Capital de risco
Capital de risco, capital empreendedor, capital de investimento, é uma modalidade de investimentos alternativos utilizada para apoiar negócios por meio da compra de uma participação acionária, geralmente minoritária, com objetivo de ter as ações valorizadas para posterior saída da operação.
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Como em qualquer bem econômico podemos olhar para o capital de risco pelo lado da oferta ou pelo lado da procura. Pelo lado da oferta temos detentores de capital (investidores) que podem ser institucionais públicos ou privados que procuram oportunidades de investimento com elevadas margens de rentabilidade, elaborando para isso uma estratégia de redução de riscos, em aspectos como dispersão de investimentos, sectores em que investem, idade das empresas, avaliação das capacidades técnicas. Igualmente há investidores que aplicam não só capital como também saber fazer na área da gestão a quem normalmente se dá o nome de investidor-anjo. Certamente que estes investidores estão à procura de lucros e portanto, introduzem nas cláusulas do contrato as opções de saída, para garantir que em caso de sucesso não vão ficar eternamente amarrados aquela empresa. Pelo lado da procura o empresário ou empresa que tem um bom projecto, dificuldades de angariação de capital ou de algum tipo de saber-fazer, e que querem continuar a comandar os destinos das suas empresas ou projetos procuram investidores que os deixem trabalhar, e obtêm a garantia de a qualquer altura poderem recomprar as participações sociais na posse desses investidores.
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O capital de risco como uma atividade económica, teve origem nos Estados Unidos, e tradicionalmente continuam a ser as empresas americanas, as maiores participantes nos mercados do capital de risco, quer pelo lado dos investidores, quer pelo lado dos tomadores de capital. Em âmbito internacional, essa atividade tem apresentado crescimento, tanto do ponto de vista dos investidores, quanto de número de investidores-anjo e de empresas que recorrem ao capital de risco. As entidades públicas, têm utilizado o capital de risco, como uma ferramenta para promover o desenvolvimento económico de muitas regiões ou sectores de negócio, sobretudo as novas tecnologias. Nas regiões com menor desenvolvimento do sector financeiro, este instrumento desempenha um papel facilitador no acesso aos mercados financeiros, sobretudo nas pequenas e médias empresas (PME), que estão na fase de early stage ou start up.
Com poucas exceções, os investimentos privados, principalmente norte-americanos, na primeira metade do século XX, estiveram sob o domínio de fortunas individuais e de famílias. Os Wallenbergs, Vanderbilts, Whitneys, Rockefellers e Warburgs foram notáveis investidores em companhias particulares nessa época. Em 1938, Laurance S. Rockefeller ajudou financeiramente na criação das empresas Eastern Air Lines e Douglas Aircraft e a família Rockefeller tinha interesses em várias companhias. Eric M. Warburg fundou a E.M. Warburg & Co. em 1938, que mais tarde seria transformada na Warburg Pincus, com investimentos em leveraged buyouts ("compras alavancadas") e capital de risco. A família Wallenberg começou a Investor AB em 1916 na Suécia e fez investimentos iniciais em muitas companhias suecas como a ABB, Atlas Copco, Ericsson, etc.[carece de fontes?]
Origens do capital de risco moderno
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a situação dos investidores em "capital de desenvolvimento" como eram chamados, não mudou. Apenas após 1945 surgiram duas organizações que mudariam o perfil dos investidores: em 1946 foram fundadas a American Research and Development Corporation (ARDC, creditada como a primeira "companhia de capital de risco") e J.H. Whitney & Company. Georges Doriot, o "pai do capital de risco", (e ex-reitor assistente da Harvard Business School), fundou a Escola INSEAD em 1957. Associado a Ralph Flanders e Karl Compton (ex-presidente do MIT), Doriot fundou a ARDC em 1946 para encorajar os setores de investimentos privados a atuarem em empresas que pudessem aproveitar os soldados que retornavam da guerra. A companhia se tornou a primeira a captar recursos de outras fontes que não as famílias ricas, após ser bem sucedida em vários negócios. Doriot afirmou que o mais importante investimento da ARDC foi na Digital Equipment Corporation (DEC). Em 1957 foram investidos 70.000 dólares que posteriormente foram avaliados em 355 milhões de dólares quando da oferta pública realizada em 1968 (o que representa um retorno de 1200 vezes, calculado pela taxa interna de retorno).
Primeiras sociedades de risco e o crescimento do "Vale do Silício"
Um dos primeiros passos para a profissionalização da gestão de capital de riscos industrial nos Estados Unidos foi a Lei de Investimentos em Pequenos Negócios de 1958. Por esse ato, a Small Business Administration (SBA) licenciou as companhias de pequenos investimentos (conhecidas em inglês por SBICs, de Small Business Investment Companies) para auxiliar o financiamento e gerir pequenas empresas naquele país. Durante as décadas de 1960 e 1970, as sociedades de capital de risco preferiram investir em companhias iniciantes ou em expansão. A maioria delas explorava avanços em eletrônica, medicina ou tecnologia de processamento de dados. Como resultado, os investimentos de capital de risco se tornaram quase sinônimos de financiamento de tecnologia. Uma das primeira sociedades de risco na Costa Oeste foi a Draper and Johnson Investment Company, fundada em 1962 por William Henry Draper III e Franklin P. Johnson, Jr. Em 1965, Sutter Hill Ventures adquiriu o portfólio de Draper and Johnson através de compra de ações. Bill Draper e Paul Wythes foram os fundadores, e Pitch Johnson formou a Asset Management Company naquela época.
Década de 1980
Com a popularidade das indústrias de capital de risco no período das décadas de 1970 e início da de 1980 (por exemplo, Digital Equipment Corporation, Apple Inc., Genentech) influenciaram uma proliferação das sociedades de capital de risco. De apenas algumas dúzia de sociedade no começo da década, já se contavam 650 firmas ao final da mesma, cada uma apostando no que seria o próximo "salto tecnológico". Quanto ao capital, passou de 3 bilhões para 31 bilhões de dólares no mesmo período. O crescimento da indústria foi prejudicado pelos retornos menores dos investimentos, e algumas sociedades de risco começaram a sofrer perdas pela primeira vez. Adicionalmente ao aumento da competitividade, muitos outros fatores afetaram esses retornos. O mercado de ofertas públicas de ações desaquecera em meados da década até colapsar de vez com a quebra da bolsa de valores de 1987, e companhias estrangeiras, particularmente japonesas e coreanas, inundaram as indústrias iniciantes com ofertas de capital.
O boom do capital de risco e a Bolha da Internet
Ao final da década de 1980, os retornos dos investimentos em capital de risco estavam relativamente baixos, particularmente quando comparados aos "primos emergentes" leveraged buyouts, dada a competição, excesso de ofertas e inexperiência de muitos gestores de fundos. O crescimento permaneceu limitado até a metade da década de 1990, aumentado de 3 bilhões em 1983 para apenas 4 bilhões de dólares em 1994. Após um abalo dos gestores de capital de risco, com demissões nas melhores firmas, o alvo das sociedades de risco passaria a ser a manutenção de suas carteiras de investimento ao invés de apostarem em papeis novos. Como resultado, essas sociedades voltaram a ficar atraentes e alcançariam um boom na década de 1990. O professor Andrew Metrick da Yale School of Management classifica o período de 1980-1995 como um "pré-boom", o boom propriamente dito entre em 1994 até 2000, ano do início do terceiro período, o do estouro da bolha da Internet.
Queda dos investimentos privados
A queda (crash) da Nasdaq começou em março de 2000 sacudindo a indústria de capital de risco e abalando financeiramente as empresas de tecnologia. Nos dois anos seguintes, muitas sociedades de risco foram forçadas a reavaliarem suas carteiras e muitos fundos ficaram "afogados" (o valor das carteiras ficou abaixo do montante investido). Os investidores procuraram reduzir seus compromissos nos fundos de risco descarregando valores no "mercado secundário de ações". Em meados de 2003, as indústrias de capital de risco foram reavaliadas a metade do valor de 2001, o que significa que o segmento voltara aos níveis do segundo quarto de 2005. Apesar dos investimentos no "pós-boom" representarem apenas uma fração do recorde de 2000, ainda significam estarem em um nível maior do que o período de 1980 a 1995.
Brasil
No Brasil, as primeiras tentativas de organizar um mercado de capital de risco para financiamento da tecnologia ocorreram na década de 1970, após a elaboração do II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). Os patrocinadores governamentais foram basicamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Em 1975 foi criada a Brasilpar, organizada por Roberto Teixeira da Costa, sob o conceito de ser um "banco de negócios". Em 1980 mudou sua estrutura para se tornar uma "empresa de capital de risco". Em 1981 foi criada por Ary Burger a CRP - Companhia de Participações. Juridicamente, as Sociedade de Capital de Risco foram inicialmente regulamentadas pelo Decreto-lei nº 2.287 de 23 de julho de 1986 e as Resoluções do Banco Central de números 1.184/86 e 1.346/87. Os Fundos Mútuos em Empresas Emergentes foram inicialmente regulamentados pela Instrução CVM nº 209 de 25 de março de 1994.
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O capital de risco convenciona-se classificar como venture capital ou private equity, de acordo com o tipo de empresa receptora dos investimentos. Em geral, considera-se venture capital o investimento em empresas em estágio inicial, com potencial de geração de receitas e lucros ainda incerto, e possivelmente dependente de um produto, tecnologia ou mercado que não tenha sido inteiramente testado como proposição de negócios. O risco de um investimento de venture capital tende a ser maior do que o risco de um investimento de private equity. Por sua vez, investimentos de private equity tendem a envolver empresas mais maduras, tipicamente com operações comerciais consolidadas, que possam oferecer oportunidades de retorno destacadas em razão de uma potencial reestruturação societária, alteração na estrutura de capital, mudança de gestão ou outras modificações nos seus negócios. Geralmente o produto ou serviço prestado pela empresa receptora já é plenamente aceito pelo mercado, que por sua vez já se mostrou apto a sustentar as atividades da empresa receptora.
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Entre os anos de 20220 e 2021, o mercado mundial de capital de risco vivenciou um período de alta liquidez, caracterizado pela mentalidade de crescimento a qualquer custo (em inglês:growth al all costs), em que fundos priorizavam a rápida expansão da base de usuários das empresas em troca do lucro a curto prazo. Em 2022, a mudança no cenário macroeconômico global, marcada pela alta das taxas de juros e a redução da liquidez, desencadeou o fenômeno de mercado chamado inverno das startups (em inglês: startup winter). Esse movimento forçou uma forte correção nas teses de investimento dos fundos de capital de risco. Os investidores passaram a exigir maior disciplina de capital, priorizando rodadas para startups que demonstrassem um caminho claro para a rentabilidade, geração de caixa operacional e sustentabilidade financeira. Consequentemente, o modelo de alto volume de queixa de caixa (em inglês: cash burn) para a expansão de mercado perdeu espaço para modelos de negócios mais enxutos e estruturados.


