Pesquisa · Mapa mental

Capitão-mor

Capitão-mor era a designação genérica de um oficial militar ou naval que comandava ou superintendia diversos capitães. Historicamente, a designação foi atribuída a diversos postos e cargos em Portugal, desde a época medieval, estendendo-se depois também aos territórios ultramarinos portugueses.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
01

Origem

Na Idade Média, o termo "capitão" (etimologicamente originado no latim caput, significando "cabeça") designava genericamente um chefe militar. No Portugal medievo, é provável que o termo "capitão-mor" (de "capitão" + "mor", sendo "mor" a redução de "maior") fosse ocasionalmente usado para indicar o chefe superior de um contingente militar que incluísse vários grupos de tropas chefiados por capitães, à semelhança do que se passava em outros estados ibéricos, nomeadamente em Castela onde era usado o termo quase equivalente capitan mayor. Contudo, o primeiro cargo assim oficialmente designado, em Portugal, foi o de capitão-mor do mar, criado pelo rei D. Fernando I em 1373, com a função de comandante em chefe dos navios de alto bordo da Armada Real, em substituição do almirante de Portugal que passou apenas a exercer o comando das galés. Em 1484, surgiria o cargo de capitão-mor dos ginetes, que exercia o comando dos ginetes (corpo de cavalaria ligeira) da guarda do rei D. João II.

02

Uso histórico

Marinha

O cargo de capitão-mor do mar foi criado em 1373 pelo rei D. Fernando I, no contexto da segunda guerra fernandina, como complemento ao cargo de almirante de Portugal. Até então, o comando de todas as forças navais da Coroa Portuguesa era exercido pelo almirante de Portugal, cargo que vinha sendo provido na família Pessanha desde 1317. Contudo, tendo considerado que o então almirante Lançarote Pessanha se revelou ineficaz na defesa naval de Lisboa contra as forças de Henrique II de Castela, o Rei de Portugal, não só o destituiu do cargo, como subdividiu as forças navais em dois comandos separados, o das galés e o das naus (navios de alto bordo). O almirante de Portugal passou a comandar apenas as galés, sendo o comando das naus atribuído ao capitão-mor do mar. No século XVII, o cargo de capitão-mor do mar passou a designar-se "capitão-general da Armada Real dos Galeões de Alto Bordo do Mar Oceano".

Ordenanças

Nas Ordenanças - que formavam um corpo de tropas territoriais, existente entre os séculos séculos XVI e XIX - o capitão-mor era oficial que exercia o comando de um grupo de companhias existente numa determinada localidade (cidade, vila, concelho) ou região. Cada conjunto de companhias de ordenança a cargo de um capitão-mor, bem como a circunscrição territorial onde as mesmas eram recrutadas, era conhecido como "capitania" ou ocasionalmente "capitania-mor". A organização das Ordenanças foi estabelecida pelo rei D. Sebastião I, através do Regimento dos Capitães-Mores publicado em 1570. Segundo o mesmo, em cada terra do Reino existiria um capitão-mor, assistido por um sargento-mor, que era responsável pelas companhias de ordenanças aí formadas, cada uma delas a cargo de um capitão. Nas terras da Coroa, o cargo de capitão-mor seria exercido, por inerência, pelo respetivo alcaide-mor e nos domínios senhoriais seria exercido pelo respetivo senhor. Se uma terra não tivesse alcaide-mor ou senhor, o capitão-mor seria eleito pela câmara. Em qualquer caso, o cargo de capitão-mor cairia sempre em alguém notável da terra, passando a ser assim visto como uma das funções de maior prestígio, a nível local.

Ultramar

No Império Português Ultramar também existiram capitães-mores, quer com funções semelhantes às desempenhadas pelos homólogos do Portugal europeu, quer com funções específicas adaptadas às realidades locais. A partir do século XV, os governadores militares das praças de guerra e outras fortalezas ultramarinas foram genericamente designados "capitães", sendo alguns deles designados "capitães-mores". O primeiro deles terá sido D. Pedro de Meneses, conde de Vila Real, nomeado capitão de Ceuta após a sua tomada em 1415. A designação "capitão-mor" era aparentemente atribuída a um governador de uma praça que também superintendesse outras fortalezas secundárias e os respetivos capitães. Os capitães e capitães-mores também governavam as povoações e territórios anexos onde se situavam as suas fortalezas, os quais passaram a ser referidos genericamente como "capitanias".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Saiba mais — fontes confiáveis na web

Continue pesquisando