Carlos Martel
Carlos Martel, filho ilegítimo de Pepino de Herstal, foi Mordomo do Palácio de 717 a 741 e o soberano de fato dos reinos francos. Nascido em Herstal, na atual Bélgica, ele expandiu seu domínio sobre a Austrásia, Nêustria e Borgonha, consolidando seu poder e defendendo a Europa de invasões.
Pontos-chave
- Carlos Martel unificou os reinos francos sob seu domínio.
- Ele foi um estrategista militar brilhante, conhecido por suas vitórias contra saxões, frísios e muçulmanos.
- Sua vitória na Batalha de Tours (732) é considerada crucial para deter a expansão muçulmana na Europa.
- Martel fortaleceu o estado franco e lançou as bases para o futuro Império Carolíngio.
- Ele é lembrado como um defensor da Cristandade e um herói de sua época.
A tomada de poder por Carlos Martel foi marcada por desafios e intrigas familiares após a morte de seu pai, Pepino de Herstal.
Disputa pela Sucessão
Após a morte de Pepino de Herstal em 714, Carlos Martel, seu filho ilegítimo, foi preterido por Plectruda, esposa de Pepino, que tentou garantir o poder para seu neto Teodoaldo. Plectruda chegou a aprisionar Carlos em Colônia para evitar revoltas a seu favor na Austrásia, mas não conseguiu conter a insatisfação na Nêustria.
Pacificação do reino franco
Com seu sucesso, ele proclamou Clotário IV rei da Austrásia em oposição a Quilperico I e depôs o arcebispo de Reims, Rigoberto, substituindo-o por Milo, que o apoiou por toda a vida. Após subjugar toda a Austrásia, ele marchou contra Radbod que se tinha aliado com o duque Odão da Aquitânia e da Vascônia e o empurra de volta ao seu território, tendo-lhes imposto a primeira derrota a 14 de Outubro de 719 em Néry, entre Senlis e Soissons. Ele se comprometeu ainda a empurrar a fronteira oriental do reino: de 720-738, e conquistou a Áustria e sul da Alemanha. Em 734, na Batalha do Boarn (Boorne), os frísios comandados pelo rei Poppo (674-734) foram derrotados pelos francos, que conquistaram a parte ocidental dos Países Baixos até Lauwers.
Guerras externas de 718-732
Os anos seguintes foram repletos de disputas. Entre 718 e 723, Carlos manteve seu poder através de uma série de vitórias: ele conseguiu a lealdade de vários importantes bispos e abades (pela doação de terras e dinheiro para a fundação de abadias tais como Echternach), subjugou a Baviera e a Alamânia e derrotou os saxões pagãos. Tendo unificado os francos sob sua bandeira, Carlos estava determinado a punir os saxões que haviam invadido a Austrásia. Então, em 718, ele devastou suas terras nas margens do Weser, em Lippe e no Ruhr. Ele os derrotou na Floresta de Teutoburgo. Em 719, Carlos tomou a Frísia Ocidental sem grande resistência por parte dos frísios, que já haviam sido súditos dos francos, mas tinham tomado o controle da região com a morte de Pepino. Embora Carlos não confiasse nos pagãos, seu governador, Aldegisel, aceitou o cristianismo, e Carlos enviou Vilibrordo, bispo de Utrecht, o famoso "Apóstolo dos Frísios" para converter a população. Carlos também ajudou bastante Vinfrido, depois Bonifácio, o "Apóstolo dos Alemães".
Parar a conquista muçulmana
Em 721, o emir de Córdova havia montado um forte exército vindo do Marrocos, Iêmen e Síria para conquistar a Aquitânia, o enorme ducado no sudoeste da Gália, nominalmente sob soberania franca, mas na prática quase independente nas mãos de Odão, o Grande desde que os reis merovíngios haviam perdido o poder. Os muçulmanos invasores assediaram a cidade de Toulouse, então a mais importante cidade da Aquitânia, e Odo imediatamente a abandonou em busca de ajuda. Ele voltou três meses depois justamente antes que a cidade estivesse aponto de render e derrotar os invasores muçulmanos em 9 de junho de 721, no que ficou conhecido como a batalha de Toulouse. A derrota foi essencialmente o resultado de um clássico movimento por parte de Odo. Após a fuga inicial de Odo, os muçulmanos ficaram exageradamente confiantes e, ao invés de manter fortes as suas defesas externas em volta do seu campo de cerco e manter as patrulhas, eles não fizeram nem uma coisa nem outra. Assim, quando Odo voltou, ele foi capaz de lançar um ataque surpresa sobre as forças de assédio, dispersando-as no primeiro ataque, e massacrando as unidades que descansavam, e que fugiam sem armas ou armaduras.
Criação da linha carolíngia
Em 737, no final de suas campanhas na Provença e na Septimânia, o rei Teodorico IV morreu. Martel, que se intitulou majordomo e príncipe e duque dos francos (princeps et dux Francorum), não apontou um novo rei e ninguém aclamou um. O trono permaneceu vago até a morte de Martel. Como o historiador Charles Oman afirma, "ele não se preocupou com títulos, contanto que o poder estivesse em suas mãos". O interregno, os quatro últimos anos da vida de Carlos, foi mais pacífico que o resto de seu governo, e a maior parte de seu tempo nesse período foi gasta em planos administrativos e organizacionais para criar um estado mais eficiente. Todavia, em 738, ele compeliu os saxões da Vestfália a lhe pagar tributo e, em 739, controlou uma revolta na Provença, com os rebeldes sob a liderança de Mauronto.
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Carlos Martel dedicou-se a pacificar e expandir o reino franco, enfrentando inimigos internos e externos.
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Os últimos anos de Carlos Martel foram dedicados à administração e à consolidação do poder, preparando o terreno para a dinastia carolíngia.
Fim do Reinado e Interregno
Com a morte do rei Teodorico IV em 737, Carlos Martel, que já se intitulava "príncipe e duque dos francos", não nomeou um sucessor. O trono permaneceu vago durante os últimos quatro anos de sua vida, um período de relativa paz focado em planos administrativos. Ele continuou a fortalecer o reino, compelindo os saxões da Vestfália a pagar tributo em 738 e controlando uma revolta na Provença em 739.
Legado militar
Em primeiro lugar, Carlos Martel sempre será lembrado por sua vitória em Tours. Creasy argumenta que a vitória de Martel "preservou as relíquias da antiguidade e a origem das civilizações modernas". Edward Gibbon chama aqueles oito dias em 732, a semana que levou até Tours, e a própria batalha, "os eventos que salvaram nossos ancestrais da Grã-Bretanha, e nossos vizinhos da Gália, do jugo civil e religioso do Corão". Paul Akers, em seu artigo sobre Carlos Martel, diz para aqueles que abraçam o cristianismo "vocês talvez reservem um minuto hoje, e a cada outubro, para dizer um silencioso 'obrigado' para um bando de alemães semibárbaros e especialmente a seu líder, Carlos "o Martelo" Martel".


