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Design inteligente

O desenho inteligente, design inteligente ou projeto inteligente é uma hipótese pseudocientífica, baseada na assertiva de que certas características do universo e dos seres vivos são mais bem explicadas por uma causa inteligente, e não por um processo não-direcionado como a seleção natural; e que é possível a inferência inequívoca de projeto sem que se façam necessários conhecimentos sobre o projetista, seus objetivos ou sobre os métodos por esse empregados na execução do projeto.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Visão geral

O termo "design inteligente" começou a ser usado após a sentença de 1987 da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Edwards v. Aguillard que decidiu que a exigência de ensinar a "Ciência da Criação" ao lado da evolução era uma violação da Cláusula de Estabelecimento, que proíbe a ajuda estatal à religião. No caso Edwards, a Suprema Corte também havia decidido que "ensinar uma variedade de teorias científicas sobre as origens da humanidade para estudantes pode ser validamente feito com a clara intenção secular de melhorar a efetividade da instrução científica". Em esboços do livro didático de ciência criacionista "Of Pandas and People", praticamente todas as derivações da palavra "criação", como "criacionismo", foram substituídas com as palavras "design inteligente". O livro foi publicado em 1989, seguido por uma campanha promovendo-o para ser usado no ensino do design inteligente em classes de biologia do ensino médio do sistema público.

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Origens do conceito

Imagem: Luiz Bento · BY-NC-SA · Openverse

Filósofos e cientistas vêm debatendo há um longo tempo se a complexidade da natureza indica a existência de designer/projetista(s) natural/sobrenatural. Entre os primeiros argumentos atestados para a existência de um projetista do Universo estão aqueles documentados na filosofia grega. No século IV a.C., Platão propôs um "demiurgo" que era bom e sábio como o criador e primeira causa do cosmos, em seu tratado Timeu. Aristóteles também desenvolveu a ideia de um criador-designer do cosmos, frequentemente chamado de "Motor Imóvel", em seu trabalho filosófico Metafísica. Em De Natura Deorum, ou "Sobre a Natureza dos Deuses" (45 a.C.), Cícero afirmou que "o poder divino deve ser encontrado no princípio de uma razão que permeia toda a natureza". O uso dessa linha de raciocínio aplicado a um projetista sobrenatural veio a ser conhecida como o argumento teleológico para a existência de Deus. As formas mais notáveis desse argumento foram expressas no século XIII por Tomás de Aquino em sua obra Suma Teológica, sendo o design a quinta das cinco provas de Aquino para a existência de Deus, e por William Paley em seu livro Teologia Natural (1802). Paley usou a analogia do relojoeiro, que é usada até hoje em argumentos relacionados ao design inteligente. No início do século XIX, tais argumentos levaram ao desenvolvimento do que era chamado na época de teologia natural, o estudo da natureza como um meio para entender a "mente de Deus". Esse movimento deu combustível a paixão pela coleta de fósseis e outros espécimes biológicos, o que eventualmente levou ao desenvolvimento da teoria da evolução das espécies proposta por Darwin. Um raciocínio similar, postulando um designer divino é apoiado atualmente por muitos adeptos do que é conhecido como evolucionismo teísta, que consideram a ciência moderna e a teoria da evolução completamente compatíveis com o conceito de um designer sobrenatural.

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Origens do termo

Imagem: SONDEL 2010 · BY · Openverse

Antes da publicação do livro "Of Pandas and People" em 1989, as palavras "design inteligente" haviam sido usadas em várias ocasiões como uma expressão descritiva em contextos que não estavam relacionados com seu uso moderno. A frase "design inteligente" pode ser encontrada em uma edição de 1847 da revista Scientific American, e em um livro de 1850 escrito por Patrick Edward Dove,, e até em uma carta de Charles Darwin datada de 1861. A frase foi usada pelo botânico Paleyita George James Allman em um discurso no encontro anual da Associação Britânica para o Avanço da Ciência de 1873: "Nenhuma hipótese física fundamentada em fatos indisputáveis chegou a explicar a origem do protoplasma primordial, e, acima de tudo, suas propriedades maravilhosas, que fazem a evolução possível - em hereditariedade e em adaptabilidade, pois essas propriedades são a causa e não o efeito da evolução. Para a causa dessa causa nós buscamos em vão entre as forças físicas que nos cercam, até que sejamos finalmente compelidos a nos apoiar em uma volição independente, um design inteligente distante.'

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Conceitos integrais

Complexidade irredutível

O termo "complexidade irredutível" foi introduzido pelo bioquímico Michael Behe, que o define como “um sistema único composto de várias partes compatíveis que interagem entre si e que contribuem para sua função básica, onde a remoção de uma das partes faria com que o sistema efetivamente cessasse de funcionar". Behe usa a analogia de uma ratoeira para ilustrar esse conceito. Uma ratoeira consiste de vários pedaços integrantes - a base, o pegador, a mola e o martelo - partes que precisam estar no lugar para que a ratoeira funcione. A remoção de qualquer um dos pedaços destrói a função da ratoeira. Defensores do design inteligente afirmam que a seleção natural não poderia criar sistemas irredutivelmente complexos, porque a função seletiva só está presente quando todas as partes estão montadas juntas. Behe argumenta que mecanismos biológicos irredutivelmente complexos incluem o flagelo bacteriano da E.coli, a cascata da coagulação do sangue, o cílio, e o sistema imune adaptativo.

Complexidade especificada

Em 1986 o químico criacionista Charles Taxon usou o termo "complexidade especificada", proveniente da teoria da informação, quando alegava que mensagens transmitidas pelo DNA na célula eram especificadas por uma inteligência, logo originaram-se de um agente inteligente. O conceito de "complexidade especificada" do design inteligente foi desenvolvido na década de 1990 pelo matemático, filósofo, e teólogo William Dembski. Dembski afirmava que quando alguma coisa exibia complexidade especificada (ou seja, complexo e "especificado", simultaneamente), poderíamos inferir que ela foi produzida por uma causa inteligente (ou seja, que foi projetada) ao invés de ser o resultado de processos naturais. Ele fornece os seguintes exemplos: "Uma única letra do alfabeto é especificada sem ser complexa. Uma sentença longa de letras aleatória é complexa sem ser especificada. Um soneto shakespeariano é tanto complexo quando especificado.". Ele afirma que detalhes de seres vivos podem ser similarmente caracterizados, especialmente os "padrões" de seqüências moleculares em moléculas biológicas funcionais como o DNA.

Universo bem afinado

Defensores do design inteligente ocasionalmente propõem argumentos fora do ramo da biologia, mais notavelmente um argumento baseado no conceito das "constantes universais bem afinadas", que tornam possíveis a existência da matéria e da vida, e portanto alegando que as constantes não devem ser solenemente atribuídas ao acaso (processos naturais). Essas incluem os valores das constantes físicas fundamentais, a força relativa das forças nucleares, o eletromagnetismo, a gravidade entre partículas fundamentais, também como as taxas das massas de tais partículas. Defensor do design inteligente e filiado do Centro para Ciência e Cultura, Guillermo Gonzales argumenta que se qualquer um desses valores fosse até minimamente diferente, o universo seria dramaticamente diferente, tornando impossível a formação de muitos elementos químicos e de estruturas características do Universo, como galáxias. Logo, defensores argumentam, um designer inteligente da vida foi necessário para garantir que as características específicas se dessem presentes, caso contrário a vida seria, em termos práticos, impossível de ter existido.

Criador inteligente

Argumentos a favor do design inteligente são formulados em termos seculares e intencionalmente evitam identificar o agente (ou agentes) que eles positam. Embora não afirmem que Deus seja o criador, o criador é frequentemente e implicitamente hipotetizado como tendo intervindo de uma maneira que somente um deus poderia intervir. Dembski, em "The Design Inference" (A Inferência do Design), especula que uma cultura alienígena poderia preencher os requisitos de um designer. A descrição autoritativa do design inteligente, entretanto, explicitamente afirma que o universo demonstra características de ter sido projetado. Reconhecendo o paradoxo, Dembski conclui que "nenhum agente inteligente que é estritamente físico poderia ter presidido a origem do universo ou a origem da vida". Os principais defensores do design inteligente já fizeram declarações de que eles acreditam que o designer seja o Deus cristão, em contraste exclusão de todas as outras religiões.

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Movimento

O movimento do design inteligente é um rebento direto do criacionismo da década de 1980. As comunidades científica e acadêmica, junto com a corte Federal Americana, consideram o design inteligente como uma forma de criacionismo ou como um descendente direto que é estreitamente interligado com o criacionismo tradicional; e vários autores referem-se explicitamente a ele como "criacionismo do design inteligente". O movimento é sediado no "Center for Science and Culture" (CSC) ou Centro para Ciência e Cultura em português, estabelecido em 1996 como o braço criacionista do Discovery Institute para promover seus objetivos religiosos que clamam por amplas mudanças sociais, acadêmicas e políticas. As campanhas do design inteligente do Discovery Institute ocorrem principalmente nos Estados Unidos, embora esforços tenham sido realizados para promover o DI em outros países . Os líderes do movimento afirmam que o design inteligente expõe as limitações da ortodoxia científica e da filosofia secular do Naturalismo. Defensores do design inteligente alegam que a ciência não deveria ser limitada ao naturalismo e não deveria demandar a adoção de filosofias naturalistas que rejeitam automaticamente qualquer explicação que contenha causas sobrenaturais (pois o que parece sobrenatural ou milagroso é apenas o que ainda não se conhece a causa lógica). O objetivo principal do movimento é "derrotar [a] visão de mundo materialista" representada pela teoria da evolução em favor de "uma ciência consoante com convicções teístas e cristãs".

Religião e principais defensores

Embora os argumentos do design inteligente sejam formulados de maneira secular e intencionalmente evitam apontar a identidade do designer, a maioria dos principais defensores do design inteligente são cristãos e já afirmaram no passado que em suas opiniões o "designer" é Deus. Phillip E. Johnson, William Dembski, e Stephen C. Meyer são evangélicos protestantes; Michael Behe é católico romano; e Jonathan Wells, outro defensor importante, é um membro da Igreja da Unificação. Johnson já afirmou que cultivar ambigüidade ao empregar linguagem secular em argumentos que são meticulosamente desenvolvidos para evitar nuanças do criacionismo teísta é um primeiro passo necessário para finalmente reintroduzir o conceito cristão de Deus como o designer. Johnson alerta explicitamente os defensores do design inteligente a esconder suas motivações religiosas para evitar que o design inteligente seja identificado "como outra maneira de apresentar a mensagem evangélica cristã". ". Johnson enfatiza que "a primeira coisa que deve ser feita é tirar a Bíblia da discussão"; "depois que separamos o preconceito materialista do fato científico [...] somente aí assuntos bíblicos podem ser discutidos". Apesar disso, existem muitos seculares de direita que passaram a defender o design inteligente, apesar de não possuírem nenhuma especialização na área, como o Irving Kristol, de maneira que isso angariasse o apoio dos religiosos a ideologia neoconservadora.

Pesquisas de opinião

Várias pesquisas foram realizadas antes da decisão de dezembro de 2005 no caso Kitzmiller v. Dover, que buscavam determinar o nível de apoio do design inteligente entre certos grupos. De acordo com a pesquisa de 2005 da Harris Interactive, 10% dos adultos nos Estados Unidos viam os seres humanos como "tão complexos que eles necessitariam de uma força poderosa ou inteligência para ajudar em sua criação". E embora as pesquisas realizadas pela Zogby e comissionadas pelo Discovery Institute apresentem um maior apoio, elas sofrem de falhas consideráveis, como ter uma baixa taxa de resposta (248 de 16.000), ser conduzida em nome de uma organização com um interesse explícito no desfecho da pesquisa, e por conter perguntas viciadas.

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Criando e ensinando a controvérsia

Imagem: RinzeWind · BY · Openverse

Uma estratégia chave do movimento do design inteligente é o de convencer o público em geral de que existe um debate entre cientistas sobre se a vida evoluiu, para assim convencer o público, políticos e líderes culturais de que as escolas deveriam "ensinar a controvérsia". O Discovery Institute, instituição que divulga informações sobre o Design Inteligente, publica uma lista de cientistas que concordam com a seguinte declaração: "Somos céticos quanto às alegações de que a mutação aleatória e a seleção natural são capazes de responder pela complexidade da vida. O exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deveria ser encorajado." Desse modo tenta demonstrar que um crescente número de cientistas tem adquirido coragem para questionar seriamente a Teoria da Evolução nos últimos anos, a lista contava com mais de 700 assinaturas em fevereiro de 2007. Em primeiro plano vale ressaltar que a atitude cética deve ser sempre mantida por qualquer cientista, quer trate-se de evolução, quer trata-se de qualquer hipótese em qualquer teoria científica. Todas as ideias em ciência estão em contínuo e perpétuo teste, por fundamento constitutivo da ciência, o que por si só já justifica uma resposta positiva de qualquer cientista à afirmação proposta. Assumindo-se uma acepção mais radical ao termo cético na afirmação proposta, oponentes do design inteligente ainda fazem notar que menos da metade da lista é de biólogos evolucionários — o tipo de cientista que estaria familiarizado com as questões subjacentes e apto a se pronunciar com autoridade sobre o assunto. A declaração em si, apesar do que pode parecer ao público leigo, não constitui uma forte oposição (a rigor não constitui oposição) à evolução e poderia conforme proposta muito bem ser assinada por grande parte dos biólogos evolucionários: em geral eles concordam que a mutação e a seleção natural não respondem sozinhos pela complexidade da vida, havendo contribuição de outros mecanismos naturais, a exemplo seleção sexual; e a menção ao exame cuidadoso da evidência é apenas uma descrição da atitude profissional que os cientistas devem sempre ter. Além disso, afirmar tal "ceticismo" diante de tamanha quantidade de fatos convergentes com os quais conta a evolução sem apresentar sequer uma evidência contraditória aos moldes das válidas em estudos científicos (verificáveis) não abala cientificamente em nada a Teoria da Evolução.

Definindo a ciência

O método científico é um corpo de técnicas para a investigação de fenômenos e obtenção de novo conhecimento sobre o mundo natural sem assumir a existência ou a não-existência do sobrenatural, uma abordagem algumas vezes chamada de naturalismo metodológico. Defensores do design inteligente acreditam que essa abordagem possa ser equalizada com o naturalismo metafísico materialista, e frequentemente alegam não somente que sua própria abordagem é científica, mas que seja ainda mais científica que a evolução, e por isso eles querem redefinir a ciência como um reavivamento e ressurgimento da teologia natural ou da filosofia natural para permitir "teorias não-naturalistas como o design inteligente". Essa situação apresenta um problema de demarcação, algo que na filosofia da ciência consiste em como e onde marcar as bordas ao redor da ciência. Para que uma teoria qualifique-se como científica, se espera que a mesma seja:

Revisão por pares

A falha em seguir os procedimentos do discurso científico bem como a falha em submeter trabalhos à comunidade científica que se sustentem contra escrutínio tem pesado contra a aceitação do design inteligente como uma ciência valida. Até hoje, o movimento do design inteligente não obteve publicações de artigos em um periódico científico revisado por pares. O design inteligente, ao apelar para um agente sobrenatural, diretamente entra em conflito com os princípios da ciência, que limita seus inquirimentos a dados empíricos observáveis e finalmente testáveis, que requerem que explicações sejam baseadas em evidências empíricas. Dembski, Behe e outros defensores do design inteligente afirmam que o preconceito da comunidade científica é o responsável pelo fracasso da publicação de suas pesquisas. Defensores do design inteligente acreditam que seus escritos são rejeitados por não se conformarem a mecanismos não-naturais e puramente naturalísticos ao invés de serem rejeitados por não estarem aptos aos “padrões de periódicos científicos”, tendo assim o mérito de seus artigos subestimados. Alguns cientistas descrevem essa alegação como uma teoria da conspiração. Michael Shermer crítica a alegação, notando que “Qualquer pessoa que acha que cientistas não questionam o Darwinismo nunca foi a uma conferência evolucionária.” Ele cita que cientistas como Joan Roughgarden e Lynn Margulis já desafiaram certas teorias Darwinistas e ofereceram suas próprias explicações e apesar disso eles “não foram perseguidos, ostracizados, despedidos e nem expulsos. Por quê? Porque eles estavam fazendo ciência, não religião.” A questão de que explanações sobrenaturais não se conformam com o método científico tornou-se um ponto principal para o design inteligente na década de 1990, sendo comentado na estratégia da cunha como um aspecto da ciência que precisa ser desafiado antes que o design inteligente possa ser aceito por uma grande parte da comunidade científica.

Inteligência como uma qualidade observável

A expressão "design inteligente" supõe uma alegada qualidade objetiva de uma inteligência observável, um conceito que não possui uma definição de consenso científico. William Dembski, por exemplo, já escreveu que “[a] inteligência deixa para trás uma assinatura característica”. As características da inteligência são assumidas pelos defensores do design inteligente como observáveis mesmo sem especificar exatamente quais os critérios de medição que deveriam ser usados. Dembski, ao invés disso, afirma que “em ciências especiais indo da medicina legal a arqueologia até ao SETI (sigla em inglês para Search for Extra-Terrestrial Intelligence, que significa Busca por Inteligência Extraterrestre), o apelo para uma inteligência criadora é indispensável”. Como esse apelo é feito e como ele implica a definição de inteligência são tópicos que ainda não foram respondidos. Seth Shostak, um pesquisador do Instituto SETI, critica a comparação de Dembski entre o SETI e o design inteligente, dizendo que defensores do design inteligente baseiam suas inferências de design na complexidade – sendo o argumento a alegação de que alguns sistemas biológicos são complexos demais para terem sido formados por processos naturais – enquanto os pesquisadores do SETI estão primariamente em busca de artificialidade.

Argumentos da ignorância

Eugenie Scott, junto a Glenn Branch e outros críticos, argumentam que muitos pontos levantados pelos defensores do design inteligente são argumentos da ignorância. Na falácia lógica do argumento da ignorância, a falta de evidência para uma proposição é erroneamente argumentada como prova para a exatidão de outra proposição. Scott e Branch afirmam que o design inteligente é um argumento da ignorância porque ele se sustenta na falta de conhecimento para gerar suas conclusões: na falta de explicações naturais para certos aspectos específicos da evolução, assume-se uma causa inteligente. Eles sustentam que a maioria dos cientistas explicariam que o que não é explicado não é inexplicável, e que “nós não sabemos ainda” é uma resposta bem mais apropriada do que invocar uma causa fora da ciência. Particularmente, a demanda de Michael Behe por explicações cada vez mais detalhadas da evolução histórica de sistemas moleculares parece supor uma falsa dicotomia, onde a evolução ou o design inteligente é a explicação apropriada, e qualquer aparente falha da evolução se torna uma vitória para o design. Em termos científicos, a “ausência de evidência não é evidência de ausência” de explicações naturais para características observáveis de organismos vivos. Scott e Branch também argumentam que as supostas novas contribuições propostas pelos defensores do design inteligente não serviram de base para nenhuma pesquisa científica produtiva.

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O caso Kitzmiller

Imagem: leoncillo sabino · BY · Openverse

O caso Kitzmiller v. Dover Area School District foi a primeira contestação trazida perante uma corte federal dos Estados Unidos contra um distrito escolar público que exigia a apresentação do design inteligente como uma alternativa a evolução. Os querelantes argumentaram com sucesso que o design inteligente é uma forma de criacionismo, e que a política do conselho escolar consequentemente violava a Cláusula de Estabelecimento da Primeira emenda da constituição dos Estados Unidos. Onze pais de estudantes em Dover, Pennsylvania, processaram o Distrito escolar da área de Dover devido a uma declaração que o conselho escolar exigia que fosse lida em voz alta em aulas de ciência da nona série sempre quando evolução fosse ensinada. Os querelantes foram representados pela American Civil Liberties Union (União Americana pelas Liberdades Civis, ACLU sigla em inglês), a Americans United for Separation of Church and State (Americanos Unidos pela Separação da Igreja e Estado, AU sigla em inglês), e pela Pepper Hamilton LLP. O National Center for Science Education ( Centro Nacional pela Educação Científica, NCSE sigla em inglês) participou como consultor dos querelantes. Os réus foram representados pelo Thomas More Law Center (Centro de Direito Thomas More). O processo foi julgado em um caso sem júri de 26 de setembro de 2005 a 4 de novembro de 2005 perante o juiz John E. Jones III. Ken Miller, Kevin Padia, Brian Alters, Robert Pennock, Barbara Forrest e John Haught serviram como testemunhas especialistas para a acusação. Michael Behe, Steve Fuller e Scott Minnich serviram como testemunhas especialistas para a defesa.

Reação

O próprio Juiz Jones antecipou que seu julgamento seria criticado, dizendo o seguinte em sua decisão: "Aqueles que discordam de nosso achado irão provavelmente marcá-lo como o produto de um juiz ativista. E se o fizerem, eles terão cometido um erro, já que essa manifestamente não é uma Corte ativista. Ao invés disso, esse caso veio até nós como o resultado do ativismo de uma facção mal informada de um conselho escolar, ajudada por uma firma internacional de direito público ávida para encontrar um caso de teste constitucional sobre o DI, que combinados impulsionaram o Conselho a adotar uma política imprudente e no final das contas inconstitucional. A inanidade impressionante da decisão do Conselho é evidente quando considerada contra o pano de fundo factual que foi agora totalmente revelado neste julgamento. Os estudantes, pais, e professores do Distrito Escolar da Área de Dover merecem bem mais do que serem arrastados nesta confusão legal, com o seu resultante desperdício completo de recursos pessoais e monetários."

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Status fora dos Estados Unidos

Imagem: Matheus T. Fernandes · BY-ND · Openverse

Europa

Em junho de 2007, o “Comitê sobre Cultura, Ciência e Educação” do Conselho da Europa emitiu um relatório, "The dangers of creationism in education" (Os perigos do criacionismo na educação), que afirmava que “[O] Criacionismo em qualquer uma de suas formas, tal como o ‘design inteligente’, não é baseado em fatos, não usa de racionalização científica e seus conteúdos são pateticamente inadequados para aulas de ciências”. . Ao descrever os perigos atribuídos ao ensino do criacionismo para a educação, o relatório descreveu o design inteligente como “anticiência” que envolve “fraude científica flagrante” e “dissimulação intelectual” que “macula a natureza, objetividade e limites da ciência” e o liga bem como outras formas de criacionismo ao negacionismo. Em 4 de outubro de 2007, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa aprovou uma resolução declarando que escolas deveriam “resistir a apresentações de ideias criacionistas em qualquer disciplina que não seja religião”, incluindo o “design inteligente” que é descrito como “a última, e mais refinada versão do criacionismo”, “apresentado de uma forma mais sutil”. A resolução dá ênfase que o objetivo do relatório não é o de questionar ou de combater uma crença, mas o de “alertar contra certas tendências de passar uma crença como ciência”.

Brasil

Em parceria com o Discovery Institute, a Universidade Presbiteriana Mackenzie criou o "Núcleo Discovery-Mackenzie" para promover o design inteligente no Brasil. Segundo seu coordenador, Marcos Nogueira Eberlin, professor de química na Unicamp, o núcleo visa a "avaliação crítica das duas possibilidades". A criação do núcleo gerou protestos de vários cientistas, dentre eles o de Fábio Raposo do Amaral, ex-aluno de biologia da Universidade Mackenzie que é professor do Departamento de Ecologia Evolutiva da UNFESP. Amaral conclamou o curso de biologia da universidade a se posicionar contra o núcleo. Na revista Science essa parceria foi considerada como uma ameaça à educação no Brasil.

Em outras regiões

O criacionismo possui grande influência política em vários países islâmicos, visões antievolucionárias são consideradas mainstream e apresentam considerável apoio oficial, apoio das elites bem como de teólogos acadêmicos e cientistas. Em geral, criacionistas muçulmanos fazem parcerias com o Institute for Creation Research por ideias e materiais que eles posteriormente adaptam para suas próprias posições teológicas. Similarmente, também foi usado material antievolutivo sobre o design inteligente. Muzaffar Iqbal, um notável muçulmano do Canadá, assinou a lista de Dissidentes do Darwinismo do Discovery Institute. Ideias similares ao design inteligente são consideradas opções intelectualmente respeitáveis entre muçulmanos, e na Turquia muitos livros sobre o design inteligente foram traduzidos. Em 2007 em Instambul, encontros públicos promovendo o design inteligente foram patrocinados pelo governo local, e David Berlinski, do Discovery Institute, foi um dos palestrantes principais em um encontro em maio de 2007.

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Fontes consultadas

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