Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
A Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FDir-UERJ), originalmente denominada Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e, em razão das sucessivas reformas institucionais a que se vinculou, também conhecida como Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal, Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro e Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara, é uma unidade de ensino, pesquisa e extensão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi fundada em 11 de maio de 1935, por iniciativa de um grupo de cerca de vinte juristas liderados pelos professores Luiz Carpenter e Roberto Lyra, que pretendiam constituir uma escola de direito de orientação plural e democrática. É a segunda faculdade de direito mais antiga do estado do Rio de Janeiro e uma das mais tradicionais do país.
A faculdade foi inaugurada, oficialmente, no dia 11 de maio de 1935 em sessão solene no Salão Nobre da Associação Cristã de Moços. A instituição teve origem quando um grupo de professores uniu forças para a criação de uma nova instituição na Capital Federal, que, à época, contava com apenas uma faculdade de direito, a atual Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A criação da Faculdade de Direito da UERJ, então Faculdade de Direito do Rio de Janeiro surgia como uma "iniciativa de professores" que, insatisfeitos com o problema das centenas de jovens que não podiam seguir os estudos no direito pelo limite à matrícula imposto pelo art. 150 Constituição Federal de 1934, buscavam a criação de uma nova instituição de ensino que ampliasse o acesso ao curso de direito. Nas palavras de Afrânio Peixoto, a instituição de uma nova faculdade de direito no Rio de Janeiro se constituía "como consequência do crescimento natural". Nesse sentido, como define o historiador do direito Gustavo Siqueira, a faculdade foi criada com o propósito de ser uma instituição de ensino livre, para que ali estudassem aqueles que foram aprovados no vestibular da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e que não puderam ingressar devido à limitação do número de matrículas. Assim, a instituição poderia estar teoricamente livre de algumas restrições do Governo Federal de Getúlio Vargas e poderia atender uma crescente demanda da capital.
Ao longo das décadas, a Faculdade de Direito da UERJ acompanhou as sucessivas reorganizações da universidade à qual passou a integrar. Fundada em 1935 com o nome de Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, a instituição foi incorporada, em 1950, à Universidade do Distrito Federal (UDF), criada pela Lei Municipal nº 547, de 4 de dezembro de 1950, passando a denominar-se Faculdade de Direito do Distrito Federal. Em 1958, com a transformação da UDF em Universidade do Rio de Janeiro (URJ), nos termos da Lei Municipal nº 909, de 16 de junho de 1958, a faculdade adotou a nova denominação de Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Com a criação do Estado da Guanabara, em 1961, a instituição-mãe converteu-se na Universidade do Estado da Guanabara (UEG). Após a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, formalizada para fins de organização administrativa pelo Decreto Estadual nº 7.828, de 11 de abril de 1975, a faculdade passou a adotar o nome de Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), denominação que mantém até hoje.
O Centro Acadêmico Luiz Carpenter (CALC) é o órgão de representação dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fundado em 1935, mesmo ano de fundação da instituição, o Centro Acadêmico leva o nome do professor e primeiro diretor Luiz Carpenter (1876-1957), professor, à época, da Faculdade Nacional de Direito e da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e um dos fundadores da instituição, fichado e detido pela Delegacia Especial de Segurança Política e Social como comunista. No início da década de 1960, a atuação do CALC registrada pela imprensa fluminense concentrava-se em atividades de caráter acadêmico e social, como palestras, solenidades, concursos de oratória, bailes de calouros e processos eleitorais da entidade, sendo raramente associada a pautas políticas. Entre os episódios noticiados estão a organização de um júri simulado transmitido pela televisão em 1961 e um confronto, no mesmo ano, entre estudantes da Faculdade e a polícia do governador Carlos Lacerda, após o qual um cassetete apreendido foi exposto na sede do Centro Acadêmico.
Desde a sua fundação, em 1935, até 2026, a faculdade foi dirigida por 22 professores ao longo de 27 gestões, uma vez que quatro diretores ocuparam o cargo em mais de um período não consecutivo. O recordista é Ary de Azevedo Franco, que esteve à frente da direção em três mandatos distintos (1942-1945, 1948-1951 e 1954-1960), totalizando cerca de doze anos no cargo. Também retornaram à direção Oscar Accioly Tenório (1938-1939 e 1960-1966), José Pereira Lira (1940-1941 e 1946-1947) e Odilon de Andrade (1947 e 1952-1953).


