Buenos Aires
Buenos Aires, oficialmente Cidade Autônoma (português brasileiro) ou Autónoma (português europeu) de Buenos Aires (CABA), é a capital e maior cidade da Argentina. Está localizada no sudoeste do Rio da Prata e é classificada como uma cidade global alfa− de acordo com o ranking GaWC de 2024. A cidade propriamente dita tem uma população de 3,1 milhões, enquanto sua área metropolitana tem uma população de 16,7 milhões, tornando-a a 21ª área metropolitana mais populosa do mundo.
Os arquivos aragoneses registram que missionários catalães e jesuítas que chegaram a Cagliari (Sardenha) sob a Coroa de Aragão, após sua conquista dos pisanos em 1324, estabeleceram sua sede no topo de uma colina com vista para a cidade. A colina era conhecida por eles como Bonaira (ou Bonaria em sardo), pois estava livre do mau cheiro prevalente na cidade velha (a área do castelo), que ficava adjacente a um pântano. Durante o cerco de Cagliari, os catalães construíram um santuário dedicado à Virgem Maria no topo da colina. Em 1335, o rei Afonso, o Gentil, doou a igreja aos mercedários, que construíram uma abadia que permanece até hoje. Nos anos seguintes, circulou uma história que afirmava que uma estátua da Virgem Maria foi recuperada do mar depois de ter acalmado milagrosamente uma tempestade no Mediterrâneo. A estátua foi colocada na abadia. Os marinheiros espanhóis, especialmente os andaluzes, veneravam esta imagem e frequentemente invocavam os "Bons Ventos" para os auxiliar na navegação e evitar naufrágios. Um santuário dedicado à Virgem do Buen Ayre seria posteriormente erguido em Sevilha.
Fundação
O marinheiro Juan Díaz de Solís, navegando em nome do Império Espanhol, foi o primeiro europeu a chegar ao Rio da Prata em 1516. Sua expedição foi interrompida quando foi morto durante um ataque da tribo nativa dos charruas, na região do atual Uruguai. A cidade de Buenos Aires foi estabelecida pela primeira vez como Ciudad de Nuestra Señora Santa Maria del Buen Ayre (literalmente "Cidade de Nossa Senhora Santa Maria dos Bons Ventos") em homenagem a Nossa Senhora de Bonaria (Padroeira da Sardenha) em 2 de fevereiro 1536 por uma expedição espanhola liderada por Pedro de Mendoza. O assentamento fundado por Mendoza estava localizado no atual bairro de San Telmo, ao sul do centro da cidade.
Século XIX
A chegada de ideias liberais fomentou a criação de movimentos emancipadores, que desencadearam em 1810 a Revolução de Maio e a criação do primeiro governo pátrio. Logo depois das guerras civis e da reunificação do país, Buenos Aires foi eleita lugar de residência do Governo Nacional, ainda que este carecesse de autoridade administrativa sobre a cidade, que formava parte da província de Buenos Aires. Durante a maior parte do século XIX, o estatuto político de Buenos Aires permaneceu um assunto sensível. A cidade já era a capital da Província de Buenos Aires e, entre 1853 e 1860, era a capital do Estado de Buenos Aires. A questão foi combatida mais de uma vez no campo de batalha, até que o assunto finalmente foi resolvido em 1880, quando a cidade foi federalizada e se tornou sede do governo do país, com o seu prefeito nomeado pelo presidente. A Casa Rosada tornou-se a residência oficial do presidente.
Século XX
Além da riqueza gerada pela Alfândega de Buenos Aires e pelas terras férteis dos pampas, o desenvolvimento da ferrovia na segunda metade do século XIX aumentou o poder econômico de Buenos Aires à medida que as matérias-primas fluíam para suas fábricas. Um dos principais destinos para imigrantes da Europa de 1880 a 1930, particularmente da Itália e da Espanha, Buenos Aires tornou-se uma cidade multicultural do mesmo nível das principais capitais europeias. O Teatro Colón tornou-se um dos principais casas de ópera do mundo e a cidade tornou-se a capital regional do rádio, da televisão, do cinema e do teatro. As principais avenidas da cidade foram construídas durante esses anos e os alvoreceres do século XX viram a construção de alguns dos edifícios mais altos da América do Sul e seu primeiro sistema de metrô.
Século XXI
Em 2003, foi aí promulgada a união civil, tanto para os casamentos homossexuais como para os heterossexuais, tornando-se a primeira cidade na América Latina a oficializar este gênero de união. O sucessor de De la Rúa na prefeitura, Aníbal Ibarra, ganhou duas eleições populares, mas foi acusado (e, finalmente, deposto em 6 de março de 2006) como resultado do incêndio na discoteca República Cromañón. Jorge Telerman, que tinha sido o prefeito interino, foi colocado no cargo. Nas eleições de 2007, Mauricio Macri, do Partido da Proposta Republicana (PRO), venceu o segundo turno da eleição sobre Daniel Filmus da Frente para a Vitória (FPV), assumindo o cargo em 9 de dezembro de 2007. Em 2011, as eleições foram para uma segunda rodada com 60,96% dos votos para PRO, contra 39,04% para FPV, reelegendo Macri como prefeito da cidade com María Eugenia Vidal como vice-prefeita.
A cidade de Buenos Aires situa-se na região dos pampas, com exceção de algumas áreas como a Reserva Ecológica de Buenos Aires, a "cidade esportiva" do Boca Juniors, o Aeroporto Jorge Newbery, o bairro de Puerto Madero e o próprio porto principal; todos estes foram construídos em terras recuperadas ao longo das margens do rio da Prata (o rio mais largo do mundo)
Parques
Buenos Aires possui mais de 250 parques e áreas verdes, sendo a maior concentração localizada na zona leste da cidade, nos bairros de Puerto Madero, Recoleta, Palermo e Belgrano. Alguns dos mais importantes são: Buenos Aires tem menos de dois metros quadrados de espaço verde por pessoa, o que representa 90% a menos que Nova York, 85% a menos que Madri e 80% a menos que Paris. A Organização Mundial da Saúde (OMS), preocupada com a saúde pública, publicou um documento afirmando que toda cidade deveria ter no mínimo nove metros quadrados de espaço verde por pessoa; uma quantidade ideal de espaço por pessoa variaria de 10 a 15 metros quadrados. Apesar do baixo número per capita, a cidade é frequentemente percebida como relativamente verde no nível do bairro, uma vez que a vegetação está espalhada por muitas pequenas praças e ruas arborizadas, proporcionando vegetação visual regular e sombra que torna a caminhada mais confortável.
Clima
De acordo com a classificação climática de Köppen, Buenos Aires possui um clima subtropical úmido (Cfa). Como resultado das influências marítimas do Oceano Atlântico adjacente, o clima é temperado, com temperaturas extremas sendo raras. Como a cidade está localizada em uma área por onde passam os ventos Pampero e Sudestada o tempo é variável devido a essas massas de ar contrastantes. Os verões são quentes e úmidos. O mês mais quente é janeiro, com uma média diária de 24,9 °C (76,8 °F). Ondas de calor são comuns durante o verão. No entanto, a maioria delas tem curta duração (menos de uma semana) e é seguida pela passagem do vento frio e seco Pampero, que traz tempestades violentas e intensas, seguidas de temperaturas mais amenas. A temperatura mais alta já registrada foi 43,3 °C (110 °F) em 29 de janeiro de 1957. Em janeiro de 2022, uma onda de calor causou falha na rede elétrica em partes da área metropolitana de Buenos Aires, afetando mais de 700 mil residências.
No censo de 2010, havia 2.891.082 pessoas residindo na cidade. A população da Grande Buenos Aires era de 13.147.638, segundo dados do censo de 2010. A densidade populacional na cidade de Buenos Aires era 13.680 habitantes por por km², mas apenas cerca de 2,4 mil habitantes por km² nos subúrbios. A população tem girado em torno de 3 milhões desde 1947, devido às baixas taxas de natalidade e à lenta migração para os subúrbios. No entanto, os distritos vizinhos expandiram-se mais de cinco vezes (para cerca de 10 milhões) desde então. O censo de 2001 mostrou uma população relativamente envelhecida: com 17% menores de quinze anos e 22% maiores de sessenta, os habitantes de Buenos Aires têm uma estrutura etária semelhante à da maioria das cidades europeias. Eles são mais velhos do que os argentinos em geral (dos quais 28% tinham menos de 15 anos e 14% mais de 60). Dois terços dos residentes da cidade vivem em prédios de apartamentos e 30% em casas unifamiliares; 4% vivem em habitações precárias. Medida em termos de renda, a taxa de pobreza da cidade era de 8,4% em 2007 e, incluindo a região metropolitana, de 20,6%. Outros estudos estimam que 4 milhões de pessoas na região metropolitana de Buenos Aires vivem em situação de pobreza.
Grupos étnicos
A maioria dos portenhos tem origem europeia, principalmente das regiões da Andaluzia, Galiza, Astúrias e País Basco, na Espanha, bem como das regiões da Calábria, Ligúria, Piemonte, Lombardia, Sicília e Campânia, na Itália. Ondas irrestritas de imigrantes europeus para a Argentina, a partir de meados do século XIX, aumentaram significativamente a população do país, fazendo com que o número de portenhos triplicasse entre 1887 e 1915, passando de 500 mil para 1,5 milhão. Outras origens europeias significativas incluem franceses, portugueses, alemães, irlandeses, noruegueses, poloneses, suecos, gregos, tchecos, albaneses, croatas, eslovenos, neerlandeses, russos, sérvios, ingleses, escoceses, eslovacos, húngaros e búlgaros. Nas décadas de 1980 e 1990, houve uma pequena onda de imigração da Romênia e da Ucrânia.
Idiomas
O dialeto do espanhol falado em Buenos Aires, conhecido como espanhol rioplatense, distingue-se pelo uso do voseo, do yeísmo e da aspiração do "s" em diversos contextos. É fortemente influenciado pelos dialetos do espanhol falados na Andaluzia e na Múrcia e compartilha características com o de outras cidades como Rosário e Montevidéu, no Uruguai. No início do século XX, a Argentina absorveu milhões de imigrantes, muitos deles italianos, que falavam principalmente seus dialetos locais (principalmente napolitano, siciliano e genovês). A adoção do espanhol por esses imigrantes foi gradual, criando um pidgin de dialetos italianos e espanhol chamado cocoliche. Seu uso declinou por volta da década de 1950. Um estudo fonético conduzido pelo Laboratório de Investigações Sensoriais do CONICET e pela Universidade de Toronto mostrou que a prosódia do portenho é mais próxima do napolitano, falado na Itália, do que de qualquer outra língua falada.
Religião
No início do século XX, Buenos Aires era a segunda maior cidade católica do mundo, depois de Paris. O cristianismo ainda é a religião mais praticada em Buenos Aires (~71,4%), uma pesquisa do CONICET de 2019 sobre crenças e atitudes religiosas constatou que os habitantes da Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) eram 56,4% católicos, 26,2% não religiosos e 15% evangélicos, tornando-a a região do país com a maior proporção de pessoas irreligiosas. Uma pesquisa anterior do CONICET, de 2008, havia constatado que 69,1% eram católicos, 18% "indiferentes", 9,1% evangélicos, 1,4% Testemunhas de Jeová ou mórmons e 2,3% adeptos de outras religiões. A comparação entre os dois inquéritos revela que a Grande Buenos Aires é a região onde o declínio do catolicismo foi mais acentuado durante a última década.
Problemas socioeconômicos
As villas misérias (conhecidas como favelas em português) existem desde o século XIX, alimentadas tanto pelo êxodo rural como por uma grande quantidade de imigrantes europeus, a recente crise econômica do país, que tem feito crescer a desigualdade no ingresso, apesar do crescimento econômico dos últimos anos. O problema da insalubridade em muitos dos assentamentos informais e tem-se agravado com a contaminação do poluído Riachuelo (um dos rios mais contaminados do mundo) também em várias zonas do centro da cidade existem assentamentos precários, como o caso da Villa 31 nas imediações do bairro do Retiro. A taxa de homicídios é menor do que as cidades norte-americanas, incluindo Nova Iorque, com 7,0 por 100 mil habitantes, enquanto em Buenos Aires é de 4,57, extremamente baixo quando comparado com a média de 30,7 o que existe na América Latina. Buenos Aires é uma das cidades mais seguras do continente. Nas favelas da periferia, no entanto, houve um aumento da criminalidade no início de 2024, principalmente homicídios relacionados a roubos.
