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Carlos Eduardo Stuart

Carlos Eduardo Luís Casimiro Silvestre Stuart, conhecido como Bonnie Prince Charlie, filho de Jaime Francisco Eduardo Stuart e de Maria Clementina Sobieska, foi um pretendente Stuart ao trono da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Seus partidários o reconheciam como rei Carlos III. Era neto do rei católico Jaime II de Inglaterra, deposto pela Revolução Gloriosa e exilado na França.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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Primeiros anos

Nascimento e educação

Carlos Eduardo nasceu em 31 de dezembro de 1720, Palácio Muti, em Roma — residência oferecida ao seu pai pelo Papa Clemente XI. Historiadores divergem sobre quem realizou sua cerimônia de batismo. Susan Maclean Kybett afirma que foi o próprio Clemente XI quem presidiu; já Hugh Douglas e Peter Pininski dizem que foi o bispo de Montefiascone. Ele foi nomeado Carlos em homenagem ao seu bisavô, o rei Carlos I de Inglaterra, Eduardo em homenagem a Eduardo, o Confessor, Luís em homenagem ao rei Luís XV de França, Casimiro em homenagem aos reis poloneses e Silvestre em homenagem ao seu nascimento no dia da festa de São Silvestre. Ele era filho de Jaime Francisco Eduardo Stuart, conhecido como "o Velho Pretendente", sendo neto do rei exilado Jaime II de Inglaterra (VIII da Escócia). Sua mãe, Maria Clementina, era neta do rei João III Sobieski da Polônia, famoso por derrotar os turcos otomanos na Batalha de Viena, em 1683. Seu avô, Jaime II & VII, reinou de 1685 atê 1688, ano em foi deposto pela Revolução Gloriosa e o parlamento convidar o príncipe Guilherme de Orange, um protestante holandês, e sua esposa Maria, a filha mais velha do primeiro casamento de Jaime, para assumir o trono. Muitos protestantes, incluindo parlamentares, temiam que Jaime quisesse restaurar o catolicismo na Inglaterra. Desde o exílio de Jaime e com o Ato de Sucessão de 1701, o movimento jacobita passou a lutar pela restauração da Casa de Stuart nos tronos da Inglaterra, Irlanda e Escócia, reinos unificados formalmente em 1707 pelo Ato de União, formando o Reino da Grã-Bretanha. Carlos Eduardo desempenharia um papel central nessa causa.

Viagens pela Europa: 1734-1745

Em 1734, seu primo, o duque de Liria, que havia se juntado ao lado do príncipe Carlos da Espanha na disputa pelo trono de Nápoles, passou por Roma. Ele propôs levar Carlos Eduardo para a expedição, e o garoto de treze anos foi nomeado general de artilharia por Carlos. Em 30 de julho, ele deixou Roma escoltado, partindo com o primo em direção à França e à Espanha para o cerco de Gaeta; esse foi seu primeiro contato com a guerra. Em Gaeta, ele observou as etapas finais do cerco, e diz-se que chegou a ser alvo de fogo inimigo nas trincheiras. Ele retornou a Roma no final de 1734. Pouco depois do seu aniversário de quatorze anos, em janeiro de 1735, sua mãe, Maria Clementina, morreu de escorbuto. Ela já vinha com a saúde debilitada há meses, mas diz-se que Carlos Eduardo ficou profundamente abalado com sua morte.

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Levante jacobita de 1745

Preparação e viagem para a Escócia

Em Roma e Paris, Carlos Eduardo encontrou muitos apoiadores da causa Stuart e sabia que havia representantes jacobitas em todas as cortes europeias. Ele então começou a assumir uma parte significativa da correspondência e de outros trabalhos práticos relacionados à promoção dos interesses dele e de seu pai. Em Paris e Soissons, Carlos Eduardo buscou financiamento e apoio para restaurar a monarquia. Após dialogar com exilados irlandeses e escoceses como Sir Thomas Sheridan, que lhe assegurou o apoio do movimento jacobita escocês, e receber uma petição entregue por Sir Hector MacLean pedindo intervenção, Carlos Eduardo decidiu iniciar uma expedição à Escócia. O objetivo final era lançar uma rebelião para colocar seu pai nos tronos da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Para financiar essa expedição, Carlos Eduardo contraiu um empréstimo de cerca de 180.000 libras francesas com os banqueiros parisienses John e George Waters. Parte desse valor foi levantada com o apoio de simpatizantes britânicos, como Sir Henry Bedingfield, de Oxburgh Hall. Como garantia do empréstimo, Carlos Eduardo ofereceu as joias da coroa da dinastia Sobieski, herdadas de seu bisavô materno João III Sobieski. Ele usou esses fundos para adquirir armamentos, equipando o navio de guerra veterano Elizabeth, com 66 canhões, e o navio corsário Du Teillay com 16 canhões.

