Bobo da corte
Bobo da corte, bufão ou bufo, era o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o rei e rainha e fazê-los rir. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos, uma vez que sua função era fazê-lo rir, assim como os palhaços fazem nos dias atuais.
Origens
Os bobos da corte iniciais eram populares no Egito Antigo e entretinham os faraós egípcios. Os antigos romanos tinham uma tradição de bobos profissionais, chamados balatros. Eles eram pagos por seus gracejos, e as mesas dos ricos geralmente eram abertas a eles por causa da diversão que eles proporcionavam.
Na Europa
Em diversas cortes ao redor da Europa empregavam indivíduos como bobos da corte para realizar diversos serviços de entretenimento, isso incluía comedia, cantar, dançar, tocar instrumentos, contar histórias, fazer poesias, realizar acrobacias, malabarismos e entre outras coisas. Em alguns casos eles também eram empregados em outros serviços secundários, o bobo da corte Perkeo, por exemplo, realizava além de suas funções como bobo as de copeiro, mordomo e cuidava do armazenamento de vinho do castelo. Bobos da corte muitas das vezes também seguiam seus reis para o campo de batalha, ocupando diversas funções como mensageiro entre os lideres militares, entreter e acalmar as tropas com musicas e piadas, provocar as tropas inimigas na tentativa de os fazer atacar prematuramente. Em certos casos os bobos até acompanhavam seus mestres para a luta, como no caso das tribos celtas irlandesas onde eram esperado que o bobos lutassem ao lado de seus lordes ou os seus representantes.
Na Ásia
Os bobos da corte chineses surgiram inicialmente da cultura musical presente nas cortes, realizando diversas esquetes musicais, danças e teatro como formas de entretenimento inicialmente. Os bufões chineses recebiam bastante treinamento vindos do Jiaofang (uma academia real dedicada a musica, dança e teatro) e do Liyuan (Uma academia dedicada a artes performáticas e musicas), sendo o ultimo responsável por treinar centenas de músicos, acrobatas e outros tipos de artistas que entretinham a corte. You Zhan, o bobo da corte do imperador Qin Shihuang é um dos mais antigos bufões chineses nomeados, ele é conhecido por seu estilo único de dizer que uma ideia era ruim ao imperador de uma forma humorada, um exemplo seria a vez que Shihuang quis laquear a Grande Muralha da China, uma decisão que seria não só um desastre economicamente mas também custaria a vida de muitos trabalhadores, seus conselheiros ficaram sem palavras no momento restando ao bobo da corte fazer a intervenção:
Na América
A civilização maia possuía palhaços ritualísticos semelhantes a bufões, segundo suas representações presentes em peças de arte clássicas como estatuas e em vasos, eles seriam pessoas com aparência grotesca e com características animalescas. Eles dançavam com chocalhos e leques, usavam mascaras e roupas de animais e os personificavam durante suas apresentações, não na tentativa de aparentar imitar eles mas para se tornarem eles. Um dos animais que tendiam a personificar mais eram os macacos aranha, um animal bastante identificado com o humor na civilização maia. Bobos da corte também podem ser encontrados na civilização asteca, eles eram muitas das vezes completamente deformados. Na visita de Barnal Díaz del Castillo na corte de Montezuma II ele relatou ter observado a presença de bufos no local:
Fim da tradição
Na Inglaterra a tradição do bobo da corte teve como fim definitivo durante a restauração, onde Charles II após assumir o trono não reinstalou a tradição sob seu governo. No restante da Europa o declínio da tradição só foi começar no século XVII, durante esse período o cargo de bobo da corte e similares começaram a perder espaço nas cortes ao redor da Europa, o Filipe V de Espanha por exemplo aboliu em seu reinado vários cargos considerado desatualizados na sua época, neles incluía o bufão. No século XVIII o cargo de bobo da corte já teria desaparecido de grande parte da Europa, restando poucos lugares como no Império Russo.
Processo de seleção
A forma como alguém era escolhido a se tornar um bobo da corte variava muito, principalmente pelo fato de qualquer pessoa poder assumir a função. Bufos poderiam surgir de qualquer lugar e posição, poderiam ser tanto alguém com experiência com poesia e musicas quanto o filho de um camponês sem experiência com entretenimento. Eles também poderiam ser encontrados de variáveis formas, poderiam ser entregues como presentes, encontrados durante viagens ou até recomendados por pessoas próximas da corte.
Relação com o rei
A relação entre o rei e seu bobo da corte poderia variar, ele poderia ser tanto um simples empregado quanto a pessoa mais próxima ao rei, por conta de ser alguém em que sua posição na corte não era muito definida ele serviria como um grande informante ao monarca graças a sua capacidade de ao mesmo tempo aparecer como o centro das atenções mas também sumir sem ser notado. Além disso muitos utilizavam de sua comédia para passar notícias, informações ou conselhos de forma sutil, um exemplo disso seria o caso em que ninguém da corte de Filipe IV de França, tinha coragem de contar ao rei sobre a destruição de sua frota após a derrota francesa na batalha de Sluys, restando assim ao seu bobo contar:
Divisão em naturais e artificiais
Em diversos locais na Europa os bobos da corte foram divididos em dois grupos: Os "tolos naturais" e os "tolos artificiais". Os bobos da corte naturais (também chamados de inocentes) eram pessoas com algum tipo de deficiência intelectual, transtornos mentais ou apenas intelectualmente atrasadas. Os bobos artificias por outro lado pretendiam agir de uma maneira exótica ou boba para entreter, com isso estariam de forma intencional realizando o ato de entretenimento, diferente dos bobos naturais que viria de maneira não-intencional, sendo geralmente de seu comportamento, falas ou aparência. Anões da corte são considerados por alguns uma espécie de terceiro grupo de bobos da corte, enquanto a função de um anão da corte fosse diferente da de um bobo da corte em algumas culturas como no Antigo Egito onde eram associados a figuras religiosas, muitos anões acabam ocupando tanto a função de anão da corte quanto da de bobo da corte.
Vestimentas
As roupas do bobo da corte europeus eram inicialmente simples, não sendo diferentes das de uma pessoa normal. Com o tempo no entanto foram sendo acrescentados aspectos cómicos as suas vestes para ajudar a trazer o aspecto cómico em suas apresentações, durante o começo da idade média muitos bobos começaram a raspar a cabeça e usar orelhas de asno, com o tempo começaram a usar um cuculo como parte de sua vestimenta. Mais tarde o chapéu tradicional de bobo da corte com 3 pontas e sinos começou a ser usado, ele poderia ter outros elementos acompanhados dele como orelhas e cauda de asno e/ou uma crista. Eles também começaram a usar casacos coloridos com padrões irregulares, eles também usavam calças igualmente coloridas, em alguns casos cada um dos lados da calça era de uma cor e padrão diferente. Outros bobos da corte no entanto não tinham opção de escolha de roupa e recebiam de seus monarcas, em muitos desses casos a roupa de seu bufo poderia ser usado como forma de mostrar riqueza, com isso bobos de reis mais afortunados poderiam receber várias roupas luxuosas enquanto aqueles de reis menos afortunados tinham poucas peças de roupas e eram mais simples.
Aposentadoria
Bobos da corte poderiam sair de suas funções e se aposentar por idade, anos de serviço ou por decisão do próprio monarca. Ao se aposentarem eles poderiam receber aposentadorias variáveis dependendo da sua proximidade com o rei e seus serviços, enquanto Roland the Farter, o bobo da corte do rei Henrique II de Inglaterra recebeu um "Serjeanty" de 12 hectares, uma espécie de feudo dado pelo rei como agradecimento por prestarem serviços a ele, outros recebia pequenas esmolas, algumas não eram o suficiente para sobreviver levando a muitos ex-bobos da corte, principalmente naturais, a terminarem suas vidas como mendigos.


