Caso Roswell
O Caso Roswell, ou Incidente em Roswell refere-se à recuperação, em julho de 1947, dos fragmentos de um balão num rancho próximo da cidade de Roswell, no estado do Novo México, nos Estados Unidos e das teorias da conspiração que surgiram com base nisso.
No dia 8 de julho de 1947, Walter Haut, o porta-voz da Base Aérea de Roswell, na altura comandada pelo coronel William Blanchard, distribuiu o seguinte comunicado de imprensa: Na localidade de Roswell, Novo México, o jornal Roswell Daily Record logo publicou em primeira página a notícia de que o 509º Grupo de Bombardeiros da então Força Aérea do Exército dos EUA havia tomado posse dos destroços de um disco voador. A notícia causou rebuliço na cidade, mas já no dia seguinte, em Fort Worth, a Força Aérea (e os jornais) desmentiram a história, afirmando que os restos eram apenas de um balão meteorológico. Os destroços haviam sido encontrados originalmente por um fazendeiro chamado William "Mac" Brazel. Nos primeiros dias de Julho de 1947, (provavelmente a 3) teria havido uma grande tempestade local, e algumas testemunhas afirmam ter ouvido um estrondo , entre os trovões, que não lhes era semelhante. Numa data incerta após a tempestade, W. Brazel, enquanto andava a cavalo com Timothy, de sete anos de idade, um filho de vizinhos seus, deparou-se, a cerca de doze quilómetros do rancho em que vivia, com uma série de destroços. Brazel estava acostumado a encontrar restos de balões meteorológicos, mas estes, segundo as suas próprias palavras, eram diferentes. Estavam espalhados por uma área bastante grande e não tinha as habituais instruções para devolução âs entidades oficiais. "Tenho a certeza que o que encontrei não foi nenhum balão de observação meteorológica", disse ele. "Mas se eu encontrar mais alguma coisa para além de uma bomba, eles vão ter dificuldade em conseguir que eu diga alguma coisa sobre o assunto". Os animais evitavam a área.
A história do objeto encontrado caiu no esquecimento até 1978, quando o físico nuclear e ufólogo Stanton Terry Friedman ouviu falar pela primeira vez do caso através de Lydia Sleppy, que trabalhara numa estação de rádio em Albuquerque. Ela mencionou que há alguns anos a sua estação tinha recebido uma chamada da sua filial em Roswell, Novo México, sobre um "disco" acidentado, e foi-lhe pedido que escrevesse a história. A fonte de Roswell dissera que um disco se tinha despenhado e estava a ser enviado para Wright Field em Ohio. Segundo Lydia Sleppy, enquanto transmitia o relato para a Associated Press, foi interrompida por uma mensagem: "Não continue com a transmissão, FBI". Completamente por acaso, Friedman ouviu falar de Jesse Marcel, sobre quem pairavam rumores de já ter tocado um disco voador e procurou-o.Marcel era a única pessoa que se sabia ter acompanhado os destroços do local onde foi encontrado até Fort Worth, e foi entrevistado em 1979 por Moore e Friedman. As afirmações feitas por Marcel na entrevista contradizem o que ele havia dito à imprensa em 1947.
Em 1994, Steven Schiff, congressista do Novo México, pediu à General Accounting Office (GAO) - Escritório Geral de Auditoria que buscasse a documentação referente ao Caso Roswell. Quando a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) recebeu a petição da GAO, publicou dois relatórios conclusivos sobre o caso: o primeiro, de 25 páginas, intitulado O relatório Roswell: a verdade diante da ficção no deserto do Novo México (The Roswell Report – Fact versus Fiction in the New Mexico Desert) , foi publicado ainda em 1994 e se concentra na origem dos destroços encontrados. Já o segundo, publicado três anos depois e denominado O incidente de Roswell: caso encerrado (The Roswell report : case closed), aborda os relatos de corpos de alienígenas. No primeiro relatório a USAF afirmava que os restos encontrados eram de balões do Projeto Mogul, altamente secreto, projetado para detectar possíveis testes nucleares soviéticos (o primeiro teste nuclear soviético só aconteceria em 1949). Para isso, detectores acústicos de baixa frequência eram colocados em balões lançados a altas altitudes. Outros pesquisadores também chegaram, de forma independente, à relação entre Roswell e o Projeto Mogul: Robert Todd, e Karl Pflock, autor de Roswell: Inconvenient Facts and the Will to Believe.[carece de fontes?] O relatório de 1997 (Case Closed) conclui classificando as alegadas testemunhas em duas categorias: "confusas" ou "tentando perpetrar um embuste, acreditando que nenhum esforço sério seria feito para verificar as suas histórias".
A partir de 1979, após as declarações de Jesse Marcel, a versão oficial dos acontecimentos começou a ser posta em dúvida. A opinião pública também, decorridos mais de trinta anos, tinha menos confiança nos governos. Já se tinham dado os escândalos de Watergate (1974) e o caso Irão- Contras (1987), que contribuíram para o sentimento de muitos cidadãos de que as autoridades costumavam mentir e escondiam fatos.
Publicações e procura de testemunhos
Em 1980, foi publicado o primeiro de centenas de livros sobre o assunto: The Roswell Incident, de William Leonard Moore e Charles Berlitz, baseado nos testemunhos de cerca de noventa indivíduos. Berlitz, professor e linguista, já era conhecido na altura como autor de livros sobre temas pseudocientíficos como a Atlântida, o Triângulo das Bermudas e outros. Os autores alegam encobrimento do episódio logo no seu início, com pressão sobre as testemunhas, essencialmente sobre William Brazel, mantido sob custódia militar por cerca de uma semana, e que não tardaria a arrepender-se de ter sequer falado do assunto. Pela primeira vez são mencionados supostos cadáveres de alienígenas, que contudo Brazel nunca referiu.
Roswell como mito moderno americano
Em 1997, os antropólogos Benson Saler, Charles Ziegler e o físico, engenheiro e meteorologista Charles Moore publicam UFO Crash at Roswell: the genesis of a modern myth. Para os dois antropólogos, o "mito de Roswell" não passa de um "motivo folclórico tradicional revestido com trajes modernos". Ziegler desdenha os testemunhos contidos nos vários livros até aí publicados sobre o caso - que deveriam ser classificados pelas bibliotecas como relatos de ficção - e propõe nova terminologia: os testemunhos seriam antes "lendas personalizadas" e as testemunhas seriam "traditores". Explica Ziegler que um traditor é "um portador activo das tradições de um grupo (neste caso, o grupo OVNI) que as pode comunicar verbalmente de uma forma eficaz." Quanto aos autores dos livros sobre Roswell, o seu papel seria similar ao dos folcloristas que registaram os contos folclóricos que a maioria de nós aprendeu quando crianças.
Majestic 12
Em 1984, Jaime Shandera, ligado aos meios ufologistas, recebeu na caixa do correio um envelope contendo um rolo de película de 35mm a preto e branco que, quando revelado, mostrava imagens de oito páginas de documentos oficiais descrevendo a "Operação Majestic 12". Os documentos supostamente revelavam um comité secreto de 12 indivíduos, autorizado pelo Presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman em 1952, e explicavam como a queda de uma nave espacial alienígena em Roswell em Julho de 1947 tinha sido escondida, como a tecnologia alienígena recuperada poderia ser explorada, e como os Estados Unidos deveriam envolver-se com a vida extraterrestre no futuro.


