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Lyme disease

A Doença de Lyme, também conhecida como borreliose de Lyme, é uma doença transmitida por carrapatos, causada por espécies de bactérias Borrelia. É a doença transmitida por carrapatos mais comum no Hemisfério Norte, com infecções mais frequentes na primavera e início do verão. O tratamento com antibióticos geralmente leva à recuperação completa, mas alguns pacientes podem ter efeitos a longo prazo. A detecção precoce e o tratamento rápido estão associados a melhores resultados.

Fonte: Wikipedia (en)Texto didático por IAAtualizado em 03/08/2026

Pontos-chave

  • Causada por bactérias Borrelia, transmitida por carrapatos do gênero Ixodes.
  • Sintomas variam, incluindo erupção cutânea característica (eritema migrans), dores musculares e articulares, e problemas neurológicos.
  • A detecção precoce e o tratamento com antibióticos são cruciais para a recuperação.
  • A prevenção envolve evitar picadas de carrapatos e remover carrapatos prontamente.
  • Vacinas para humanos ainda estão em desenvolvimento, mas existem para cães.
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Sinais e Sintomas

A Doença de Lyme pode apresentar uma ampla gama de sintomas, com um período de incubação que varia de dias a anos. As infecções são mais comuns entre maio e setembro no Hemisfério Norte, principalmente devido à fase ninfa do carrapato.

Infecção Localizada Inicial

Cerca de 80% das infecções começam com uma erupção cutânea no local da picada, geralmente em dobras de pele. Essa erupção, chamada eritema migrans (EM), expande-se gradualmente e pode ter um padrão de 'olho de boi', embora isso seja mais comum na Europa. A erupção pode durar até quatro semanas sem tratamento e geralmente não coça nem dói.

Infecção Disseminada Inicial

Em casos não tratados, as bactérias podem se espalhar, causando novas erupções cutâneas em outras partes do corpo. Dores musculares e articulares transitórias são comuns. Cerca de 10-15% dos casos não tratados desenvolvem neuroborreliose, com sintomas como meningite, paralisia de nervos cranianos (como paralisia facial), dor e fraqueza nos membros, e, raramente, problemas no cérebro ou medula espinhal. Sintomas otológicos como zumbido e perda auditiva também podem ocorrer.

Infecção Disseminada Tardia

A artrite de Lyme afeta até 60% das pessoas não tratadas, geralmente começando cerca de seis meses após a infecção, principalmente em grandes articulações como o joelho. Pode haver inchaço e dor recorrentes. Neuropatias periféricas raras, com dormência e formigamento, também foram descritas.

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Causa

Causada por espiroquetas (bactérias em espiral) do gênero Borrelia, coletivamente conhecidas como Borrelia burgdorferi sensu lato. Várias espécies são conhecidas por causar a doença em diferentes regiões do mundo.

Carrapatos

O ciclo de vida do carrapato tem três estágios: larva, ninfa e adulto. A transmissão da Doença de Lyme ocorre mais frequentemente na fase ninfa, especialmente no final da primavera e início do verão. Carrapatos adultos também podem transmitir, mas são menos propensos a picar humanos e mais fáceis de remover. Os vetores primários nos EUA são do gênero Ixodes.

Transmissão

A Doença de Lyme é uma zoonose transmitida por carrapatos infectados que se alimentam de pequenos mamíferos e pássaros. As ninfas, pequenas e difíceis de detectar, são as principais transmissoras. Os carrapatos adquirem a bactéria de mamíferos infectados, não de veados, que são hospedeiros preferenciais para adultos.

Coinfecções Transmitidas por Carrapatos

Carrapatos que transmitem Borrelia podem também portar e transmitir outros patógenos, causando doenças como babesiose e anaplasmose. Em pessoas com Doença de Lyme inicial, coinfecções podem ocorrer. Algumas coinfecções podem resolver sozinhas ou ser tratadas com o mesmo antibiótico usado para Lyme. Febre persistente ou achados laboratoriais anômalos podem indicar uma coinfecção.

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Patofisiologia

A Borrelia burgdorferi pode se espalhar pelo corpo, afetando pele, coração, articulações e sistema nervoso. Os sintomas são em grande parte uma consequência da resposta imune do corpo à bactéria, e não de toxinas produzidas por ela. A saliva do carrapato inibe a resposta inflamatória local, permitindo a proliferação bacteriana.

Estudos Imunológicos

Acredita-se que a resposta inflamatória à Borrelia possa ser autoimune, possivelmente devido à 'mimetização molecular', onde a bactéria se assemelha a tecidos do corpo. Isso poderia explicar sintomas crônicos que persistem mesmo após a eliminação da bactéria, como na artrite crônica pós-tratamento.

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Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se em sintomas, achados físicos (como eritema migrans, paralisia facial ou artrite), histórico de exposição a carrapatos e, às vezes, testes laboratoriais. A presença da erupção EM e exposição recente a carrapatos são suficientes para o diagnóstico em muitos casos.

Testes Laboratoriais

Testes de anticorpos (ELISA e Western blot) são comuns. Um protocolo de dois níveis é recomendado. Anticorpos IgM e IgG podem ser detectados algumas semanas após a infecção. Testes não são recomendados na aparição da erupção EM, sendo o diagnóstico baseado na clínica. Anticorpos IgG podem permanecer detectáveis por anos.

Imagem

Neuroimagem (ressonância magnética, SPECT) pode ajudar no diagnóstico diferencial e compreensão da neuroborreliose, mostrando anormalidades cerebrais que podem ser reversíveis com tratamento. No entanto, os achados são controversos e podem ser inespecíficos.

Diagnóstico Diferencial

Erupções EM podem ser confundidas com picadas de aranha, celulite ou herpes zóster. Características distintivas da EM incluem sua rápida expansão. Picadas de aranha tendem a ser mais dolorosas e podem causar necrose. Celulite geralmente ocorre perto de feridas e é menos circular. Herpes zóster é caracterizado por bolhas e dor ao longo de um dermátomo.

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Tratamento

Antibióticos são o tratamento principal, variando conforme o estágio da doença. Doxiciclina é a primeira escolha para infecção localizada inicial, mas alternativas existem para crianças e gestantes. Para infecções disseminadas ou tardias, antibióticos intravenosos como ceftriaxona são recomendados.

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Prognóstico

A erupção EM geralmente desaparece em semanas, mas sem tratamento, a infecção pode causar danos permanentes. O tratamento antibiótico precoce melhora o prognóstico. A recuperação completa é comum, mas alguns podem ter sintomas persistentes.

Síndrome Pós-Tratamento da Doença de Lyme

Uma porcentagem de pacientes (5-20%) experimenta sintomas crônicos como dor, fadiga ou problemas cognitivos após o tratamento, conhecida como Síndrome Pós-Tratamento da Doença de Lyme (PTLDS). A causa é desconhecida e não há tratamento comprovado. O tratamento é geralmente sintomático.

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Epidemiologia e Prevalência

A Doença de Lyme é endêmica em regiões temperadas do Hemisfério Norte. Estima-se que centenas de milhares de pessoas sejam diagnosticadas anualmente nos EUA e Europa. Mudanças climáticas podem influenciar a expansão das populações de carrapatos e a incidência da doença.

Visão Geral

A Doença de Lyme afeta ambos os sexos e diversas faixas etárias, com pico entre 10-19 anos. Nos EUA, cerca de 476.000 diagnósticos anuais são estimados, possivelmente um superestimativa devido a sobrediagnóstico. Na Europa, mais de 200.000 casos são diagnosticados anualmente.

Mudanças Climáticas

O aquecimento global pode favorecer a expansão de populações de carrapatos e o aumento da incidência da Doença de Lyme em novas áreas. No entanto, a complexidade dos sistemas de doenças transmitidas por carrapatos dificulta a atribuição exclusiva das mudanças climáticas.

América do Norte

Estudos na América do Norte indicam que mudanças climáticas podem aumentar o habitat adequado para o vetor Ixodes scapularis. A presença de florestas é um fator consistente que eleva o risco, mas outros fatores ambientais ainda são pouco compreendidos.

Europa

Na Europa, a doença é causada principalmente por genotipos europeus de B. burgdorferi sensu lato, transmitida por Ixodes ricinus. A incidência é maior na Europa Central, com casos mais raros no sul e aumento em alguns países ocidentais como a Islândia, onde a doença é rara.

América do Sul

No Brasil, a Doença de Lyme não é endêmica. Uma síndrome semelhante, a Síndrome de Baggio-Yoshinari (BYS), é atribuída a outros microrganismos transmitidos por carrapatos dos gêneros Amblyomma e Rhipicephalus.

África

B. burgdorferi sensu lato foi identificado no norte da África. A Doença de Lyme é desconhecida na África Subsaariana, mas pode ocorrer. Dois casos foram relatados no Quênia. Não é considerada endêmica na África do Sul ou Moçambique.

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Prevenção

A prevenção envolve evitar habitats de carrapatos, tomar precauções e remover carrapatos prontamente. A maioria das infecções humanas ocorre por picadas de ninfas entre abril e setembro. Carrapatos preferem locais úmidos e sombreados.

Remoção de Carrapatos

Carrapatos presos devem ser removidos o mais rápido possível; o risco de infecção aumenta com o tempo. No Hemisfério Norte, o risco é baixo se removido em até 36 horas. Recomenda-se o uso de pinça fina, puxando reto, sem torcer ou esmagar. Limpar a área após a remoção.

Antibióticos Preventivos

Uma dose única de doxiciclina pode reduzir o risco se administrada em até 72 horas após a remoção de um carrapato que permaneceu preso por 36 horas ou mais. Não é recomendado para todos, pois o desenvolvimento da infecção é raro.

Paisagismo

Práticas de paisagismo como manter gramados aparados, remover folhas e usar barreiras de cascalho ou lascas de madeira podem reduzir o risco de picadas em áreas residenciais. Criar zonas seguras e ensolaradas também ajuda.

Exposição Ocupacional

Trabalhadores ao ar livre em áreas com carrapatos infectados (construção, jardinagem, silvicultura) correm risco. Cuidados especiais são necessários na primavera e verão, quando os carrapatos jovens são mais ativos.

Animais Hospedeiros

A diversidade de hospedeiros afeta a transmissão. Hospedeiros como lagartos podem 'diluir' a doença, enquanto mamíferos como o rato-de-patas-brancas são reservatórios importantes. Veados são importantes para a reprodução dos carrapatos.

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Vacinação

Não existem vacinas humanas disponíveis atualmente. A vacina LYMErix foi descontinuada. Uma nova candidata a vacina humana está em processo de aprovação regulatória. Várias vacinas estão disponíveis para cães.

LYMErix

Disponível de 1998 a 2002, a vacina LYMErix foi baseada na proteína de superfície externa A (OspA). Após sua aprovação, houve relatos de efeitos colaterais autoimunes, levando a processos judiciais, embora investigações não tenham encontrado ligação causal.

LB6V

LB6V (anteriormente VLA15), uma vacina candidata hexavalente baseada em proteína OspA, está em desenvolvimento por Pfizer e Valneva. Um ensaio de fase 3 demonstrou 70% de eficácia após uma série de quatro doses e está em processo de aprovação regulatória.

Outras Pesquisas

Pesquisas exploram vacinas de mRNA que induzem resposta imune à saliva do carrapato ou à proteína OspA da bactéria. Modelos em animais mostraram promessa, superando vacinas tradicionais baseadas em proteínas.

Vacinas Caninas

Existem três vacinas aprovadas para cães, que visam diferentes componentes da bactéria Borrelia ou a própria bactéria morta, para prevenir a Doença de Lyme em animais de companhia.

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Etimologia

A Doença de Lyme foi diagnosticada como uma condição distinta pela primeira vez em 1975, na cidade de Lyme, Connecticut, EUA.

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