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Calendário romano

O calendário romano data da fundação de Roma e mudou sua forma diversas vezes até a Queda do Império Romano do Ocidente. Este artigo discute os primeiros calendários romanos também chamados de calendários pré-julianos utilizados até 46 a.C. O calendário usado após esta data foi o calendário juliano, que continuou sendo utilizado até o ano 1582 quando foi substituído pelo calendário gregoriano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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História

O primeiro calendário romano era um calendário lunar com dez meses, começando no equinócio da Primavera, implantado, segundo a lenda, por Rômulo, o fundador de Roma aproximadamente em 753 a.C. Neste primeiro calendário romano, o ano tinha 10 meses de 30 ou 31 dias, que totalizavam 304 dias e os demais 61 dias que coincidiam com o inverno não entravam no calendário havendo pouco interesse de acompanhamento temporal neste período do ano. A primeira reforma do calendário ocorreu com Numa Pompílio, o segundo dos sete reis de Roma, por volta de 713 a.C., que reduziu os meses de 30 dias para 29 dias e adicionou os meses de Januarius (29 dias) e Februarius (28 dias) no final do calendário aumentando o seu tamanho para 355 dias, transformando-o em um calendário luni-solar, mantendo os inícios dos meses coincidindo com os inícios das fases da Lua e adicionando de tempos em tempos um mês extra para completar o ano solar.

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Meses

Após sua última reforma os anos tinham uma sequência regular de 355, 377, 355 e 378 dias em um ciclo de 24 anos. Para ajustar o erro acumulado, de um dia ao ano, a cada 24 anos se retirava 24 dias pela eliminação de seis dias nas quatro últimas sequências de anos 18, 20, 22 e 24 de 377, 378, 377 e 378 dias que ficavam com respectivamente com 371, 372, 371 e 372 dias.

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Divisão dos meses

Os romanos tinham nomes especiais para três dias específicos em cada mês. O sistema foi originalmente baseado nas fases da Lua. Após as reformas de Numa Pompílio, eles passaram a ocorrer em dias fixos. Nos seguintes meses as nonas ocorriam ao 5º dia e os idos ao 13º dia: Janeiro, fevereiro, abril, junho, agosto, setembro, novembro e dezembro. Nos seguintes meses as nonas ocorriam ao 7º dia e os idos ao 15º dia: Março, maio, julho e outubro. Os outros dias no mês não eram, normalmente, nomeados, apesar de alguns serem conhecidos pelo nome de um festival que neles ocorria. (ex. Ferália, Quirinália). Para identificar os outros dias contava-se regressivamente ao dias nomeados. Além disso, os romanos contavam inclusivamente, assim, por exemplo, 2 de setembro é considerado quatro dias antes de 5 de setembro, em vez de três como costumamos contar.

Setembro

O exemplo a seguir demonstra como eram denominados os dias para um setembro pré-juliano, que tinha 29 dias. Mostra como a data era descrita, a sua tradução, e como nós a dizemos actualmente. Como os dias eram contados inclusivamente e por haver um nome especial para o dia anterior ao dia com nome, não há a possibilidade de se dizer: 2 dias antes de um dia com nome. Após os idos já não se menciona o mês de setembro, visto que se contam quantos dias faltam para a Calendas de outubro. Quando Júlio César adicionou um dia a setembro, este foi acrescentado a seguir dos Idos, assim o dia 14 de setembro passa a significar, a.d. XVIII Kal. Oct. Esta mudança gera imprecisão na contagem dos dias atualmente, não ficando claro se uma data ocorreu no dia 23 ou 24 de setembro, por exemplo.

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Semana

Foi adotado um sistema de semanas com 8 dias, e os dias eram marcados nos calendários com as letras A, B, C, D, E, F, G e H. Um mercado seria feito no oitavo dia. Para os romanos, que contavam inclusivamente, este seria realizado a cada nove dias, daí que este mercado era denominado nundinae (latim antigo: noundinae, significando dia de mercado — como adjetivo, inter nundinum ou internundinum). Dado que a extensão do ano não era múltipla de 8 dias, a letra para o dia de mercado (conhecida como "letra nundinal") variava a cada ano. Por exemplo, se num determinado ano de 355 dias a letra nundinal era A, a do ano seguinte seria F. No calendário romano, primeiro de janeiro sempre era assinalado com A. O sistema de letras não data dos primórdios da civilização romana, visto que a letra G foi introduzida no século III a.C., mas há registros da divisão em 8 dias feitos por Dionísio de Halicarnasso.

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Anos

Na República Romana, os anos não eram contados. Ao invés disso eles eram nomeados em homenagem aos cônsules que estavam no poder no início do ano (veja lista de cônsules da República Romana). Por exemplo, 205 a.C. foi o Ano do consulado de Públio Cornélio Cipião Africano e Públio Licínio Crasso. Todavia, na república tardia, historiadores e sábios começaram a contar os anos pela data da fundação da cidade de Roma. Diferentes sábios usaram diferentes datas para este evento. A data mais usada hoje em dia é a calculada por Marco Terêncio Varrão, 753 a.C., mas outros sistemas variaram por décadas a seguir. Datas marcadas por este método eram rotuladas ab urbe condita (que significa após a fundação da cidade, e abreviada AUC). Quando textos antigos forem lidos usando datas em AUC, deve se tomar cuidado para determinar a época usada pelo autor antes de traduzir este ano para o calendário juliano.

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Convertendo datas pré-julianas

Imagem: jonycunha · BY-SA · Openverse

Achar uma data romana para o calendário juliano pode ter armadilhas. Até datas do início do calendário juliano podem não ser o que parecem ser. Por exemplo, consta-se que Júlio César foi assassinado nos idos de Março de 44 a.C., e é comumente convertido para 15 de Março de 44 a.C.. Embora ele tenha sido de fato assassinado no 15º dia do mês Márcio do calendário romano, a data equivalente no atual calendário é, provavelmente, 14 de Março de 44 a.C.. Achar um dia equivalente do calendário juliano para uma data pré-juliana é ainda mais difícil. Já que temos uma lista essencialmente completa dos cônsules, não é difícil de achar um ano juliano que geralmente corresponda a um ano pré-juliano. No entanto, as fontes raramente nos dizem quais anos são comuns, quais são intercalares e quanto tempo um ano intercalar durava. Assim, datas pré-julianas podem ser muito tortuosas. Hoje em dia existe, todavia, um número de pistas para ajudar. Primeiro: sabe-se quando o calendário juliano começou, embora existam controvérsias a respeito. Há também, fontes detalhadas sobre décadas anteriores, na maioria das vezes, em cartas e discursos de Cícero. Combinando-se estes dados com informações sobre como o calendário funcionava, em especial o ciclo nundinal, podemos converter corretamente datas romanas depois de 58 a.C.. Ainda, histórias de Lívio nos dão datas romanas exatas para dois eclipses em 190 a.C. e 168 a.C., e conhece-se, também, uns poucos sincronismos com datas em outros calendários que ajudam a ter soluções aproximadas, e às vezes exatas, para este período. Antes de 190 a.C. o alinhamento entre os calendários romano e juliano é determinado por pistas, como as datas de colheitas mencionadas nas fontes.

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