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Incidente de contaminação de cobalto-60 em Ciudad Juárez

O incidente de contaminação por cobalto-60 em Ciudad Juárez, México, em 1984, conhecido como Acidente Radiológico de Ciudad Juárez, teve origem em uma máquina de radioterapia comprada ilegalmente por um hospital privado. Após ser abandonada e descartada, o cobalto-60 de seu interior foi parar em um ferro-velho, onde foi triturado e misturado a outros metais. Isso resultou na produção de cerca de seis mil toneladas de vergalhões de aço contaminados, distribuídos em 17 estados mexicanos e várias cidades dos EUA. Estima-se que 4.000 pessoas foram expostas à radiação devido a este incidente.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 23/07/2026

Pontos-chave

  • Uma máquina de radioterapia com cobalto-60 foi comprada ilegalmente e descartada inadequadamente em Ciudad Juárez.
  • O material radioativo foi parar em um ferro-velho, contaminando cerca de 6.000 toneladas de vergalhões de aço.
  • Os vergalhões contaminados foram distribuídos por 17 estados mexicanos e exportados para os Estados Unidos.
  • A detecção da contaminação ocorreu acidentalmente nos EUA, por um caminhão com vergalhões que passou por um detector de radiação.
  • Cerca de 4.000 pessoas foram expostas à radiação, com algumas recebendo doses potencialmente perigosas.
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O Acidente: Origem e Descoberta

Detalhes sobre a aquisição ilegal da máquina de radioterapia, seu descarte inadequado e a subsequente contaminação, culminando na detecção acidental do material radioativo.

Eventos que Levaram à Contaminação

Em novembro de 1977, o Centro Médico de Especialidades, um hospital privado em Ciudad Juárez, adquiriu uma unidade de radioterapia Picker C-3000 contendo aproximadamente 6.000 pastilhas de cobalto-60 (2,6 GBq cada), importada sem seguir os regulamentos. O equipamento permaneceu inativo por quase seis anos devido à falta de pessoal qualificado. Em 6 de dezembro de 1983, Vicente Sotelo Alardín, funcionário do hospital, desmontou a unidade a pedido do gerente de manutenção para vendê-la como sucata no ferro-velho Fénix. Durante o desmonte, Sotelo extraiu a fonte radioativa (um cilindro metálico com 6 mil pastilhas de cobalto-60) e, ao carregá-la em seu caminhão, danificou o cilindro, derramando grânulos de cobalto-60 na carroceria do veículo. O caminhão contaminado sofreu uma falha mecânica no retorno do ferro-velho e ficou parado perto de sua casa por 40 dias.

Detecção do Material Radioativo

Em 16 de janeiro de 1984, um detector de radiação no Laboratório Nacional de Los Alamos, Novo México, EUA, acionou um alerta. Isso ocorreu porque um caminhão transportando vergalhões produzidos pela Achisa fez um desvio acidental e passou pelo portão de entrada e saída da área técnica do LAMPF do laboratório. As autoridades americanas identificaram que o vergalhão era a fonte da radiação e notificaram a Comissão Nacional de Segurança e Salvaguardas Nucleares do México (CNSNS) em 18 de janeiro. A CNSNS confirmou a ampla dispersão de material radioativo, ordenou a suspensão da distribuição de vergalhões da Achisa e fechou o ferro-velho Fénix.

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Consequências e Resposta ao Incidente

Ações de descontaminação, recuperação e armazenamento do material radioativo, além da estimativa da exposição da população à radiação.

Recuperação e Limpeza do Material Radioativo

A descontaminação começou em 20 de janeiro de 1984. Entre 8 de fevereiro e 14 de abril, foram localizados e isolados materiais contaminados no ferro-velho Fénix, e realizadas ações de descontaminação nas fundições Achisa e Falcon. Carregamentos de vergalhões contaminados foram rastreados em 17 estados mexicanos. A CNSNS recuperou 2.360 toneladas de vergalhões não utilizados, visitou mais de 17.000 edifícios suspeitos e determinou a demolição de 814 estruturas com níveis inaceitáveis de radiação. Todas as 30.000 bases de mesas contaminadas e cerca de 90% das mil toneladas de vergalhões exportados para os EUA foram recuperados. Contudo, em junho de 1984, mais de mil toneladas de vergalhões contaminados ainda estavam desaparecidas, tendo sido enviadas para vários estados mexicanos.

Armazenamento do Material Radioativo

Em fevereiro de 1984, a CNSNS designou um local no deserto de Samalayuca para construir um "cemitério" chamado La Piedrera, onde o vergalhão coletado em Chihuahua foi armazenado em setembro de 1984. Material de outras áreas foi armazenado em Maquixco, Estado do México (70 toneladas), e Mexicali, Baja California (115 toneladas). Dados da CNSNS indicam que La Piedrera armazenou 2.930 toneladas de vergalhões contaminados, 1.738 toneladas de metal não processado contaminado, 200 toneladas de bases de mesa metálicas, 1.950 toneladas de sucata contaminada, 860 toneladas de contêineres com outros materiais contaminados e 29.191 toneladas de solo contaminado, escória e gesso.

Exposição da População à Radiação

O relatório da CNSNS de 1985 estimou que cerca de quatro mil pessoas foram expostas à radiação de cobalto-60. Aproximadamente 80% receberam doses inferiores a 500 mrem (0,005 Sv); 18% entre 0,5 e 25 rems (0,005-0,25 Sv); e 2% (cerca de 80 pessoas) receberam doses superiores a 25 rems (0,25 Sv). Dentre estes, cinco indivíduos receberam entre 300 e 700 rems (3-7 Sv) em dois meses. Vizinhos de Vicente Sotelo foram examinados, e três receberam doses acima de 100 rems (1 Sv). Para contextualizar, a radiação de fundo média nos EUA é de 310 mrem (0,003 Sv) por ano. Doses crônicas acima de 20 rem (0,2 Sv) aumentam o risco de câncer, enquanto doses agudas de 500 rem (5 Sv) são letais para metade das pessoas sem tratamento. Doses crônicas são geralmente menos prejudiciais que doses agudas.

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Fontes consultadas

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