Carlos Salinas de Gortari
Carlos Salinas de Gortari é um economista e político mexicano. Foi presidente do México, de 1988 até 1994.
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Carlos Salinas licenciou-se em economia pela Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) em 1969. Obteve o grau de mestre em administração pública em 1973 e em política económica em 1976 e doutorou-se em governação e política económica, sempre na Universidade de Harvard. Após o seu regresso ao México foi professor na UNAM. Apesar de ser membro do Partido Revolucionário Institucional (PRI) desde os seus tempos de estudante, apenas durante a presidência de Miguel de la Madrid chegaria a ocupar um cargo governamental na secretaria de planeamento e orçamento de 1982 até 1987. A atmosfera política do México começou a mudar durante a década de 1980. O país atravessava uma crise económica, causada sobretudo pelos excessos de despesas das administrações anteriores e pela queda drástica dos preços do petróleo, levando o país a uma situação de grande endividamento. Vários membros importantes do PRI demitiram-se de seus cargos, entre eles Cuauhtémoc Cárdenas, filho de Lázaro Cárdenas del Río, um presidente popular entre os mexicanos durante os anos 30. O Terramoto da Cidade do México de 1985, com os seus quase 10 000 mortos, é por muitos considerado como o catalisador da promoção da democracia e da necessidade de mudança. A resposta da administração de Miguel de la Madrid a esta catástrofe foi muito deficiente, enquanto os cidadãos anónimos organizaram com sucesso equipas de socorro, muitas delas lideradas por conhecidos intelectuais de esquerda.
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Cárdenas inscreveu-se como candidato por uma coligação da oposição denominada Frente Democrático Nacional. Rapidamente se tornou uma figura popular, tornando-se o primeiro candidato da oposição a encher com os seus apoiantes o Zócalo da Cidade do México e ainda o primeiro a ameaçar seriamente o PRI que havia ganho todas as eleições presidenciais desde a sua fundação em 1929. O Ministério do Interior através da Comissão Eleitoral Federal, era a instituição encarregada do processo eleitoral e instalou um sofisticado sistema informático para proceder à contagem dos votos. Em 6 de julho de 1988, o dia das eleições, o sistema informático falhou (se cayó el sistema) e quando finalmente foi posto de novo em funcionamento, Carlos Salinas foi declarado vencedor. Apesar das eleições terem sido extremamente controversas, e de alguns afirmarem que a vitória de Salinas foi legal, a expressão se cayó el sistema tornou-se um eufemismo coloquial para fraude eleitoral.
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Durante os primeiros anos do seu mandato, o presidente Salinas lançou uma série de iniciativas arrojadas como a reversão da nacionalização bancária de 1982, o reatamento das relações com a Igreja Católica e com o Vaticano, alterações à legislação de propriedade das terras e sobretudo negociando o NAFTA com os Estados Unidos da América e o Canadá. Ainda que uma análise global do seu mandato continue a ser um assunto controverso na política mexicana, Carlos Salinas levou a cabo mudanças significativas nas seguintes áreas: Durante esses anos, o México experimentou um forte crescimento econômico e o desenvolvimento de uma "nova classe empresarial" extremamente rica, incluindo cada vez mais bilionários, mas à custa de desigualdades crescentes. Esta política também levou à concentração da mídia, ao controle de alguns grandes patrões sobre a economia e à corrupção endêmica. O especialista em drogas Jean-François Boyer observa que "as privatizações do período 1989-1995 (...) permitiram que os narcotraficantes, com a cumplicidade do Estado e dos narco-políticos, se tornassem uma potência econômica legal".
