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Cantábria

A Cantábria é uma comunidade autónoma localizada no norte de Espanha. É limitada a leste pelo País Basco, a sul por Castela e Leão, a oeste pelas Astúrias e a norte pelo golfo da Biscaia. A capital é Santander e a cidade mais povoada. Tem 5 321 km² de área e em 2020 tinha 582 905 habitantes. A comunidade autónoma é composta por uma só província, também chamada Cantábria, por 10 comarcas e por 102 municípios, sendo um deles — o Vale de Vilaverde — um enclave na Biscaia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Etimologia

Os diversos autores que estudaram a origem etimológica do nome da Cantábria — como Isidoro de Sevilha (c. 560–636), Aureliano Fernández-Guerra (1816–1894), Adolf Schulten (1870–1960), Julio Caro Baroja (1914–1995) ou Joaquín González Echegaray (1930–2013), entre outros — não chegaram a um consenso sobre o tema. A opinião mais aceite eplos estudiosos, ainda que insegura, é que o topónimo deriva da raiz cant-, de origem celta ou lígure antiga, que significa "rocha" ou "pedra"; e do sufixo -abr, frequente nas regiões celtas. Daqui se deduz que "cântabro" significaria "povo que habita nas montanhas" ou "montanhês", uma clara referência ao território abrupto e montanhoso da Cantábria. A Cantábria é uma das comunidades autónomas espanholas com a toponímia mais antiga, dado que o termo "cântabros" aparece pela primeira vez em fontes romanas do século II a.C., do autor Catão, o Velho, embora nessa altura ainda não existisse uma entidade política unida no território, que era habitado por diversos povos. No capítulo VII da sua obra Origines, de 195 a.C., Catão fala da nascente do rio Ebro na "terra de cântabros": «[…] fluvium Hiberum: is oritur ex Cantabris, magnus atque pulcher, pisculentus ("o rio Ebro: nasce em terra de cântabros, grande o belo, abundante em peixes")».

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Geografia

A comunidade autónoma tem 5 321 km² de área e 284 km de costa. O cabo mais saliente e mais setentrional é o cabo de Ajo, no município de Bareyo. Há três âmbitos geográficos bem diferenciados: a La Marina [es], La Montaña [es] e Campoo, os quais pertencem às bacias hidrográficas dos rios Ebro e Douro. A presença predominante das montanhas e a difícil orografia do terreno explicam que historicamente se conheça toda região cantábrica como "A Montanha". A Cantábria situa-se no setor central da costa do mar Cantábrico, que constitui o seu limite a norte. A oeste limita com as Astúrias, a leste com o País Basco e a sul com Castela e Leão. Existe um exclave cântabro na província basca da Biscaia — Valle de Villaverde, a leste — e três enclaves da província de Palência na Cantábria — Cezura, Lastrilha e Berçosilha, a sul. A maior parte da região faz parte da cordilheira Cantábrica. Na parte ocidental encontram-se os maciços dos Picos da Europa, com numerosos cumes com mais de 2 000 m de altitude.

Relevo

A Cantábria é uma região de carácter montanhoso e costeiro, com um importante património natural. O seu relevo faz com que 40% da sua superfície se situe acima dos 700 metros de altitude, 75% a mais de 200 m e 33% tem declives de mais de 30%. É a quarta província mais montanhosa da Espanha em termos de desnível do terreno. Nela distinguem-se três grandes áreas bem diferenciadas morfologicamente:

Clima

Devido à corrente do Golfo, a Cantábria tem temperaturas mais amenas do que as regiões situadas à mesma latitude na América do Norte (Nova Escócia). O clima da região é do tipo oceânico húmido, com verões amenos e invernos não muito frios, embora haja algumas zonas com clima mediterrânico. As precipitações médias anuais são cerca de 1 200 mm na costa, aumentando nas zonas montanhosas até aos 2 400 mm, colocando a região na chamada "Espanha húmida" (ou "Espanha verde"). A temperatura média anual é cerca de 14 °C. A neve é frequente nas partes altas entre os meses de novembro e março. Os meses mais secos são julho e agosto, embora geralmente não existam períodos de seca propriamente dita, pois há sempre uma precipitação mínima e as temperaturas nunca são muito elevadas, exceto em algumas zonas de clima mediterrânico ou temperado submediterrânico. Em algumas áreas dos Picos da Europa com clima alpino, acima dos 2 500 m, há nevados durante todo o ano.

Hidrografia

Os rios cântabros são curtos, rápidos e pouco caudalosos, percorrendo declives consideráveis devido à proximidade das suas nascentes nas montanhas das fozes no mar Cantábrico. Os seus percursos são geralmente perpendiculares à costa, à exceção do rio Ebro, e o seu caudal é persistente ao longo de todo o ano, devido à precipitação ser quase constante. A rapidez das águas, causada pelos desníveis consideráveis dos leitos, faz com que tenham um grande poder erosivo, formando os vales em forma de "V" característicos da cornija Cantábrica. Em geral o estado e conservação dos rios cantábricos é aceitável, mas a atividade humana, cada vez mais abundante devido ao aumento constante da população nos vales, exerce um forte pressão antrópica.

Vegetação

Segundo o "Plano Estratégico Regional sobre o Meio Natural" do Governo da Cantábria, os espaços naturais, nomeadamente os florestais, têm uma grande importância na comunidade autónoma, não só quantitativa (a superfície florestal ocupa cerca de 67,5% do território), mas também qualitativa, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade. Eses espaços albergam habitats representativos de flora e fauna silvestre, contribuem para a manutenção de processos ecológicos essenciais para a vida e para o meio ambiente, constituem uma parte substancial da paisagem rural e fornecem produtos naturais renováveis indispensáveis para o desenvolvimento socioeconómico do meio rural cantábrico.

Fauna

A fauna da Cantábria é rica, tanto em número de espécies como na importância e singularidade de algumas delas, devido ao ainda baixo nível de antropização, à variedade de meios e à sua situação geográfica. Tal como ocorre com a flora, a situação de fronteira entre as regiões biogeográficas euro-siberiana e mediterrânica contribui para que se encontrem espécies típicas da região atlântica em áreas onde também se encontram espécies típicas da região mediterrânica. Estão contabilizadas pelo menos 280 espécies de vertebrados que se reproduzem na região, das quais 73 espécies de mamíferos, agrupadas em 20 famílias, 156 espécies de aves que se reproduzem na região, a que se somam outras espécies visitantes, e 25 espécies de peixes de água doce. Alguns dos mamíferos são endémicos da Península Ibérica, como a toupeira-ibérica (Talpa occidentalis), a toupeira-d'água (Galemys pyrenaicus), lebre-ibérica (Lepus granatensis) e a lebre-cantábrica (Lepus castroviejoi); outras são espécies introduzidas, como a gineta (Genetta genetta), o vison-americano (Neovison vison) e o ratão-do-banhado (Myocastor coypus).

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História

Pré-história e Antiguidade

A presença humana mais antiga conhecida na cornija Cantábrica data de há 200 000 anos (Paleolítico). Os Homo erectus, que surgiram na região durante um período interglaciar, organizavam-se em clãs seminómadas de caçadores-recoletores que fabricavam bifaces. Durante a glaciação de Würm o homem de Neandertal ocupou cavernas e desenvolveu uma importante indústria lítica (pontas, rascadores [es], raspadores, denticulados [es], etc.), que será levada ao seu auge pelo Homo sapiens durante o Paleolítico Superior (com azagaias e bastões perfurados [es], por exemplo). A arte desenvolvida por esses homens das cavernas, rupestre e móvel, é encontrada em numerosas cavernas cantábricas, como Altamira, El Castillo, La Pasiega, Las Monedas, Covalanas [es], Hornos de la Peña [es] e El Pendo, entre muitas outras. Os humanos que nelas viviam produziam gravuras, pinturas e alguns arremedos de escultura, representando as suas presas de caça (como veados, cavalos, bisontes e renas), motivos geométricos e simbólicos, mas raramente figuras humanas e nunca os seus inimigos predadores.

Idade Média

Aos romanos sucederam os visigodos. Em 574, o rei Leovigildo consolidou o seu domínio na cordilheira Cantábrica conquistando a praça de Amaya, que poucos anos depois seria a capital do Ducado da Cantábria, uma província do Reino Visigótico. No início do século VIII, a invasão muçulmana chegou a Amaya, provocando a fuga de muitos hispanogodos para norte. Em 722, a vitória de Pelágio frente aos mouros na Batalha de Covadonga permitiu a criação do Reino das Astúrias, a entidade política na qual se configurou a sociedade cantábrica medieval, a qual passou por assentamento de aldeias nos vales, implantação duma economia agrária baseada nos cereais, vinha e frutas. O cristianismo triunfou e foi introduzido o feudalismo, desenvolvendo-se senhorios religiosos vinculados aos primeiros mosteiros, onde floresceu a chamada arte de repovoação, nomeadamente São Turíbio de Liébana, Santa Maria de Piasca, Santa Juliana (atual Colegiada de Santillana del Mar [es]), Santo Emetério e São Celedónio [es] (no local da atual Catedral de Santander), São Pedro de Cervatos [es] e São Martinho de Elines [es].

Idade Moderna

O fim da Idade Média, no século XV, não alterou a situação de desintegração político-administrativa da Cantábria, que continuou dividida em vilas e vales, reguengos e senhorios, litorial e interior. No século XVI as vilas de pescadores entraram em crise, devido às distorções económicas causadas pelas guerras de hegemonia dos Áustria e pelas sucessivas crises de fome e peste entre o final do século e a primeira metade do século XVII. Por outro lado, a introdução de novos produtos agrícolas provenientes da América, especialmente o milho, melhorou a precária dieta alimentar das populações, possibilitando uma recuperação demográfica que continuou ao longo do século XVIII. A abertura do Caminho das Farinhas [es] em 1753 converteu Santander no principal porto da Coroa de Castela de ligações com a América, conforme estabelecido nos Reais Decretos de 1765 e 1778, o que fez com que a cidade registasse um grande desenvolvimento das suas atividades comerciais. Em 1754 a capital cantábrica foi elevada a sede episcopal, em 1755 recebeu o título de cidade e em 1785 foi criado o Consulado do Mar local.

Séculos XIX e XX

Durante o século XIX foram iniciados vários processos que iriam configurar a Cantábria contemporânea. Em termos administrativos ocorreu a unificação territorial, com a formação da Província de Santander, o que, não obstante, não acabou com os problemas de desintegração e de comunicação que afetavam grande parte do território. Economicamente, assiste-se ao triunfo da economia mercantil santanderina até à segunda metade do século, quando o declínio do comércio antilhano levou a que houvesse uma reorientação da produção, com a produção de gado bovino e a exploração mineira a antecederam o notável crescimento industrial do século XX. Em termos sociais, é o século da hegemonia da burguesia, que fez surgir uma nova classe média e uma incipiente classe operária, com a progressiva introdução de atividades industriais. É também nesse século que se iniciou o despovoamento dos vales interiores, com uma acentuada emigração da população para a costa e para os núcleos urbano-industriais, como a baía de Santander, a bacia do Besaya, a foz do Asón [es], Castro-Urdiales, e para fora da região, nomeadamente para a América e para a Andaluzia.[g] Politicamente, triunfou o liberalismo dinástico, com a consolidação da Província, que conseguiu estabelecer de forma estável o turismo durante a Restauração Bourbon (1874–1931), graças às redes clientelares tecidas por um caciquismo que encontra um ambiente favorável no espaço cantábrico rural e compartimentado. Nos centros urbanos desenvolveu-se um vigoroso republicanismo e no final do século surgiram as primeiras organizações operárias.

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Governo e administração

O Estatuto de Autonomia da Cantábria, aprovado a 30 de dezembro de 1981, estabelece que as instituições políticas da comunidade autónoma respeitam os direitos fundamentais e as liberdades públicas, ao mesmo tempo que garantem o impulsionamento do desenvolvimento regional na base de relações democráticas. Nesse documento são enumeradas e descritas as competências que o governo espanhol deve transferir para a comunidade autónoma, as quais nem todas foram ainda transferidas, à semelhança do que acontece com outras comunidades autónomas. O Parlamento da Cantábria é a principal instituição de autogoverno da comunidade autónoma, sendo o órgão representativo do povo cantábrico. É constituído por 35 a 45 deputados, eleitos por sufrágio universal direto, livre e secreto. As principais funções do parlamento são exercer o poder legislativo, aprovar os orçamentos da comunidade autónoma, promover e controlar a ação governamental e desenvolver as demais competências que lhe são conferidas pela constituição espanhola, pelo estatuto de autonomia e pelas demais regras do ordenamento jurídico. Além disso, é o parlamento elege o seu presidente.

Eleições

As eleições autonómicas (regionais) ocorrem a cada quatro anos, coincidindo com as eleições municipais. Nelas são eleitos os deputados do Parlamento da Cantábria. As primeiras foram realizadas a 8 de maio de 1983. Após várias legislaturas presididas pelo Partido Popular da Cantábria [es] (PPC; a federação regional do Partido Popular) ou pela União para o Progresso de Cantábria de Juan Hormaechea, entre 2003 e 2011 o Governo da Cantábria foi dirigido por uma coligação entre o Partido Regionalista da Cantábria (PRC) e o Partido Socialista da Cantábria (PSC-PSOE; a federação regional do Partido Socialista Operário Espanhol), quando o Presidente da Cantábria foi Miguel Ángel Revilla (do PRC) e a vice-presidente foi Dolores Gorostiaga (do PSC-PSOE). Após as eleições de 2011, o PPC conseguiu pela primeira vez uma maioria absoluta no parlamento regional, elegendo 20 deputados, e o seu líder Ignacio Diego foi eleito Presidente da Cantábria. Após as eleições de 2015 voltou ao poder a coligação PRC-PSOE e Revilla voltou a ocupar a presidência.

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Economia

De acordo com a "Contabilidade Regional" realizada pelo Instituto Nacional de Estatística espanhol, em 2008 o produto interno bruto da Cantábria foi estimado em 13 217 617 milhões de euros. Em 2018 o PIB per capita foi 23 817 euros, 8% inferior à média nacional espanhola. No terceiro trimestre de 2021 a taxa de desemprego era 10%, inferior à média espanhola de 14,6%. Entre 1994 e os últimos anos da década de 2000[i] os indicadores económicos da região aproximaram-se gradualmente das regiões europeias mais desenvolvidas, o que foi possível graças a ter sido incluída durante seis anos na lista de regiões do "Objetivo 1" da União Europeia (UE), o que lhe permitiu receber subsídios a fundo perdido para se desenvolver. No período anterior, em 1992 e 1993, parte do território cantábrico foi região Objetivo 2 e outra parte, entre 1991 e 1993, Objetivo 5. O sucesso económico foi acompanhado pela perda progressiva dos fundos de coesão da UE. No período 2006–2007, a Cantábria foi excluída do Objetivo 1, mas a controvérsia que essa decisão gerou devido à ultrapassagem do limite de 75% do PIB per capita médio europeu ter sido muito ligeiro levou a que fosse considerada uma região do Objetivo 1 "em situação transitória".[j] Em 2007 os subsídios do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional diminuíram 46,2%[k] em consequência do período transitório de saída do Objetivo 1 e a entrada no Objetivo 2.

Transportes e comunicações

O relevo muito acentuado e complicado do território cantábrico faz com que existam muitas barreiras topográficas que condicionam decisivamente o traçado das infraestruturas de comunicações, tanto na direção norte-sul (nas ligações com a meseta castelhana como na direção leste-oeste, na ligação entre vales e com as Astúrias e País Basco, bem como os seus elevados custos de construção e manutenção.[carece de fontes?] As insuficiências de dotação das infraestruturas de transporte da competência do governo espanhol, principalmente no que se refere às ligações à meseta rodoviárias e ferroviárias, e o elevado custo por quilómetro implicou um défice significativo nas comunicações da região com o exterior. A Cantábria foi a última comunidade autónoma a ser ligada a Madrid através da rede radial de autoestradas da "Rede de Interesse Geral do Estado", o que só ocorreu em julho de 2009. Segundo o Ministério do Fomento (responsável pelas obras públicas) espanhol, a região tem[quando?] 2 393 km de estradas convencionais e 206 km de autoestradas.

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Meios de comunicação

Imprensa escrita

Na década de 2000 o número de leitores de imprensa escrita na Cantábria era superior à média nacional espanhola, com mais de 100 exemplares por cada mil habitantes. Os principais jornais diários da região são, respetivamente, o El Diario Montañés, fundado em 1902, e o Alerta, fundado em 1937. O primeiro tinha uma tiragem média de quase 25 000 exemplares em 2017[carece de fontes?] e em 2018 estimava-se que tivesse cerca de 149 000 leitores; em 1998 detinha mais de 60% do mercado cantábrico. Em 2008 o jornal diário El Mundo lançou uma edição regional para a Cantábria — El Mundo Hoy en Cantabria — e em 2010 o Grupo Digital 2006, com sede em Santander, lançou o Aquí Diario Cantabria, tentando cobrir a procura de media progressista na região.

Rádio e televisão

Ao contrário do que se tem passado com a imprensa escrita, nas últimas décadas a rádio tem vindo a crescer na Cantábria. As estações pioneiras foram a Radio Santander e a Radio Torrelavega. Mais tarde, nos anos 1960 e 1970, chegaram à região a COPE (antiga Radio Popular) e a Rádio Nacional de Espanha. Na década de 1990 surgiram a Onda Cero e numerosas rádios locais e regionais. Algumas destas rádios eram de legalidade no mínimo duvidosa e usavam frequências e potências não autorizadas, além de em alguns casos emitirem em locais não autorizados. Isso fez com que chegasse a haver denúncias da Direção Geral de Aviação Civil devido a interferências nas frequências usadas na navegação aérea.

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Cultura

Apesar de haver algumas diferenças regionais, a Cantábria pertence a uma unidade cultural comum constituída pelas regiões do norte de Espanha banhadas pelo mar Cantábrico. Essa unidade cultural tem raízes na época pré-romana e foi reconhecida no século I pelo geógrafo grego Estrabão: «Assim é a vida dos montanheses, isto é, das tribos que habitam o norte da Ibérica: os galaicos, ástures e cântabros, até ao país dos vascões e ao Pirenéus. Porque é idêntica a vida de todos eles.» Esta unidade cultural da fachada atlântica não significa que haja uma homogeneidade cultural das sociedades deste âmbito geográfico. A Cantábria tem uma personalidade etnográfica própria, que a distingue dos asturianos a oeste, dos bascos a leste e dos castelhanos a sul. Para se compreender em detalhe a estrutura cultural regional tem que se entender a natureza do seu território, dividido em vales, mais ou menos isolados entre si. A acentuada compartimentação do território, devido à orografia, originou uma marcada divisão interna da Cantábria, com as comunicações difíceis entre vales, sendo este um aspeto imprescindível para se poderem entender as tradições e costumes da região. O relevo abrupto e o consequente tipo de exploração que os cantábricos exercem desde tempos imemoriais do território constituem um dos fatores distintivos na definição da realidade cultural da Cantábria: povoações que tendem a concentrar-se nas zonas centrais e ocidentais, muito dispersas na zona oriental, especialmente na região pasiega, ou seja, nas cabeceiras dos rios Pas e Miera.

Olaria e cerâmica

Historicamente na Cantábria houve locais em que a olaria foi uma atividade importante, como é comprovado pelos achados nas escavações na cidade romana de Julióbriga. Em épocas posteriores Cos (no município de Mazcuerras) e nos Vales Pasiegos foram também locais onde o fabrico de olaria foi significativo. A indústria de loiça fina, instalada nos séculos XVIII e XIX junto à costa e às vias de comérico marítimo, foi ainda mais importante. A principal fábrica dessa indústria foi uma em Galizano (no município de Ribamontán al Mar), mas também existiram outras em Isla (no município de Arnuero), Barcenilla (no município de Piélagos) e, com menos relevância, em Noja e Las Llamas (Santander). Todas elas tentaram competir com as loiças importadas do estrageiro, mas o elevado preço do chumbo e do estanho usados nos banhos esmaltadores dificultou-lhes o negócio.

Literatura

Entre os muitos escritores cantábricos ou de ascendência cantábrica de prestígio, podem destacar-se os seguintes, que ao longo da história, pela sua obra alcançaram renome nacional, quando não universal:

Monumentos e museus

Lista não exaustiva de alguns dos monumentos e museus mais relevantes da Cantábria:

Universidades

Na Cantábria funcionam seis instituições universitárias. A Universidade da Cantábria tem vários campi em Santander e um em Torrelavega; foi fundada em 1972 com o nome de Universidade de Santander; no ano letivo de 2017/2018 teve cerca de 8 600 alunos inscritos; no ano letivo seguinte tinha 1232 docentes. A Universidade Internacional Menéndez Pelayo [es] foi fundada em 1932 como "Universidade Internacional de Verão de Santander"; embora a sua sede social seja em Madrid, a sua sede histórica é em Santander; além dos campi de Madrid e Santander tem instalações em mais onze cidades espanholas. A Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED) tem um centro associado em Santander. A Universidade Europeia do Atlântico é uma universidade privada em Santander fundada em 2013; em 2018 tinha 1 046 alunos. O Centro Universitário Cesine [es] é outra universidade privada de Santander, fundada em 1993. O Centro Internacional de Estudos Superiores do Espanhol (CIESE) é um organismo da Fundação Comillas [es] que é associado da Universidade da Cantábria; a fundação foi fundada em 1993 e funciona nas antigas instalações da Universidade Pontifícia Comillas, um estabelecimento da jesuíta fundado como seminário em 1890, cujos cursos universitários foram transferidos para Madrid em 1969.

Feiras e festividades

Na Cantábria são celebradas uma multitude de festas de padroeiros, feiras de origem comercial e festividades de origem pagão enraizadas no folclore tradicional. As festas religiosas mais frequentes estão relacionadas com São João Evangelista e São Miguel. No segundo domingo de agosto celebra-se em Cabezón de la Sal o Dia da Cantábria [es], tradicionalmente conhecido como Día de La Montaña, que inclui várias atividades tradicionais, como o jogo de bolos [es] (com algumas semelhanças com o bólingue), arrasto de bois [es] (arrastamento de pedras por bois), mercados de artesanato, espetáculos de música e dança tradicional, etc; está classificada como Festa de Interesse Turístico Nacional. Apesar do seu nome, não é a festa oficial da Cantábria, pois essa figura legal não está instituída na comunidade autónoma. A festa mais similar às festividades oficiais de outras comunidades autónomas é o Dia das Instituições da Cantábria, celebrado a 28 de julho em Puente San Miguel, a capital no município de Reocín, que comemora a fundação da Província da Cantábria de 1778 [es].

Gastronomia

Possivelmente os pratos mais típicos da Cantábria são o cozido montanhês [es], o cozido lebaniego [es], as marmitas (nomeadamente a de albacora, conhecida como sorropotún [es]) e a olla ferroviaria ("panela ferroviária"). Cabe também fazer menção às empanadas, ao bollo preñao ("bolo prenho") e aos pinchos. O cozido montanhês é um prato à base de feijão e couve-galega, a que se junta o compango [es], uma mistura de carnes de fumeiro procedentes da matança do porco (matacíu del chon), composto por chouriço, morcela, costela e toucinho. Ao contrário de outros cozidos típicos espanhóis, não leva grão-de-bico e todos os ingredientes são comidos de uma vez, em vez de separar a sopa do resto.

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Desporto

O desporto tradicional mais importante da Cantábria é o jogo de bolos [es], que tem algumas semelhanças com o bólingue e tem quatro modalidades: bolo palma (a mais difundida e mais complexa de jogar, também praticada na zona oriental das Astúrias), pasabolo tablón [es] (também jogada no País Basco, onde é chamada oholtzar pasabolo), pasabolo losa e bolo pasiego. A existência de boleras (campos de bolo, também conhecidos por corros) é importante em todas as povoações da Cantábria, situando-se geralmente perto da igreja ou café principal. Desde o final da década de 1980 os bolos têm ganho popularidade, com a criação de escolas promovida por ayuntamientos e instuições cantábricas, campeonatos regionais e nacionais e maior atenção mediática. Como ocorre em toda a costa norte espanhola, especialmente na Cantábria e no País Basco, o remo é um desporto muito praticado nas localidades costeiras. As origens do remo na região remontam a vários séculos atrás, quando as traineiras de cada povoação disputavam a venda de peixe, que era reservada à embarcação que chegasse primeiro à lota. No final do século XIX essa atividade converteu-se em desporto e começaram a ser organizadas regatas entre localidades do mar Cantábrico. Os clubes de remo da Cantábria, especialmente o Castro [es] (de Castro-Urdiales; fundado em 1879), o Astillero [es] (de Astillero), o Pedreña [es] (de Pedreña, no município de Marina de Cudeyo; fundado em 1895) e o Cidade de Santander [es], estão entre os clubes mais premiados de Espanha nas modalidades tradicionais de remo.

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Fontes consultadas

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