Calçada portuguesa
A calçada portuguesa ou mosaico português ou calçada-mosaico é o nome consagrado de um determinado tipo de revestimento de piso utilizado especialmente na pavimentação de passeios, de espaços públicos e espaços privados, de uma forma geral. Este tipo de passeio é muito utilizado em países lusófonos.
Os pavimentos calcetados remontam à Antiguidade, mas a calçada portuguesa, tal como a entendemos hoje, foi iniciada em meados do séc. XIX, com pedras irregulares, onde se juntaram as técnicas da calçada funcional, que era feita com pedras maiores utilizada no calcetamento de ruas para trânsito de veículos, com a decoração herdada do mosaico. Em Lisboa no ano de 1842 foi executada a primeira calçada a preto e branco, a calcário e basalto, de que há registo conhecido. O trabalho foi realizado por presidiários (chamados "grilhetas" na época), a mando do Governador de armas do Castelo de São Jorge, o tenente-general Eusébio Pinheiro Furtado. O desenho utilizado nesse pavimento, representando o mar num traçado simples em ziguezague, foi muito bem recebido pela sociedade, tendo motivado cronistas portugueses a escrever sobre o assunto. Após este primeiro pavimento em calçada artística portuguesa, foram concedidas verbas a Eusébio Furtado para que os seus homens pavimentassem, obra iniciada em Agosto de 1848, toda a área da Praça do Rossio, uma das zonas mais conhecidas e mais centrais de Lisboa, numa extensão de 8 712 m², que ficaria concluída no final do ano seguinte.
Erradicação
Nas últimas décadas, diversas cidades no mundo vêm substituindo suas calçadas históricas, incluindo mosaicos portugueses, por passeios mais práticos e seguros. No caso de Verona e Sevilha, foram adotadas placas de granito e mármore, preservando-se os pisos históricos em faixas laterais. No Brasil, em 2007, a prefeitura de São Paulo substituiu os mosaicos portugueses da Avenida Paulista, existentes desde 1973, por pisos de concreto. No final de 2017, surgiu a proposta de expandir tal prática para áreas de toda a região central da cidade. Em 2014 a Câmara Municipal de Lisboa, presidida por António Costa, alegando questões de segurança, conseguiu aprovar na Assembleia Municipal um plano de substituição parcial da calçada portuguesa, monocromática, a branco, substituindo-a por lajes de cimento. Mais grave acontecera na cidade do Porto em 2005, quando na sua zona central, a calçada portuguesa, que possuía vários tipos de decoração, incluindo desenhos que ilustravam a história do vinho do Porto, foi erradicada e substituída por lajes de granito.
Em 2021, a calçada portuguesa passou a estar inscrita no Inventário de Património Cultural Imaterial português.
Os calceteiros tiram partido do sistema de diaclases do calcário para, com o auxílio de um martelo, fazerem pequenos ajustes na forma da pedra, e utilizam moldes para marcar as zonas de diferentes cores, de forma a que repetem os motivos em sequência linear (frisos) ou nas duas dimensões do plano (padrões). A geometria do século XX demonstrou que há um número limitado de simetrias possíveis no plano: 7 para os frisos e 17 para os padrões. Em Lisboa, um trabalho de jovens estudantes portugueses registou, nas calçadas da cidade, 5 frisos e 11 padrões, atestando a sua riqueza em simetrias. Destacam-se as técnicas de aplicação e talhe de calçada mais comuns:


