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Carlos Luz

Carlos Coimbra da Luz foi um advogado, professor, jornalista e político brasileiro. Foi o presidente do Brasil de 8 a 11 de novembro de 1955, tendo se tornado, deste modo, o presidente do Brasil que ocupou a cadeira presidencial por menos tempo: apenas três dias.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Início de vida, presidência da Câmara Municipal e deputado federal

Carlos Coimbra da Luz nasceu em Três Corações, Minas Gerais, no dia 4 de agosto de 1894. Foi filho do juiz de direito, e depois desembargador, Alberto Gomes Ribeiro da Luz, e de Augusta Coimbra da Luz. Seus estudos básicos foram concluídos no Ginásio de Lavras em 1910, na cidade de Lavras. Em 1911, foi para Belo Horizonte cursar na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, e se formou quatro anos depois; neste período, foi secretário do Conselho Superior de Instrução Pública de Leopoldina e, em 1915, do Conselho Estadual. Pouco após se formar, foi nomeado delegado de polícia da cidade, bem como professor de geografia, coreografia e cosmografia da Escola Normal da cidade. Em 1918, deixou a primeira função para tornar-se inspetor escolar e promotor da comarca local, atividades que novamente abandonou dois anos depois para dedicar-se à advocacia e ao jornalismo. Nesta época, casou-se com Maria José Dantas Luz, com quem teve dois filhos, morrendo poucos anos depois.

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Presidência da Caixa Econômica Federal e Ministro da Justiça

Devido à dissolução da Câmara com o golpe que implantou o Estado Novo, em 1937, Carlos Luz foi nomeado por Getúlio Vargas para o conselho administrativo da Caixa Econômica Federal, cuja Carteira Hipotecária passou a dirigir a partir de 25 de novembro. Em dezembro do ano seguinte, foi eleito vice-presidente da instituição, e mais tarde presidente, em julho de 1939. Ele também se tornou membro do conselho e diretor da Companhia de Seguros Minas-Brasil. Após se tornar presidente da instituição, passou a integrar o Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais. Foi reeleito para o cargo em novembro de 1942, permanecendo até fevereiro de 1946. Estou satisfeitíssimo. É um grande conforto a gente chegar vitorioso ao fim de uma campanha como essa em que nos empenhamos na defesa do general Dutra, hoje finalmente proclamado chefe da nação. Na qualidade de ministro do seu governo, o que posso dizer é que, neste momento, estou sentindo grande contentamento.

Substituição e presidência da Câmara dos Deputados

Depois que a Constituição foi aprovada, Dutra modificou seu ministério, substituindo Carlos Luz por Benedito Costa Neto no dia 2 de outubro. Surgiram rumores de que Luz concorreria às eleições de 19 de janeiro de 1947 ao governo de Minas Gerais, mas retirou sua candidatura para apoiar o ex-presidente Venceslau Brás. Nas eleições suplementares para a Câmara dos Deputados realizadas no mesmo período, Carlos Luz foi o único candidato eleito pelo PSD, tomando posse em 17 de março de 1947. Tornou-se no mesmo ano diretor-presidente do Banco Ribeiro Junqueira. Em 11 de novembro de 1949, o deputado João Café Filho afirmou na Câmara que a candidatura de Carlos Luz à presidência da casa estava sendo cogitada por algum grupo político de Minas, sendo confirmado cinco dias depois com a divulgação da lista de nomes que não sofreriam objeção por parte da "ala liberal" do PSD mineiro. Luz foi reeleito para dois mandatos sucessivos na Câmara dos Deputados: em 3 de outubro de 1950, com 17 663 votos e exercendo a função de relator do orçamento da Fazenda na Comissão de Finanças da Câmara, e em 3 de outubro de 1954, com 29 280 votos. No segundo mandato, foi empossado em 1º de fevereiro de 1955 e eleito presidente da Câmara no dia seguinte.

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Presidente do Brasil

Contexto

O governador de Minas Gerais na época, Juscelino Kubitschek, teve sua candidatura a presidência homologada em fevereiro de 1955, após convenção nacional do PSD. Seções estaduais de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, bem como representantes da Bahia e do Distrito Federal, recusaram-se a apoiar a candidatura ratificada, e formaram uma dissidência que propôs ao partido, como alternativa a Juscelino, os nomes de Etelvino Lins, Nereu Ramos e Lucas Lopes, além de Carlos Luz. Juscelino e João Goulart foram eleitos com 35,6% e 44,3% dos votos como presidente e vice-presidente, respectivamente. Após a divulgação dos resultados, a União Democrática Nacional (UDN) realizou uma campanha liderada pelo deputado Aliomar Baleeiro contra a posse dos eleitos, alegando que eles não haviam obtido a maioria absoluta dos sufrágios. Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, reiterou sua posição favorável à posse dos eleitos, mas a crise não foi solucionada.

Posse, demissão de Lott e outros atos

No dia 8, em consequência de seu estado de saúde, Café Filho foi informado que deveria se afastar do governo por tempo indeterminado, por ordem médica. Então, comunicou os ministros de sua decisão de transmitir imediatamente o governo a Carlos Luz, que seria seu sucessor legal já que, segundo o artigo 79 da constituição brasileira de 1946, o presidente da Câmara dos Deputados deveria assumir a presidência, caso o presidente e o vice-presidente estivessem ausentes. Por volta das 17 horas,[a] em "cerimônia simples" no Palácio do Catete, Luz foi empossado, e o deputado José Antônio Flores da Cunha assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em seu lugar. Logo após, conferenciou com o ministro da Marinha Amorim do Vale, ministro da Aeronáutica Eduardo Gomes, ministro do Exterior Raul Fernandes e o chefe do Gabinete Militar Canavarro Pereira.

Impeachment e morte

A notícia da demissão de Lott provocou intensa atividade nos círculos políticos e militares ligados a Juscelino. Num primeiro momento, Lott não julgou conveniente tomar alguma medida para não alarmar a população, mas voltou atrás. Após uma reunião entre militares, passaram a ocupar pontos-chave da capital para forçar o governo a respeitar a disciplina militar, no dia 10. Na madrugada do dia seguinte, tropas interditaram o acesso ao Palácio do Catete, ocuparam os quartéis de polícia e a sede da companhia telefônica, bem como passaram a controlar as operações de telégrafo. Isto culminou no Movimento de 11 de Novembro, chefiado por Lott, que tinha como objetivo barrar a conspiração tramada pelo governo de impedir a posse de Juscelino e Goulart. Na manhã daquele dia, o Almirantado decidiu acatar a decisão que o Congresso Nacional viesse a tomar quanto ao problema presidencial, sendo revelada a existência de divisão no interior da Marinha.

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Obras

Carlos Luz escreveu Viação rodoviária na Zona da Mata, tese apresentada no I Congresso de Municipalidades, em 1927, e Em defesa da Constituição, de 1956, além de outros trabalhos jurídicos, relatórios administrativos e discursos.

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