Cassandra
Na mitologia grega, Cassandra, também grafada Kassandra ou Casandra, foi uma sacerdotisa troiana dedicada ao deus Apolo e destinada por ele a proferir profecias verdadeiras, mas nunca ser acreditada. Cassandra viveu a Guerra de Troia e sobreviveu ao saque da cidade, mas foi assassinada por Clitemnestra e Egisto quando Agamenon a levou para Micenas como uma palaca.
Filha dos reis de Troia, Príamo e Hécuba, Cassandra tinha 18 irmãos, entre os quais Heitor, Páris e Políxena e era a irmã gêmea de Heleno que também era vidente. A personagem aparece pela primeira vez na Ilíada considerada a mais bela das filhas de Príamo e estava noiva de um principe aliado dos troianos que morre na guerra lutando com os gregos. Mais tarde, ela reaparece para os funerais de Heitor. Na Ilíada, a personagem Cassandra ainda não é mencionada como profetisa ou sacerdotisa de Apolo. Mais tarde, ela faz uma aparição na Odisseia durante a visita de Odisseu ao mundo dos mortos, mas nada fala. Ela esta ao lado de Agamemnon e o leitor é informado que ela foi morta, junto com ele, por Clitemnestra. O dom da profecia de Cassandra só será mencionado pela primeira vez na obra Cypria, parte do Ciclo épico, no século VII AC, mas não há ainda qualquer menção a uma maldição ou relacionamento com Apolo. A relação com o deus só será mencionada na peça de Ésquilo, Agamemnon, séculos depois, mas se tornou a versão mais popular do mito.
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A trágica personagem da profetisa Cassandra figura em muitas obras literárias desde a Antiguidade até os dias hoje, em alguns casos como protagonista. Além de suas breves participações na Ilíada e Odisseia, Cassandra tem papel de destaque em duas importantes tragédias gregas Agamemnon de Ésquilo e As Troianas de Eurípides. As duas peças descrevem os principais traços pelos quais a personagem seria conhecida na posteridade. Apesar disso, o retrato de Cassandra apresenta diferenças significativas nas duas obras. Em Ésquilo vemos uma Cassandra desesperada que tenta a todo preço avisar o coro da sua morte e da morte de Agamemnon. Ela lamenta seu destino, mas parece conformada a escravidão e não demonstra particular rancor por Agamemnon. A sua intensa reação emocional na obra é direcionada a Clitemnestra, que irá assassiná-la, e ao deus Apolo. Em Agamemnon, Cassandra tem uma relação complexa com o deus ao qual ela parece culpar por seu destino "Apolo! Apolo dos caminhos! Perco-me! Perdeste-me, cruel, mais uma vez!"


