Pesquisa · Mapa mental

Betty e Barney Hill

Barney e Betty Hill foi um casal norte-americano que alegou haver sido abduzido por alienígenas em 1961. A história ficou conhecida como o Caso Hill. Barney morreu de hemorragia cerebral em 25 de fevereiro de 1969 com 46 anos e Betty Hill morreu de câncer em 17 de outubro de 2004 com 85 anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Histórico

Os Hill moravam em Portsmouth, New Hampshire. Barney (1922–1969) era funcionário dos correios e Betty (1919-2004) era assistente social. Membros ativos da Igreja Unitarista, os Hill também eram membros da NAACP e líderes comunitários e Barney fazia parte do conselho local da Comissão de Direitos Civis.

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O encontro com o OVNI

A alegada abdução, de acordo com diversos depoimentos dados pelo casal durante algum tempo, teve início no anoitecer de 19 de setembro de 1961, quando os Hill retornavam de carro de suas férias em Quebec para Portsmouth. Havia poucos carros na Rota 3 enquanto viajavam para o sul. Ao sul de Groveton, New Hampshire, o casal disse ter visto um ponto brilhante de luz no céu. Enquanto Barney prestava atenção à estrada, Betty disse que estava vendo um satélite de comunicações e pediu a Barney que parasse o carro para olhar mais atentamente e levar seu cachorro, Delsey, para caminhar. Preocupado com a presença de ursos, Barney carregava uma pistola que tinha na mala do carro. Betty, cuja irmã havia confidenciado a ela ter visto um disco voador anos antes, usou um binóculo para observar o objeto, que piscava luzes multicoloridas enquanto se movia contra a imagem da lua. Barney, que não prestara maior atenção ao objeto, acreditou que a luz era de uma aeronave convencional.

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O dia seguinte

Ao chegar em casa de madrugada, os Hill afirmaram que experimentaram sensações e impulsos estranhos que não conseguiam explicar: Betty insistia em deixar sua bagagem perto da porta dos fundos, ao invés de no interior da casa. Barney notou que a correia de couro do binóculo havia sido arrancada e ele não se lembrava de como isso acontecera. Barney diz ter sentido uma compulsão de examinar seus genitais no banheiro, embora não encontrasse nada de incomum. Ambos tomaram um longo banho para remover qualquer contaminação e cada um fez um desenho daquilo que observou. Seus desenhos eram semelhantes. Perplexos, os Hill disseram que tentaram reconstruir a cronologia dos eventos, desde o momento em que observaram o OVNI até sua chegada em casa. Mas imediatamente após o momento em que ouviram os zumbidos, suas recordações pareciam incompletas e fragmentadas, e o casal não conseguiu determinar uma cadeia contínua de eventos. Barney lembrava ter dito "Ah não, de novo não", embora não pudesse ligar o comentário a um contexto.

Depoimento inicial para a Força Aérea dos EUA

Em 21 de setembro, Betty telefonou para a base da força aérea em Pease para relatar seu encontro com o OVNI, embora ocultasse alguns detalhes por medo de ser considerada insana. Em 22 de setembro, o major Paul W. Henderson telefonou para os Hill para uma conversa mais detalhada, que durou aproximadamente 30 minutos. O relatório de Henderson, datado de 26 de setembro, determinou que os Hill provavelmente se confundiram com o planeta Júpiter. Seu relatório foi encaminhado para o Projeto Blue Book ("Livro Azul"), o projeto de pesquisa sobre OVNIs da Força Aérea dos EUA. Poucos dias depois do encontro, Betty tomou emprestados vários livros sobre OVNIs da biblioteca local. Um deles fora escrito pelo major aposentado dos fuzileiros navais americanos, Donald E. Keyhoe, que também era líder do NICAP, um grupo civil de pesquisas sobre OVNIs.

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A entrevista de Webb

Webb se encontrou com os Hill em 21 de outubro de 1961. Em uma entrevista de seis horas, os Hill relataram o que se lembravam de seu encontro com o OVNI. Barney afirmou que tiveram uma espécie de "bloqueio mental" do encontro e suspeitava de que havia partes do encontro de que não desejava recordar. Webb especulou que o pânico do casal com o avistamento próximo de um OVNI gerara os pesadelos de Betty.

