Pesquisa · Mapa mental

Campo de concentração

Campo de concentração é um centro de confinamento militar, instalado em área de terreno livre e cercada por telas de arame farpado ou algum outro tipo de barreira, cujo perímetro é permanentemente vigiado, para suster prisioneiros de guerra e/ou prisioneiros políticos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
01

História

Os campos de concentração são utilizados para a detenção de civis ou militares, geralmente em tempos de guerra. Não integram os sistemas penitenciários, onde são detidas pessoas condenadas por infringir a legislação de um país. São quase sempre instalações provisórias, com capacidade para abrigar grande quantidade de pessoas, normalmente prisioneiros de guerras, que, no melhor dos casos, podem vir a servir como moeda de troca com o inimigo, ou permanecer presas até a resolução do conflito. No terreno são dispostos, organizadamente, barracões para dormitórios, refeitórios, escritórios e finalidades complementares. Em tese, esses centros de confinamento devem obedecer às regras das convenções internacionais, bem como submeter-se à fiscalização de organizações internacionais de defesa de direitos humanos. No entanto, historicamente há numerosos registros de exploração de mão de obra em regime de escravidão, bem como tortura e extermínio para presos políticos, prisioneiros de guerra e membros de grupos étnicos. Estes atos costumam ser motivados por ideologias, políticas totalitárias e funções militares. A prática de matanças sistemáticas de prisioneiros em alguns desses campos, fez com que, em linguagem corrente, os campos de concentração fossem assimilados aos campos de extermínio, que de fato constituem um subtipo anômalo.

Alemanha

Em resposta a uma revolta dos Namaquas e hererós na colônia do Sudoeste Africano Alemão, atual Namíbia, as autoridades alemãs criaram campos de concentração para confinar os rebeldes. O combate aos rebeldes e as condições dos campos causaram um número de mortos tão grande, que este é tido como o primeiro genocídio do século XX. O Genocídio dos Hererós e Namaquas estendeu-se de 1904 a 1907. Sob o nazismo, os campos de concentração foram usados como parte de uma estratégia de dominação de grupos étnicos e dissidentes políticos. Diferentes grupos étnicos (judeus, ciganos, polacos, sintis, yeniches), políticos (anarquistas, comunistas), homossexuais e minorias religiosas (Testemunhas de Jeová) foram objeto de tratamento desumano e de extermínio no Holocausto.

Argentina

Os centros clandestinos de detenção (CCD) na Argentina foram instalações secretas empregadas pelas forças armadas e de segurança para executar o plano sistemático de desaparecimento de pessoas implementado pela ditadura militar (autodenominada "Processo de Reorganização Nacional") que ocupou o poder na Argentina entre 24 de março de 1976 e a 10 de dezembro de 1983. As Forças Armadas classificavam os CCD em dois tipos:

Brasil

No Brasil, Grande Seca (1877-1879) resultou numa grave crise humanitária no Nordeste, especialmente no Ceará. Em 1915 e 1932, o governo brasileiro criou nas cidades de Fortaleza (Tauape e Urubu) Cariús, Ipu, Crato, Quixeramobim e Senador Pompeu, numa região conhecida como Sertão Central, no Estado do Ceará, sete campos para confinar retirantes que fugiam das secas. Estes campos ficaram conhecidos como "currais do governo". Os currais foram criados para impedir que os retirantes chegassem às grandes cidades, de modo a evitar uma nova crise socioeconômica como a que resultou na Grande Seca do século anterior. Em junho de 2019, a cidade de Senador Pompeu tombou a área e as estruturas remanescentes do campo que funcionou no município.

China

Laogai, a abreviatura de Láodòng Gǎizào (劳动 改造/劳动 改造), que significa "reforma através do trabalho", é um slogan do sistema de justiça criminal chinês e tem sido usado para se referir ao uso de mão de obra prisional e de colônias penais agrícolas na República Popular da China (RPC). Estima-se que nos últimos 50 anos, mais de 50 milhões de pessoas foram enviadas para os campos laogai. O sistema laogai se distingue do sistema laojiao, ou reeducação através do trabalho, que é um sistema de prisões administrativas para pessoas que não são criminosas, mas que cometeram delitos menores, e se destina a transformar criminosos em cidadãos cumpridores da lei. As pessoas que se encontram detidas no sistema laojiao, estão abrigadas em instalações separadas do sistema prisional geral laogai. Ambos os sistemas, no entanto, envolvem o trabalho penal.

Coreia do Norte

De acordo com muitas organizações de direitos humanos, as condições nas prisões da Coreia do Norte são severas e oferecem risco de vida aos detentos. Nelas os presos são sujeitos à tortura e a um tratamento desumano por parte das autoridades norte-coreanas. Nas prisões da Coreia do Norte também ocorrem frequentemente execuções públicas e secretas de prisioneiros, inclusive crianças e especialmente em casos de tentativas de fuga, além de infanticídios (abortos forçados e assassinatos de bebês no ato do nascimento). A taxa de mortalidade é muito elevada, porque muitos prisioneiros morrem de fome, doenças, acidentes de trabalho ou tortura. O governo da Coreia do Norte nega categoricamente todas as alegações de violações dos direitos humanos em campos de prisioneiros, alegando que isso é proibido por lei processual penal. No entanto, ex-prisioneiros testemunham que existem regras completamente diferentes nos campos de prisioneiros. O governo norte-coreano nunca forneceu nenhuma informação sobre prisioneiros ou campos de prisioneiros, proibindo o acesso de qualquer organização de direitos humanos aos campos de prisioneiros do país.

Cuba

A Reconcentración foi um método e uma política adotada pelo general Valeriano Weyler, a partir de 16 de fevereiro de 1896, para aniquilar militarmente o levante da independência cubana de 1895. Consistia em aglomerar de forma forçada aos camponeses em aldeias cercadas, a fim de isolar os insurgentes de seu ambiente natural, impedindo-os de receberem ajuda. A medida criou uma situação complexa por não ser capaz de fornecer alimentos a essas populações em graves condições anti-higiênicas que vivenciaram fomes e epidemias, tanto nos militares espanhóis quanto na população civil, o que a tornou altamente impopular. A medida terminou em novembro do ano seguinte com a substituição de Weyler pelo general Ramón Blanco y Erenas, que chegou com a concessão de autonomia para tentar reparar os danos causados. Em 1898, como consequência da política de Reconcentração de Weyler, um terço da população cubana havia sido enviada à força para os campos de concentração, resultando na morte de mais de 400 mil pessoas. O historiador John Lawrence Tone caracteriza a política de reconcentración como genocida.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando