Cacela Velha
Cacela Velha é uma aldeia localizada numa elevação arenítica em frente à Ria Formosa e ao mar, na freguesia de Vila Nova de Cacela, no município de Vila Real de Santo António, de cuja fortaleza se vislumbra uma das mais belas panorâmicas do sotavento algarvio.
Para muitos a mais bela zona da ria Formosa, conserva admiravelmente o seu encanto e pacatez. Da bela localidade muralhada de Cacela-a-Velha, edificada sobre uma arriba fóssil com cerca de um milhão de anos, contempla-se a ria Formosa e a ilha-barreira onde se situa a praia marítima. No cais de Fábrica há um restaurante popular pelo lingueirão e pelas ostras. A povoação de Cacela Velha está integrada no percurso oriental do Caminho Português de Santiago.
Constituiu ponto de passagem para navegadores gregos e fenícios, e segundo alguns autores terá sido Cunistorgis, a antiga capital dos Cúneos. Os romanos ampliaram-na e os árabes deram-lhe o prestígio. Cacela passa, em 713, para o domínio muçulmano, durante as campanhas de Abdalazize ibne Muça no Algarve e Baixo Alentejo. O litoral algarvio ficou sob o controlo de clãs árabes iamanitas e sírios, sendo Cacela dominada por árabes do grupo dos Banu Darraje. Cacela era uma povoação relativamente importante da cora (distrito) de Ossónoba (Faro). O seu nome seria Hisn-Kastala, Qastallat Dararsh, Cacetalate ou Cacila (prado ou pastagem de gado), donde derivaria o nome actual. Era defendida por um castelo datando do século IX-X, da época do califado, e estender-se-ia para fora do recinto amuralhado, apresentando um cariz marítimo-agrícola. Nesta época califal viveu o mais famoso poeta de Cacela, Ibn Darraj Al-Qastalli, nascido no ano de 347 da Hégira (958) e falecido em 1030.
Actualmente como pontos de interesse encontramos a fortaleza do século XVII, um edifício de duplo beiral do século XVI, algumas moradias de arquitectura tradicional algarvia do século XVIII, a igreja de origem medieval, as ruínas islâmicas, os fornos romanos e os vestígios da antiga muralha medieval. O pelourinho aparece mencionado em cartas dos séculos XVII e XVIII, nomeadamente em 1775, mas terá eventualmente desaparecido com a extinção do concelho.


