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Cabar

Cabar é uma divindade indígena pertencente ao panteão galaico-lusitano e hispano-celta pré-romano. Cultuada no noroeste da Península Ibérica durante o período de romanização, a divindade manifesta um caráter polivalente, alternando entre atributos de cariz solar, termal e medicinal e funções ligadas à aristocracia militar e à soberania regional.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Evidência Epigráfica

Imagem: Croq · BY-SA · Openverse

A existência histórica do culto a Cabar assenta no registo arqueológico de inscrições votivas gravadas em aras e monumentos de pedra recuperados na antiga província da Lusitânia e em territórios vizinhos da Gallaecia. Um dos testemunhos materiais mais célebres foi erguido por um oficial do exército romano, o imaginifer (porta-estandarte com a efígie do imperador) da *Cohors IIII Gallorum*, chamado Sulpícius Avitus. O monumento exibe a dedicatória latina integral direcionada à divindade local:

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Análise Linguística e Atribuições

Imagem: Rigoberto Ramírez Cortés · BY · Openverse

O Complexo Cabar-Sul e Sulis

Muitas das correntes de mitologia comparada contemporânea analisam o teónimo através da sua variante composta Cabar-Sul. Historiadores e filólogos estabelecem uma correlação direta entre o elemento *-Sul* e a deusa pan-céltica britânica Sulis (venerada no famoso complexo termal de *Aquae Sulis*, atual Bath, no Reino Unido). Sob esta perspetiva, Cabar operava como uma divindade ligada às **águas termais e curativas** que brotavam das entranhas da terra, fundindo o poder ctónico do submundo com as qualidades medicinais da superfície. O seu forte caráter ambíguo ou andrógino (sendo descrita umas vezes como entidade masculina e outras como feminina) levou a que os romanos a sincretizassem com o deus Apolo (na sua vertente de *Apolo Borvo*, protetor das fontes térmicas) ou com a deusa Minerva (*Minerva Cabardiacensis*), justificando o culto por parte de militares de alta patente.

Onomástica e Antroponímia Regional

O radical *Cabar-* ou *Cabru-* exibe uma forte implantação na área linguística celta e indo-europeia da Península Ibérica. O étimo encontra-se documentado na forma de genitivos de plural e antropónimos (nomes de pessoas) registados no interior do território, tais como os clãs *Caburateicum*, *Caburicum* e *Caburonicum* em Ávila, além de derivar no teónimo galaico dos Bracari conhecido como **Cabuniaegenis**. Esta ligação onomástica reforça a teoria de que Cabar atuava simultaneamente como uma divindade de soberania, protegendo a elite e os chefes das aristocracias locais que lideravam os Castros tribais.

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Fontes consultadas

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