Carlos Chambelland
Carlos Chambelland foi um pintor, decorador e professor de pintura e desenho. Era irmão caçula do, também pintor, Rodolfo Chambelland. Carlos praticou diversos gêneros de pintura, sobretudo a figura, mas também o nu, a paisagem, a natureza-morta e flores. Seu desenho era forte e seguro.
De ascendência francesa, Chambelland era irmão caçula do pintor Rodolfo Chambelland. Junto ao irmão, frequentou como aluno livre a Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, entre 1901 e 1907, onde teve como professores como João Zeferino da Costa, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo. Estudou gravura no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Exímio retratista e pintor de figuras, destacou-se na realização de cenas de gênero. Também foi responsável por alguns dos mais importantes trabalhos de pintura decorativa realizados durante a República Velha: integrou a equipe que decorou o pavilhão brasileiro na Feira Internacional de Turim em 1911 - trabalho hoje perdido - e realizou as pinturas para o Salão de Festas do Palácio Pedro Ernesto e para a cúpula da Sala da Assembléia, no Palácio Tiradentes. Essas duas últimas obras, ambas localizadas no centro do Rio de Janeiro, foram executadas nos anos 1920, em parceria com o seu irmão. Chambelland recebe uma menção honrosa de primeiro grau na Exposição Geral de Belas Artes de 1903 e a medalha de prata na edição de 1906.
Na Europa
Em 1907, conquistou o prêmio de viagem ao exterior da 14ª Exposição Geral de Belas Artes, com a tela Final de Jogo, 1907 representando uma violenta briga de personagens populares em um bar. Muda-se para Paris, onde conhece a obra do pintor Pierre Puvis de Chavannes. Na cidade, teria frequentado, além de academias livres, o ateliê de pintor francês Eugene Carrière. Integrou a equipe que decorou o pavilhão brasileiro da Feira Internacional de Turim (trabalho hoje perdido), em 1911, permanecendo na Itália até 1912, tendo participado de outros trabalhos decorativos, especialmente como auxiliar de seu irmão Rodolfo Chambelland.
Retorno ao Brasil
De volta ao Brasil, em meados de 1910, passou uma temporada na região nordeste brasileiro, Pernambuco, onde permanece por três anos, incumbido da execução de alguns trabalhos de decoração, foi contratado para decorar o Colégio da Estância e a Igreja das Graças. Nesse período, estuda os aspectos e costumes locais, que servem de tema para a produção de várias pinturas. Este seu período no Nordeste foi fecundo para a sua capacidade criadora. Dedica-se ainda a estudar os aspectos e costumes locais, que servem de tema para a realização de uma série de pinturas como Volta do eito, Velho Bangüê, Tipo de Beleza do Sertão ou Descanso. O nordeste do país, segundo o próprio artista, despertado seu interesse por manter intacta a cultura tipicamente regional, diferenciando-se assim do cosmopolitismo que caracteriza as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
Contexto
Nas pinturas de Chambelland, o sertanejo expressa à sua maneira de ser no mundo na sua própria atitude de preservação: a indiferença ou reserva do homem do sertão com relação aquele que de fora o observa nada mais séria, no nosso entender, do que a corporificação da sua natureza imune às seduções do mundo urbano. “O Rio e o sul do país estão muito trabalhados pela influência estrangeira”, teria afirmado Carlos Chambelland: “o cosmopolitismo absorveu-nos tanto, que hoje, somente no Norte, se nos depara, em sua pureza inicial, o sentimento da pátria aferrado a tradição, aos costumes, à vibração da alma do povo”.
Principais trabalhos
No quadro “Volta do Trabalho” vemos a celebração do trabalhador brasileiro de mangas arregaçadas após um dia de esforços. Há homens com suas enxadas e apetrechos, com os gestos indicativos dos costumes como o cigarro enrolado que pende das bocas, além do modo de carregar objetos sobre a cabeça ou os ombros. O pintor capturou com sutileza justamente a natureza reservada e conservadora do sertanejo - aquilo que lhe permitiu reter o que, nas primeiras décadas da República, foi julgado por muitos como o que de mais autêntico restava da cultura brasileira. A pintura Beijo da Guanabara, pintada em 1926, foi exibida no mesmo ano no 33º Salão Oficial de Belas Artes, da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. A obra desafia a imaginação à medida que faz uma citação explícita do beijo de Eros, o deus do Amor, em Psiquê (em grego, a alma), uma das três filhas de um rei da Grécia. A imagem do Beijo da Guanabara retrata e personifica a união entre o “amor” e a “alma”.
Imagem: Halley Pacheco de Oliveira · BY-SA · Openverse
A Revista do Brasil cobriu a primeira exposição que Carlos Chambelland fez sozinho, em 1917 na cidade de São Paulo. A revista foi um periódico paulista de circulação mensal, cujo primeiro edição em janeiro de 1916. Ela tinha uma linha editorial era caracterizada por um nacionalismo verdadeiramente militante, as artes visuais sempre tiveram um papel de destaque: resenhas de exposições e textos sobre artistas (já falecidos ou ainda em atividade) eram publicados com freqüencia e traziam as assinaturas de alguns do mais importantes intelectuais e literatos da época, como Nestor Pestana, João Luso, Rodrigo Octavio Filho ou Monteiro Lobato - que, mais tarde, se tornaria dono do periódico. “Os quadros do senhor Chambelland interessam logo pela sinceridade que domina toda sua obra e a tornam extremamente simpático…” “...A pintura de Chambelland desenvolve-se tão calmamente no desdobramento da sua extensa gama cromática, que seria puramente acadêmica se a não marcasse a nota pessoal do seu temperamento e a não envolvesse uma doce e melancólica poesia, cuja emoção não pode fugir o observador dotado de algum senso estético…”
Imagem: Halley Pacheco de Oliveira · BY-SA · Openverse
- O Pintor detém uma rua do o seu nome no bairro Vila da Penha, no Rio Janeiro. - Foi professor de Cândido Portinari em 1918 na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.==Referências==