Estágios iniciais e a vitória em Prestonpans

Embora, no início, muitos chefes de clãs tenham tentado dissuadi-lo, Carlos Eduardo obteve o apoio crucial de Donald Cameron de Lochiel, líder do clã Cameron, ao prometer garantir o valor total de suas propriedades caso a revolta fracassasse. A partir de então, seu apoio continuou a crescer. Segundo registros, durante esse período, Carlos Eduardo começou a aprender conversação em gaélico sob a orientação de Alasdair MacMhaighstir. Em 19 de agosto, ele hasteou o estandarte de seu pai em Glenfinnan, formando um grande exército para marchar rumo a Edimburgo. O exército avançou para o leste, chegando a Castelo de Invergarry na última semana de agosto. Continuaram através da passagem de Corryairack, cuja posse forçou as tropas do governo a recuar. Após breve parada no Castelo de Blair, Carlos Eduardo chegou a Perth em 4 de setembro, onde se juntaram mais simpatizantes, incluindo o Lorde George Murray. Murray havia participado das revoltas de 1715 e 1719, mas fora perdoado. Com melhor conhecimento das práticas militares das Terras Altas, ele substituiu O’Sullivan, e os jacobitas reorganizaram o exército durante a semana seguinte. Em 14 de setembro, Carlos Eduardo ocupou Falkirk e hospedou-se na Casa de Callendar, onde convenceu o Conde de Kilmarnock a juntar-se a ele.[nota 3]

Invasão da Inglaterra

Depois da Batalha de Prestonpans, com o ânimo elevado, Carlos Eduardo retornou a Edimburgo e estabeleceu sua corte no Palácio de Holyrood. Em meados de outubro, a França enviou um enviado que trouxe fundos e armas, fazendo o moral jacobita subir ainda mais, o que parecia confirmar o apoio francês. No entanto, Lorde Elcho afirmou depois que os escoceses estavam preocupados com o estilo autoritário de Carlos Eduardo e temeram que ele fosse excessivamente influenciado por conselheiros irlandeses. Foi formado um "comitê do príncipe", composto por líderes mais velhos; Carlos Eduardo ressentia-se disso, pois via nisso uma imposição dos escoceses a um monarca por direito divino, e as reuniões diárias aprofundaram as cisões entre facções. Diz-se que membros do comitê incluíam o Duque de Perth, Lorde George Murray, Thomas Sheridan, John O’Sullivan, Murray de Broughton, Lochiel, Keppoch, Clanranald, Glencoe, Argyll, e Lochgarry. Depois de várias discussões, Carlos Eduardo conseguiu convencer o parlamento a aprovar uma invasão da Inglaterra. Em novembro, ele levou cerca de 6.000 homens rumo ao sul. Em 10 de novembro, Carlisle se rendeu a Carlos Eduardo. No dia 21, ele e seus homens seguiram para Penrith, no dia 26 chegaram a Preston, e em 29 de novembro estavam em Manchester. Em 4 de dezembro, seu exército avançou ao sul até o rio Trent, chegando à ponte de Swarkestone, Derbyshire.

Derrota e retorno à França

Em 16 de abril, o exército do governo britânico alcançou Carlos Eduardo e suas tropas na Batalha de Culloden. Carlos Eduardo ignorou o conselho de seu subordinado, o general George Murray, e escolheu lutar em um terreno plano e pantanoso, onde suas tropas foram expostas ao intenso fogo do exército governista. Para garantir sua segurança, os oficiais ordenaram que Carlos Eduardo comandasse a batalha da retaguarda, o que o impediu de ter uma visão clara do campo de batalha. Esperando que o exército de Cumberland atacasse primeiro, Carlos Eduardo deixou suas tropas sob o fogo direto das baterias do inimigo. Percebendo o erro, ordenou um ataque, mas o mensageiro foi morto antes de transmitir a ordem. O ataque jacobita, feito sob fogo de mosquetes de cano liso e canhões disparando balas de metralha, foi desorganizado e mal coordenado, com pouco progresso. Eles conseguiram romper a primeira linha do exército governista no centro, mas foram repelidos pela segunda linha. Os sobreviventes da linha de frente fugiram logo em seguida. No entanto, as forças jacobitas no flanco nordeste, assim como as tropas regulares irlandesas e escocesas da segunda linha, bateram em retirada de forma ordenada, permitindo que Carlos Eduardo e sua comitiva escapassem para o norte.

