Caravana Donner
A Caravana Donner foi um grupo de pioneiros americanos que migraram rumo à Califórnia numa caravana de carroças oriundos do Meio-Oeste. Atrasados por uma série de infortúnios, eles passaram o inverno de 1846/47 presos pela neve na Serra Nevada. Alguns dos migrantes recorreram ao canibalismo para sobreviver, comendo os corpos daqueles que sucumbiram à fome e à doença.
Durante a década de 1840, os Estados Unidos tiveram um aumento dramático na quantidade de pioneiros que deixaram suas casas para se realocar no Território do Oregon ou na Califórnia, que à época eram acessíveis somente através de uma longa viagem marítima ou de uma desencorajadora jornada por terra através das novas fronteiras. Alguns, tais como Patrick Breen, viam a Califórnia como um lugar onde seriam livres para viver uma cultura totalmente católica; outros atraíram-se pelas nascentes oportunidades econômicas do Oeste ou inspirados pela ideia do destino manifesto, a crença que a terra entre os oceanos Atlântico e Pacífico pertencia aos Americanos de origem europeia e que eles deveriam ocupá-la. Muitas das caravanas seguiam a rota da Trilha do Oregon, que começava em Independence, Missouri, rumo à Divisória Continental das Américas, percorrendo por volta de 15 milhas (24 km) por dia em uma jornada que levava de quatro a seis meses. A trilha geralmente seguia o curso de vários rios até South Pass, um passo de montanha no atual Wyoming, que era mais fácil para que as carroças o atravessassem. Dali em diante, os pioneiros tinham rotas à escolha para chegar até os destinos pretendidos.
Na primavera de 1846, quase 500 carroças seguiram rumo oeste a partir de Independence. No final da sequência, um grupo de nove carroças com 32 membros das famílias Reed e Donner e seus empregados partiram em 12 de maio. George Donner, nascido na Carolina do Norte, ao longo da vida mudou-se gradualmente rumo ao oeste para Kentucky, Indiana, e Illinois, com uma permanência de um ano no Texas. No início de 1846, ele já contava por volta de 60 anos de idade e vivia próximo a Springfield, Illinois. Com ele estavam sua esposa de 44 anos Tamsen, suas três filhas Frances (6), Georgia (4) e Eliza (3), e as filhas de um casamento anterior de: Elitha (14) e Leanna (12). O irmão mais novo de George Jacob (56) também se juntou ao grupo com a esposa Elizabeth (45), os enteados adolescentes Solomon Hook (14) e William Hook (12) e cinco filhos: George (9), Mary (7), Isaac (6), Lewis (4) e Samuel (1). Também viajando com os irmãos Donner estavam os condutores Hiram O. Miller (29), Samuel Shoemaker (25), Noah James (16), Charles Burger (30), John Denton (28) e Augustus Spitzer (30).
Para promover seu novo atalho (o "Hastings Cutoff"), Lansford Hastings enviou cavaleiros para entregar cartas aos migrantes em curso. Em 12 de julho os Reeds e os Donners receberam uma delas. Hastings advertiu os migrantes que eles poderiam enfrentar oposição das autoridades mexicanas na Califórnia e sugeriu que se juntassem em grandes grupos. Em 20 de julho, no Rio Little Sandy, a maior parte da caravana optou por seguir o caminho estabelecido via Fort Hall. Um grupo menor optou por seguir para Fort Bridger mas precisava de um líder. A maior parte dos homens jovens era de imigrantes europeus, que não eram considerados líderes ideais. James Reed já vivia nos Estados Unidos há um tempo considerável, era mais velho, tinha experiência militar, mas sua postura autoritária alienara boa parte do grupo, que o considerava aristocrático, imperial e algo ostentatório. Em contraste, o maduro e experiente Donner, americano de nascença, era pacífico e solidário, o que fez com que se tornasse a escolha natural do grupo. Os membros da caravana eram para os padrões da época portadores de um considerável padrão de vida. Embora sejam denominados pioneiros, a grande maioria não possuía habilidades específicas ou a experiência necessária para viajar entre as montanhas e a vastidão desértica, além de pouco conhecimento sobre como interagir com os povos nativos.
Cordilheira Wasatch
A caravana tomou o rumo sul para seguir o atalho de Hastings. Mas em poucos dias, descobriram que o terreno era muito mais difícil do que lhes fora descrito. Muito embora Hastings tenha dado as direções e deixado cartas nas árvores, acabaram recebendo uma carta deste para que se detivessem em certo momento, assim como também ofereceu um guia para conduzir a caravana nas áreas mais difíceis, mas fez somente parte do percurso, indicando a direção geral a seguir. Stanton e Pike pararam para descansar e Reed retornou sozinho para o grupo, chegando quatro dias após a partida da caravana. Sem o guia que lhes foi prometido, o grupo teve de decidir se voltava para seguir pela trilha já conhecida, se seguia a trilha marcada pela caravana Harlan-Young através do cânion Weber, ou se criavam a própria trilha na direção que Hastings recomendara. Ao pedido de Reed, o grupo escolheu a nova rota de Hastings. Seus progressos reduziram-se a apenas um milha e meia (2,4 km) por dia. Todos os homens fisicamente capazes tinha de limpar o caminho, tirar as árvores caídas e as rochas do caminho para abrir caminho para as carroças.[C]
Deserto do Grande Lago Salgado
Luke Halloran morreu de tuberculose em 25 de agosto. Poucos dias antes, a caravana chegou a uma carta rasgada e dilacerada de Hastings. Os pedaços indicavam que eles enfrentariam dois dias e duas noites de viagem difícil sem vegetação para os animais e sem água alguma para todos. A caravana deu descanso ao rebanho e se preparou para a viagem. Após 36 horas eles partiram para atravessar uma montanha de 300 metros no meio do caminho. De seu cume, viram à frente uma planície seca, estéril, perfeitamente plana e coberta com sal branco, maior do que aquele que eles já haviam cruzado, e "um dos lugares mais inóspitos da terra" de acordo com Rarick. O gado já estava fatigado e a água estava acabando.
O banimento de Reed
Ao longo do rio Humboldt o grupo encontrou-se com nativos americanos da tribo Paiute, que se juntaram a eles por poucos dias, mas roubaram (ou atiraram em) o gado e os cavalos. Agora, outubro já estava acabando e as famílias integrantes da caravana se separaram para ganhar tempo. Duas carroças do grupo remanescente embaraçaram-se e John Snyder fustigou o animal de carga de Milt Elliot, contratado por Reed. Quando Reed interveio, Snyder o fustigou com o chicote. Reed retaliou enfiando fatalmente uma faca sob a clavícula de Snyder. Naquela noite, as testemunhas do fato reuniram-se para discutir o que devia ser feito. À época, as leis dos Estados Unidos ainda não eram aplicáveis a oeste da Divisória Continental (no que então era território mexicano) e as caravanas aplicavam sua própria justiça. Mas George Donner, o líder da caravana, estava um dia inteiro à frente da caravana com sua família. Snyder havia sido visto atingindo James Reed e alguns diziam que ele também havia atingido Margret Reed, mas Snyder era popular e Reed, por sua vez, não o era. Keseberg sugeriu que Reed fosse enforcado, mas se obteve um compromisso pelo qual ele deixaria o acampamento sem sua família, que seria cuidada pelos outros grupos. Reed partiu só na manhã seguinte, desarmado,[G] mas sua enteada Virginia foi atrás dele e secretamente lhe forneceu um rifle e alguma comida.
Desintegração
As provações que a Caravana Donner havia enfrentado até então fez com que o grupo se mostrasse cada vez mais polarizado e cindido em diversos grupos, cada qual cuidando de si e suspeitoso e desconfiado dos demais. A vegetação tornara-se escassa e os animais enfraqueciam a olhos vistos. Para aliviar o peso dos animais, todos deveriam caminhar. Keseberg tirou Hardkoop de sua carroça, dizendo ao idoso que este devia caminhar ou morrer. Poucos dias mais tarde, Hardkoop sentou-se próximo a um córrego: seus pés estavam tão inchados que haviam se rachado; ele não foi mais visto novamente. William Eddy implorou aos demais que o procurassem, mas todos recusaram, dizendo que não desperdiçariam mais recursos com um homem já próximo aos 70 anos de idade.
Passo Donner
À perspectiva de encarar montanhas descritas como muito piores que as da Cordilheira Wasatch, o grupo teve de decidir se avançava a qualquer custo ou se descansava os animais. Era 20 de outubro e lhes havia sido dito que não nevaria no passo antes de meados de novembro. William Pike foi morto quando uma arma carregada por William Foster foi descarregada negligentemente, um evento que pareceu ser o motivador da decisão para todos, família por família, eles retomaram a jornada: primeiramente os Breens, depois os Kesebergs, então os Stanton com Reeds, Graves e Murphys. Os Donners esperaram e ficaram para o fim. Após poucas milhas de terreno difícil, o eixo de uma das carroças quebrou. Jacob e George foram à mata preparar uma peça de reposição. George Donner cortou a mão enquanto talhava a madeira mas o ferimento parecia ter sido superficial.
Acampamento de inverno
Sessenta membros e agregados das famílias Breen, Graves, Reed, Murphy, Keseberg e Eddy ajeitaram-se para passar o inverno no Lago Truckee. Três cabanas, distantes umas das outras, feitas de troncos de pinheiro, passaram a ser suas casas, com chão de terra e telhados planos de construção rudimentar que vazavam quando chovia. Os Breens ocupavam uma cabana, os Eddys e os Murphys outra, e os Reeds e os Graves compartilhavam a terceira. Keseberg construiu um "puxadinho" apoiado na cabana dos Breen para abrigar sua família. Todos usavam lonas ou peles de vaca para cobrir os telhados. Não havia janelas ou portas, apenas buracos para permitir a entrada e a saída. Das 60 pessoas no Lago Truckee, 19 eram homens adultos, acima de 18 anos e 12 eram mulheres, mais 29 crinaças, das quais seis tinham menos de três anos de idade. Mais abaixo na trilha, próximo ao córrego denominado Alder, o grupo dos Donner rapidamente construiu tendas para abrigar 21 pessoas, incluindo a senhora Wolfinger, sua filha, e os condutores: num total de seis homens, três mulheres e doze crianças. Começou a nevar novamente na noite de 4 de novembro, o início de uma tempestade que duraria oito dias.
"A esperança Forlorn"
O grupo baseado no Lago Truckee começou a enfraquecer. Spitzer morreu, depois Baylis Williams (um condutor a serviço do Reeds) também pereceu, mais de desnutrição do que de fome. Franklin Graves produziu 14 pares de raquetes de neve para caminhada com o que tinha à mão. Um grupo de 17 homens, mulheres e crianças partiu a pé para tentar cruzar o passo de montanha. Como evidência de quão sombrias eram suas chances, quatro dos homens eram pais. Três das mulheres, que eram mães, entregaram as crianças menores a outras mulheres. Não carregavam muito peso, levando o equivalente a alimentação para seis dias, um rifle e um cobertor para cada um, um machado e algumas pistolas, esperando chegar a Bear Valley. O historiador Charles McGlashan mais tarde veio a denominar esse grupo como "a esperança Forlorn". Dois dos que não usavam as raquetes de neve para caminhada, Charles Burger e William Murphy, de 10 anos, logo retornaram ao acampamento. Os outros membros do grupo improvisaram um par de raquetes para caminhada para Lemuel Murphy, de 12 anos, na primeira noite com uma albarda que estavam carregando.
Reed tenta um resgate
James F. Reed conseguiu sair da Serra Nevada e chegar ao Rancho Johnson em outubro. Ele estava seguro e se restabelecendo no Forte Sutter, mas a cada dia ele ficava mais preocupado com o que acontecera com a sua família e com seus amigos. Ele implorou ao coronel John C. Frémont para reunir um grupo de homens para cruzar o passe e ajudar o grupo do qual viera. Em contrapartida, Reed prometera juntar-se às forças de Frémont para lutar na Guerra Mexicano–Americana. McCutchen juntou-se a ele, não tendo conseguido retornar com Stanton, assim como alguns membros da Caravana Harlan-Young. A Caravana Harlan-Young chegara ao Forte Sutter em 8 de outubro, a última a fazê-lo ao vencer a Serra Nevada naquela temporada. O grupo, com 30 cavalos e uma dúzia de homens levando suprimentos, esperava encontrar a caravana Donner no lado ocidental da cordilheira, ao longo do Rio Bear e abaixo do Emigrant Gap, talvez famintos mas vivos. Quando chegaram ao vale do rio, encontraram apenas um casal, migrantes que se separaram de outro grupo e que estavam à beira da inanição.
Primeira assistência
A maior parte da força militar da Califórnia estava engajada na Guerra Mexicano–Americana e com eles a grande maioria dos homens capazes. Por exemplo, as tropas do coronel Frémont estavam ocupadas em capturar Santa Barbara. Em toda a região, os caminhos estavam bloqueados, as comunicações estavam comprometidas e os suprimentos, indisponíveis. Apenas três homens responderam ao chamado para resgatar a Caravana Donner. Reed estabeleceu-se em San José até fevereiro em função de levantes regionais e da confusão geral. Ele passou essas semanas falando com outros pioneiros e conhecidos. O povo de San José respondeu criando um abaixo-assinado destinado à Marinha dos Estados Unidos para ajudar as pessoas que estavam no Lago Truckee. Dois jornais locais relataram que membros do grupo que deixara o lago haviam recorrido ao canibalismo, o que ajudou a trazer simpatia àqueles que ainda estavam presos pela neve. Residentes de Yerba Buena, muitos migrantes recentes, levantaram US$ 1.300,00 (US$ 35.000,00 em 2018) e organizaram esforços para formar um grupo de resgate para os refugiados.
Segunda assistência
Em 1º de março, um segundo grupo chegou ao Lago Truckee. Entre esses socorristas estavam veteranos montanhistas, mais notavelmente John Turner, que acompanharam o retorno de Reed e McCutchen. Reed reuniu-se com sua filha Patty e seu filho Tommy, já enfraquecido. Uma inspeção na cabana dos Breen encontrou os ocupantes relativamente bem, dadas as condições, mas na cabana dos Murphy, de acordo com o autor George Stewart, a condição "passava dos limites da descrição e quase da imaginação". Levinah Murphy cuidava de seu filho Simon, de oito anos e dois dos filhos mais novos de William Eddy e Foster. Ela estava com deterioração mental e quase cega. As crianças estavam apáticas e não recebiam higiene há dias. Lewis Keseberg havia se mudado para cabana e mal podia se mover por estar com uma perna machucada.
Terceira assistência
Foster e Eddy finalmente chegar a Truckee Lake em 14 de março, onde encontraram seus filhos já sem vida. Keseberg disse Eddy que havia comido os restos mortais do filho de Eddy; Eddy jurou que assassinaria Keseberg se o encontrasse novamente na Califórnia. George Donner e um dos filhos de Jacob Donner ainda estavam vivos em Alder Creek. Tamsen Donner havia acabado de chegar à cabana dos Murphy. Ele poderia ter ido embora sozinha, mas escolheu voltar ao marido, mesmo tendo sido informada que nenhum outro grupo de resgate viria tão cedo. Foster, Eddy e o restante do terceiro grupo de resgate partiram com quatro crianças, Trudeau, e Clark. Mais dois grupos de resgate foram reunidos para tirar quaisquer adultos que pudessem estar vivos. Ambos retornaram antes de chegar a Bear Valley e não foram feitas mais tentativas. Em 10 de abril, quase um mês após o terceiro grupo de resgate ter deixado o Lago Truckee, o alcalde próximo ao Forte Sutter organizou um grupo de salvatagem para recuperar o que pudessem dos pertences dos Donners, uma vez que estes seriam vendidos para sustentas as crianças da família, agora órfãs. O grupo encontrou as cabanas de Alder Creek vazias, exceto por uma delas, que continha o corpo de George Donner, que morrera poucos dias antes. No caminho de volta até o Lago Truckee, encontraram Lewis Keseberg vivo. De acordo com ele, a senhora Murphy havia morrido uma semana após a partida do terceiro grupo de resgate. Semanas depois, Tamsen Donner teria chegado à cabana dele no caminho até o passo, ensopada e aborrecida. Keseberg disse que colocou um cobertor nela e que teria lhe dito que partisse de manhã, mas que ela faleceu durante a noite.
Reação
Espetáculo mais revoltante ou chocante eu nunca vi. Os despojos aqui, por ordem do general Kearny foram coletados e enterrados sob a supervisão do major Swords. Foram enterrados em uma cova cavada no centro de uma das cabanas. Findo este melancólico dever para com os mortos, as cabanas, por ordem do major Swords, foram incendiadas e as coisas que ass envolviam e se ligavam a esta hedionda tragédia, foram consumidas. O corpo de George Donner foi encontrado no outro acampamento, por volta de 8 ou 10 milhas [12 a 16 km] dali, e enrolado num lençol. Ele foi enterrado por um grupo de homens designado para esse propósito. Membro da companhia do general Stephen W. Kearny, 22 de junho de 1847
Sobreviventes
Das 87 pessoas que chegaram à Cordilheira Wasatch, 48 sobreviveram. Somente as famílias Reed e Breen chegaram intactas. Os filhos de Jacob Donner, George Donner e Franklin Graves ficaram órfãos. William Eddy estava só: a maior parte dos Murphy morrera na viagem. Somente três mulas chegaram à Califórnia: todos os demais animais pereceram. A maior parte dos pertences dos membros foi descartada. Eu não escrevi a você metade dos problemas que tivemos, mas escrevi o bastante para que você soubesse o bastante o quanto não sabe sobre os problemas. Mas graças a Deus nós conseguimos e [fomos] a única família que não comeu carne humana. Deixámos tudo, mas não me importo com isso. Nós conseguimos com nossas vidas, mas não deixe que esta carta desanime a ninguém. Nunca tome atalhos e apresse-se tão rápido quanto puder.
O episódio da Caravana Donner serviu como base para muitos trabalhos de história, ficção, drama, poesia e filmes. A atenção dirigida ao relato da Caravana Donnar foi tornado possível pelos relatos confiáveis, de acordo com Stewart, e do fato de que "o canibalismo, embora possa ser quase chamado de evento menor, tornou-se no imaginário popular o fato principal a ser lembrado sobre a Caravana Donner. Um tabu sempre fascina com mais força que repele". O apelo dos eventos focado nas famílias e em pessoas comuns, de acordo com Johnson, escrevendo em 1996, em vez de indivíduos raros, e que os eventos são "uma horrenda ironia que esperanças de prosperidade, saúde e uma nova vida nos vales férteis da Califórnia pudesse levar apenas à miséria, à fome e à morte ao seu limite pétreo". O lugar das cabanas tornou-se atração turística já em 1854. Na década de 1880,Charles McGlashan começou a promover a ideia de um monumento para marcar o lugar do episódio da Caravana Donner. Ele ajudou na aquisição do terreno para o monumento e, em junho de 1918, a estátua de uma família pioneira, dedicada à Caravana Donner, foi colocada no lugar onde se crê que ficava a cabana da família Breen. O lugar foi tombado como patrimônio histórico em 1934.
Mortalidade
A maioria dos historiadores conta 87 membros na caravana, embora Stephen McCurdy, escrevendo para o Western Journal of Medicine, inclua Sarah Keyes — a mãe de Margret Reed — e Luis e Salvador, fazendo o número chegar a 90. Cinco pessoas já haviam morrido antes que a caravana chegasse à região do Lago Truckee: uma de tuberculose (Halloran), três de trauma (Snyder, Wolfinger e Pike) e uma de exposição (Hardkoop). Mais 34 morreram entre dezembro de 1846 e abril de 1847: 25 do sexo masculino e 9 do sexo feminino.[L] Vários historiadores e outros estudiosos analisaram as mortes para determinar quais fatores afetaram a sobrevivência de indivíduos com desnutrição profunda. Dos quinze membros que partiram no grupo das raquetes para neve, oito dos dez homens morreram (Stanton, Dolan, Graves, Murphy, Antonio, Fosdick, Luis e Salvador) mas todas as cinco mulheres sobreviveram. Um professor da Universidade de Washington declarou que a Caravana Donner é um "estudo de caso de ação da seleção natural demograficamente intermediada".
Alegações de canibalismo
Embora alguns sobreviventes negassem as alegações de canibalismo, Charles McGlashan, que se correspondeu com muitos dos sobreviventes por um período de 40 anos, documentou vários dos relatos. Alguns dos correspondentes não se mostraram colaborativos, tendo vergonha, enquanto outros lidaram melhor com isso, falando mais livremente sobre os fatos. McGlashan, em seu livro de 1879 History of the Donner Party, negou-se a incluir alguns dos detalhes mais mórbidos — tais como o sofrimento e a agonia das crianças e dos bebês antes da morte — ou de como a senhora Murphy, de acordo com o relato de Georgia Donner, desistiu de tudo, deitou-se no leito, de frente para a parede dando as costas quando o último de seus filhos partiu com o terceiro grupo de resgate. Ele também não descreveu qualquer relato de canibalismo em Alder Creek. No mesmo ano que o livro de McGlashan foi publicado, Georgia Donner escreveu a ele para esclarecer certos pontos, dizendo que carne humana foi preparada para as pessoas nas duas cabanas de Alder Creek, mas que, de acordo com suas lembranças (considerando-se que ela contava somente quatro anos de idade durante o inverno de 1846–1847) tal carne foi dada somente às crianças menores: "O pai estava chorando e não olhava para nós o tempo todo, e para nós, pequeninos, sentia que nada mais podia fazer; nada mais havia." Ela também se lembra que Elizabeth Donner, a esposa de Jacob, anunciou numa manhã que tinha cozinhado o braço de Samuel Shoemaker, um condutor de 25 anos. Eliza Donner Houghton, em seu relato datado de 1911, não menciona qualquer ocorrência de canibalismo em Alder Creek.


