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Carnaval do Rio de Janeiro

Carnaval do Rio de Janeiro é uma festa popular de cunho religioso e histórico-social realizada durante cinco dias consecutivos no mês de fevereiro desde 1893 com a criação do primeiro rancho carnavalesco, o "Rei de Ouros", pelo baiano, filho de escravos libertos, Hilário Jovino Ferreira. Esse festival é considerado o maior carnaval do mundo pelo Livro dos Recordes. Trata-se de uma celebração mundialmente famosa, constituída por diferentes tipos de manifestações culturais, como desfiles de escola de samba, bailes de máscaras, festas móveis dos blocos de embalo seguidos por seus foliões fantasiados, e ainda bandas de rua e blocos de enredo, chamados de cordões. Também se caracteriza pela irreverência e banalidade, pelos nomes de duplo sentido e pela diversidade cultural, musical e sexual.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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História

A origem do carnaval no Rio de Janeiro, começa a partir da introdução do entrudo na cidade, uma manifestação cultural de origem portuguesa, em que se brinca o carnaval. No Rio de Janeiro, o entrudo é mencionado no início do século XVII. Por volta de 1600, registros indicam que a população local já praticava o entrudo. A festa da aclamação de D. João, em 1641, promovida pelo governador Martim Correia de Sá, no Rio de Janeiro, também é considerada uma precursora do carnaval brasileiro. No Rio de Janeiro, tanto as pessoas escravizadas quanto as famílias de origem europeia participavam do entrudo. Os "limões de cheiro", bolas de cera que levavam em seu interior água e, em alguns casos, urina, eram arremessadas das janelas nos passantes. A partir de 1846, o carnaval no Rio de Janeiro começa a se transformar: surgem os primeiros bailes de máscaras e, posteriormente, os primeiros blocos carnavalescos organizados, que posteriormente viria influenciar todo o carnaval do Brasil.

Bailes

O carnaval da capital francesa foi um dos elementos de influência, fazendo com que a folia do Rio de Janeiro rapidamente apresente bailes mascarados aos moldes parisienses. Inicialmente promovidos ou incentivados pelas Sociedades Dançantes que existiam na cidade (como a Constante Polka, por exemplo) esses bailes acabariam por ser suplantados pelos bailes públicos, como o famoso baile público do Teatro São Januário promovido por Clara Delmastro. O grande sucesso dos bailes acabaria por incentivar outras formas de diversão, como os passeios ou promenades aos moldes do então já quase extinto carnaval romano. A ideia de se deslocar para os bailes em carruagens abertas seduzia a burguesia, que via, aí, uma oportunidade de exibir suas ricas fantasias ao povo e "civilizar" o carnaval de feição 'entruda'.

Sociedades Carnavalescas

Aos poucos essas promenades acabariam por adquirir uma certa independência em relação aos bailes até que, em 1855, um grupo de cidadãos notáveis organizaria aquele que ficou conhecido como o primeiro passeio de uma sociedade carnavalesca por uma cidade brasileira: o desfile do Congresso das Sumidades Carnavalescas. O sucesso desse evento abriria as portas para o surgimento de dezenas de sociedades carnavalescas que, em poucos anos, já disputariam entre si o exíguo espaço do centro da cidade durante os dias de carnaval.

