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Carlos Lacerda

Carlos Frederico Werneck de Lacerda GCC foi um jornalista, escritor, empresário e político brasileiro. Foi membro da União Democrática Nacional (UDN), vereador (1947), deputado federal (1955–1960) e governador do estado da Guanabara (1960–1965). Foi fundador e proprietário do jornal Tribuna da Imprensa, assim como criador da editora Nova Fronteira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Origem

Carlos Lacerda nasceu em 30 de abril de 1914, no município do Rio de Janeiro, então Distrito Federal,[a] onde seu avô residia e seu pai tinha grandes interesses políticos. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, foi registrado em Vassouras, município de sua família. Recebeu o nome de Carlos Frederico como homenagem aos pensadores políticos Karl Marx e Friedrich Engels. Era filho do político, tribuno e escritor Maurício de Lacerda (1888–1959) e de Olga Caminhoá Werneck (1892–1979), sendo neto paterno de Sebastião Lacerda, ministro do Supremo Tribunal Federal e ministro dos Transportes no governo de Prudente de Morais. Pela família materna, era bisneto do botânico Joaquim Monteiro Caminhoá, trineto do barão do Ribeirão, descendente direto de Inácio de Sousa Vernek, descendente materno de alemães cuja família tinha importante influência política e econômica na região; sobrinho-bisneto do barão de Maçambara, do visconde de Cananeia, do barão de Avelar e Almeida, da baronesa de Werneck, sobrinho-trineto do barão de Santa Fé e sobrinho-tetraneto do 1.º barão de Santa Justa.

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O anti-Getúlio

Inimigo político declarado de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda foi um importante articulador da oposição à candidatura de Vargas à presidência em 1950 e, mais tarde, ao seu governo constitucional, até agosto de 1954. Em 1949, fundara o jornal Tribuna da Imprensa, que se tornaria um instrumento central de crítica a Vargas e seus aliados, representando uma direita liberal, em confronto com o populismo trabalhista da época, destacando-se como a figura mais importante de oposição ao regime varguista. Em editorial publicado em 1º de junho de 1950, intitulado "Advertência oportuna", Lacerda escreveu sobre o então candidato da Frente Populista: "O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar." Lacerda foi vítima de atentado a bala na porta do prédio onde residia, número 180 da Rua Tonelero, em 5 de agosto de 1954, quando voltava de uma palestra no Colégio São José, no bairro da Tijuca. No Atentado da Rua Tonelero, como entrou para a história, morreu o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, membro de um grupo de jovens oficiais que se dispuseram a acompanhá-lo e protegê-lo das ameaças que vinha sofrendo. Atingido de raspão em um dos pés, Lacerda foi socorrido e medicado em um hospital. Além dos dois, Sérgio Romeiro, guarda municipal, foi ferido. No hospital, Lacerda acusou os homens do Palácio do Catete, sede do poder executivo, como mandantes do crime.

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Carlos Lacerda e a posse de Juscelino Kubitschek

Lacerda participou ainda de nova tentativa de golpe de estado em 1955, quando se uniu aos militares e à direita udenista para impedir a eleição e a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e seu vice-presidente, João Goulart.[carece de fontes?] As manobras intervencionistas começaram já no período eleitoral, quando ocorreu o episódio da Carta Brandi, uma notícia supostamente falsa plantada pelos opositores no jornal de Lacerda que envolvia João Goulart num pretenso contrabando de armas da Argentina para o Brasil. Após a eleição de Juscelino, Carlos Luz, presidente interino à época, aliado aos militares e a Carlos Lacerda, tramaram uma nova intervenção. A bordo do Cruzador Tamandaré, fizeram a resistência, no entanto o navio fora alvejado a tiros pela artilharia do exército a mando do General Teixeira Lott, que nas eleições seguintes, em 1960, se candidataria à presidência. Foi o último tiro de guerra disparado na Baía da Guanabara no Rio de Janeiro. Durante anos, o episódio ficou conhecido como o golpe de Lott, um dos únicos golpes legalistas da história do Brasil.

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Governador da Guanabara

Com a transferência da capital para Brasília, candidatou-se ao governo do recém-criado estado da Guanabara. Apesar do grande favoritismo inicial, Lacerda foi eleito por pequena margem, tendo sido ajudado pela divisão de votos populares que ocorreu com a candidatura de Tenório Cavalcanti ao mesmo cargo. Em 24 de agosto de 1961, fez um discurso em cadeia nacional de rádio e televisão atacando o presidente Jânio Quadros, seu ex-aliado. A renúncia de Jânio ocorreu no dia seguinte, em 25 de agosto. Em debate na Band no ano de 1982, Quadros afirmou que Lacerda foi "quem provocou o 25 de agosto", chamando-o também de inimigo figadal seu e do povo brasileiro. Durante seu governo, foi divulgado que policiais assassinavam os mendigos que perambulavam pela cidade e jogavam seus corpos no rio da Guarda, afluente do rio Guandu. O governo de Carlos Lacerda foi acusado pela imprensa de oposição de ter dado instruções aos policiais para que realizassem estes assassinatos. Tal assunto foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, do então Estado da Guanabara, onde Paulo Duque foi o seu relator.

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Após 1964, cassação e morte

Embora tenha apoiado o golpe de 1964, ainda em 1965 Lacerda já mudou sua posição e começou a se opor ao regime. Divergindo do governo federal , em várias ocasiões criticou abertamente Castelo Branco. A suspensão das eleições diretas para a presidência da República colocou um ponto final nas pretensões de Lacerda que, frustrado com o rumo dos acontecimentos, afastou-se do governo do estado da Guanabara em 4 de novembro de 1965. Em novembro de 1966, Carlos Lacerda lançou a Frente Ampla, movimento de resistência ao Regime militar de 1964, que seria liderada por ele e por seus antigos opositores João Goulart e Juscelino Kubitschek. Foi cassado em dezembro de 1968 pelo regime militar e levado preso para um Regimento de Cavalaria da Polícia Militar, onde ficou na mesma cela que o seu antigo companheiro do PCB Mário Lago, com quem não falava havia décadas. Em seguida, voltou a trabalhar por pouco tempo como jornalista, antes de dedicar-se às atividades na editora de sua propriedade, Nova Fronteira.

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Representações na cultura

O fato das mortes dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek (22 de agosto de 1976) e João Goulart (6 de dezembro de 1976), terem sido muito próximas a morte de Carlos Lacerda, foi uma situação que inspirou a imaginação do escritor Carlos Heitor Cony, no romance Beijo da Morte (2003), como um grande plano de assassinato das lideranças civis contrárias à ditadura militar. Evidentemente, trata-se, no caso de Lacerda e JK, de uma peça de ficção. Carlos Lacerda já foi retratado como personagem no cinema e na televisão:

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Visões políticas

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

Carlos Lacerda inicialmente começou sua vida pública na política inicialmente como um membro da Aliança Nacional Libertadora, partido principal da esquerda brasileira durante a curta duração da Segunda República Brasileira. Somente posteriormente, Lacerda se tornou liberal como foi atribuído durante sua época de maior atuação política no período republicano pós Vargas (1945-1964). A Definição de democracia para Lacerda partia, em partes, da crítica aos formalismos jurídicos. Em suas palavras: "O verdadeiro regime democrático não se limita a procedimentos ou instituições, típicos de uma visão formalista, mas impõe a preocupação com o efetivo interesse do povo: “Democracia quer dizer: vida livre e decente, pão, carne, leite, escola, hospital, eleição sem suborno, oportunidades iguais para todos, estímulo a todas as capacidades”. A dualidade entre uma ‘democracia institucionalizada’ e outra ‘substantiva’ ocupa lugar central nos argumentos do político carioca. Trata-se de uma das mais reiteradas justificativas de Lacerda para sua constante participação em aventuras golpistas ao longo da República de 1946. A Posição de Lacerda vai em linha contrária a uma comum centralidade da linguagem jurídica que é uma marca histórica no Liberalismo Brasileiro. Ainda sim, Lacerda em seus vários discursos durante seu período como Deputado Federal realizou pesadas críticas ao "institucionalismo político", indo até mesmo em contrapartida com outros membros da UDN.

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Herdeiros políticos

Imagem: Universo Produção · BY-NC-ND · Openverse

O nome de Carlos Lacerda foi usado pelo seu sobrinho-neto, Marcio Lacerda, usando-se disso para se promover na política. E a medida que cresciam as influências das forças de esquerda depois da Ditadura, evitou a associação do nome de seu tio-avô ao conservadorismo.

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