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Vida posterior

Período errante

Após retornar à França, Carlos Eduardo teve muitas amantes. Ele manteve um relacionamento com sua prima, Maria Luísa de La Tour de Auvérnia, esposa de Júlio de Rohan, Principe de Guémené, de quem teve um filho, Carlos, o Jovem (1748–1749), que morreu na infância. Em dezembro de 1748, ele foi preso pelas autoridades francesas enquanto assistia a uma ópera no Palácio Real. Nesse ínterim, foi sugerido que Carlos Eduardo se casasse com a princesa Luísa Maria, filha mais nova do rei Luís XV de França. Todavia, a princesa não estava interessada; ela dificilmente apoiava os esforços do rei e de seus diplomatas, chegando a frustrá-los ao exagerar sua corcunda sempre que encontrava um deles em alguma galeria do castelo, para barrar qualquer chance de casamento. Luísa Maria, na realidade, desejava seguir a vida religiosa, chegando a declarar: Não tenho razão de estar inquieta, já que me destinam um esposo, quando eu não quero outro senão Jesus Cristo? De qualquer forma, qualquer chance de um casamento entre Carlos Eduardo e a princesa francesa foi arruinada com a assinatura do Tratado de Aquisgrão, que encerrou a Guerra da Sucessão Austríaca, no qual a França concordou em expulsar Carlos Eduardo de seu território para satisfazer a Grã-Bretanha e a dinastia hanoveriana.

Chefe da Casa de Stuart

Em 1 de janeiro de 1766, Jaime Francisco Eduardo Stuart, pai de Carlos Eduardo e anteriormente reconhecido pelo Papa Clemente XI como rei "Jaime III e VIII, Rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda", morreu. No entanto, mais de 40 anos depois, o Papa Clemente XIII não reconheceu Carlos Eduardo como "Carlos III". Apenas em 23 de janeiro, com a permissão do papa, Carlos Eduardo mudou-se para o Palácio Muti, onde seu pai havia vivido por mais de quarenta anos. Ao assumir a chefia da Casa de Stuart, Carlos Eduardo escreveu aos reis da França e da Espanha, mas nenhum deles o reconheceu como rei Carlos III. Carlos Eduardo retomou sua vida social em Roma, visitou o Papa e se entregou a atividades recreativas como caça, tiro, bailes, concertos, óperas e peças teatrais. Um momento notável foi seu encontro no dia 6 de abril com Wolfgang Amadeus Mozart, no Palácio Chigi, onde assistiu a uma apresentação do jovem compositor. Apesar disso, Carlos Eduardo frequentemente se isolava em seu quarto e, segundo relatos, não fez novas amizades em seus últimos anos. Em 1770, ele visitou Florença e Pisa, onde frequentou os banhos termais da cidade. No início de 1771, Carlos Eduardo retornou a Paris, com a permissão do Duque de Choiseul, que ainda demonstrava interesse em discutir uma possível invasão jacobita. No entanto, no dia do encontro, Carlos Eduardo estava tão embriagado que mal conseguia falar com coerência, e assim, as conversas foram abandonadas.

Casamento

Quando Carlos Eduardo completou 51 anos, tanto os apoiadores jacobitas quanto os franceses estavam preocupados com o fato de o príncipe ainda não ter se casado; sendo seu único herdeiro masculino o irmão mais novo, um padre que havia feito voto de celibato. Os franceses também desejavam continuar utilizando a Casa de Stuart como um possível trunfo contra o governo britânico. Em 1771, quando estava em Paris, Carlos Eduardo enviou o oficial irlandês Sir Edmund Ryan, do Regimento de Berwick, para procurar uma noiva. Apesar de algumas negociações terem sido iniciadas com potenciais pretendentes, ele não teve sucesso em encontrar uma esposa. Poucos meses depois, seu amigo, o Duque de Aiguillon, e seu primo Charles FitzJames Stuart sugeriram como pretendente a cunhada de FitzJames, a princesa Luísa de Stolberg-Gedern. Assim, em 28 de março de 1772, Carlos Eduardo casou-se com Luísa por procuração. Pouco depois, o casal se encontrou pela primeira vez em Macerata, em 17 de abril de 1772, ocasião na qual, segundo relatos, o casamento foi consumado.

Declínio da saúde

Na velhice, a saúde de Carlos Eduardo deteriorou-se consideravelmente. Ele sofria, segundo relatos, de asma, hipertensão, inchaços e úlceras nas pernas. Por exemplo, em 1774, enquanto estava em Florença, frequentemente era acometido por ataques de asma e problemas nas pernas, a ponto de precisar ser carregado por seus criados até sua carruagem. Carlos Eduardo também era amplamente conhecido por seu alcoolismo, problema que se agravava com o passar dos anos. Em 1783, a saúde de Carlos Eduardo continuou a se deteriorar, e por um período ele ficou tão gravemente doente que recebeu a Unção dos Enfermos. Embora tenha se recuperado, Carlos Eduardo concordou em redigir um novo testamento e assinou um documento que legitimava sua filha ilegítima, Carlota, conferindo-lhe oficialmente esse estatuto. Ele também concedeu a ela o título de "Duquesa de Albany", pertencente à nobreza escocesa, junto ao tratamento de "Alteza". No entanto, isso não foi suficiente para garantir a Carlota qualquer direito sucessório ao trono britânico. Durante os cinco anos seguintes, Carlota permaneceu ao lado de Carlos Eduardo em Florença. Ela acabou falecendo solteira em novembro de 1789, em Bolonha, sobrevivendo ao pai por pouco mais de um ano.[nota 9]

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Morte e enterro

Em 30 de janeiro de 1788, Carlos Eduardo, aos 67 anos, morreu em Roma vítima de um derrame. Seu irmão, o cardeal de Iorque, testemunhou sua morte. Registros indicam que Carlos Eduardo teria morrido na manhã de 31 de janeiro, pois anunciar sua morte no mesmo dia da execução de seu infeliz bisavô, Carlos I de Inglaterra, seria considerado de mau agouro. Em seu testamento, Carlos Eduardo deixou a maior parte de seus bens para sua filha e herdeira, Carlota. Houve algumas exceções, incluindo um conjunto de louças deixado para seu irmão e pensões vitalícias para alguns de seus criados. Após sua morte, foi feito um molde em gesso de seu rosto, e seu corpo foi embalsamado e colocado em um caixão de cipreste. O caixão foi decorado com a insígnia da Ordem do Cardo, com a Cruz de Santo André, e a Ordem da Jarreteira, com a Cruz de São Jorge. Carlos Eduardo foi inicialmente sepultado na Catedral de Frascati, perto de Roma, onde seu irmão era bispo. Em 1807, com a morte do cardeal de Iorque, os restos mortais de Carlos Eduardo (com exceção do coração) foram transferidos para a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e sepultados na cripta, ao lado de seu pai e irmão. Seu túmulo está localizado sob o Monumento Real aos Stuart, obra de Antonio Canova. Sua mãe, Maria Clementina, também está enterrada nas proximidades da basílica. O coração de Carlos Eduardo foi preservado na Catedral de Frascati, onde foi colocado em uma pequena urna sob o chão, abaixo de um monumento.

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Representações na cultura

Desde o século XVIII, Carlos Eduardo tem sido retratado em pinturas, a maioria pertencente ao romantismo, e mais tarde como um representante dos jacobitas na era vitoriana. A partida de Carlos Eduardo da Escócia em 1746 foi retratada em um retrato de Francis William Topham, Charles Edward, Prince Farewell to His Friends.[nota 10] Em 1892, John Pettie pintou a cena da entrada de Carlos Eduardo no Palácio de Holyrood. Carlos Eduardo e os jacobitas também foram representados em muitas pinturas, impressões e objetos, e seu retrato e brasão foram até gravados em copos de vidro para beber. Carlos Eduardo também foi representado no teatro, cinema e televisão. Ele foi interpretado por David Niven no filme semi-biográfico de 1948 Prince Charlie Andrew Gower também interpretou Carlos Eduardo na série histórica Outlander, baseada na série de livros de Diana Gabaldon. Sua vida inspirou muitas peças históricas, incluindo Handsome Prince Charlie (1897), The Young Pretender (1996) e The Glory (2000).

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Heráldica

Brasão

Em sua reivindicação como Príncipe de Gales, Carlos Eduardo ostentava o mesmo brasão de armas do soberano da Inglaterra, Escócia e Irlanda, apenas eriçadas para diferenciá-las, neste caso com um lambel com três brincos de prata.

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Fontes consultadas

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