Carl Sagan
Carl Edward Sagan foi um cientista planetário, astrônomo, astrobiólogo, astrofísico, escritor, divulgador científico e ativista norte-americano. Sagan é autor de mais de 600 publicações científicas e também de mais de vinte livros de ciência e ficção científica.
Carl Sagan nasceu no Brooklyn, Nova Iorque, em uma família de judeus ucranianos. Seu pai, Samuel Sagan, era um operário da indústria têxtil nascido em Kamenets-Podolsk, Ucrânia. Sua mãe, Rachel Molly Gruber, era uma dona de casa de Nova Iorque. Carl Sagan recebeu este nome em homenagem à mãe biológica de sua mãe, Chaiya Clara, "A mãe que ela nunca conheceu" nas palavras de Sagan. Sagan concluiu o ensino secundário na escola Rahway High School, em Rahway, Nova Jérsei, em 1951. Sagan tinha uma irmã, Carol, e ele e sua família viviam em um modesto apartamento em Bensonhurst, um bairro do Brooklyn. De acordo com Sagan, eles eram judeus reformistas, o mais liberal dos três grupos do Judaísmo. Ambos, Carl e Carol, concordavam que seu pai não era especialmente religioso, porém sua mãe "definitivamente acreditava em Deus, e participava ativamente no templo... e se servia apenas de carne Cashrut". Durante o auge da Grande Depressão, seu pai trabalhou como porteiro de cinema.
Feira Mundial de 1939
Em seu livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios, Sagan lembra que uma de suas melhores experiências foi quando, em sua infância, seus pais o levaram para a Feira Mundial de 1939, em Nova Iorque. As exposições desta feira tornaram-se um marco em sua vida. Ele relembra o diorama da exibição "America of Tomorrow" (América do Amanhã): "Havia belas rodovias com trevos e pequeninos carros da General Motors, todos transportando pessoas para arranha-céus, edifícios com belos pináculos, arcobotantes - parecia ótimo!". Em outras exposições, lembrou-se de ter visto uma lanterna brilhar em uma célula fotoelétrica. Ele também testemunhou a tecnologia do futuro da mídia que iria substituir o rádio: a televisão! Sagan escreveu:
Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família estava preocupada com o destino de seus parentes europeus. Na época, Sagan, entretanto, geralmente desconhecia os detalhes da guerra que estava em curso. Ele escreve: "Claro, tínhamos parentes que foram capturados pelo Holocausto. Hitler de fato não era uma pessoa bem-vinda em nossa casa... mas por outro lado, eu era bastante isolado dos horrores da guerra". Sua irmã, Carol, disse que sua mãe "acima de tudo queria proteger Carl... A vida dela estava extraordinariamente difícil lidando com a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto". No livro de Sagan, The Demon-Haunted World (Brasil: O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro / Portugal: Um mundo infestado de demónios), de 1996, são incluídas suas memórias deste período em conflito, período quando sua família lidava com as realidades da guerra na Europa, mas também tentava impedi-lo simultaneamente de perturbar seu espírito otimista.
Curiosidade pela natureza
Assim que começou o ensino fundamental, Carl Sagan começou a manifestar uma forte curiosidade pela natureza. Sagan recorda-se de suas primeiras viagens para a biblioteca pública, sozinho, com a idade de cinco anos, quando sua mãe arranjou-lhe um cartão da biblioteca. Ele queria aprender o que eram as estrelas, já que nenhum de seus amigos ou até mesmo seus pais sabiam lhe dar uma resposta clara: "Fui para o bibliotecário e pedi um livro sobre as estrelas... E a resposta foi impressionante. A resposta era que o Sol também era uma estrela, só que muito próxima. Logo, as estrelas eram outros sóis, mas estavam tão distantes que eram apenas pequenos pontos de luz para nós... A escala do universo de repente se abriu para mim. Era um tipo de experiência religiosa. Houve uma magnificência para ela, uma grandeza, uma escala que nunca me deixou. Nunca me deixará..."
Carl Sagan frequentou a Universidade de Chicago, onde participou da Sociedade Astrônomica Ryerson (Ryerson Astronomical Society), graduando-se em artes, em 1954, e com honras especiais e gerais em ciências, em 1955. Obteve um mestrado em física em 1956 e, por fim, tornou-se doutor em astronomia e astrofísica, em 1960. Durante seu período na faculdade, Sagan trabalhou em um laboratório com o geneticista Hermann Joseph Muller. De 1960 a 1962, Sagan desfrutou de uma Miller Fellows (programa constitui o apoio dos bolsistas de pesquisa) da Universidade da Califórnia em Berkeley. De 1962 a 1968, trabalhou no Observatório Astrofísico Smithsonian em Cambridge, Massachusetts. Simultaneamente, Sagan lecionou e pesquisou na Universidade Harvard até 1968, ano em que ele se juntou à Universidade Cornell, em Ithaca, estado de Nova Iorque. Em 1971, foi nomeado professor titular e diretor do laboratório de estudos planetários. De 1972 a 1981, foi diretor associado ao Centro de Radiofísica e Investigação Espacial de Cornell. Juntamente ao seu cargo de professor titular, Sagan ministrou um curso de pensamento crítico na Universidade Cornell até sua morte, em 1996.
As contribuições de Sagan foram vitais para o descobrimento das altas temperaturas superficiais do planeta Vênus. No início da década de 60, a ciência nada sabia sobre quais eram as condições básicas da superfície deste planeta, e Sagan enumerou as possibilidades em um artigo que posteriormente foi divulgado em um livro da Time intitulado Planetas. Em sua opinião, Vênus era um planeta seco e muito quente, em oposição ao paraíso temperado que outros haviam imaginado. Sagan investigou as emissões de rádio provenientes de Vênus e chegou à conclusão de que a temperatura superficial deste planeta deveria ser aproximadamente 500 °C. Como cientista visitante do Jet Propulsion Laboratory da NASA, participou das primeiras missões do programa Mariner a Vênus, trabalhando com o desenho e gestão do projeto. Em 1962, a sonda Mariner 2 confirmou suas conclusões sobre as condições superficiais do planeta.
A habilidade de Sagan para transmitir suas ideias permitiu que muitas pessoas compreendessem o cosmos, simultaneamente enfatizando o valor da raça humana e a insignificância da Terra em relação ao universo. Em Londres, participou da edição de 1977 da Royal Institution Christmas Lectures. Foi apresentador, coautor e coprodutor, juntamente a Ann Druyan e Steven Soter, da popular série de televisão de treze episódios Cosmos: Uma Viagem Pessoal, produzida pela PBS, e que seguiu o formato da série de televisão A Escalada do Homem, apresentada por Jacob Bronowski. Sua série Cosmos abrangeu diversos temas científicos, que incluem desde a origem da vida até uma perspectiva de nosso lugar no universo. Ganhou o Prêmio Emmy e o Prêmio Peabody. Foi transmitida em mais de 60 países e assistida por mais de 600 milhões de pessoas, atingindo a marca de programa mais visto na história do canal PBS. A revista Time publicou uma matéria de capa sobre Sagan pouco depois da estreia de Cosmos, referindo-se a ele como "o criador, autor principal e apresentador-narrador da nova série de televisão aberta Cosmos, sob o controle de sua nave da fantasia".
Pálido ponto azul
No dia 14 de fevereiro de 1990, tendo completado sua missão primordial, foi enviado um comando à Voyager 1 para se virar e tirar fotografias dos planetas que havia visitado. A NASA havia feito uma compilação de cerca de 60 imagens criando neste evento único um mosaico do Sistema Solar. Uma imagem que retornou da Voyager era a Terra, a 6,4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando-a como um "pálido ponto azul" na granulada imagem. Sagan escreveria mais tarde sobre a fotografia - de maneira muito profunda - no seu livro de 1994, Pálido Ponto Azul: Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos que já ouvimos falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. O agregado de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada jovem casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso num raio de sol.
Unidade Sagan
Como uma homenagem bem-humorada a Carl Sagan e sua associação com o slogan "bilhões e bilhões", 1 Sagan foi definido como uma unidade de medida equivalente a uma grande quantidade de qualquer coisa.
Carl Sagan acreditava na equação de Drake, que, ante a ausência de estimativas razoáveis, sugere a existência de um grande número de civilizações extraterrestres, mas a falta de evidências da existência das mesmas, somada ao paradoxo de Fermi, indicaria a tendência das civilizações tecnológicas a se autodestruir, o que implica o último termo da equação de Drake. Isso despertou o seu interesse em identificar e divulgar as várias maneiras em que a humanidade poderia se autodestruir, esperando ser capaz de evitar esta catástrofe e, finalmente, permitir que os seres humanos tornem-se uma espécie capaz de viajar através do espaço. A profunda preocupação de Sagan com uma potencial destruição da civilização humana em um holocausto nuclear refletiu-se em um segmento memorável no episódio final da série Cosmos, intitulado Quem fala em nome da Terra?. Sagan demitiu-se de seu posto de conselheiro científico do Conselho Científico da Força Aérea Americana e recusou voluntariamente a sua autorização de acesso ao material ultrassecreto da Guerra do Vietnam. Depois de seu casamento com sua terceira e última esposa, a escritora Ann Druyan, em junho de 1981, Sagan aumentou sua atividade política, especificamente sua oposição à corrida armamentista, durante a presidência de Ronald Reagan.
Sagan mostrou interesse nas notícias sobre o fenômeno OVNI ao menos desde 3 de agosto de 1952, quando escreveu uma carta ao Secretário de Estado americano Dean Acheson perguntando como responderiam os EUA se os discos voadores forem realmente de origem extraterrestre. Posteriormente, em 1964, manteve várias conversas sobre o assunto com Jacques Vallee. Apesar de seu ceticismo no que diz respeito à obtenção de qualquer resposta extraordinária com a questão OVNI, Sagan acreditava que os cientistas deviam estudar o fenômeno, ainda que fosse somente para responder ao grande interesse que o assunto desperta nas pessoas. Stuart Appelle comentou que Sagan escrevia frequentemente sobre aquilo que ele percebia como falsas lógicas ou experiências sobre os discos voadores, como as experiências com abduções. Sagan rejeitava a explicação extraterrestre do fenômeno, e acreditava que a análise de relatos de OVNIs possuía benefícios empíricos e pedagógicos, e que o assunto seria, portanto, uma matéria de estudos legítima.
Casamentos e descendentes
Carl Sagan casou-se três vezes: Em 1957, com a bióloga Lynn Margulis, mãe do escritor Dorion Sagan e do programador e empresário do ramo da informática Jeremy Sagan; em 1968, com a artista e roteirista Linda Salzman, mãe do escritor e roteirista Nick Sagan; e, em 1981, com a escritora Ann Druyan, mãe da produtora, roteirista e diretora Sasha Sagan e de Sam Sagan. Esta união durou até a morte do cientista, em 1996.
Ciência e religião
Sagan escrevia frequentemente sobre religião e a relação entre religião e ciência, expressando seu ceticismo sobre a conceituação convencional de Deus como um ser sábio, por exemplo: Algumas pessoas acreditam que Deus é um enorme homem de pele clara com uma longa barba branca, sentado em um trono em algum lugar lá em cima no céu, ocupado na contagem da queda de cada pardal. Outros – como Baruch Spinoza e Albert Einstein – consideraram Deus como essencialmente a soma do total das leis da física que descrevem o Universo. Eu não conheço nenhuma evidência convincente para a existência de um patriarca antropomórfico controlando o destino da humanidade a partir de algum ponto celestial escondido, porém seria uma insanidade negar a existência das leis da física.
Livre pensador e cético
Carl Sagan é considerado um livre pensador e cético. Uma de suas frases mais famosas, da série Cosmos, é: Afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. Esta frase é baseada em outra quase idêntica de seu colega Marcello Truzzi, fundador do Comitê para a Investigação Cética: Uma afirmação extraordinária requer uma prova extraordinária. Esta ideia teve sua origem com Pierre Simon Laplace (1749 - 1827), matemático e astrônomo francês, que disse: O peso de uma evidência de uma afirmação extraordinária deve ser proporcional à sua raridade. Durante toda sua vida, os livros de Sagan desenvolveram-se sobre a sua visão cética do mundo natural. Em Brasil: The Demon-Haunted World / Portugal: O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro/Angola: The Demon-Haunted World, Sagan demonstrou ferramentas para testar argumentos e detectar falácias ou fraudes, essencialmente, defendendo o uso extensivo do pensamento crítico e do método científico. A compilação de Bilhões e Bilhões, publicada em 1997, após a morte de Sagan, contém ensaios, como sua opinião sobre o aborto e o relato de sua viúva, Ann Druyan, sobre a morte com um olhar cético, independente e livre pensador.
Mr. X
Sagan foi um consumidor e defensor do uso da maconha. Através do pseudônimo Mr. X, ele contribuiu com um ensaio sobre a Cannabis para o livro de 1971, Marihuana Reconsidered. O ensaio explicava que o uso da maconha havia ajudado a inspirar grande parte dos trabalhos de Sagan e a melhorar suas experiências sensoriais e intelectuais. Após a morte de Sagan, seu amigo Lester Grinspoon revelou esta informação ao biógrafo Keay Davidson. A publicação da biografia Carl Sagan: Uma vida, em 1999, atraiu a atenção da mídia para este aspecto da vida de Sagan. Logo após sua morte, sua viúva, Ann Druyan, concordou em ser assessora do conselho da NORML, uma fundação dedicada à reforma da legislação sobre a maconha.
O caso Apple
Em 1994, os engenheiros da Apple Computer batizaram o Power Macintosh 7100 com o codinome de Carl Sagan com a esperança de que a Apple iria ganhar milhares de milhões com as vendas do mesmo. O nome só foi utilizado internamente, mas Sagan preocupou-se pelo fato de ser convertido em um meio de promoção do produto e enviou à Apple uma carta de rescisão. A Apple aceitou a rescisão, mas os engenheiros responderam mudando o nome para BHA (siglas de Butt-Head Astronomer, que significa "astrônomo bundão", "tonto"). Sagan então processou a Apple por difamação, no tribunal federal. O tribunal aceitou a intenção da Apple de rejeitar a acusação de Sagan e disse, em Obiter Dictum, que um leitor situado no contexto compreenderia que a Apple estava tratando claramente de responder de forma humorística e satírica, e que é de fato algo forçado concluir que a acusada Apple tratava de criticar a reputação ou competência do réu como astrônomo. A perícia de um cientista não pode ser atacada com o uso da expressão teimoso. Sagan então denunciou o uso inicial de seu nome, mas voltou a perder, assim ele recorreu à conciliação. Em novembro de 1995, foi finalizado um acordo fora do tribunal e o escritório de patentes e marcas comerciais da Apple emitiu uma declaração conciliatória: "A Apple teve sempre um grande respeito pelo Dr. Sagan. Nunca foi intenção da Apple causar ao Dr. Sagan ou a sua família qualquer tipo de constrangimento ou preocupação".
2001: Uma odisseia no espaço
Sagan trabalhou brevemente como consultor no premiado filme 2001: Uma odisseia no espaço de 1968, dirigido por Stanley Kubrick. Sagan, embora reconhecendo o desejo de Kubrick de usar atores para interpretar os alienígenas humanoides por questão de conveniência, argumentou que era improvável que formas de vida alienígenas tivessem alguma semelhança com a vida terrestre, e que fazer isso seria "pelo menos um elemento de falsidade" no filme. Sagan propôs que o filme sugerisse, ao invés de mostrar, uma superinteligência extraterrestre. Ele foi à estreia e ficou "feliz em ver que fui de alguma ajuda". Kubrick deu a entender a natureza da misteriosa espécie alienígena não vista em 2001, ao sugerir, em 1968, que dados os milhões de anos de evolução, eles progrediram de seres biológicos para "entidades máquinas imortais", e depois para "seres de pura energia e espírito"; seres com "capacidades ilimitadas e inteligência indomável".
Premiações
Carl Sagan recebeu diversos prêmios e homenagens de diversos centros de pesquisas e entidades ligadas à astronomia. A seguir, uma lista dos seus prêmios:
Homenagens
Sagan foi o autor da introdução do livro de divulgação científica Uma Breve História do Tempo, do físico britânico Stephen Hawking, em sua primeira edição na língua inglesa, em 1988. O filme Contact, de 1997, baseado no livro homônimo de Sagan e finalizado após sua morte, possui nos créditos finais uma dedicatória a Carl Sagan. Também em 1997 foi inaugurado na cidade de Ithaca, estado de Nova York, o Carl Sagan Planet Walk, uma recriação do sistema solar na escala de um pé de comprimento, com uma extensão total de 1,2 km, desde o centro da zona chamada The Commons até o Sciencenter, um museu de ciência interativo, do qual Sagan foi um dos membros fundadores do conselho de assessores.
Imagem: gemmerich · BY-SA · Openverse
Com sua formação multidisciplinar, Sagan foi o autor de obras como Cosmos (complementar a sua premiada série de televisão), Os Dragões do Éden, O Romance da Ciência, Pálido Ponto Azul e Brasil: O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro / Portugal: Um mundo infestado de demónios. Escreveu ainda o romance de ficção científica Contato, que foi levado para as telas de cinema, posteriormente a sua morte. Sua última obra, Bilhões e Bilhões, foi publicada postumamente por sua esposa e colaboradora Ann Druyan e consiste, fundamentalmente, numa compilação de artigos inéditos escritos por Sagan, tendo um capítulo sido escrito por ele enquanto se encontrava no hospital. Recentemente foi publicado no Brasil mais um livro sobre Sagan, Variedades da experiência científica: Uma visão pessoal da busca por Deus, que é uma coletânea de suas palestras sobre teologia natural.


