A Voz do Brasil
A Voz do Brasil é um noticiário radiofônico estatal da Empresa Brasil de Comunicação. É o programa de rádio mais antigo do país e do hemisfério sul ainda em difusão, tendo sido criado em 22 de julho de 1935 no governo de Getúlio Vargas com o nome de Programa Nacional. Em 1938, passou a ter transmissão obrigatória com horário fixo das 19 às 20h, mudando sua denominação para A Hora do Brasil. Em 1962, adotou por fim o nome A Voz do Brasil.
O programa foi criado por Armando Campos, amigo de infância de Getúlio Vargas, governo deste último, e passou ser transmitido a partir de 1935 com o nome de Programa Nacional, visando a divulgação dos principais acontecimentos da vida nacional. Foi ao ar pela primeira vez no dia 22 de julho de 1935, na voz do locutor carioca Luís Jatobá. Além de Jatobá, as apresentações iniciais contaram, também, com Pedro Conte e Zolaqui Diniz, e sua produção ficava a cargo do Departamento Oficial de Publicidade, substituído em 1934 pelo Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC), e em 1938, pelo Departamento Nacional de Propaganda (DNP). Em 3 de janeiro de 1938, o Programa Nacional é renomeado para Hora do Brasil, e passa a ser retransmitido obrigatoriamente por todas as emissoras do país, entre 19h00 e 20h00, somente com a divulgação dos atos do Poder Executivo. Inicialmente, sempre quando eram iniciadas suas transmissões, o locutor falava a frase que se tornou o marco do noticiário: "Na Guanabara, 19 horas..." (substituída para "Em Brasília, 19 horas", quando a capital federal foi transferida em 1960). O então presidente Getúlio Vargas usava a Hora do Brasil para falar diretamente ao povo, discursando e também anunciando as realizações do seu governo.
A Voz do Brasil tradicionalmente inicia-se com a frase "Em Brasília, dezenove horas", seguida dos acordes da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, seu tema de abertura. Com o passar dos anos, o tema recebeu versões em samba, choro, capoeira, e mais recentemente, uma versão em música clássica foi encomendada para o relançamento do programa em 2016. Atualmente, A Voz do Brasil é dividido nos blocos:
A Voz do Brasil é um programa de veiculação obrigatória — exceto em fins de semana e feriados nacionais — em todas as emissoras de rádio do Brasil, regulado pela lei n.º 4 117 de 27 de agosto de 1962 (Artigo 38, parágrafo E), que institui o Código Brasileiro de Telecomunicações, sendo isso historicamente motivo de controvérsia entre radiodifusores e ouvintes. Na década de 1930, o governo criou na Rádio Clube do Brasil o embrião da Voz do Brasil, chamado de Hora Nacional, que era um programa de propaganda do governo de Getúlio Vargas disfarçado de programa educativo. Tão logo tornou-se obrigatória sua transmissão por ordem do Ministério de Viação e Obras Públicas, os proprietários das rádios Record, Educadora, Cruzeiro do Sul, Cultura e São Paulo (todas do estado de São Paulo, que havia recentemente batalhado contra as tropas de Vargas na Revolução Constitucionalista de 1932) assinaram em 24 de maio de 1934 um manifesto onde se recusavam a transmitir o programa por considerar que aquilo era um ato de ditadura. O ministro José Américo de Almeida então obrigou as emissoras a ficar em silêncio, durante o horário de transmissão do mesmo, na época entre 20h30 e 21h30. O boicote ao programa, que acabou ganhando o apelido de "Hora do Silêncio" só foi resolvido quando Paulo Machado de Carvalho, proprietário da Rádio Record e líder do movimento, reuniu-se com o ministro em 27 de maio e fez uma proposta de redução da sua duração para 30 minutos, de modo que as emissoras não sofressem prejuízos financeiros por conta de sua veiculação. O governo acatou a proposta e reduziu a Hora Nacional para 30 minutos, mantidos até a reformulação em 1938, quando novamente voltou a ter 60 minutos.
Flexibilização do horário de transmissão
Em 12 de junho de 2014, entrou em vigor uma medida provisória, promulgada pela presidente Dilma Rousseff, que autorizava a flexibilização de transmissão da Voz do Brasil entre 19h00 e 22h00, para beneficiar as emissoras que iriam transmitir a Copa do Mundo de 2014. Em 2016, o presidente Michel Temer também editou uma medida provisória semelhante autorizando as rádios a flexibilizarem o horário do programa durante os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos de 2016 na mesma faixa de horário, também valendo para emissoras que não transmitem o evento. Em 4 de abril de 2018, o presidente Michel Temer assinou a lei n.º 13 644, flexibilizando em definitivo a transmissão do noticiário entre 19h00 e 22h00 para as emissoras comerciais e emissoras educativas controladas pelo poder legislativo (federal, estadual e municipal). As demais emissoras educativas continuaram obrigadas a veicular o programa no horário habitual de 19h00-20h00.


