Cartum
Cartum é a capital do Sudão e a segunda maior cidade do país, com população de 1 410 858 habitantes de acordo com o censo de 2008. Abriga um porto fluvial na confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco, na zona leste-central do país. Foi fundada pelos egípcios em 1821 e ainda hoje é marcada pela pobreza, com exceção de raras áreas exclusivas. Poucas ruas são pavimentadas, apesar de o centro da cidade ser bem planejado. Cartum é um centro administrativo, econômico e comercial do Sudão. Dentre as indústrias que se destacam, estão as de alimentação, tecidos e manufacturas de vidros.
A palavra Cartum é derivada do árabe Al-Khartūm (الجرطوم), que significa "tromba de elefante", provavelmente referindo-se à faixa estreita de terra que se estende entre o Nilo Azul e o Nilo Branco. O capitão J. A. Grant, que chegou a Cartum em 1863 com a expedição do capitão Speke, achava que a palavra era derivada mais provavelmente do cártamo (Carthamus Tinctorius L.), chamado de gartoon, e que era amplamente cultivado no Egito por causa do seu óleo.[carece de fontes?]
Dos primeiros assentamentos ao século XVIII
Os primeiros assentamentos em Cartum datam entre 4000 e 3 500 a.C. Em áreas próximas à cidade atual, os núbios e outras culturas utilizavam a cerâmica, artefatos encontrados deste material foram classificados entre os mais antigos conhecidos na África. Em Shaheinab, um sítio arqueológico situado nas redondezas, pesquisas recentes descobriram evidências da domesticação de animais pelos núbios. Entre 540 e 1504, Cartum sofreu influência cristã na religião e cultura. Foi neste período que Sobate, uma cidade situada 20 quilômetros a sudeste da cidade atual, surgiu como capital e centro da política eclesiástica do Reino de Alódia. Entre 1504 e 1821, período do Sultanato de Senar, o poder de Sobate se transferiu para a cidade de Senar, localizada a aproximadamente 290 quilômetros ao sul de Cartum, na margem oeste do Nilo Azul. Foi durante este período de transformação política que ocorreu o declínio de Sobate como capital e como centro político.
Da fundação à independência
Ibraim Paxá, soberano otomano do Egito, invadiu a região com suas tropas e fundou Cartum em 1821 como um entreposto para o exército egípcio. A força invasora era composta por oficiais turcos, circassianos e albaneses. O povoado cresceu e se consolidou como centro regional de comércio, incluindo o comércio escravagista. O período turco-egípcio do Sudão foi marcado pela violência e exploração. A captura e venda de escravos, a exploração de minas de ouro e a caça de elefantes por causa do marfim foram controladas por um monopólio estatal até 1840. Estas atividades ajudaram no desenvolvimento urbano de Cartum. Em 1830, Cartum foi oficialmente reconhecida como capital da região de Bilad As-Sudan. Esta nova condição trouxe modernização e desenvolvimento da infra-estrutura da cidade. Em 1860, os edifícios mais importantes da cidade era o palácio do governador, os edifícios governamentais, dois quartéis de grande porte, um hospital, uma escola, uma mesquita, duas igrejas e os estaleiros. No final do século XIX, Cartum estava impregnada pela corrupção. Os líderes religiosos, as pessoas mais influentes e os comerciantes pró-governo eram todos responsáveis pela corrupção do governo e miséria do povo.
Após a independência
Em 1973, a cidade foi palco de uma crise de reféns na qual membros do grupo terrorista Setembro Negro mantiveram dez pessoas presas na embaixada da Arábia Saudita, cinco das quais eram diplomatas; o embaixador americano, o vice-embaixador e o chargé d'affaires belga foram assassinados, enquanto os reféns restantes foram libertados posteriormente. Um documento de 1973 do Departamento de Estado dos Estados Unidos, divulgado ao público em 2006, concluiu que "a operação de Cartum foi planejada e executada com o conhecimento integral e a aprovação pessoal de Yasser Arafat." O primeiro oleoduto entre Cartum e Porto Sudão foi completado em 1977. Ao longo das décadas de 1970 e 80, Cartum foi o destino de centenas de milhares de refugiados, que fugiam de conflitos nas nações vizinhas, como o Chade, Eritreia, Etiópia e Uganda. Os refugiados eritreus e etíopes foram assimilados à sociedade, enquanto alguns dos outros refugiados acabaram por se estabelecer em grandes favelas na periferia da cidade. A partir da metade da década de 1980, grandes números de pessoas vindas do Sudão Meridional e de Darfur, fugindo da violência da Segunda Guerra Civil Sudanesa e do conflito em Darfur, procuraram refúgio na cidade.
