a invasões de uma frente polar continental e ao surgimento de ar ártico marinho, sendo comum que as temperaturas rondem os -5 ºC a -10 ºC. Assim, quando em presença de anticiclones, no interior da região persistem as névoas e situações de frio prolongadas por processos de radiação. São típicas as ondas de frio intenso dos meses centrais do inverno, que mostram uma particular tendência para o seu surgimento entre a segunda quinzena de dezembro e a primeira de fevereiro. É durante estas ondas que se produzem as temperaturas mínimas mais extremas, cujos valores variam entre os -10 ºC e -13 ºC no setor mais ocidental e entre os -15 ºC e -20 ºC nos planaltos centrais. Dentre os mais baixos registos contablilizados estão -22 ºC em Burgos, -21,9 ºC em Coca (Segóvia), -20,4 ºC em Ávila, -20 ºC em Salamanca e -19,2 ºC em Sória. A elevada altitude da Meseta e a sua orografia faz com que o contraste se acentue entre as temperaturas de inverno e de verão, bem como as do dia e da noite.

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Natureza

Flora

A paisagem das planícies castelhano e leonesas são dominadas pelas azinheiras (Quercus ilex) e sabinas (Juniperus secc. Sabina) solitárias que conformam restos dos bosques que cobriram, em tempos, estas zonas. As explorações agropecuárias, pela necessidade de terras para o cultivo dos cereais e de pastos para os rebanhos da Meseta castelhana, supuseram a desflorestação destas terras na Idade Média. Os últimos bosques autóctones encontram-se, hoje em dia, nas províncias de Leão, Sória e Burgos. São bosques pouco frondosos que podem formar comunidades mistas com azinheiras, carvalhos-portugueses (Quercus faginea) ou pinheiros (Pinus). Na vertente norte, as montanhas cantábricas e contrafortes do norte do Sistema Ibérico contam com uma grande diversidade de vegetação. As ladeiras mais húmidas e frescas são colonizadas pelos grandes faiais, cuja extensão pode atingir cotas de 1500 m de altitude. Por sua vez, a faia (Fagus) forma também bosques mistos com o teixo (Taxus baccata), a sorveira (Sorbus), o mostajeiro-branco (Sorbus aria), o azevinho (Ilex aquifolium) e a bétula (Betula). Nas ladeiras de solaina, proliferam o carvalho-alvo (Quercus petraea), o carvalho-roble (Quercus robur), o freixo (Fraxinus), a tília (Tilia), a castanheira (Castanea sativa), o azevinho e o pinheiro-da-escócia (Pinus sylvestris), uma espécie típica do norte da província de Leão.

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Política e governo

Organização territorial

A comunidade autónoma possui nove províncias constituintes (Ávila, Burgos, Leão, Palença, Salamanca, Segóvia, Sória, Valhadolide e Samora), cujas capitais recaem nas cidades homónimas a cada uma destas. A região leonesa do Bierzo, pelas suas peculiaridades geográficas, sociais, históricas e económicas, possui estatuto de comarca desde 1991, a única na comunidade e gerida através de um Concelho Comarcal.

Instituições

O Estatuto de Autonomia não define explicitamente qualquer capital. Com as leis 13/1987 e 14/1987, estabeleceu-se que a Junta de Castela e Leão, o seu presidente e as suas Cortes —o seu órgão legislativo — estariam sediadas em Valhadolide e que o Tribunal Superior de Justiça de Castela e Leão tivesse a sua sede em Burgos. Atualmente, a comunidade dispõe dos seguintes órgãos:

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Fontes consultadas

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