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Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção (Mariana)

A Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção, também chamada Catedral de Mariana ou Catedral da Sé de Mariana, é uma catedral católica situada em Mariana, Minas Gerais. É a sede da Arquidiocese de Mariana. A igreja tornou-se catedral da recém-criada Diocese de Mariana em 1745 e possui o título de basílica menor desde 1963.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/08/2026
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Histórico

Igreja matriz

O núcleo minerador do Ribeirão do Carmo possuía uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora do Carmo quando a paróquia foi constituída em 1704. O minerador português António Pereira Machado havia construído outra capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, em 1703. Quando o Ribeirão do Carmo foi elevado a vila em 1711, a segunda capela foi escolhida como igreja matriz. Os planos para uma igreja maior estavam em andamento em 1714. Jacinto Barbosa Lopes dirigiu a campanha de construção, que incorporou a capela anterior como sacristia. A nave e a capela-mor foram concluídas em grande parte entre 1716 e 1718, com estruturas de madeira e terra. Cinco retábulos estavam instalados em 1724. José Martins e Manuel de Sousa e Silva concluíram a talha e o douramento do altar-mor em 1727.

Catedral e basílica

O papa Bento XIV criou a Diocese de Mariana em 6 de dezembro de 1745, pela bula Candor lucis aeternae. A antiga matriz tornou-se a catedral da diocese e recebeu a invocação de Nossa Senhora da Assunção. Um alvará de João V de Portugal, expedido em 2 de maio de 1747, instituiu o cabido da catedral. O documento estabeleceu quatro dignidades, dez cônegos, mestre de capela, organista, capelães, moços do coro e outros oficiais. O primeiro bispo, Manuel da Cruz, tomou posse solene em dezembro de 1748. A catedral foi adaptada às novas funções cerimoniais. O trono episcopal e o cadeiral do cabido foram instalados na capela-mor. As irmandades do Santíssimo Sacramento e da Imaculada Conceição deixaram a capela-mor e passaram a utilizar novos retábulos próximos ao cruzeiro. As obras realizadas de 1751 a 1761 acrescentaram a capela do Santíssimo Sacramento e novos rebocos, forros, pinturas internas e douramentos. Manuel Rabelo de Sousa pintou o forro da capela-mor em 1760 e dourou os altares laterais. António José da Fonseca executou os balaústres da nave e a grade do coro.

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Arquitetura e arte

A fachada possui um corpo central largo entre duas torres sineiras quadradas. Uma porta central abre-se sob três janelas de verga reta do coro, e um frontão triangular encerra o corpo central. John Bury situou o projeto na tradição da arquitetura chã, forma sóbria do maneirismo português adotada nas primeiras igrejas de Minas Gerais. No interior, a nave central é ladeada por corredores estreitos que dão acesso aos altares laterais. Capelas junto ao cruzeiro formam um transepto pouco profundo, e um grande arco-cruzeiro enquadra a capela-mor. A talha foi executada em campanhas distintas, por isso retábulos do barroco inicial convivem com peças joaninas e rococós. O retábulo lateral mais antigo conserva uma imagem de São João Evangelista, um dos oragos da antiga matriz. O retábulo-mor pertence à primeira fase da construção. Seu trono entalhado foi perdido. A abertura é ocupada por uma grande pintura da Imaculada Conceição, datada do início do século XVIII e referente à antiga invocação da igreja. A mudança de orago também alterou o cruzeiro. Imagens da Imaculada Conceição e de São José ocupam retábulos dispostos em diagonal junto ao arco-cruzeiro.

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Órgão

A catedral recebeu seu órgão de tubos de Portugal em 1753, depois que o governador de Minas Gerais solicitou à Coroa um instrumento e um relógio em junho de 1752. A Fazenda Real pagou por sua instalação em setembro de 1753. Manuel Francisco Lisboa projetou e construiu a tribuna lateral sob o coro onde o instrumento foi instalado. O órgão possui 17 registros distribuídos por dois teclados. O instrumento foi atribuído durante muito tempo ao organeiro hamburguês Arp Schnitger. Sua fachada de três torres segue o modelo norte-alemão conhecido como Hamburger Prospekt, e a caixa se assemelha à do órgão da Catedral de Faro, em Portugal. Nenhuma inscrição ou documento conhecido identifica Schnitger como seu construtor. Gerhard Doderer propôs como autor Johann Heinrich Hulenkampf, antigo assistente de Schnitger que trabalhou em Lisboa. As armas franciscanas na caixa de Mariana e uma data de 1723 deram origem à hipótese de que o órgão tenha sido construído para o Convento de São Francisco de Lisboa. A comparação entre as caixas de Mariana e Faro encontrou o mesmo plano geral, mas mãos escultóricas distintas, sem comprovar a procedência de uma mesma oficina.

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Tombamento e restauração

O IPHAN inscreveu a catedral no Livro do Tombo das Belas Artes em 8 de setembro de 1939, sob a inscrição 263 e o processo 75-T-1938. O tombamento abrange o edifício e seu acervo. A catedral também integra o conjunto arquitetônico e urbanístico de Mariana protegido em âmbito federal. A campanha de obras mais recente começou em janeiro de 2016 por meio do PAC das Cidades Históricas. A intervenção abrangeu estrutura, cobertura, drenagem, instalações hidrossanitárias e acompanhamento arqueológico. Etapas posteriores trataram forros, retábulos, arcos, pinturas, cimalhas, douramentos e iluminação. O IPHAN destinou cerca de 10,6 milhões de reais aos projetos e às obras. As prospecções pictóricas revelaram uma paleta anterior de bege-claro e vermelho-escuro sob camadas mais recentes. Os moradores escolheram essas cores em audiência pública realizada em março de 2017, por 51 votos a 10. A catedral foi reaberta em 15 de dezembro de 2022.

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Fontes consultadas

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