Blocos e Cordões do carnaval de rua

O Rio de Janeiro é a cidade que, podemos dizer, tem mais tradição quando o assunto é blocos de rua. Desde meados do século XIX, as pessoas saiam às ruas na cidade maravilhosa para se divertir e pular o carnaval em qualquer tipo de organização (ou desorganização). Nos anos 30, o prefeito Pedro Ernesto oficializou o Carnaval carioca. E a partir daí, a cidade passou a brincar também em grupos de categorias separadas, como blocos, ranchos, cordões, Zé Pereiras, corso e sociedades. Grupos mais organizados e com muitos participantes. O carnaval de rua sempre começa antes da data oficial, entre os dias 15 e 22 de janeiro; a partir desse período os blocos começam a sair às sextas-feiras e fins de semana e no dia de São Sebastião. Os primeiros blocos a sair são sempre: Aconteceu..., Bloco da Preta, Céu na Terra, Em Cima da Hora, Ih! É Carnaval, Me Enterra na Quarta; entre outros. Atualmente, o carnaval popular da cidade tem nos blocos Afroreggae, Banda de Ipanema, Bagunça Meu Coreto, Bangalafumenga, Boêmios de Irajá, Cordão da Bola Preta, Carmelitas, Empolga às 9, Escravos da Mauá, Herdeiros da Vila, Me Beija Que Eu Sou Cineasta, Monobloco, Orquestra Voadora, Quizomba, Sargento Pimenta, Vaga lume o Verde, Vai Barrar? Nunca!, Volta Alice entre outros.

Clubes de frevo

Foram uma manifestação comum entre a década de 1930 e a década de 1990, quando se encerrou o desfile competitivo. Desfilaram pela última vez em 2017 os clubes Flôr do Estácio, Frevo Comunidade da Raia, Frevo Santa Teresa e Alegria do Rio.

Escolas de samba

As escolas de samba têm como precursores os ranchos carnavalescos. O "Rei de Ouros", criado em 1893 pelo baiano Hilário Jovino Ferreira, foi o primeiro rancho de carnaval, responsável por apresentar novidades como o enredo, personagens como o casal de mestre-sala e porta-bandeira e o uso de instrumentos de cordas e de sopro. No final dos anos 1920 o Brasil buscava criar uma identidade capaz de diferenciá-lo dentro da nova ordem mundial estabelecida após a Primeira Grande Guerra. O conceito de negritude se destacava mundialmente valorizando as produções culturais negras como a Arte africana e o jazz. A festa carnavalesca e o novo ritmo de base negra recém surgido, o samba, seriam as bases para a formulação de um sentido de brasilidade. A valorização do samba e da negritude acabariam aumentando o interesse da intelectualidade nos novos "grupos de samba" que surgiam nos morros cariocas. Esses grupos passariam a se apresentar "no asfalto", ou seja, longe dos guetos dos morros, sendo chamados de escolas de samba.

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Blocos de Rua

Nos anos 2000, o carnaval de rua do Rio de Janeiro voltou a crescer, sendo homologado oficialmente pelo Guinness Book (o Livro dos Records), em 2004, como sendo o maior carnaval do mundo, com aproximadamente 2 milhões de pessoas por dia e um número de 400 mil visitantes estrangeiros. Em 2014, de acordo com dados da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), o carnaval de rua da cidade teria levado mais de 5 milhões de foliões às ruas, dos quais, destes, 918 mil seriam turistas, mas sem especificar exatamente a quantidade de estrangeiros. Teria, também, movimentado cerca de 2 bilhões de reais na economia local.

Cordão da Bola Preta

No ano de 1918, surge o famoso Cordão da Bola Preta, que, segundo muitos afirmam, nunca foi um "cordão" propriamente dito, mas um bloco cuja finalidade e missão contida em seus estatutos era revigorar e reviver as tradições dos antigos "cordões" que haviam desaparecido. O bloco tem em sua marcha, a "Marcha do Cordão da Bola Preta", uma das mais famosas e emblemáticas músicas do carnaval brasileiro, eternizada pelos versos "Quem não chora, não mama": O Cordão da Bola Preta foi fundado por Álvaro Gomes de Oliveira (também conhecido como "Caveirinha"), Francisco Brício Filho (Chico Brício), Eugênio Ferreira, João Torres e os três irmãos Oliveira Roxo, Jair, Joel e Arquimedes Guimarães, no ano de 1918. Caveirinha teria dado o nome ao bloco ao ver passar uma linda mulher com vestido branco com bolas pretas.

