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Carlos VI de França

Carlos VI de França, também conhecido como o Bem-Amado e o Louco, foi chefe da casa de Valois e Rei da França de 1380 até sua morte em 1422. Era casado com Isabel da Baviera, com quem teve doze filhos legítimos, incluindo o seu sucessor Carlos VII.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Primeiros anos

Carlos nasceu em Paris, primogênito de Carlos V, o Sábio, e de Joana de Bourbon. Como herdeiro da coroa ao nascer, recebeu o título de Delfim de França em dezembro de 1368. Jean Froissart o descreveu nas suas Crónicas como sendo uma criança alegre, activa e fascinada pelos grandes feitos militares. Os quatro tios, duques de Anjou, de Berry, da Borgonha e de Bourbon, guardaram o poder até 1388; apenas o duque de Borgonha tinha algum interesse pelo bem público. Em 1380 Carlos subira ao trono por morte do pai, mas como tinha 12 anos a regência ficou entregue a um conselho chefiado pelos seus tios João de Berry, Filipe da Borgonha e Luís de Anjou. Carlos se casou em 17 de julho de 1385 com Isabel da Baviera, filha de Estevão III, Duque da Baviera, poucos dias após ambos terem se conhecido. O casamento foi promovido pelo tio do rei francês, Filipe, o Audaz. O noivo de dezesseis anos de idade ficou tão apaixonado com sua noiva que ele se casou com ela sem um dote ou contrato formal de casamento.

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A loucura

Em 1392 o episódio da travessia da floresta du Mans marca o início da loucura: presa de pânico, teve que ser amarrado sobre uma carruagem. No ano seguinte o acidente do Baile dos Ardentes confirmou a doença. Apesar de nunca ter sido particularmente astuto para a governação, fruto de sua educação desleixada, manteve uma personalidade estável até 1392, ano em que Olivier de Clisson sofreu uma tentativa de assassinato orquestrada pelo Duque João V da Bretanha. Para defender a honra do Condestável, Carlos organizou uma expedição punitiva contra a Bretanha, mas a meio do caminho sofreu um ataque de demência psicótica, o primeiro sinal de esquizofrenia paranoide que o afectou até ao fim da vida. Carlos recuperou sua sanidade, mas por pouco tempo. A partir de então, as crises sucederam-se com intervalos de lucidez curtos e espaçados. Quando se considerou que enlouquecera, Luís I de Valois assumiu a regência de facto, mas foi assassinado em 1407. João Sem Medo, inimigo desde 1404, tentou-se apoderar de sua pessoa, dominando o conselho do rei de 1408 a 1411, sinal da guerra civil dos Armagnacs contra os borgonheses.

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Azincourt

Os últimos anos do reinado de Carlos VI foram marcados pela segunda fase da Guerra dos Cem Anos e pela invasão de França comandada por Henrique V de Inglaterra, que culminou no desastre da batalha de Azincourt. 1415 foi um ano ruim para a França: Henrique V derrotou os franceses, dizimando a nobreza francesa. As tropas inglesas ocuparam o norte do país. Henrique V de Lancaster aproveita a loucura do rei e as querelas entre os membros do conselho da Regência, entre Armagnacs e Borgonheses, e denuncia a trégua assinada em 1396. Desembarca em 13 de agosto de 1415 perto de Harfleur com 1,4 mil navios e um total de 30 mil homens. Os cavaleiros franceses, agrupados ao redor da facção dos Armagnacs, vão a seu encontro para lhe cortar a estrada de Calais. Apesar da vantagem numérica (50 mil combatentes contra 15 mil), os franceses sucumbem, indisciplinados. Pretendem atacar a cavalo as linhas inimigas detrás das quais estão os arqueiros ingleses. Os cavaleiros atacam os arqueiros, pesados em armaduras que pesavam 20 quilos, sem poder se deslocar direito num solo molhado pelas chuvas. No pânico, diante das flechas às centenas, muitos cavaleiros caem dos cavalos e são aprisionados. A maior parte dos prisioneiros (uns 1,7 mil) são degolados pelos arqueiros por ordem do rei inglês, que deseja exterminar a facção dos Armagnacs para reforçar seus aliados borgonheses. Os ingleses não os querem vivos, para trocar por resgate como era costume feudal. As perdas são enormes, do lado francês morrem 10 mil homens, contra 1,5 mil do lado inglês. Azincourt é uma das batalhas mais mortíferas da Idade Média.

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Tratado de Troyes

Carlos já praticamente não tinha contacto com a realidade e estava confinado aos seus aposentos, o que deixou o país entregue às lutas entre João da Borgonha e o Conde Bernardo de Armagnac. O poderoso duque da Borgonha, João Sem Medo, e o herdeiro do trono, o delfim Carlos, se encontraram em 10 de setembro de 1419 sobre uma ponte que atravessa o rio Yonne, em Montereau. Ambos desejavam vencer os ingleses, que dominavam a França depois de sua vitória em Azincourt e já tinham ocupado o ducado da Normandia. João era o chefe do Partido borgonhês. O delfim, chefe do partido armagnac. Depois de sangrentas escaramuças, armagnacs e borguinhões pareciam dispostos a dar fim a sua rivalidade que ameaçava arruinar a monarquia dos Valois, em benefício do rei Henrique V da Inglaterra. Em 19 de setembro um Te Deum em Paris celebra sua reconciliação. Mas os companheiros do delfim guardam rancor pelo duque, pelo assassinato de Luís I de Valois, duque de Orleães, doze anos antes. Um deles ataca João Sem Medo com um machado, na própria presença do delfim. O assassinato reaviva a querela entre os Armagnacs e os Borguinhões, prejudicando a França, e permitindo aos ingleses negociar o infame tratado de Troyes com Isabel da Baviera e seu marido, o infeliz rei louco. Em 1420 Carlos foi trazido a público para assinar o Tratado de Troyes que deserdava o Delfim Carlos, seu filho putativo, a favor de Henrique V. Morreu dois anos depois e foi sucedido por Carlos VII apenas dada a intervenção de Joana d'Arc.

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Casamento e descendência

Imagem: Não encontrado · BY-SA · Openverse

Casou-se em Amiens em 17 de julho de 1385 com Isabel da Baviera (1371-1435), filha de Estêvão III, Duque da Baviera-Ingolstadt. Tiveram: Deixou ainda uma bastarda, tida de Odette ou Odinette de Champdivers (maio de 1389-1424) chamada de pequena rainha ou Petite reine: foi Margarida de Valois, nascida em 1407 e morta em 1458), legitimada em 1428, no primeiro caso conhecido de um rei que legitimou um filho bastardo. Em 1428 foi casada com João III de Harpedanne, senhor de Belleville de Montaigu, com posteridade extinta em 1587.

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