Butão
Butão, oficialmente Reino do Butão, é um país interior localizado no sul da Ásia, no extremo leste dos Himalaias. Faz fronteira a norte com a China e para o sul, leste e oeste pela Índia. Mais a oeste, está separado do Nepal pelo estado indiano de Siquim, enquanto mais ao sul está separado de Bangladesh pelos estados indianos de Assam e Bengala Ocidental. A capital e maior cidade do Butão é Thimbu.
A tradição situa o início da sua história no século VII, quando o rei tibetano Songtsen Gampo construiu os primeiros templos budistas nos vales de Paro e de Bumthang. No século VIII, é introduzido o budismo tântrico pelo Guru Rimpoché, "O Mestre Precioso", considerado o segundo Buda na hierarquia tibetana e butanesa. Os séculos IX e X são de grande turbulência política no Tibete e muitos aristocratas vieram instalar-se nos vales do Butão onde estabeleceram o seu poder feudal. Nos séculos seguintes, a atividade religiosa começa a adquirir grande vulto e são fundadas várias seitas religiosas, dotadas de poder temporal por serem protegidas por facções da aristocracia. No Butão estabeleceram-se dois ramos, embora antagônicos, da seita Kagyupa. A sua coexistência será interrompida pelo príncipe tibetano Ngawang Namgyel que, fugido do Tibete, no século XVII unifica o Butão com o apoio da seita Drukpa, tornando-se no primeiro Shabdrung do Butão, "aquele a cujos pés todos se prostram". Ele mandaria construir as mais importantes fortalezas do país que tinham como função suster as múltiplas invasões mongóis e tibetanas. O relato da época foi feito por Estêvão Cacella, o primeiro europeu a entrar no Butão. Este missionário jesuíta português, que viajou através dos Himalaias em 1626, encontrou-se com o Shabdrung Ngawang Namgyel e no fim de uma estadia de quase oito meses escreveu uma longa carta do Mosteiro Chagri relatando as suas viagens. Este é o único relato deste Shabdrung que resta. A partir do seu reinado estabeleceu-se um sistema político e religioso que vigoraria até 1907, em que o poder é administrado por duas entidades, uma temporal e outra religiosa, sob a supervisão do Shabdrung.
O Butão é uma nação muito montanhosa, de interior, situada na Ásia. Os picos do norte atingem mais de 7 000 metros de altitude, e o ponto mais elevado é o Gangkhar Puensum, com 7 570 m, que nunca foi escalado. A parte sul do país tem menor altitude e contém vários vales férteis densamente florestados, que escoam para o rio Bramaputra, na Índia. A maioria da população vive nas terras altas centrais. A maior cidade do país, a capital Thimphu (114 551 habitantes), situa-se na parte ocidental destas terras altas. O clima varia de tropical no sul a um clima de invernos frescos e verões quentes nos vales centrais, com invernos severos e verões frescos nos Himalaias. As montanhas Negras, na região central do Butão, formam um divisor de águas entre dois grandes sistemas fluviais: o Mo Chhu e o Drangme Chhu. Pontos nas montanhas Negras variam entre 1 500 e 4 925 m acima do nível do mar, e caudalosos rios esculpiram desfiladeiros profundos nas áreas mais baixas da montanha. As florestas das montanhas centrais do Butão consistem em florestas de coníferas subalpinas orientais, em altitudes mais elevadas, e florestas folhosas nas proximidades dos Himalaias, em altitudes mais baixas.
A cultura do Butão já foi definida como sendo, simultaneamente, patriarcal e matriarcal e o membro que detém a maior estima é considerado o chefe da família. O Butão também já foi descrito como tendo um regime feudal caracterizado pela ausência de uma forte estratificação social. Existem quatro principais grupos étnicos no Butão. Os Ngalops (descendentes do povo Tibetano), Sharchops (o povo do Leste), Lhotshampas (ou Sulistas, predominantemente descendentes de Nepaleses) e uma porcentagem de várias minorias étnicas espalhadas pelo país. Nos tempos pré-modernos existiram três grandes classes:
Religião
Estima-se que entre dois terços e três quartos da população do Butão seguem o budismo Vajrayana, que também é a religião de Estado. Cerca de um quarto a um terço são seguidores do hinduísmo. Outras religiões correspondem a menos de 1% da população. O atual quadro legal, em princípio, garante a liberdade religiosa. Entretanto, o proselitismo é proibido por uma decisão do governo real e pela interpretação judicial da Constituição.
O Butão é uma monarquia constitucional. O chefe religioso do Reino, o Je Khenpo, goza de uma importância quase idêntica à do rei. Depois de um histórico discurso do rei Jigme Singye Wangchuck, no dia nacional, em dezembro de 2006, abdicando a favor do seu filho e anunciando a realização de eleições democráticas, os butaneses foram às urnas em 24 de março de 2008, terminando assim mais de um século de monarquia absoluta. O poder legislativo é exercido por um parlamento bicameral, composto pela Assembleia Nacional do Butão (câmara baixa) com 47 membros, e pelo Conselho Nacional do Butão (câmara alta) com 25 membros, que elegem o primeiro-ministro. O Butão e a Tailândia são os últimos reinos budistas do mundo.
Símbolos nacionais
A bandeira nacional está dividida diagonalmente desde o canto inferior esquerdo até o canto superior direito, formando assim dois triângulos. O superior amarelo e o inferior cor-de-laranja. Ao centro está um dragão branco olhando para o exterior da bandeira. O dragão apresentado na bandeira, Druk o dragão do trono, representa o nome do Butão em tibetano, que é "A Terra do Dragão" (Druk Yul). O dragão possui joias nas suas garras que representam a abundância. O amarelo por sua vez representa a monarquia secular e o laranja a religião budista. O brasão de armas mantém vários elementos da bandeira do Butão, ligeiramente diferentes dos originais, e contém muito simbolismo budista. A designação oficial é: "O emblema nacional, contido num círculo, é composto por um duplo diamante-raio (dorji) colocado acima de um loto, encimado por uma joia e emoldurado por dois dragões. O raio representa a harmonia entre o poder secular e o poder religioso. O lótus simboliza pureza, a joia manifesta o poder soberano, e os dois dragões, macho e fêmea, defendem o nome do país que proclama com a sua grande voz, o trovão".
Direitos Humanos
Atos homossexuais são ilegais no Butão. O Código Penal (artigos 213 e 214) declara que os atos sexuais com o mesmo sexo (independentemente de serem consensuais ou privados) são puníveis e passíveis à sentença de prisão de um mês a um ano. Alguns membros do Parlamento do Butão pediram publicamente a revogação das leis anti-homossexuais, já que a maioria dos butaneses se opõe a elas.
O Butão tem sua economia essencialmente baseada na agricultura, extração florestal e na venda de energia hidroelétrica para a Índia. A agricultura, essencialmente de subsistência, e a criação animal, são os meios de vida para 90% da população. É uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo. Em 2004, o Butão foi o primeiro país do mundo a banir o consumo público e a venda de cigarros. Embora a economia do Butão seja uma das menores do mundo, tem crescido rapidamente nos últimos anos, registrando 8% de crescimento em 2005 e 14% de crescimento em 2006. Em 2007, o Butão teve a segunda economia com maior crescimento no mundo, com uma taxa de crescimento de 22,4%. Isso ocorreu, principalmente, devido à Barragem hidrelétrica de Tala, que começou a operar a nesse ano. Em 2014, o Produto interno bruto (PIB) butanês foi de US$ 5,235 bilhões *, e o PIB per capita foi de US$ 2 133 dólares americanos.
Educação
O Ministério da Educação do Butão é o órgão responsável pela administração, coordenação e supervisão do sistema de educação do reino, consistindo numa estrutura organizacional centralizada. A educação formal é composta por níveis de educação pré-escolar, secundário e ensino superior, que é assumido em parte pelo Estado. Historicamente, a educação no Butão era monástica, com a educação escolar secular para a população em geral introduzida na década de 1960. A paisagem montanhosa representa barreiras para serviços educacionais integrados. Hoje, o Butão tem duas universidades descentralizadas com onze faculdades constituintes espalhadas por todo o reino. São elas a Universidade Real do Butão e a Universidade de Ciências da Saúde Khesar Gyalpo, respectivamente. O primeiro plano quinquenal consistiu no estabelecimento de uma autoridade educacional central — na forma de um diretor de educação, cuja nomeação deu-se em 1961 — e um sistema escolar moderno e organizado, com ensino primário gratuito e universal. Os programas de educação receberam um impulso em 1990, quando o Banco Asiático de Desenvolvimento concedeu um empréstimo de US$ 7,13 milhões para treinamento e desenvolvimento de pessoal, serviços especializados, compra de equipamentos e móveis, salários e outros custos recorrentes, além da construção das instalações do Jigme Namgyel Engineering College. Desde o início da educação moderna no Butão, professores da Índia — especialmente de Kerala — serviram em alguns dos vilarejos mais remotos do Butão. Atualmente, 121 professores indianos lecionam em escolas de todo o Butão.
O Butão tem uma herança cultural rica e única que tem, em grande parte, permanecido intacta por causa de seu isolamento do resto do mundo até o início dos anos 1960. A cultura butanesa é uma das principais atrações para os turistas, assim como as tradições do país. Os costumes tradicionais do Butão estão profundamente impregnados em sua herança budista. O hinduísmo também serviu como influência e referência nos costumes de tradição e cultura butaneses, predominantemente nas regiões do Sul. O governo está fazendo cada vez mais esforços para preservar e manter a cultura atual e as tradições do país. Por causa de seu ambiente natural — grande parte ainda intocado — e do património cultural, o Butão tem sido referido como "O Último Shangri-La". A cultura butanesa já foi definida como sendo, simultaneamente, patriarcal e matriarcal e o membro que detém a maior estima é considerado o chefe da família. O Butão também já foi descrito como tendo um regime feudal e caracterizado pela ausência de uma forte estratificação social.
Arquitetura
A arquitetura do Butão permanece distintamente tradicional, empregando métodos de construção locais, com materiais como acácia, pique, pedras e madeiras, trabalhadas em torno das janelas e telhados. A arquitetura tradicional não utiliza pregos ou barras de ferro em suas construções. Uma característica da arquitetura da região é um tipo de castelo (ou fortaleza) conhecida como dzong. Desde os tempos antigos, os Dzongs serviram como centros religiosos e seculares de administração para seus respectivos distritos. A arquitetura butanesa serviu de inspiração ou foi adotada em algumas construções em outros países, como nos Estados Unidos, onde a Universidade do Texas, em El Paso, usou-a como base na construção de seus prédios no campus, assim como nas proximidades do Hilton Garden Inn e outros edifícios na cidade de El Paso.


