Pesquisa · Mapa mental

Carlos Martel

Carlos Martel foi Mordomo do Palácio de 717 a 741 e duque da Austrásia e o soberano de facto dos Francos. Filho ilegítimo de Pepino de Herstal, prefeito do palácio da Austrásia com sua concubina Alpaida, e nascido em Herstal, no que agora é a Valônia, na Bélgica, Martel expandiu seu domínio sobre os três reinos francos: Austrásia, Nêustria e Borgonha.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
01

Biografia

Conquista do poder difícil

Em dezembro de 714, Pepino de Herstal morreu, e seu filho Carlos foi designado para retomar o cargo de prefeito do palácio que ocupava o defunto, estando os seus meios-irmãos Drogo de Champanhe e Grimoaldo II também mortos. Mas aos olhos de Plectruda, a primeira esposa de Pepino de Herstal, Carlos era considerado como um filho ilegítimo porque este nasceu de Alpaida, uma outra esposa nobre e elegante que Pepino havia tomado apesar de já ser casado. Plectruda portanto, fez tudo para o descartar do poder e preservar o futuro de Teodoaldo, filho bastardo de seu filho legítimo Grimoaldo, herdeiro de todos seus domínios, que tinha apenas 6 anos. Rapidamente, Plectruda sequestrou Carlos Martel, o filho sobrevivente mais velho de seu marido, um bastardo, e o aprisionou em Colônia, a cidade que estava destinada a ser sua capital. Isto evitou uma revolta a seu favor na Austrásia, mas não na Nêustria.

Pacificação do reino franco

Com seu sucesso, ele proclamou Clotário IV rei da Austrásia em oposição a Quilperico I e depôs o arcebispo de Reims, Rigoberto, substituindo-o por Milo, que o apoiou por toda a vida. Após subjugar toda a Austrásia, ele marchou contra Radbod que se tinha aliado com o duque Odão da Aquitânia e da Vascônia e o empurra de volta ao seu território, tendo-lhes imposto a primeira derrota a 14 de Outubro de 719 em Néry, entre Senlis e Soissons. Ele se comprometeu ainda a empurrar a fronteira oriental do reino: de 720-738, e conquistou a Áustria e sul da Alemanha. Em 734, na Batalha do Boarn (Boorne), os frísios comandados pelo rei Poppo (674-734) foram derrotados pelos francos, que conquistaram a parte ocidental dos Países Baixos até Lauwers.

Guerras externas de 718-732

Os anos seguintes foram repletos de disputas. Entre 718 e 723, Carlos manteve seu poder através de uma série de vitórias: ele conseguiu a lealdade de vários importantes bispos e abades (pela doação de terras e dinheiro para a fundação de abadias tais como Echternach), subjugou a Baviera e a Alamânia e derrotou os saxões pagãos. Tendo unificado os francos sob sua bandeira, Carlos estava determinado a punir os saxões que haviam invadido a Austrásia. Então, em 718, ele devastou suas terras nas margens do Weser, em Lippe e no Ruhr. Ele os derrotou na Floresta de Teutoburgo. Em 719, Carlos tomou a Frísia Ocidental sem grande resistência por parte dos frísios, que já haviam sido súditos dos francos, mas tinham tomado o controle da região com a morte de Pepino. Embora Carlos não confiasse nos pagãos, seu governador, Aldegisel, aceitou o cristianismo, e Carlos enviou Vilibrordo, bispo de Utrecht, o famoso "Apóstolo dos Frísios" para converter a população. Carlos também ajudou bastante Vinfrido, depois Bonifácio, o "Apóstolo dos Alemães".

Parar a conquista muçulmana

Em 721, o emir de Córdova havia montado um forte exército vindo do Marrocos, Iêmen e Síria para conquistar a Aquitânia, o enorme ducado no sudoeste da Gália, nominalmente sob soberania franca, mas na prática quase independente nas mãos de Odão, o Grande desde que os reis merovíngios haviam perdido o poder. Os muçulmanos invasores assediaram a cidade de Toulouse, então a mais importante cidade da Aquitânia, e Odo imediatamente a abandonou em busca de ajuda. Ele voltou três meses depois justamente antes que a cidade estivesse aponto de render e derrotar os invasores muçulmanos em 9 de junho de 721, no que ficou conhecido como a batalha de Toulouse. A derrota foi essencialmente o resultado de um clássico movimento por parte de Odo. Após a fuga inicial de Odo, os muçulmanos ficaram exageradamente confiantes e, ao invés de manter fortes as suas defesas externas em volta do seu campo de cerco e manter as patrulhas, eles não fizeram nem uma coisa nem outra. Assim, quando Odo voltou, ele foi capaz de lançar um ataque surpresa sobre as forças de assédio, dispersando-as no primeiro ataque, e massacrando as unidades que descansavam, e que fugiam sem armas ou armaduras.

Criação da linha carolíngia

Em 737, no final de suas campanhas na Provença e na Septimânia, o rei Teodorico IV morreu. Martel, que se intitulou majordomo e príncipe e duque dos francos (princeps et dux Francorum), não apontou um novo rei e ninguém aclamou um. O trono permaneceu vago até a morte de Martel. Como o historiador Charles Oman afirma, "ele não se preocupou com títulos, contanto que o poder estivesse em suas mãos". O interregno, os quatro últimos anos da vida de Carlos, foi mais pacífico que o resto de seu governo, e a maior parte de seu tempo nesse período foi gasta em planos administrativos e organizacionais para criar um estado mais eficiente. Todavia, em 738, ele compeliu os saxões da Vestfália a lhe pagar tributo e, em 739, controlou uma revolta na Provença, com os rebeldes sob a liderança de Mauronto.

02

Morte

Imagem: BostonCatholic · BY-ND · Openverse

Carlos Martel morreu em 15 de outubro de 741, em Quierzy-sur-Oise, no que hoje é o departamento de Aisne na região da Picardia, na França. Ele foi sepultado na Basílica de Saint-Denis em Paris. Seus territórios foram divididos entre seus filhos adultos um ano antes: a Carlomano ele entregou a Austrásia e a Alamânia e a Turíngia (com a Baviera como vassala); a Pepino o Breve a Nêustria, a Borgonha e a Provença (com a Aquitânia como vassala); e para Grifo não deixou nada, apesar de algumas fontes indicarem que Carlos Martel tencionou dar-lhe uma faixa de terra entre a Nêustria e a Austrásia. Edward Gibbon o chamou de "o herói da época" e declarou "A Cristandade… continuou… pelo gênio e boa sorte de um homem: Carlos Martel".

03

Legado

Imagem: deepskyobject · BY · Openverse

No início da carreira de Carlos Martel, ele tinha muitos oponentes internos e sentiu a necessidade de apontar seu próprio pretendente real, Clotário IV. Com sua morte, no entanto, a dinâmica do governo na Francia havia mudado, não sendo mais necessário consagrar um merovíngio, nem por defesa ou legitimidade; Carlos dividiu seus domínios entre seus filhos sem oposição (apesar de ele ignorar seu filho mais jovem, Bernardo). Enquanto isso, ele fortaleceu o estado franco pelas derrotas consistentes, através de estratégias superiores, sobre várias nações estrangeiras hostis que o cercavam por todos os lados, inclusive os bárbaros saxões, que seu neto Carlos Magno subjugaria completamente, e os mouros, que ele evitou que abrisse um caminho para a dominação da Europa. Carlos foi um produto raro da Baixa Idade Média: um general estrategista brilhante, que também era um comandante tático por excelência, capaz de no calor da batalha adaptar seus planos às forças e aos movimentos dos inimigos - e, espantosamente, derrotá-los repetidamente, especialmente quando, como em Tours, quando eles eram muito superiores em número de homens e armas, e em Berre e Narbona, quando eles eram superiores em número de guerreiros corajosos. Carlos possuía a mais elevada qualidade com a qual se define a grandiosidade genuína em um comandante militar: ele antevia os perigos que seus inimigos poderiam causar, e se preparava para eles com cuidado; ele usava o solo, a hora, o lugar e a lealdade feroz de suas tropas para contrabalançar a superioridade de seus inimigos em armas e táticas; e, finalmente, ele se adaptava, repetidamente, ao inimigo no campo de batalha, mudando rapidamente para compensar o inesperado e o imprevisível.

Começo da Reconquista

Ainda que isso exigisse outras duas gerações para que os francos expulsassem todas as guarnições árabes da Septimânia para além dos Pirenéus, a contenção da invasão por Carlos Martel do solo francês invertendo os avanços islâmicos, e a unificação dos reinos francos sob Martel, seu filho Pepino o Breve e seu neto Carlos Magno criaram um poder ocidental que evitou que o Emirado de Córdova se expandisse para além dos Pirenéus. Martel, que em 732 estava às portas da excomunhão, em vez disso foi reconhecido pela Igreja como seu defensor supremo. O papa Gregório II escreveu-lhe mais de uma vez, pedindo-lhe sua proteção e ajuda, e ele permaneceu, até sua morte, firme em barrar os muçulmanos. O filho de Martel, Pepino o Breve, manteve a promessa de seu pai e voltou para tomar Narbona em 759. Seu neto, Carlos Magno, na prática estabeleceu a Marca Hispânica além dos Pirenéus, na região onde hoje é a Catalunha, reconquistando Girona em 785 e Barcelona em 801. Essa região do que agora é a Espanha, era então chamada de "As Marcas Mouras" pelos carolíngios, que as via não só como um controle sobre os muçulmanos na Hispânia, mas o início da retomada da nação inteira de volta. Isto formou uma região-tampão permanente contra o Islã, e que se tornou a base, junto com o rei Pelágio das Astúrias (718-737, que iniciou sua luta contra os mouros nas montanhas de Covadonga em 722) e seus descendentes, para a Reconquista, até que todos os muçulmanos foram expulsos da Península Ibérica.

Legado militar

Em primeiro lugar, Carlos Martel sempre será lembrado por sua vitória em Tours. Creasy argumenta que a vitória de Martel "preservou as relíquias da antiguidade e a origem das civilizações modernas". Edward Gibbon chama aqueles oito dias em 732, a semana que levou até Tours, e a própria batalha, "os eventos que salvaram nossos ancestrais da Grã-Bretanha, e nossos vizinhos da Gália, do jugo civil e religioso do Corão". Paul Akers, em seu artigo sobre Carlos Martel, diz para aqueles que abraçam o cristianismo "vocês talvez reservem um minuto hoje, e a cada outubro, para dizer um silencioso 'obrigado' para um bando de alemães semibárbaros e especialmente a seu líder, Carlos "o Martelo" Martel".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando