Crimeia
A península da Crimeia, também conhecida simplesmente como Crimeia é uma massa de terra na costa do norte do mar Negro, pelo qual é cercada quase completamente, e pelo mar de Azov ao nordeste. A península está localizada ao sul da região ucraniana de Kherson e a oeste da região russa de Cubã. Está ligada ao Oblast de Kherson pelo istmo de Perekop e é separada de Cubã pelo estreito de Querche. A ponte terrestre de Arabat está localizada a nordeste, uma estreita faixa de terra que separa um sistema de lagoas, chamado Sivash, do mar de Azov.
O nome Crimeia provém do nome da cidade de Qırım (atual Stary Krym), que servia como capital da província da Crimeia durante o domínio da Horda Dourada. O nome Krim, portanto, remonta ao termo tártaro que designa "estepe" ou "monte" (língua tártara da Crimeia: qırım, "minha estepe", "meu monte", que vem do antigo turcomano e do turcomano médio qır, "topo de montanha", "cordilheira", "estepe", "deserto", "chão plano"). Krym é a forma russificada de Qırım. Os gregos antigos designavam a Crimeia de Táuride (também Táurida ou Táurica; em grego antigo Ταυρική, transl. Taurikē), devido ao nome de seus habitantes, os tauros. O historiador grego Heródoto relata a origem lendária do nome; segundo ele, o célebre herói Héracles teria arado a terra da região utilizando um imenso touro (Taurus). Heródoto também se refere a uma região vizinha chamada Cremni que significaria "Penhascos", e poderia se referir à península da Crimeia, célebre pelos penhascos em seu litoral, que contrastam com o resto da costa norte do mar Negro, geralmente plana.
História antiga
Táurica era o nome da Crimeia na Antiguidade Clássica; era habitada por uma grande variedade de povos. As regiões do interior eram habitadas pelos citas, enquanto a costa montanhosa meridional pelos tauros, um ramo dos curios. Colonos gregos habitavam inúmeras colônias ao longo do litoral da península, mais especificamente a cidade de Quersoneso, atual Sebastopol. No século IV a.C. a parte oriental da Táurica passou a integrar o Reino do Bósforo, antes de ser incorporada ao Império Romano, no século I a.C. Durante os primeiros três séculos depois de cristo, a Táurica foi sede de colonos romanos em Cárax. Finalmente, a Táurica foi renomeada pelos tártaros da Crimeia, de cujo idioma vem o nome atual da região; "Crimeia" vem do tártaro Qırım, através do grego Krimea (Κριμαία).[carece de fontes?]
Canato da Crimeia
O Canato da Crimeia foi um Estado tártaro fundado por Hacı I Giray, descendente de Gêngis Cã, e durou de 1441 a 1783. Em 1478 o Canato se tornou um tributário do Império Otomano, e durante as longas guerras de expansão russas se tornou um Estado formalmente independente através dos termos do Tratado de Küçük Kaynarca, assinado entre os russos e os turcos otomanos em 1774, mas foi anexado pelo Império Russo em 1783, passando a se chamar de Província (губе́рния) da Táurida. Até o fim do século XVIII, os tártaros da Crimeia mantinham um comércio escravagista maciço com o Império Otomano e o Oriente Médio em geral. Cerca de dois milhões de escravos oriundos da Rússia e da Ucrânia foram vendidos durante o período que foi de 1500 a 1700. Os tártaros tornaram-se célebres por suas incursões devastadoras e quase que anuais contra os povos eslavos do norte. Em 1769, naquela que é considerada a última incursão tártara, ocorrida durante a Guerra Russo-Turca, cerca de 20 mil pessoas foram escravizadas.
Guerra da Crimeia e século XIX
A Crimeia se tornou parte da província da Táurida, e foi em seu território que se travaram boa parte das batalhas da Guerra da Crimeia (1853-1856), que opôs o Império Russo, de um lado, e a França, o Reino Unido, o Império Otomano e o Reino da Sardenha no outro. A Rússia e o Império Otomano entraram em guerra em outubro de 1853 pelos direitos alegados pelos russos de proteger os cristãos ortodoxos sob o domínio otomano. A Rússia começou em vantagem, após destruir a frota otomana no porto de Sinope, no mar Negro; para frear as conquistas russas, a França e a Grã-Bretanha entraram no conflito, em março de 1854. Grande parte dos combates tiveram como intenção o controle do mar Negro, e as batalhas terrestres foram travadas na península da Crimeia. Os russos conseguiram defender sua grande fortaleza em Sebastopol por mais de um ano; após a sua queda, um acordo de paz foi assinado em Paris, em março de 1856. A questão religiosa já havia, a essa altura, sido resolvida. Os principais resultados do conflito foram: a neutralização do mar Negro — a Rússia não mais manteria navios de guerra lá — e duas nações vassalas, a Valáquia e a Moldávia, tornaram-se virtualmente independentes, embora ainda sob o domínio nominal dos otomanos. A guerra devastou boa parte da infraestrutura econômica e social da península.[carece de fontes?]
Séculos XX
Durante a Guerra Civil Russa, após a queda do Império Russo, a Crimeia foi dominada por diversas facções, tornando-se um bastião do Exército Branco antibolchevique. Foi na Crimeia que os Russos Brancos, liderados pelo general Wrangel, fizeram sua última resistência contra as forças anarquistas de Nestor Makhno e o Exército Vermelho, em 1920. Cerca de 50 000 prisioneiros de guerra e civis foram sumariamente executados, por fuzilamento ou enforcamento, após a derrota do general Wrangel, naquele mesmo ano. Este é considerado um dos maiores massacres da Guerra Civil. Em 18 de outubro de 1921 a República Socialista Soviética Autônoma da Crimeia (RSSAC) foi criada como parte da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, que se tornou então parte da União Soviética. A Crimeia passou por duas fomes graves durante o século XX: a fome de 1921-1922 e o Holomodor, em 1932-1933.
Século XXI
Em março de 2014, após a expulsão do presidente pró-russo Viktor Yanukovich na Revolução Ucraniana de 2014, as forças armadas russas apoiadas por separatistas pró-russos invadiram grandes edifícios do governo ucraniano, bases militares e instalações de telecomunicações da península e forçaram as autoridades locais a realizarem um referendo sobre "reunificação com a Rússia" considerado ilegal pela Resolução 68/262 da Assembleia Geral das Nações Unidas, sendo então a Crimeia considerada um território ucraniano sob ocupação russa. A maior parte da comunidade internacional (exceto Zimbábue, Venezuela, Síria, Nicarágua, Sudão, Bielorrússia, Armênia, Coreia do Norte e Bolívia) não reconhece a anexação e considera a Crimeia um território ucraniano sob ocupação russa. A Federação Russa administra atualmente a península como duas entidades federais: a República da Crimeia e a Cidade Federal de Sevastopol. A Ucrânia continua a afirmar o seu direito sobre a península. Atualmente, estão em efetivo funcionamento duas unidades distintas da Federação Russa na península: a República da Crimeia e a Cidade Federal de Sevastopol, embora a Ucrânia continue a reivindicar o seu direito de exercer soberania sobre a península.
A Crimeia faz fronteira com a região do Kherson a norte, com ao mar Negro ao sul e ao oeste, e com o mar de Azov ao leste. Tem uma área de 26 000 km², com uma população de 1,9 milhão de habitantes (2005). Sua capital é Simferopol. Conecta-se ao resto da Ucrânia pelo istmo de Perekop, com uma largura de 5 a 7 km. No extremo oriental encontra-se a península de Querche, que está diretamente em face da península de Taman, em terras russas. Entre as penínsulas de Querche e Taman encontra-se o estreito de Querche, com 4,5 a 15 km de largura, que liga o mar Negro ao mar de Azov. A costa da Crimeia é repleta de baías e portos. Esses portos encontram-se no lado ocidental do Istmo de Perekop, na baía de Karkinit; no sudoeste, na baía aberta de Kalamita, com os portos de Eupatória, Sebastopol e Balaclava; na baía de Arabat, no lado norte do Istmo de Yenikale ou Querche; e na Baía de Cafa ou Teodósia, com o porto homônimo no lado sul.[carece de fontes?]
Grupos étnicos
Os tártaros da Crimeia, uma minoria étnica muçulmana, que em 2001 compunha 12,1% da população, foi formada na Crimeia no fim da Idade Média após o surgimento do Canato da Crimeia. Os tártaros da Crimeia foram expulsos à força para a Ásia Central pelo governo de Josef Stalin. Após a queda da União Soviética, muitos tártaros da Crimeia começaram a voltar para a região. De acordo com o censo ucraniano de 2001, 58% da população da república são de etnia russa, e 24% são ucranianos.
Línguas
As línguas oficiais da Crimeia são o ucraniano, o russo e o tártaro da Crimeia. Outras línguas faladas são o arménio, o polaco e o romeno.[carece de fontes?]


