Cálice Sagrado
O Santo Cálice, também conhecido como Santo Graal, é em algumas tradições cristãs, o recipiente que Jesus usou na Última Ceia. Os Evangelhos Sinóticos referem-se a Jesus compartilhando um cálice de vinho com os Apóstolos, dizendo: "Tomai todos e bebei, este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim."
E, tomando um cálice, e tendo dado graças, deu-lho, dizendo: Bebei disto todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Digo-vos que já não beberei do fruto da videira, até que o beba novo convosco no reino de meu Pai. Este incidente, tradicionalmente conhecido como a Oração Eucarística, também é descrito pelos escritores dos evangelhos, Marcos e Lucas, e pelo apóstolo Paulo em I Coríntios. Com a descrição anterior da partilha do pão, esta é a base para a celebração da Eucaristia, celebrada regularmente em muitas igrejas cristãs. Exceto no contexto da Última Ceia, a Bíblia não faz nenhuma menção ao cálice. São João Crisóstomo (347–407 d.C.) afirmou em sua homilia do Evangelho segundo São Mateus: A mesa não era de prata, o cálice no qual Cristo deu Seu sangue para Seus discípulos beberem não era de ouro, e ainda assim tudo ali era precioso e verdadeiramente digno de inspirar admiração.
Iconografia
O simbolismo por trás do Santo Cálice se desenvolveu ao longo de toda a história da Igreja. Várias ilustrações relacionam essa relíquia com a agonia de Jesus no horto, quando Ele disse: "Pai, se possível, afasta de mim esse cálice",como essa na Igreja de Öja, na Suécia (O cálice aparece sobre a montanha).
Santo Graal
O Santo Graal entrou na cultura popular como um objeto milagroso no século XII com as Lendas do Rei Arthur. Posteriormente, foi relacionado com a relíquia do Santo Cálice. No fim do século XII, o francês Robert de Boron foi o primeiro a relacionar o Graal com José de Arimateia, o homem que ajudou Jesus a carregar a cruz. Ao fim do século XIII, a lenda já estava bem desenvolvida: rezava que o Graal era o cálice usado na Última Ceia e para coletar o Preciosíssimo Sangue e que fora trazido à Espanha por José.
Relíquias medievais
No Século VII, um peregrino anglo-saxão chamado Arculfo relatou que havia uma capela na Terra Santa onde era venerada uma relíquia do Santo Cálice. Esse, porém, é a único registro dessa devoção. No fim da Idade Média haviam dois objetos venerados como o cálice da Santa Ceia na Europa. O primeiro é o Santo Cálice de Valência, que é também o mais famoso dos dois. O segundo é Santo Cálice da Catedral de Gênova, que foi encontrado em Cesareia em 1101. Porém não foi venerado como o cálice de Cristo até o século XIII. O Santo Cáliz é um recipiente de ágata guardado na Catedral de Valência. A sua devoção atrai muitos peregrinos que crêem que ele foi usado por Jesus na sua última refeição.
Além desses dois, uma série de outros artefatos de maior ou menor notoriedade passaram a ser identificados com o "Santo Graal" ou "Santo Cálice", principalmente devido à crescente popularidade da Lenda do Graal no Romantismo do século XIX.
Cálice de Dona Urraca
O Cálice de Doña Urraca é um artefato guardado na Basílica de Santo Isidoro em Leão, Espanha. A ligação deste artefato ao Santo Graal foi feita no livro Los Reyes del Grial (Os reis do Graal) de 2014, que desenvolve a hipótese de que esse objeto teria sido levado pelas tropas egípcias após a invasão de Jerusalém e o saque da Igreja do Santo Sepulcro, então entregue pelo Emir do Egito ao Emir de Dénia, que no século XI o deu aos Reis de Leão para que poupassem sua cidade na Reconquista .
O "Cálice" de Antioquia
Esse objeto prateado e dourado faz parte da coleção do Museu Metropolitano de Arte, na cidade de Nova York. Foi feito nos arredores de Antioquia por volta do século VI. É um copo duplo: o interior é um recipiente simples de prata e o exterior é de metal fundido e ornamentado. Quando foi encontrado em 1910 em Antioquia, foi chamado de Santo Graal, postura que o Museu nova-iorquino caracteriza como "ambiciosa". Especialistas do Museu de Arte Walters, em Baltimore, identificaram que o objeto é, provavelmente, apenas uma lâmpada estilizada do século VI.
Copo de Nanteos
O Copo de Nanteos é um fragmento de um copo de madeira medieval mantido por muitos anos na Mansão Nanteos, uma casa histórica no País de Gales. A esse objeto foram atribuídos poderes milagrosos no século XIX e a tradição diz que foi feito com um pedaço da relíquia da Vera Cruz. Só no século XX, porém, é que foi identificado como o Santo Graal.


