Carlos, Príncipe de Viana
Carlos de Trastâmara e Évreux, também conhecido como Carlos IV de Navarra, foi infante de Aragão e de Navarra, príncipe de Viana e de Girona (1458–1461), duque de Gandia (1439–1461) e de Montblanc (1458–1461) e rei titular de Navarra (1441–1461).
Primeiros anos
Depois de seu nascimento nas terras castelhanas, na fortaleza de Peñafiel, Carlos foi educado no Palácio Real de Olite, recebendo as máximas atenções de seu avô Carlos III. Em 1423, em vida de seu avô, tornou-se em herdeiro reconhecido da Coroa Navarra e recebe o título de Príncipe de Viana. Sua educação foi muito esmerada, alternando os exercícios físicos (remo, caça, montaria) com os estudos literários e a sábia administração dos assuntos do reino, que fizeram dele um jovem tranquilo e amante da paz. Com a morte de sua mãe em 1441, Carlos de Viana é já um adulto de 21 anos. Torna-se em herdeiro universal dos Estados de Navarra e de Nemours como Carlos IV de Navarra, segundo competia-lhe de direito e estava firmado nas capitulações matrimoniais do desposório entre a infanta-herdeira e já viúva, Branca, e o infante aragonês João de Trastâmara. Não obstante, segundo parece, uma cláusula do testamento materno impede-lhe expressamente tomar a coroa sem a bênção e o consentimento de seu pai.
Disputas dinásticas
O rancor entre pai e filho aumentou quando em 1447 João tomou como segunda esposa Joana Henriques e Fernandes de Córdoba, uma nobre castelhana (de uma ramificação menor bastarda dos reis de Castela), que logo lhe dá um filho que se tornaria em Fernando “o Católico”, e que considerou a seu enteado como um intrometido. A madrasta Joana Henriques, intrigante e soberba, lançou seu marido contra Carlos, estimulando as discórdias e manifestando suas preferências pelo seu próprio filho Fernando, Fernando II de Aragão, a quem queria que cedesse todos os privilégios. O príncipe de Viana optou por submeter-se a seu pai, mas a intervenção nos assuntos internos de Navarra chegou a tais extremos que os próprios castelhanos lhe ofereceram para expulsar de Navarra a João de Aragão e o Tratado de Puente la Reina (8 de setembro de 1451) determina a rutura definitiva entre pai e filho. Beamonteses e Agramonteses tomam partido por João e por Carlos respetivamente e eclode a guerra civil.
Fisicamente, Carlos de Viana, tinha o cabelo de cor castanho claro, os olhos escuros, o nariz largo e reto, o rosto pálido e delgado, estatura levemente superior à da média, visual grave, um ar modesto e sereno e algo de melancolia na expressão geral de sua fisionomia. Lucio Marineo Sículo disse sobre ele «não lhe faltava nada para ser um Príncipe perfeito». Efetivamente, Carlos era um homem culto e amável, aficionado à música e a literatura. Traduziu a Ética de Aristóteles ao castelhano, publicada pela primeira vez em Saragoça em 1509 e escreveu uma Crônica dos reis de Navarra, em Tratado dos Milagres do Famoso Santuário de San Miguel de Excelsis, uma Epístola Literária, entre outras. Seu escudo de armas pessoal representava a dois sabujos ou lébreis que reuniam entre si por um osso, uma alusão à disputa que os reis da França e Castela mantinham pelo controle do reino de Navarra, junto ao irônico lema «Utrinque roditur», ou como «Por todas as partes roem-me».
Casou-se no castelo de Olite com Inês de Clèves em 30 de setembro de 1439. Inês era filha do duque Adolfo I de Clèves e sobrinha de Filipe III o Bom, Duque da Borgonha. Morreu após nove anos de casados (6 de abril de 1448) sem haver dado um herdeiro a Carlos. O Príncipe de Viana não voltou a casar-se apesar de que houve vários projetos frustrados de alianças matrimoniais, entre elas com Isabel, a irmã de Henrique IV de Castela, a futura Rainha Católica. Mas João II não viu com bons olhos aquele matrimônio que daria uma grande força a seu filho e procurou por todos os meios desfazer o compromisso, tratando de casar-se com Catarina de Portugal, aliança que não era em troca do agrado de Henrique IV, casado com a irmã desta, Joana. Anos mais tarde Isabel casar-se-ia com um príncipe dois anos mais jovem que ela, Fernando, o irmão de Carlos. O Príncipe de Viana teve várias amantes. Aos 30 anos amasiou-se com Maria de Armendáriz, donzela de sua irmã Leonor a quem prometeu casar-se se lhe desse um filho varão. Mas deu-lhe uma filha:


