Carlos de Hesse-Cassel
Carlos de Hesse-Cassel foi um membro menor da Casa de Hesse-Cassel e um marechal-de-campo dinamarquês. Criado na Dinamarca pelos seus parentes da corte dinamarquesa, Carlos passou grande parte da sua vida nesse país, prestando serviço como governador real dos ducados de Schleswig-Holstein entre 1769 e 1836.
Carlos era o terceiro filho do conde Frederico II de Hesse-Cassel e da sua esposa, a princesa Maria da Grã-Bretanha. Entre os seus irmãos estava o eleitor Guilherme I de Hesse. Os seus avós paternos eram o conde Guilherme VIII de Hesse-Cassel e a duquesa Doroteia Guilhermina de Saxe-Zeitz. Os seus avós maternos eram o rei Jorge II da Grã-Bretanha e a marquesa Carolina de Ansbach. Uma das suas tias era a rainha Luísa da Dinamarca.
O pai de Carlos, o futuro conde Frederico II de Hesse-Cassel que governou entre 1760 e 1785, deixou a família em 1747 para se converter ao catolicismo em 1749. Em 1755 terminou formalmente o seu casamento com a mãe de Carlos. O seu avô, o conde Guilherme VII, ofereceu o condado de Hanau e os seus rendimentos a Maria e aos seus filhos. O jovem príncipe Carlos e os seus dois irmãos, Guilherme e Frederico, foram educados pela sua mãe e acolhidos pelos seus parentes protestantes desde 1747. Em 1756, Maria mudou-se para a Dinamarca para cuidar dos filhos menores da sua irmã, a rainha Luísa, que tinha morrido em 1751. Consigo levou os seus filhos que foram educados na corte real do Palácio de Christiansborg em Copenhaga. Os príncipes de Hesse acabariam por assentar na Dinamarca, tendo-se tornado membros importantes da nobreza e funcionários reais. Apenas o irmão mais velho, Guilherme, regressou a Hesse em 1785 quando herdou o estado.
Carlos iniciou uma carreira militar na Dinamarca. Em 1758, foi nomeado coronel, aos vinte anos tornou-se general-major e, em 1765, ficou a cargo da artilharia. Depois de o seu primo, o rei Cristiano VII, ascender ao trono em 1766, foi nomeado general-tenente, comandante da Guarda Real, cavaleiro da Ordem do Elefante e membro do Conselho de Estado. Também em 1766 foi nomeado governador-geral da Noruega, uma posição que manteve até 1768, mas de que foi acima de tudo titular, visto que nunca esteve na Noruega durante este período. Em 1763, o seu irmão mais velho, Guilherme, casou-se com a prima direita de ambos, a princesa Guilhermina Carolina da Dinamarca. Seguindo as pisadas do irmão, Carlos casou-se a 30 de Agosto de 1766 com a princesa Luísa da Dinamarca, também sua prima direita, tornando-se assim cunhado do seu primo Cristiano VII. O casamento celebrou-se mesmo apesar da desconfiança de muitos que acusavam Carlos de deboche e de ser uma má influência para o rei.
Em 1769, o príncipe Carlos de Hesse foi nomeado governador-real dos ducados de Schleswig-Holstein em nome do governo do seu cunhado Cristiano VII. Carlos passou a residir no Castelo de Gottorp em Schleswig com a sua família. Foi aí que teve o seu terceiro filho, Frederico, em 1771. Em 1770, o rei Cristiano VII ofereceu à irmã o estado de Tegelhof em Güby entre a cidade de Schleswig e Eckernförde. Entre 1772 e 1776, Carlos mandou construir uma residência de verão lá à qual deu o nome de Louisenlund em honra da sua esposa. Em Setembro de 1772, Carlos foi nomeado comandante-em-chefe do exército norueguês e mudou-se para Christiana com a sua esposa. Esta nomeação chegou como consequência do golpe de estado do rei Gustavo III da Suécia a 19 de Agosto de 1772 e a subsequente ameaça de guerra com a Suécia. Enquanto estava na Noruega, Luísa deu à luz a quarta filha do casal, Juliana, em 1773. Apesar de Carlos ter regressado a Schleswig-Holstein em 1774, continuou a cumprir a sua função de comandante-em-chefe do exército norueguês até 1814. Quando regressou da Noruega foi nomeado marechal-de-campo.