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Os sonhos de Betty

Em novembro de 1961 Betty começou a anotar os detalhes de seus pesadelos vívidos e recorrentes. No sonho Betty parecia estar lutando para recuperar a consciência, percebendo então que estava sendo forçada por dois homens pequenos a caminhar mata adentro durante a noite, vendo Barney caminhando ao seu lado, embora quando o chamasse ele parecesse estar em transe ou sonâmbulo. Os homenzinhos tinham cerca de um metro e meio de altura e usavam uniformes, com quepes semelhantes aos usados pela força aérea americana. Não tinham cabelo e suas testas eram largas e bulbosas. Nos sonhos Betty, Barney e os homenzinhos subiam uma rampa em uma aeronave em forma de disco de aparência metálica. Lá dentro Barney e Betty foram separados. Betty protestou e um homem que chamava de "o líder" disse que se ela e Barney fossem examinados juntos os exames levariam muito mais tempo. Ela e Barney foram levados para aposentos separados. Embora o líder e os outros homens falassem com ela em inglês não pareciam dominar bem a língua e tinham dificuldade de se comunicar.

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Ajuda médica e mais entrevistas

Tempo perdido

Em 25 de novembro de 1961 os Hill foram novamente entrevistados longamente pelos membros da NICAP, dessa feita por C.D. Jackson e Robert E. Hohman. Tendo lido o relatório inicial de Webb, Jackson e Hohman tinham muitas perguntas para os Hill. Uma das principais perguntas era sobre a duração do evento. Nem Webb, nem os Hill, notaram que embora a viagem devesse durar aproximadamente quatro horas, o casal só chegou em casa sete horas após sua partida. Quando Hohman e Jackson ressaltaram essa discrepância para os Hill, o casal ficou atônito, sem conseguir explicar (uma circunstância frequente relatada em casos alegados de abdução por alienígenas, que alguns chamam de "tempo perdido"). No entanto Betty foi capaz de lembrar de uma imagem da lua brilhando no chão.

Uma revelação em particular

Em 23 de novembro de 1962, os Hill compareceram a uma reunião no presbitério de sua igreja, em que o palestrante convidado era o capitão Ben. H. Swett, da Força Aérea dos EUA, que publicara recentemente um livro de poesia. Após o capitão ler uma seleção de suas poesias, o pastor pediu que falasse sobre seu interesse pessoal em hipnose. Após o término da reunião, os Hill conversaram com o capitão Swett em particular e contaram sobre o que lembravam de seu estranho encontro. Ele se mostrou particularmente interessado no "tempo perdido" da história dos Hill. Os Hill perguntaram a Swett se poderia hipnotizá-los para que recuperassem suas lembranças, mas Swett disse que não estava qualificado para aquilo e os avisou que evitassem hipnotizadores amadores, como ele.

Primeira revelação pública

Em 3 de março de 1963, os Hill discutiram seu encontro com um OVNI publicamente pela primeira vez, com um grupo em sua igreja. Em 7 de setembro de 1963, o capitão Swett deu uma palestra formal sobre a hipnose para uma reunião na Igreja Unitarista. Após a palestra, os Hill disseram a Swett visitaria um psiquiatra. dr. Stephens, de quem gostava e em quem confiava. O capitão Swett sugeriu a Barney que perguntasse ao dr. Stephens o que achava do uso da hipnose em seu caso. Quando se encontrou novamente com dr. Stephens, Barney perguntou sobre a hipnose. O dr. Stephens recomendou aos Hill que procurassem o dr. Benjamim Simon, em Boston. Em novembro de 1963, os Hill falaram para um grupo amador de estudos sobre OVNI no Quincy Center, em Massachusetts.

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As sessões de hipnose do dr. Simon

O dr. Simon começou as sessões de hipnotismo com os Hill em 4 de janeiro de 1964. Betty e Barney foram hipnotizados diversas vezes cada um e as sessões continuaram até 6 de junho de 1964. As sessões de hipnotismo aconteceram separadamente, para que um não escutasse as recordações do outro.

As sessões de Barney

Barney foi hipnotizado primeiro. Suas sessões foram frequentemente emocionais, pontuadas por rompantes de raiva, expressões de medo e episódios de choro histérico. Barney disse que, por causa do medo, manteve os olhos fechados durante a maior parte do encontro no OVNI. Com base nessas respostas iniciais, o dr. Simon disse a Barney que não se lembraria das sessões de hipnose até ter certeza de poder lidar com as lembranças sem ficar mais traumatizado ainda. Hipnotizado, Barney revelou ainda que a correia do binóculo partiu quando ele correu do OVNI para o carro. Lembrou de dirigir o carro para longe do OVNI, mas que depois se sentiu irresistivelmente compelido a sair da estrada e dirigir mata adentro. Acabou avistando seis homens na mata. Ordenando que Barney parasse de dirigir, três dos homens se aproximaram do carro. Disseram a Barney para não temê-los. Contudo, ele continuava ansioso e relatou que o líder pediu que fechasse os olhos. Enquanto estava hipnotizado, Barney disse, "senti como se seus olhos tivessem penetrado nos meus."

As sessões de Betty

As sessões de hipnose de Betty não eram tão movimentadas. Hipnotizada, sua narrativa foi muito similar a seus sonhos recorrentes sobre o encontro com o OVNI, com duas diferenças marcantes: quando hipnotizada, os homens não tinham nariz grande, nem cabelo. O dr. Simon sugeriu que Betty fizesse um esboço do "mapa estelar". Ela hesitou, achando que não seria capaz de descrever com precisão a qualidade tridimensional do mapa que viu na nave. Por fim, no entanto, fez o que o dr. Simon sugeriu. Embora dissesse que o mapa tinha muitas estrelas, desenhou apenas aquelas de que lembrava. Seu mapa consistia em doze estrelas maiores conectadas e três estrelas menores que formavam inconfundivelmente um triângulo. Segundo ela, lhe foi dito que as estrelas conectadas por linhas cheias eram "rotas comerciais", enquanto as linhas tracejadas representavam rotas menos navegadas.

Conclusões do dr. Simon

Depois de extensas sessões de hipnose, o dr. Simon concluiu que as lembranças de Barney do encontro com o OVNI eram uma fantasia inspirada pelos sonhos recorrentes de Betty. Embora o dr. Simon admitisse que essa hipótese não explicava todos os aspectos da experiência, acreditava que essa era a explicação mais plausível e coerente. Barney rejeitou essa ideia, observando que embora as recordações do casal se interligassem de alguma maneira, havia partes de ambas as narrativas que eram únicas de cada uma. Agora, Barney estava pronto para aceitar que eles haviam sido abduzidos pelos ocupantes de um OVNI, embora nunca aceitasse o fato tão completamente quanto Betty.

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Publicidade após as sessões de hipnose

Os Hill retomaram suas vidas normais. Estavam dispostos a discutir o encontro com o OVNI entre amigos, família, e um pesquisador de ONVIs ocasional, mas os Hill aparentemente não se esforçaram para buscar publicidade. Todavia, em 25 de outubro de 1965, um artigo de jornal mudou tudo: uma história de primeira página no Boston Traveler perguntava "O Mistério do OVNI: Teriam "Eles" Raptado um Casal?" O repórter John H. Lutrell, do Traveler, recebera uma fita de áudio com a gravação da palestra dos Hill no Quincy Center no início de 1963. Lutrell soube que os Hill se submeteram à hipnose com o dr. Simon e obteve notas das entrevistas dos Hill com os investigadores. Em 26 de outubro, o artigo de Lutrell chegou à UPI e os Hill passaram a receber atenção internacional. Em 1966, o escritor John G. Fuller obteve a colaboração dos Hill e do dr. Simon para escrever The Interrupted Journey ("A Viagem Interrompida"), um livro sobre o caso. O livro incluía uma cópia do desenho que Bete fez do "mapa estelar". O livro fez sucesso rapidamente e teve várias edições.

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Explicação cética do caso

Os céticos acreditam que Betty Hill tinha uma personalidade propensa à imaginação. Diferentes indicadores psicológicos apontam nesse sentido. Primeiro, ela era fácil de hipnotizar, o que é um traço de personalidade fortemente correlacionado a tendências projetivas. Ademais, depois da suposta visão do UFO, ela leu livros relacionados ao assunto e passou a ter sonhos vívidos, o que é outra característica de uma personalidade imaginativa. A análise dos céticos é: através de hipnose, Betty e Barney Hill desenvolveram ambos a síndrome da falsa memória. Antes do casal consultar um hipnoterapeuta, Betty contou seus sonhos vívidos ao marido, o que explica os elementos comuns do testemunho dos dois. A história dos Hill tornou-se a narrativa padrão para quase todas as alegadas abduções posteriores.

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