A cidade de Cartum está localizada nas coordenadas 15° 38' Norte e 32° 32 Leste, na confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco, que formam o grande Nilo, sua altitude média é de 379 m acima do nível do mar. A Grande Cartum é formada por três cidades distintas - a própria Cartum, Cartum do Norte ou Bahri e Ondurmã - que estão divididas pelo Nilo e seus dois formadores. O Nilo Azul corre entre Cartum e Cartum do Norte, o Nilo Branco entre Cartum e Ondurmã e o grande Nilo entre Cartum do Norte e Ondurmã. A confluência dos Nilos Azul e Branco, conhecida como Al-Mogran, está localizada logo ao norte da ponte que liga Cartum a Ondurmã.
Clima
Cartum possui um clima quente e árido, com precipitação significativa apenas nos meses de julho e agosto. Cartum apresenta precipitação média anual de pouco mais de 155 mm. Baseado na média anual das temperaturas, Cartum é possivelmente a mais quente das grandes cidades do planeta. A temperatura pode ultrapassar os 47 °C no meio do verão.
A Grande Cartum é constituída pela aglomeração urbana das cidades de Cartum, Cartum do Norte (ou Bahri; em inglês: Khartoum North; em árabe: al-Khartūm Bahrī) e Ondurmã (em árabe: Umm Durmān). A aglomeração urbana apenas da cidade de Cartum é constituída pela população total do distrito de Cartum (Alkhartoum; 639 598 hab. em 2008) e pela população urbana do distrito Cartum Sul (Jabal Awliya; 771 260 hab. em 2008). Tanto em Cartum como na Grande Cartum os homens representam 53,4% da população enquanto as mulheres representam 46,6%. A população da Grande Cartum abrange 81% da população total do estado de Cartum e 100% da população urbana do estado.
Aéreo
Cartum é a sede do maior aeroporto do Sudão, o Aeroporto Internacional de Cartum, e o principal centro da Sudan Airways, principal linha aérea do Sudão. O aeroporto foi construído na margem sul da cidade, mas com o rápido crescimento de Cartum e a consequente expansão urbana, o aeroporto atualmente está localizado no coração da cidade. Um novo aeroporto internacional está sendo construído atualmente na cidade de Ondurmã. Ele irá substituir o atual aeroporto de Cartum como o principal aeroporto do Sudão, seguido pelo Aeroporto de Juba e o Aeroporto de Porto Sudão.
Pontes
As seguintes pontes que atravessam o Nilo Azul e ligam Cartum à Cartum do Norte: As seguintes pontes que atravessam o Nilo Branco e ligam Cartum à Ondurmã: As pontes cruzadas que ligam Ondurmã à Cartum do Norte: As seguintes pontes cruzadas sobre a Ilha Tuti que ligam as três cidades:
Férreo
Cartum tem linhas de trem para o Egito, Porto Sudão e Al-Ubayyid. Além de linhas ferroviárias estendido a algumas partes ao sul.
Museus
O maior museu de Cartum, e de todo o Sudão, é o Museu Nacional do Sudão, fundado em 1971, que contém obras de diferentes períodos da história sudanesa. Entre as suas exibições estão os dois templos egípcios de Buém e Semna, construídos originalmente pela rainha Hatexepsute e pelo faraó Tutemés III, respectivamente, e que foram relocados para Cartum com a criação do lago Nasser. Outro museu da cidade é o Museu do Palácio, localizado ao lado do histórico Palácio Presidencial, na rua Nilo Azul.
Cartum tem protocolos de geminação com as seguintes cidades:


