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Camboja

Camboja ou Cambodja, oficialmente Reino do Camboja, é um Estado soberano localizado na porção sul da península da Indochina, no Sudeste Asiático. Sua área territorial é de 181 035 km², fazendo deste o 88.º maior do mundo em área. Faz fronteira com a Tailândia a noroeste, com o Laos a nordeste, com o Vietnã a leste e com o Golfo da Tailândia na porção sudoeste.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Etimologia

O nome oficial do país em português é Reino do Camboja, traduzido do quemer Preăh Réachéanachâk Kampuchea, muitas vezes abreviado apenas para Kampuchea (em quemer: កម្ពុជា). Kampuchea deriva da palavra sânscrita Kambuja. Popularmente, os cambojanos na maioria das vezes referem-se a seu país como "A Terra dos Quemeres" (escrito em quemer da seguinte forma: ស្រុកខ្មែរ) ou usando a expressão mais formal "O país do Camboja" (em quemer: ប្រទេសកម្ពុជា). Em Língua inglesa, a forma "Cambodia" é derivada de "Cambodge" ou "Kamboj", a transcrição sânscrita de "Kampuchea".

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História

Nos últimos anos, os esforços de reconstrução evoluíram e levaram a estabilidade política na forma de uma democracia multipartidária e uma monarquia constitucional. Norodom Sihanouk foi restaurado como Rei do Camboja em 1993, e abdicou em 2004 em favor de um de seus filhos, Norodom Sihamoni, escolhido como o novo rei. A estabilidade após o conflito foi brevemente abalada em 1997, quando surgiram confrontos entre apoiantes da Funcinpec e do Príncipe Norodom Ranariddh de um lado, e o primeiro-ministro Hun Sen, do outro lado. Hun Sen chamou os confrontos de "uma tentativa de golpe" e Ranariddh foi expulso do país. Entretanto, Ranariddh foi perdoado pelo rei Norodom Sihamoni em 2008 e voltou do exílio. Em julho de 2010, Kang Kek Iew foi o primeiro membro do Quemer Vermelho considerado culpado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade em seu papel como o ex-comandante do campo de extermínio S21, tendo sido condenado à prisão perpétua. Pol Pot, líder do grupo, morreu de causas naturais em 1998.

Pré-história

Pouco se sabe sobre a pré-história no território do Camboja. As esparsas evidências para a ocupação humana durante o Pleistoceno são algumas ferramentas feitas a partir de quartzo e quartzito, encontrados ao longo dos terraços do rio Mecão nas províncias de Stung Treng, Kratié e Kampot, mas não há datas para essa ocupação até ao momento. Outras evidências arqueológicas mostram comunidades de caçadores-coletores habitando a região do atual Camboja durante o Holoceno. O sítio arqueológico considerado como mais antigo no país é a caverna de Laang Spean, em Battambang, e pertence ao período hoabinhiano. Escavações nas camadas mais profundas indicam uma ocupação desde 6 000 a.C. Nas camadas mais superficiais do mesmo sítio, existem evidências de transição para o Neolítico, contendo dados das primeiras cerâmicas cambojanas.

História antiga

O Reino de Funan dominava grande parte do atual território cambojano, concentrando-se em torno do delta do rio Mecão. As poucas informações acerca do antigo reino são provenientes de textos históricos chineses, que basearam-se nos relatos de dois diplomatas do Reino de Wu Nanking que, juntos, peregrinaram por Funan em meados do século III. Entretanto, o nome "Funan" não é mencionado nos textos de origem cambojana, acreditando-se que estes tenham dado um outro nome ao antigo reino. Alguns estudiosos atuais têm especulado sobre a origem e o significado da palavra "Funan". Costuma-se dizer que o nome representa uma transcrição de algum idioma local para o chinês. O historiador francês Georges Coedes apresentou a teoria de que, ao usar a palavra Funan, antigos estudiosos chineses transcreveram uma palavra relacionada a "Vnam" (em quemer, significando "montanha"). No entanto, o epigrafista Claude Jacques ressaltou que essa explicação foi baseada em uma tradução da palavra sânscrita "parvatabùpála", nas inscrições antigas, equivalente a uma identificação do rei Bavavarmã I, visto como o conquistador de Funan. Também observa-se que o carácter chinês 南 é frequentemente usado em termos geográficos, podendo significar "do Sul", o que leva a acreditar, também, que os chineses usaram a palavra no sentido de nomear outros locais ou regiões do sudeste da Ásia. Assim sendo, Funan pode ser uma palavra originalmente chinesa que significa algo como "pacificada do Sul".

Indochina francesa

Em 1863, o rei Norodom, que havia sido colocado no poder pela Tailândia, pediu a proteção da França contra os tailandeses e vietnamitas, após a tensão entre esses reinos ter crescido. Em 1867, o rei tailandês assinou um tratado com a França renunciando sua soberania sobre o Camboja, em troca do controle das províncias de Battambang e Siem Reap, que passaram a pertencer oficialmente à Tailândia. Essas províncias voltaram a fazer parte do Camboja após um tratado entre a França e a Tailândia, em 1906. O Camboja continuou como protetorado francês de 1863 a 1953, sendo administrado como parte da colônia da Indochina Francesa, menos durante a ocupação por parte do Império Japonês de 1941 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Após a morte do rei Norodom, em 1904, a França influenciou na escolha de quem deveria suceder no trono, e Sisowath, irmão de Norodom, foi colocado no trono cambojano. O trono ficou vago novamente em 1941 com a morte de Monivong, filho de Sisowath, e a França ignorou o herdeiro legítimo, Monireth, filho de Monivong, por acreditar que ele possuía ideais de independência. Ao invés disso, Norodom Sihanouk, na época com 18 anos, foi colocado no poder.

Independência e Guerra do Vietnã

A França acreditava que também poderia influenciar nas ações e iniciativas do rei Norodom Sihanouk. Todavia, em 9 de novembro de 1953, sob seu reinado, o Camboja declarou a independência da França. Foi após a Segunda Guerra Mundial que o forte sentimento nacionalista, liderado pelo recém-surgido Partido Popular Revolucionário do Kampuchea (KPRP/PPRK), sob os auspícios do Vietname, levou a França a conceder a independência cambojana. Quando a Indochina Francesa concedeu a independência, o Camboja perdeu oficialmente o delta do Mecão, que passou para a soberania vietnamita. Na prática, a área já vinha sendo controlada pelo Vietname desde 1698, quando o rei Chey Chettha II permitiu que o país vizinho construísse assentamentos na área, que cada vez mais se tornava densamente populosa. Ainda sob o reinado de Sihanouk, o país tornou-se uma monarquia constitucional.

República Quemer

Ao visitar Pequim em 1970, Sihanouk foi deposto por um golpe militar liderado pelo primeiro-ministro General Lon Nol e o príncipe Sisowath Sirik Matak. O apoio dos Estados Unidos para o golpe ainda não foi provado. No entanto, uma vez que o golpe foi concluído, o novo regime, que imediatamente exigiu que os comunistas vietnamitas deixassem o Camboja, ganhou o apoio político dos Estados Unidos. Sihanouk se estabeleceu em Pequim, na China, onde foi forçado a adaptar-se aos comunistas chineses. As forças norte-vietnamitas e os vietcongues, desejando manter seus santuários e linhas de abastecimento do Vietnã do Norte, lançaram imediatamente ataques armados contra o novo governo. Sihanouk pediu a seus seguidores para ajudarem a derrubar o golpe militar, apressando a eclosão da Guerra Civil cambojana. Logo, rebeldes do Quemer Vermelho começaram a ganhar apoio. No entanto, de 1970 até ao início de 1972, o conflito cambojano foi, em grande parte, entre o governo e o exército do Camboja e as forças armadas do Vietnã do Norte. Como o novo regime político recuperou o controle do território cambojano, os comunistas vietnamitas impuseram uma nova infraestrutura política, que acabou por ser dominada pelos comunistas cambojanos, referidos agora como o Quemer Vermelho. Entre 1969 e 1973, forças da República do Vietnã e dos Estados Unidos bombardearam o Camboja, em um esforço para interromper os vietcongues e o Quemer Vermelho.

Ocupação vietnamita e transição

Em novembro de 1978, tropas vietnamitas invadiram o Camboja em resposta a incursões fronteiriças iniciadas pelo Quemer Vermelho. Os cambojanos que viviam em área fronteiriça passaram a ser perseguidos pelo Quemer Vermelho, com os vietnamitas também sofrendo esta perseguição. A República Popular do Kampuchea, um governo pró-soviético liderado pela Frente Unida para a Salvação Nacional do Kampuchea (FUNSK), um grupo de esquerdistas cambojanos que estavam insatisfeitos com o Quemer Vermelho, foi criada. Em 1981, três anos depois que o Vietnã invadiu o país, o poder no Camboja encontrava-se indiretamente dividido entre três facções, que as Nações Unidas eufemisticamente se referiam como "Governo de Coligação do Kampuchea Democrático". Estas facções consistiam no Quemer Vermelho, na facção liderada pelo monarquista Sihanouk, e a Frente Nacional de Libertação do Povo do Quemer. A recusa do Vietnã em se retirar do Camboja levou a sanções econômicas ao país por parte dos Estados Unidos e nações aliadas.

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Geografia

O Camboja está localizado na Ásia, precisamente no Sudeste asiático. Está situado na fértil bacia do rio Mecão e sua superfície territorial é de 181 035 km², sendo o 87.º maior país do mundo. Compartilha fronteiras terrestres com a Tailândia ao oeste e norte (cerca de 803 km), com o Laos ao nordeste (541 km de fronteira) e com o Vietnã ao leste e sudeste, possuindo 1 228 km de fronteira com este. Possui ainda 443 km de costa marítima no golfo da Tailândia. A principal característica topográfica do país é a planície lacustre formada pelas inundações do Tonle Sap (Grande Lago), que tem cerca de 2 600 km² de superfície durante a estação seca e 10 400 km² na estação das chuvas. Esta planície densamente povoada, dedicada ao cultivo de arroz, constitui a parte central do Camboja. A maior parte do país (cerca de 75%) está situada a menos de 100 m de altitude, sendo as três únicas exceções[carece de fontes?] as Montanhas Cardamom, com 1 771 m em sentido norte-sul, os montes Dângrêk, com uma altura média de 500 m acima do nível do mar, estendendo-se ao longo da fronteira norte com a Tailândia, e o Phnum Aoral, o ponto mais alto do Camboja com 1 813 m de altitude.

Clima

O clima predominante no Camboja é o tropical, regido através dos ventos de monção, responsáveis por definir as duas principais temporadas. De meados de maio a início de outubro, os fortes ventos da monção sudoeste causam fortes chuvas e alta umidade no território. A partir do início de novembro a meados de abril, os ventos tornam-se mais leves e o clima mais seco, com nebulosidade variável, precipitação pouco frequente e menor umidade. As temperaturas são elevadas durante todo o ano, variando entre cerca de 28 °C e 35 °C. A precipitação anual varia consideravelmente em todo o país, com mais de 5 000 mm nas encostas dos planaltos do sudoeste, a cerca de 1 270 mm e 1 400 mm na região central de várzea. Três quartos da precipitação anual ocorrem durante os meses da monção sudoeste.

Hidrografia

Os dois principais rios, Tonle Sap e rio Mecão, têm afetado os padrões de vida da população no Camboja em toda a história. Entre as bacias hidrográficas do mundo, só a Amazônia possui uma maior diversidade de plantas e animais. O rio Mecão é um dos maiores rios da Ásia, com seus 4 184 km, e o 12.º maior rio do mundo.[carece de fontes?][nota 2] Um de seus afluentes, o rio Tonle Sap, é responsável por ligá-lo ao grande lago no centro do Camboja, que também é chamado de Tonle Sap. O fluxo de água no Mecão durante a estação seca é de 15 000 m³ por segundo, enquanto no resto do ano, pode chegar até a 60 000 m³ por segundo em Phnom Penh. O nível do rio pode variar em até 12 m, causando inundações em toda a bacia.

Ecologia

O Camboja é um dos países de maior biodiversidade no sudeste da Ásia. Suas florestas servem como habitat de muitas espécies ameaçadas, algumas das quais já desapareceram em outros países vizinhos. O crocodilo-siamês, elefante-asiático e o tigre sobrevivem em refúgios florestais exuberantes, espalhados por todo o país. Aves, incluindo faisões e patos-selvagens, além de mamíferos, bois-selvagens, panteras e ursos são abundantes em todo o país. Peixes, espécies de cobras e insetos também estão presentes em abundância. São encontradas, ainda, uma grande variedade de plantas e outros animais. Existem 212 espécies de mamíferos, 536 espécies de aves, 240 espécies de répteis, 850 espécies de peixes de água doce e 435 espécies de peixes marinhos. Grande parte dessa biodiversidade está contida no lago Tonle Sap e em sua biosfera circundante. A reserva da biosfera de Tonle Sap engloba o lago de mesmo nome e abrange nove províncias: Kampong Thom, Siem Reap, Battambang, Pursat, Kampong Chhnang, Banteay Meanchey, Pailin, Oddar Meanchey e Preah Vihear. Em 1997, a reserva foi categorizada como uma reserva da biosfera pela UNESCO. Outros importantes ecossistemas incluem as florestas secas nas províncias de Mondul Kiri e Ratanakiri, as montanhas Cardamom, os parques nacionais Preah Monivong (também chamado de Bokor) e Botum Sakor, o Phnum Aoral — ponto mais elevado no país — e o santuário Phnom Samkos.

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Demografia

Em 2013, o Camboja tinha uma população de cerca de 15,2 milhões de habitantes, registrando um aumento populacional de 1,705 por cento ao ano, maior que as taxas de crescimento da Tailândia, Coreia do Sul, Filipinas e Brasil. O Camboja é etnicamente muito homogêneo: cerca de 90% da população é quemer, falante da língua quemer. Apesar disso, há muitas minorias étnicas no país, como os chineses, vietnamitas, cham, mnong e paong. Quase a metade da população tem idade inferior a 15 anos. Pouco mais de 20% vive em áreas urbanas, e a grande maioria da população vive em pequenas vilas na zona rural. A capital do país, Phnom Penh, possui cerca de 1,5 milhão de habitantes e é a cidade mais populosa da nação. A guerra civil e o genocídio cambojano afetaram significativamente a demografia do Camboja. Quase 50% da população tem menos de 22 anos de idade. Há cerca de 1,04 mulher para cada homem, a maior taxa entre os países do Grande Mecão. Entre a população com mais de 65 anos, o número de mulheres é 1,61% maior que o de homens.

Composição étnica

O reino é, etnicamente, muito homogêneo. A maioria dos cambojanos pertencem à etnia quemer. Segundo publicações da CIA (The World Factbook), os Quemeres correspondem a 90% do total da população, seguido dos vietnamitas, com 5% de representação. Esse percentual faz do Camboja o país etnicamente mais homogêneo no Sudeste Asiático. Entre as minorias étnicas encontradas no país, destacam-se os han (sobretudo chineses) e os cham, concentrados principalmente na fronteira norte do país, com o Laos, na província de Kampong Cham e ao longo do rio Mecão, ao norte da capital nacional. Os Cham são descendentes de povos do antigo reino de Champa, que habitaram a região de Annam (hoje no Vietname), e adotaram o islamismo malaio como religião. O povo cham, assim como os han e outras minorias étnicas, foram severamente perseguidos no regime do Quemer Vermelho.

Línguas

Cerca de 23 línguas são faladas no Camboja. A língua quemer, única oficial no país, pertence ao grupo linguístico mom-quemer e é escrito no alfabeto próprio. As línguas estrangeiras mais comuns são o francês, inglês e o vietnamita, sendo que o francês é ensinado nas escolas e em algumas universidades. Nos últimos anos, o ensino do idioma inglês também tornou-se muito acentuado na educação do país.

Religiões

O Camboja tem o budismo como religião oficial, conforme determinado por sua Constituição. Mais de 96% da população é budista, tendo a tradição Teravada sido praticada de maneira generalizada em todas as províncias, possuindo cerca de 4 392 templos monásticos em todo o país. A grande maioria dos étnicos Quemeres são budistas, e há associações entre o budismo, tradições culturais e a vida cotidiana. A adesão à religião budista é geralmente considerada intrínseca à identidade étnica e cultural do país. Durante o período de regime político do Quemer Vermelho, na década de 1970, a religião foi duramente reprimida no Camboja, tendo experimentado um renascimento após o fim do período de ditadura.

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Governo e política

O Camboja é uma monarquia constitucional, liderada pelo primeiro-ministro e tendo o rei como chefe de Estado. O atual rei é Norodom Sihamoni, que subiu ao trono em 2004, após seu pai, Norodom Sihanouk ter abdicado. A monarquia constitucional foi restaurada no país em setembro de 1993, após a Assembleia Nacional do Camboja votar pela restauração do regime político, em uma eleição sob administração da ONU. A Constituição garante um sistema multipartidário. Os maiores partidos políticos são o Partido Popular do Camboja (também chamado Partido do Povo Cambojano — CPP), o monarquista Funcinpec; o partido de oposição liberal Sam Rainsy (SRP), o Partido dos Direitos Humanos, o Partido Democrático e o Partido Budista Liberal Democrático. Segundo a Transparência Internacional, o Camboja é classificado como o país mais corrupto do Sudeste asiático (empatado com Myanmar). O poder legislativo é representado pelo Senado e pela Assembleia Nacional. O Senado é composto por 58 membros representantes, sendo 123 membros na Assembleia Nacional. As duas organizações representativas nomeiam, cada uma, dois membros que compõem a Conselho Real, sendo os outros 57 conselheiros eleitos popularmente, para um mandato de cinco anos. O primeiro-ministro também é nomeado pela Assembleia Nacional, através de uma eleição. Cabe ao primeiro-ministro a indicação e seleção de outros ministros para o governo, que devem ser nomeados pelo rei.

Símbolos oficiais

A bandeira do Camboja foi adotada oficialmente em 23 de setembro de 1993, após o restabelecimento da monarquia no país. A bandeira possui três listras horizontais, tendo a central (de cor vermelha) o dobro da largura das outras duas faixas (de cor azul). No meio da faixa vermelha está representada a entrada do templo de Angkor Wat.[carece de fontes?] O brasão de armas cambojano é o símbolo da monarquia cambojana. Tem existido, de alguma forma estreita, um retratamento desde o estabelecimento do Reino do Camboja, independente em 1953. É o símbolo que está patente no estandarte real do monarca reinante do Camboja, Norodom Sihamoni (ascendeu em 2004).[carece de fontes?]

Forças armadas

As Forças Armadas do Camboja consistem no Exército, Força Aérea e Marinha. Conforme a lei de 2006, que trata da questão, os homens entre 18 e 30 anos de idade são encarregados de prestar o serviço militar, sendo necessários 18 meses para tal ocupação. As Forças Armadas do Camboja correspondem a cerca de 300 mil pessoas, o que representa um aumento no número de militares, já que em 1998 esse efetivo era de 139 mil. Também em 1998, foram gastos US$ 149 milhões em defesa militar no país. A despesa militar total do Camboja foi de 1,54% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2012. O Exército Real do Camboja, a Marinha Real, a Força Aérea Real e a Real Gendarmerie coletivamente formam as Forças Armadas Reais do Camboja, sob o comando do Ministério da Defesa Nacional, presidida pelo primeiro-ministro do Camboja. O Rei Norodom Sihamoni é o Comandante Supremo das Forças Armadas Reais do Camboja (RCAF), e o primeiro-ministro do país, Hun Sen, efetivamente ocupa o cargo de comandante-chefe. Entre os deveres civis da Força Real do Camboja, estão o fornecimento de segurança e paz pública, a investigação e prevenção do crime organizado, do terrorismo e outros grupos violentos e a proteção do Estado e da propriedade privada. Também é atribuída às Forças Armadas do Camboja, a ajuda aos civis e outras forças de emergência, em caso de emergências como catástrofes naturais, conflitos civis e conflitos armados.

Política externa

As relações exteriores do Camboja são tratadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, sob administração do diplomata Hor Namhong. O Camboja é membro das Nações Unidas, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). É membro também do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 13 de outubro de 2004. Em 2005, o país participou do inaugural da Cúpula do Leste Asiático, na Malásia. O Camboja se tornou membro da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) em 6 de fevereiro de 1958, mas retirou a sua adesão em 26 de março de 2003. Em 23 de novembro de 2009, o reino reintegrou sua adesão à AIEA.

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Subdivisões

O Camboja está dividido em 21 províncias (khet) e 4 municípios com status de província (krong). As províncias estão subdivididas em distritos (srok), que estão, por sua vez, subdivididas em comunas (khum). Os municípios estão subdivididos em seções (khan), que estão, por sua vez, subdivididas em quarteirões (sangkat). A capital do país, Phnom Penh, não é uma província, mas uma área administrativa especial. Entretanto, esta é incluída como o 25.ª província, uma vez que é administrada ao mesmo nível que as outras 24 províncias. O nome das províncias são os mesmos que o de suas respectivas capitais, com exceção de Banteay Meanchey, Kandal, Mondulkiri, Oddar Meanchey, Rattanakiri, Koh Kong, Kampong Thom, Takeo e Kampong Speu. A mais nova província a ser criada entre as subdivisões cambojanas, é Tbong Khmum, criada através de um decreto-real assinado em 31 de dezembro de 2013 pelo rei Norodom Sihamoni. Foi separada da província de Kampong Cham, sendo formada por 6 distritos.

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Economia

A moeda do Camboja é o riel. Nas grandes cidades, é comum e aceitável o uso do dólar norte-americano, e em regiões fronteiriças com a Tailândia comumente também se usa o baht. Durante o regime de governo do Quemer Vermelho, já se discutia a adoção de uma nova moeda para o país. Apesar das melhorias recentes, a economia do Camboja continua a sofrer instabilidade, como resultado de décadas de guerra civil e tensões políticas. O PIB per capita está crescendo rapidamente, mas ainda é baixo em comparação com outros países da região. A maioria das famílias rurais dependem enormemente da agricultura. O país era, em 2019, um dos 10 maiores produtores mundiais de arroz e mandioca, além de ter produções relevantes de milho, legume, cana de açúcar, soja, borracha natural e óleo de palma, entre outros. As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram: arroz (U$ 421 milhões), borracha natural (U$ 219 milhões), açúcar (U$ 53 milhões), banana (U$ 49 milhões), mandioca (U$ 26 milhões), óleo de palma (U$ 24 milhões), cigarro (U$ 17 milhões), entre outros. As principais exportações do Camboja são têxteis, madeira, borracha, arroz, pescado e tabaco. Além destes, destaca-se também o cultivo de pimenta-do-reino.[carece de fontes?] O cultivo do arroz é praticado em vales fluviais de forma intensa, com elevada produtividade. Os principais parceiros de exportação do país são os Estados Unidos, Singapura, a Alemanha, o Reino Unido, o Canadá e o Vietnã.

Turismo

A indústria do turismo é a segunda maior fonte de divisas do país, depois da indústria têxtil. Entre janeiro e dezembro de 2007, o número de visitantes foi de 2 milhões, um aumento de 18,5% em relação ao mesmo período de 2006. O maior destino turístico no país é Siem Reap, seguida de Phnom Penh e outros destinos. Outros destinos turísticos incluem Sihanoukville no sul, que tem várias praias populares, e a cidade ribeirinha de Battambang, no leste. A área em torno Kampot e Kep, incluindo a estação do monte Bokor, também são de interesse para os visitantes. O turismo tem vindo a aumentar todos os anos, sendo que em 1993 o país recebeu 118 183 turistas internacionais e, em 2009, o número de visitantes aumentou para 2 161 577 turistas internacionais.

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Infraestrutura

Transportes

As linhas ferroviárias e parte da rede de estradas do Camboja são consideradas como estando em mau estado. Há duas linhas ferroviárias principais, com uma extensão total de 645 km. Antes da Segunda Guerra Mundial, formou-se a partir de Phnom Penh, uma linha ferroviária no sentido sul-norte, indo da capital para Sisophon, próximo da fronteira Camboja-Tailândia e a linha ferroviária no sentido norte-sul, saindo também de Phnom Penh e indo para a cidade portuária de Sihanoukville. Está em construção no país uma estrada de ferro que o ligará à Ferrovia TransAsiática, interligando a Singapura e à China. As estradas no país possuem um total de cerca de 38 000 km, mas apenas 1 900 km estão pavimentados. O uso de bicicletas e triciclos (um meio de transporte típico do Sudeste Asiático), apesar de ainda muito popular, diminuiu consideravelmente nos últimos anos.

Educação

O Ministério da Educação, Juventude e Desporto do Camboja é responsável por estabelecer políticas e diretrizes para a educação nacional no país. O sistema de ensino cambojano é fortemente descentralizado, com três níveis de administração: central, provincial e distrital — responsáveis pela sua gestão. A constituição do Camboja promulga escolaridade obrigatória gratuita durante nove anos, garantindo o direito universal à educação básica de qualidade. O censo de 2008 mostra que a taxa de literacia da população cambojana foi de 77,6%, sendo que os homens são mais alfabetizados que as mulheres (85,1% e 70,9% respectivamente). Homens com idade entre 15 e 24 anos possuem uma taxa de alfabetização de 89%, enquanto 86% das mulheres na mesma faixa etária eram alfabetizada.

Saúde

O sistema de saúde pública no Camboja também é descentralizado. Em 2010, a expectativa de vida no país era de 63,41 anos, sendo 61,01 anos para os homens e 65,93 anos para as mulheres. Desde 1999, a esperança de vida sofreu notável crescimento, já que no respectivo ano esta era de 49,8 anos para os homens e 46,8 anos para as mulheres. A malária é um problema de saúde pública generalizado no país. Os casos desta doença concentram-se, especialmente, nas regiões leste e norte, além de nas áreas e povoados rurais, tendo como única exceção a área de Phnom Penh e em torno do lago Tonle Sap. A incidência da malária varia de ano para ano e em cada período chuvoso, dependendo do número de pessoas em atividades florestais. Os medicamentos antimaláricos também são um dos problemas enfrentados pela administração da saúde pública cambojana, já que a maioria destes não é produzido no país. A situação da AIDS também melhorou nos últimos dez anos: a propagação de portadores do vírus HIV em 2007 foi de apenas 0,8% em relação à população adulta, sendo que em 1990 havia cerca de 2% da população em geral.

Mídia

Oito estações nacionais de televisão e pelo menos 52 estações de rádio na banda FM estão registradas no Camboja. Existem mais de 100 jornais em circulação, mas somente dez deles são jornais diários no idioma quemer. O de maior circulação, Rasmei Kampuchea ("luz do Camboja") foi criado em 1993 e tem uma circulação de aproximadamente 18 000 periódicos por dia. Por outro lado, existem alguns jornais diários e revistas. O jornal em língua inglesa The Cambodia Daily (fundado em 1993) e o The Phnom Penh Post (fundado em 1992, com periódicos diários a partir de 2008), são publicados tanto na capital quanto em outras cidades principais do país, seis dias por semana.

Telecomunicações

As linhas telefônicas foram destruídas extensivamente durante o regime do Quemer Vermelho, e a rede de telefonia ainda não funciona amplamente. Isso resulta em um sistema frágil de telecomunicações, o que inclui telefone fixo, telefone móvel e o uso da Internet. Em 2012, as linhas de telefone fixo eram de 584 000, o que representa menos de uma para cada grupo de cem mil habitantes. Assinaturas de telefonia celular eram registradas em 5,6 milhões, ou cerca de 40 assinantes por cem mil habitantes. O país tem cinco operadoras de telefonia móvel, a maior das quais é a Mobitel, rede que fornece o serviço para a maioria das grandes cidades e áreas urbanas.

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Cultura

A cultura cambojana pode ser dividida em três períodos históricos: cultura clássica medieval quemer, cultura Teravada (ou budalainém) e, posteriormente, cultura da herança colonial francesa. De 1900 até à segunda metade do período de guerra civil, o genocídio do Quemer Vermelho matou vários artistas e membros da elite cambojana, destruindo muitas de suas obras e produções culturais, argumentando que estas, muitas vezes, iam contra o regime político onipresente no país. O Quemer Vermelho possuía um forte anti-intelctualismo, inclusive fechando bibliotecas, museus, cinemas e outros pontos culturais para servirem de chiqueiros para porcos. O Ministério da Cultura e Belas Artes é responsável pela promoção e desenvolvimento da cultura cambojana. A cultura do reino inclui não só os costumes da maioria étnica quemer, mas também os costumes das cerca de 20 tribos culturalmente distintas, reconhecidas pelo termo Quemer Leu, cunhado por Norodom Sihanouk, usado para significar a unidade entre população cambojana, nas suas mais variadas representações.

Arquitetura e Belas Artes

A arquitetura do Camboja foi preservada através das ruínas dos templos do complexo de Angkor Wat e esculturas de pedra representando deuses hindus, os monumentos arquitetônicos mais importantes do período do Império Quemer. As primeiras obras arquitetônicas (Preah Ko e Bakong) foram construídas pelo rei Indravarmã I (877–889), na então capital do reino, Hariharalayaan. Seu sucessor, Indravarmanim, mudou a capital para Angkor. O famoso e brilhante templo, Angkor, no entanto, foi concluído no reinado de Suriavarmã II, entre 1113 e 1150. Ele foi sucedido por Jaiavarmã VII, que construiu uma nova capital em Angkor Thomiin, no centro de um enorme templo budista, Bayonin. Outros exemplos da arquitetura do país foram surgindo ao longo dos anos, entre estes o Ramayana e Mahabharata.

Artesanato

O artesanato cambojano inclui arte têxtil, murais de templos e decoração em madeira, bem como cestas, máscaras e criação de joias. Além destes, a tecelagem de seda, a ourivesaria, esculturas em pedra, esculturas em madeira, laca, cerâmica também estão presentes, muitas destas praticadas desde os tempos antigos. A tradição da arte moderna começou no Camboja em meados do século XX. A cena contemporânea das artes visuais no Camboja sofreu uma escalada artística. A tecelagem de seda no Camboja tem uma longa história. A prática remonta aos primeiros séculos da história do país, quando os têxteis eram usados no comércio. A produção têxtil moderna habilmente imita estes antecedentes históricos e produzem detalhes de roupas em antigas esculturas de pedra. Na maior parte das joias fabricadas, são usados frutos e formas inspirados em Angkor. Assim como a tecelagem de seda, a tradição das esculturas de pedra surgiu nos primeiros anos de formação do país, com a construção do Complexo de Angkor. Nas esculturas modernas, ainda estão sendo usados os estilos tradicionais.

Literatura

Os primeiros trabalhos literários foram escritos durante o período angkoriano. Era comum a utilização de folhas de palmeiras para o desenvolvimento de textos em sânscrito, escrituras budistas e estórias Jataka. Com uma grande influência das literaturas indiana e tailandesa, o acesso a obras literárias indígenas era limitado, devido à maior parte da população não ser alfabetizada. Ainda assim, figuras épicas tradicionais do quemer, como o Neang Kakey e Dum Deav, compunham os contos assistidos pelos cambojanos. No idioma quemer, a palavra aksarsastra é geralmente definida como "literatura", sendo associada também à "carta", "escrita" ou "estudo dos textos". Com isso, os estudos da literatura quemer geralmente se iniciam nas inscrições em pedra, datadas a partir do século VII e compostas por uma linguagem estilizada, com uso de rimas complexas e linguagem arcaica. Judith Jacob, pesquisadora da Universidade de Oxford e autora do livro "A literatura tradicional do Camboja" (1996) descreveu o Ramakerti — uma versão cambojana do Ramáiana — como "páginas cheias de arcaísmos, vocabulário obsoleto, palavras desconhecidas grafadas em uma variedade de formas e texto formidável".

Cinema

A indústria cinematográfica nacional floresceu entre 1950 e 1960. O país experimentou a realização de inúmeros trabalhos de diretores estrangeiros, bem como a criação de um grande número de empresas de produção e uma abundância de salas de cinema. Durante o regime do Quemer Vermelho, muitos diretores e atores foram mortos e a indústria cinematográfica foi fortemente controlada. O cinema nacional recuperou na década de 1980. Entretanto, o país ainda sofre com a pirataria na indústria cinematográfica e produção de má qualidade. Em 1994, o diretor cambojano Rithy Panh alcançou sucesso internacional, e sua primeira longa-metragem, Condenados à Esperança, foi apresentado no Festival de Cannes. O Camboja tem sido o ambiente de uma série de filmes estrangeiros, entre estes os filmes Lara Croft: Tomb Raider (2001), Cidade Fantasma (2001) e Dois Irmãos (2004).

Música

A música tradicional do Camboja remonta ao período do Império Quemer. Danças reais, como a dança dos Apsarás, são ícones da cultura cambojana bem como os instrumentos mahori, que os acompanham. Entre os gêneros musicais, podem ser vistos o Chapei e A Yai. O Chapei é popular entre a geração mais velha e apresenta-se, na maioria das vezes, numa performance solo de um homem tocando uma guitarra do Camboja (chapei) em meio a versos instrumentados a cappella. As letras geralmente têm tema moral ou religioso. Já o A Yai, pode ser realizado individualmente ou por um homem e uma mulher, e muitas vezes possui natureza cômica. É uma forma de poesia lírica, com duplos sentidos, que pode ter qualquer argumento ou ser completamente improvisada. Quando cantada em dueto, o homem e a mulher se revezam, respondendo em forma de enigmas para o outro resolver, com intervalos instrumentais curtos entre os versos. Além destas, há o Pleng kaah (literalmente uma "música de casamento"), que consiste num conjunto de canções e músicas tradicionais voltadas tanto para entretenimento quanto para o acompanhamento em cerimônias tradicionais de casamento quemer.

Teatro e festivais

Uma das formas de teatro encontradas no Camboja são as Marionetas de Sombra, popularmente chamadas de Thom Sbek. Estão versão consiste numa performance de bonecos feito de couro. As sombras são lançadas numa tela tradicionalmente iluminada por uma chama de um coco em chamas. O público que assiste ao espetáculo se senta em almofadas e tapetes no chão. Essa expressão teatral é uma antiga forma de arte espelhada em cenas do Reamker, além de histórias budistas. A única expressão existente que se assemelha a esta, é o yai nang, da Tailândia. Ambas foram realizadas em templos e várias cerimônias relacionadas com festividades coletivas. É possível que a tradição tenha sido criada pelos Tais e incorporada a outros elementos da cultura quemer. Por outro lado, também é possível que esta tenha se espalhado durante o reino de Auytthaya, época na qual o Camboja (ou parte dele) era um estado vassalo da Tailândia. Thom Sbek foi realizado em aldeias em todo o Camboja até a ascensão do Quemer Vermelho, em 1970, que passou a controlar todas as manifestações de arte, inclusive o teatro.

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Fontes consultadas

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