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Os gastos excessivos de Salinas
A popularidade de Salinas de Gortari nesta altura não era muito grande. A bolha económica trouxera ao México uma prosperidade que não se tinha visto durante uma geração. Este período de rápido crescimento associado à baixa inflação levou a que alguns pensadores políticos e os mídia afirmassem que o México estava à beira de se tornar uma nação de "primeiro mundo". De facto, foi o primeiro dos '"países em desenvolvimento" a ser admitido na OCDE em maio de 1994. Sabia-se que o peso estava sobrevalorizado, mas a extensão da vulnerabilidade da economia mexicana era ou pouco conhecida ou subestimada, quer pelo governo de Salinas de Gortari quer pela mídia. Esta vulnerabilidade foi agravada por várias ocorrências excepcionais (como o levantamento do EZLN em Chiapas e erros macroeconómicos cometidos durante o último ano de governo de Salinas de Gortari).
O erro de dezembro
Poucos dias depois de uma reunião privada, Zedillo anunciou repentinamente que o seu governo iria alargar a faixa de variação da taxa de câmbio fixa para 15% (até 4 pesos por dólar), através do abandono das medidas pouco ortodoxas tomadas pela administração anterior para manter a taxa de câmbio fixa no nível anterior. Contudo esta medida revelou-se insuficiente e o governo não conseguiu sequer manter este novo limite e decidiu deixar a cotação entrar em flutuação livre. Apesar de os peritos concordarem que era necessária a desvalorização do peso, os críticos da jovem administração de Zedillo (22 dias), afirmam que ainda que coerente do ponto de vista económico, a forma como foi conduzida politicamente foi um erro. Ao anunciar os seus planos de desvalorização do peso, teria levado a que muitos investidores estrangeiros retirassem os seus investimentos agravando ainda mais a situação. Quer a situação se tenha agravado ou não, o resultado desta medida foi a desvalorização do peso de 4 pesos por dólar para 7,2 pesos por dólar no espaço de uma semana.
Durante os últimos anos do mandato de Zedillo, Salinas regressou ao México para anunciar a publicação do seu livro altamente controverso de mil páginas México, un paso dificil a la modernidad (México, uma passagem difícil à modernidade). Escrito durante a sua estada na Irlanda e pleno de citações de artigos de imprensa e de memórias políticas, nele defendia os seus sucessos e culpava Zedillo pela crise que se seguiu à saída da sua administração. Negando todas as acusações feitas contra ele, incluindo a de conspirar sobre o assassinato de Luís Colosio, esta sua visita chocou a cena política mexicana, com várias entrevistas surpresa nos mídia. Contudo, alguns dias mais tarde, a chegada aos mídia de gravações ilegais de uma conversa entre o seu irmão Raúl e uma de suas irmãs sobre quem realmente tinha direito à fortuna da família e mais tarde a detenção de Raúl, rapidamente puseram termo à euforia mediática provocada pela sua visita.
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Divorciou-se e voltou a casar. Parece passar a maior parte do seu tempo na Europa, viajando regularmente ao México, mas já não é a sensação mediática de outros tempos. Em 6 de dezembro de 2004, o irmão mais novo de Salinas, Enrique foi encontrado sem vida no interior do seu carro com um saco plástico enfiado na cabeça. Inicialmente as autoridades estavam relutantes em falar de homicídio, mas acabariam mais tarde por admitir tratar-se dum, negando no entanto quaisquer implicações políticas. Com o passar dos dias, as autoridades passaram a acreditar ter-se tratado de uma morte acidental durante uma tentativa de extorsão feita por um amigo ou colaborador, ou um crime passional envolvendo um membro da família. Fosse como fosse, provavelmente tratou-se de uma acto imprevisto ou executado por criminosos inexperientes. O corpo de Enrique foi abandonado no seu carro numa zona vigiada por câmaras. As imagens gravadas por estas mostram confusão e desorientação da parte das pessoas que conduziram o carro de Enrique até ao local, utilizando outro veículo para o abandonar. O telefone celular de Enrique foi utilizado após a sua morte e deixado no seu carro. Foram encontradas no carro impressões digitais não identificadas e cabelos humanos nas mãos de Enrique. Determinou-se que tinha sido posto inconsciente com uma pancada na cabeça e morto por asfixia, mas não pelo saco de plástico encontrado no corpo. Aparentemente conhecia os seus atacantes e é possível que se tenha encontrado com eles de forma voluntária.