Desde a adoção da Constituição da cidade em 1996, Buenos Aires possui um executivo eleito democraticamente; o Artigo 61 da Constituição estabelece que "O sufrágio é livre, igual, secreto, universal, obrigatório e não cumulativo. Os estrangeiros residentes gozam deste mesmo direito, com as suas correspondentes obrigações, em igualdade de condições com os cidadãos argentinos inscritos no distrito, nos termos estabelecidos por lei ." O poder executivo é investido no Chefe de Governo (em castelhano: Jefe de Gobierno), que é eleito juntamente com um Vice-Chefe de Governo. De forma análoga ao Vice-Presidente da Argentina, o Vice-Chefe de Governo preside o órgão legislativo da cidade, a Assembleia Legislativa Municipal. Legalmente, a cidade tem menos autonomia do que as Províncias. Em junho de 1996, pouco antes das primeiras eleições para o Executivo da cidade, o Congresso Nacional Argentino promulgou a Lei Nacional 24.588 (conhecida como Lei Cafiero, em homenagem ao senador que a propôs), pela qual a autoridade sobre a Polícia Federal Argentina, composta por 25 mil agentes e a responsabilidade sobre as instituições federais localizadas na cidade (por exemplo, os edifícios do Supremo Tribunal de Justiça da República) não seriam transferidas do Governo Nacional para o Governo Autônomo da Cidade até que um novo consenso fosse alcançado no Congresso Nacional. Além disso, a lei declarou que o Porto de Buenos Aires, juntamente com alguns outros locais, permaneceria sob a jurisdição de autoridades federais constituídas.
Segurança pública
Em quanto as forças de segurança, a Lei Nº 24.588 indica que o governo portenho exerce as funções de segurança em todas as matérias não federais, as quais são exercidas pela Polícia Federal Argentina, a cargo do Poder Executivo nacional. Para estas tarefas foi criada em 1º de Janeiro de 2017 a Polícia da Cidade de Buenos Aires, com a fusão entre a Polícia Metropolitana de Buenos Aires e a Superintendência de Segurança Metropolitana da PFA.O efetivo da nova força é de 21 mil policiais + 4 mil civis em funções administrativas. Assim, o governo portenho criou a maior polícia civil municipal de ciclo completo de toda a América do Sul e Caribe. A Polícia da Cidade trabalha em conjunto com a Polícia Federal Argentina e na zona portuária, com a Prefeitura Naval Argentina.
Geminações
A Cidade de Buenos Aires tem tido, ao longo de sua história, diversos geminações com cidades de vários continentes, além de geminações com algumas regiões ou comunidades autónomas.
Oficialmente a cidade se encontra dividida em 48 bairros ou unidades territoriais que derivam das antigas paróquias estabelecidas no século XIX. Ainda que se fale de 100 bairros portenhos, esta expressão tem origem em uma canção popular e não na quantidade real de bairros. Cada bairro tem sua própria história e características populacionais que lhe imprimem cor, estilo e costumes únicos; e são um reflexo da variedade cultural que atua na cidade. Algumas destas unidades territoriais existem desde décadas, no entanto existem outras que foram determinadas recentemente. Este é o caso de Parque Chas, cujos limites foram estabelecidos em 25 de janeiro de 2006 quando foi publicada no Boletim Oficial a Lei 1 907. Os bairros do norte e noroeste têm-se convertido no centro da riqueza, com lojas exclusivas e várias áreas residenciais da classe alta como Recoleta, Palermo, Belgrano assim como também Puerto Madero, localizado ao sul da cidade. Em outro bairro do sul como Barracas, emerge uma população de classe média e média alta graças ao auge imobiliário na zona. Excetuando estes dois últimos bairros, a zona sul é a que ostenta os menores indicadores socioeconômicos da cidade.
Buenos Aires é o centro financeiro, industrial e comercial da Argentina. A economia da cidade propriamente dita, medida pelo produto geográfico bruto (ajustado pelo poder de compra), totalizou 102,7bilhões de dólares (34,2 mil dólares per capita) em 2020 e representa quase um quarto da economia total do país. A Grande Buenos Aires, segundo um estudo bastante citado, constitui a 13ª maior economia entre as cidades do mundo em 2005. O Índice de Desenvolvimento Humano de Buenos Aires (0,889 em 2019) também é alto para os padrões internacionais. O setor de serviços da cidade é diversificado e bem desenvolvido para os padrões internacionais, representando 76% de sua economia (em comparação com 59% para toda a Argentina). A publicidade, em particular, desempenha um papel proeminente na exportação de serviços para o mercado interno e externo. No entanto, o setor de serviços financeiros e imobiliários é o maior e contribui com 31% da economia da cidade. O setor financeiro (cerca de um terço disso) em Buenos Aires é especialmente importante para o sistema bancário argentino, representando quase metade dos depósitos e empréstimos bancários do país. Quase 300 hotéis e outros 300 albergues e pousadas possuem licença para turismo, e quase metade dos quartos disponíveis estão em estabelecimentos de quatro estrelas ou superior.
Turismo
De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, o turismo vem crescendo na capital argentina desde 2002. Em uma pesquisa realizada pela revista de viagens e turismo Travel + Leisure em 2008, os viajantes votaram em Buenos Aires a segunda cidade mais desejável para visitar depois de Florença, na Itália. Em 2008, cerca de 2,5 milhões de visitantes visitaram a cidade. Buenos Aires tem mais de 250 parques e espaços verdes, a maior concentração está no lado leste da cidade nos bairros de Puerto Madero, Recoleta, Palermo e Belgrano. Alguns dos mais importantes são os Bosques de Palermo, o Jardim Botânico de Buenos Aires, o Jardim Japonês de Buenos Aires, a Plaza San Martín e a Praça de Maio, onde podem ser vistos cinco pontos turísticos importantes: a Casa Rosada, sede do governo da Argentina, o Museu Bicentenário, a Catedral Metropolitana de Buenos Aires, o Museu Histórico Nacional do Cabildo e da Revolução de Maio e o Museu da Administração Federal de Buenos Aires.
Educação
A Cidade de Buenos Aires conta com o menor índice de analfabetismo da República Argentina, sendo de 0,45% entre os maiores de 10 anos. Segunda uma pesquisa realizada pela Direção General de Estatística e Censos em 2006, a taxa de escolaridade por nível é de 96,5% para o nível inicial (5 anos) é de 98,6% para o nível primário (6 a 12 anos) e de 87,0% para o nível médio (13 a 17 anos). Além da quantidade de alunos matriculados se mantém um aumento, alcançando os 656 571 alunos em 2 318 estabelecimentos durante 2006. A Cidade de Buenos Aires conta com uma grande quantidade de estabelecimentos educativos. Salvo no caso das escolas primárias onde há mais estabelecimentos estatais, é maior o número de estabelecimentos privados. No entanto a quantidade de alunos matriculados em estabelecimentos educativos de gestão privada é levemente menor registrada nas instituições estatais. A capital argentina recebe também a estudantes que vivem na Província de Buenos Aires, durante 2005 a porcentagem de alunos com residência nessa província que assistiram a escolas estatais foi de 4,5% no nível inicial, de 11,8% no nível primário, de 19,5% no nível médio.
Transportes
Segundo dados divulgados pela Moovit em julho de 2017, o tempo médio gasto por pessoas em deslocamentos de transporte público em Buenos Aires, por exemplo, para ir e voltar do trabalho, em um dia útil, é de 79 minutos. 23% dos usuários do transporte público viajam por mais de duas horas diariamente. O tempo médio de espera em pontos ou estações de transporte público é de 14 minutos, enquanto 20% dos usuários esperam, em média, mais de 20 minutos por dia. A distância média percorrida por pessoa em uma única viagem de transporte público é 8,9 km (5,5 mi), enquanto 21% viajam por mais de 12 km (7,5 mi). Buenos Aires é baseada em um padrão ortogonal, exceto por barreiras naturais ou pelos raros empreendimentos projetados explicitamente de outra forma (principalmente o bairro Parque Chas). A grade retangular prevê espaçamento de quadras de 110 metros de comprimento chamadas manzanas. Zonas pedonais no distrito comercial central, como a Rua Flórida, são parcialmente livres de carros e sempre movimentadas, com acesso facilitado por ônibus e pela Linha C do metrô. Duas avenidas diagonais aliviam o trânsito e proporcionam melhor acesso à Plaza de Mayo e o centro da cidade em geral; a maioria das avenidas que entram e saem dele são de sentido único e possuem seis ou mais faixas controladas por computador para agilizar o tráfego fora dos horários de pico. As principais avenidas da cidade incluem a Avenida 9 de Julho com 140 metros de largura e os mais de 35 quilômetros da Avenida Rivadavia.