Nomes engraçados e de duplo sentido

Característica marcante do carnaval de rua do Rio, os nomes engraçados e de duplo sentido chamam atenção, como é o caso dos blocos: A Nega Indoidô; Apertado Mas Entra; Bafo da Onça; Boka de Espuma; Bloco dos Impussivi; Cacique de Ramos; Concentra, mas Não Sai; Deixa a Língua no Varal, Deita Mas Não Dorme; Enxota Que Eu Vou; É Mole, Mas Estica!; Imaginô? Agora Amassa!; Imprensa que eu Gamo; É Pequeno, Mas Vai Crescer; Largo do Machado Mas Não Largo do Copo; Loucura Suburbana; Melhor Ser Bêbado do Que Ser Corno; Mulheres de Chico; Mulheres Rodadas; Nem Muda Nem Sai de Cima; Parei de Mentir, Não de Beber; Planta na Mente; Pinta Mas Não Borra; Põe na Quentinha?; Que Merda é Essa?!; Rola Preguiçosa Tarda Mas Não Falha; Senta Que Eu Empurro; Se Cair, Eu Como; Simpatia É Quase Amor; Suvaco do Cristo; Te Vejo Por Dentro... Sou da Radiologia!; Último Gole; Vestiu Uma Camisinha Listrada e Saiu Por Aí; Virilha de Minhoca; Vem Comigo Cachaçada!; Vem Cá Me Dá; e Xupa Mas Não Baba.

Decreto proibindo venda de abadás

No ano de 2013, o então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, publicou decreto no Diário Oficial proibindo a venda de abadás e qualquer outro tipo de restrição ou demarcação de áreas privadas durante os desfiles dos blocos de rua na cidade, com o fim de garantir que o carnaval de rua carioca permanecesse como uma festa popular, gratuita e acessível à participação de toda e qualquer pessoa. O carnaval de rua do Rio é tido, constantemente, como um dos mais democráticos e acessíveis do país, não só por oferecer vasta diversidade temática, rítmica e cultural, mas também por permitir a participação gratuita de quem deseja participar da festa. Todos os blocos e bandas da cidade são gratuitos.

"Blocos Temáticos"

Com o ressurgimento do carnaval de rua carioca veio também uma intensa diversificação musical e cultural em geral, o que pode ser observado no aparecimento dos "blocos temáticos", que surgem como característica marcante da festa, a exemplo dos blocos: Sargento Pimenta, que desfila ao som da banda inglesa The Beatles; Pra Iaiá, composto exclusivamente por fãs e ex-músicos do grupo musical Los Hermanos; Terreirada Cearense, que tem como foco a música de raiz do Nordeste; Rio Maracatu, que entoa ritmos pernambucanos; do Super Mario Bloco, bloco nerd fundado em 2012; o New Kids on the Bloco, novo nome da tradicional Banda da Rodolfo Dantas realiza grande sucessos da música pop em versões mais instrumentais. E o Thriller Elétrico, que reúne fãs do cantor Michael Jackson. A Associação de Profissionais e Amigos do Funk cria um bloco dedicado ao funk carioca.

Marchinhas - Patrimônio Imaterial do Rio

Em 2015, época dos 450 anos da cidade, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) passou a reconhecer as marchinhas de carnaval como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro, por considerá-las uma manifestação tipicamente carioca e um gênero musical que se popularizou por todo o país, contribuindo para o legado de diversos artistas e ajudando a construir a identidade carnavalesca carioca e nacional.

Blocos estrangeiros na festa

A diversidade do carnaval de rua carioca vai além da variedade de ritmos e temas, englobando, também, desfiles de blocos formados por estrangeiros, como foi o caso do bloco britânico Carnaval Transatlântico, que estreou em 2014, e do bloco francês Ulalá Balancê, surgido no ano de 2013.

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Fontes consultadas

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