Serviços públicos
Seus habitantes contam com um elevado acesso aos serviços públicos: 99,9% conta com rede de água, a mesma quantidade conta com rede de eletricidade, 92,8% conta com rede de gás, 99,6% com iluminação pública, 99,3% com coleta de resíduos e 89,7% dos lares tem telefone. Estas cifras diminuem para a população residente em vilas, se bem que a totalidade de seus habitantes recebe água corrente (incluindo a torneira pública), 99,5% dispõe de energia elétrica, 93,1% de iluminação pública, 87,8 de coleta de resíduos e apenas 1,3% de gás corrente. O serviço de gás natural é administrado pela MetroGAS desde dezembro de 1992. Durante 2004 foram distribuídos um total de 4 468 328 m³ de gás, sendo 1 201 756 m³ para usuários residenciais, 371 575 m³ para Gás Natural Comprimido, 243 024 m³ para usuários comerciais, 120 119 m³ para indústrias, 2 484 045 m³ para usinas elétricas e 47 809 m³ para as entidades oficiais.
Como Buenos Aires é fortemente influenciada pela cultura europeia, a cidade às vezes é chamada de "Paris da América do Sul". Com seus inúmeros teatros e produções, a cidade possui a indústria teatral ao vivo mais movimentada da América do Sul. De fato, a cada fim de semana, há cerca de 300 teatros ativos com peças, um número que coloca a cidade em primeiro lugar no mundo, mais do que Londres, Nova York ou Paris. O número de festivais culturais com mais de dez locais e cinco anos de existência também coloca a cidade em segundo lugar no mundo, depois de Edimburgo. O Palácio Libertad, localizado em Buenos Aires, é o maior centro cultural da América Latina, e o terceiro maior do mundo. Buenos Aires abriga o Teatro Colón, uma casa de ópera de renome internacional. Existem diversas orquestras sinfônicas e coros. A cidade possui inúmeros museus relacionados a artes e ofícios, história, belas-artes, artes modernas, artes decorativas, artes populares, arte sacra, teatro e música popular, bem como as casas preservadas de notáveis colecionadores de arte, escritores, compositores e artistas. A cidade abriga centenas de livrarias, bibliotecas públicas e associações culturais (às vezes é chamada de "cidade dos livros"), além da maior concentração de teatros em atividade na América Latina. Possui um zoológico e um jardim botânico, um grande número de parques e praças arborizadas, bem como igrejas e locais de culto de diversas denominações, muitos dos quais são arquitetonicamente notáveis.
Arte
Buenos Aires possui uma próspera cultura artística, com "um enorme acervo de museus, que variam de obscuros a de nível internacional". Os bairros de Palermo e Recoleta são os tradicionais bastiões da cidade na difusão da arte, embora nos últimos anos tenha havido uma tendência de surgimento de espaços de exposição em outros distritos, como Puerto Madero ou La Boca; espaços renomados incluem o MALBA, o Museu Nacional de Belas Artes, a Fundación Proa, o Centro de Artes Faena e a Usina del Arte. Outras instituições populares são o Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, o Museu Benito Quinquela Martín, o Museu Evita, o Museu de Arte Hispano-Americana Isaac Fernández Blanco, o Museu José Hernández e o Palais de Glace, entre outros. Um evento tradicional que ocorre uma vez por ano é La Noche de los Museos (“Noite dos Museus”), quando os museus, universidades e espaços artísticos da cidade abrem suas portas gratuitamente até o início da manhã; geralmente ocorre em novembro.
Literatura
Buenos Aires é considerada há muito tempo uma capital intelectual e literária da América Latina e do mundo hispânico. Apesar de sua curta história urbana, possui uma abundante produção literária; sua rede mítico-literária "cresceu na mesma proporção em que as ruas da cidade conquistaram suas margens e os edifícios estenderam suas sombras sobre os meios-fios". Durante o final do século XIX e início do século XX, a cultura floresceu juntamente com a economia e a cidade emergiu como uma capital literária e sede da mais poderosa indústria editorial da América do Sul e, "mesmo que o caminho econômico tenha se tornado acidentado, os argentinos comuns abraçaram e mantiveram o hábito da leitura". Na década de 1930, Buenos Aires era a indiscutível capital literária do mundo hispânico, com Victoria Ocampo fundando a influente revista Sur — que dominou a literatura em língua espanhola por trinta anos e com a chegada de proeminentes escritores e editores espanhóis que fugiam da guerra civil.
Música
De acordo com o Dicionário de Música de Harvard, "a Argentina possui uma das mais ricas tradições de música erudita e talvez a vida musical contemporânea mais ativa" da América do Sul. Buenos Aires orgulha-se de diversas orquestras profissionais, incluindo a Orquestra Sinfônica Nacional Argentina, o Ensamble Musical de Buenos Aires e a Camerata Bariloche ; bem como vários conservatórios que oferecem formação musical profissional, como o Conservatório Nacional Superior de Música. Como resultado do crescimento e da prosperidade comercial da cidade no final do século XVIII, o teatro tornou-se uma força vital na vida musical argentina, oferecendo óperas italianas e francesas e zarzuelas espanholas. A música italiana foi muito influente durante o século XIX e o início do século XX, em parte devido à imigração, mas óperas e música de salão também foram compostas por argentinos, incluindo Francisco Hargreaves e Juan Gutiérrez. Uma tendência nacionalista que se inspirava nas tradições, literatura e música folclórica argentinas foi uma força importante durante o século XIX, incluindo os compositores Alberto Williams, Julián Aguirre, Arturo Berutti e Felipe Boero. Na década de 1930, compositores como Juan Carlos Paz e Alberto Ginastera "começaram a adotar um estilo cosmopolita e modernista, influenciado pelas técnicas dodecafônicas e pelo serialismo"; enquanto a música de vanguarda floresceu na década de 1960, com a Fundação Rockefeller financiando o Centro Interamericano de Altos Estudios Musicales, que trouxe compositores de renome internacional para trabalhar e lecionar em Buenos Aires, além de estabelecer um estúdio de música eletrônica.
Cinema
A história do cinema argentino começou em Buenos Aires com a primeira exibição de filmes em 18 de julho de 1896 no Teatro Odeón. Com seu filme de 1897, La bandera Argentina, Eugène Py tornou-se um dos primeiros cineastas do país; o filme apresenta uma bandeira argentina tremulando na Plaza de Mayo. No início do século XX, os primeiros cinemas do país abriram em Buenos Aires e surgiram os cinejornais, principalmente El Viaje de Campos Salles a Buenos Aires. A verdadeira indústria cinematográfica emergiu com o advento dos filmes sonoros, sendo o primeiro deles Muñequitas porteñas (1931). A recém-fundada Argentina Sono Film lançou ¡Tango! em 1933, a primeira produção totalmente sonora do país.
Moda
Os habitantes de Buenos Aires são historicamente caracterizados como "conscientes da moda". Os estilistas nacionais exibem suas coleções anualmente na Semana de Moda de Buenos Aires (BAFWEEK) e eventos relacionados. Inevitavelmente, por estar uma temporada atrasada, não recebe muita atenção internacional. No entanto, a cidade continua sendo uma importante capital da moda regional. De acordo com o Global Language Monitor, em 2017 a cidade era a 20ª capital da moda do mundo, ocupando o segundo lugar na América Latina depois do Rio de Janeiro. Em 2005, Buenos Aires foi nomeada a primeira Cidade do Design pela UNESCO e recebeu este título novamente em 2007. Desde 2015, realiza-se o Festival Internacional de Cinema de Moda de Buenos Aires (BAIFFF), patrocinado pela cidade e pela Mercedes-Benz. O governo da cidade também organiza La Ciudad de Moda ("A Cidade da Moda"), um evento anual que serve como plataforma para criadores emergentes e procura impulsionar o setor, fornecendo ferramentas de gestão.
Arquitetura
A arquitetura de Buenos Aires caracteriza-se pelo seu caráter eclético, com elementos que remetem a Paris e Madri. Há uma mistura, devido à imigração, de estilos colonial, art déco, art nouveau, neogótico e bourbon francês. Em 1912, a Basílica do Santíssimo Sacramento foi aberta ao público; sua construção foi financiada pela generosa doação da filantropa argentina Mercedes Castellanos de Anchorena, membro de uma das famílias mais proeminentes da Argentina. A igreja é um excelente exemplo do neoclassicismo francês. Com decorações de altíssima qualidade em seu interior, o magnífico órgão de Mutin-Cavaillé (o maior já instalado em uma igreja argentina, com mais de quatro mil tubos e quatro manuais) presidia a nave. O altar é todo em mármore e foi o maior já construído na América do Sul naquela época.


