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Guerra do Golfo

A Guerra do Golfo foi um conflito militar travado entre o Iraque e forças da Coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos e patrocinada pela Organização das Nações Unidas, com a aprovação de seu Conselho de Segurança, através da Resolução 678, autorizando o uso da força militar para alcançar a libertação do Kuwait, ocupado e anexado pelas forças armadas iraquianas sob as ordens de Saddam Hussein.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Precedentes

Tensões Iraque-Kuwait (fronteiras, petróleo e dívida)

A decisão de Saddam Hussein de invadir o Kuwait foi essencialmente uma tentativa de lidar com a contínua vulnerabilidade da sua economia[nota 1] e o seu consequente impacto nas finanças públicas. Ao fim da Guerra Irã-Iraque, em agosto de 1988, a economia iraquiana estava de fato a beira do colapso e também internamente havia tensões sectárias pelo país. Os maiores credores da dívida da nação eram a Arábia Saudita e o Kuwait. O governo do Iraque tentou fazer com que estes países perdoassem parte do débito, mas eles se recusaram. Além da questão econômica, o conflito entre o Iraque e Kuwait também acontecia por disputas territoriais. O Kuwait era parte da província de Baçorá na época da dominação do Império Otomano, que passou a ser reivindicado como território iraquiano. A família real kuwaitiana havia concluído um acordo de protetorado com o Reino Unido em 1899, deixando assim a responsabilidade aos britânicos de cuidar da política externa do país. A fronteira entre as duas nações foi desenhada então pelos ingleses em 1922. A criação de um Kuwait independente tirou a única saída para o mar que o Iraque tinha. Os kuwaitianos rejeitaram todas as tentativas dos iraquianos de tentar manter qualquer provisões no país. O governo de Saddam, logo após o conflito com o Irã, começou a acusar o Kuwait de extrapolar as cotas da OPEP de exportação de petróleo. O cartel na época queria manter o preço da commodity a US$ 18 dólares por barril e disciplina era necessária. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait estavam produzindo acima do esperado. O resultado do excesso de produção foi uma redução no preço do barril para apenas US$ 10, o que representava uma perda de US$ 7 bilhões anuais ao Iraque, que era quase o exato valor do pagamento para balancear o déficit em 1989. Os gastos públicos e os planos para reconstruir a infraestrutura interna do país acabaram se saindo debilitados, o que fez com que a economia iraquiana entrasse em forte recessão. A Jordânia e o Iraque tentavam manter a disciplina nos preços, mas com pouco sucesso. O governo iraquiano acusou os kuwaitianos de fazer 'guerra econômica'. O Kuwait também foi acusado de fazer perfurações subterrâneas próximas a fronteira com o Iraque, em territórios sob disputa.

Relações EUA-Iraque antes do conflito

Durante a maior parte da Guerra Fria, o Iraque foi um aliado da União Soviética. As relações com os Estados Unidos eram historicamente conflituosas, por um lado devido as estreitas relações diplomáticas e forte apoio militar da nação norte-americana para com o estado de Israel, por outro lado o apoio iraquiano a grupos árabes e Palestinos de índole terrorista, como o Abu Nidal. Quando o Iraque decidiu atacar e invadir o seu vizinho Irã dando início a Guerra Irã-Iraque, os Estados Unidos mantiveram uma atitude neutra, a qual foi alterada na sequencia da operação Fath-ol-Mobeen, que foi uma contra ofensiva bem sucedida em março de 1982, executada pelas forças iranianas e que fez pender perigosamente a guerra para o seu lado. Desde então e até 1990, o governo norte-americano suportou declaradamente o Iraque fornecendo ajuda alimentar, militar (armas e informações) e tecnologia com emprego duplo, passível de ser usada no desenvolvimento e fabricação de alfaias agrícolas, mas também no desenvolvimento e fabricação de mísseis balísticos, ou ainda para o desenvolvimento de armas de destruição em massa. Fazendo justiça ao provérbio "o inimigo do meu inimigo meu amigo é", os americanos mantiveram o nível elevado nas relações diplomáticas até à véspera da invasão, com exceção de um limitado período imediatamente a seguir ao ataque com mísseis AM39 Exocet, alegadamente engano quando a fragata USS Stark (FFG-31) foi atingida.

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Invasão e posterior anexação

Invadir e anexar o Kuwait pela força acabou sendo um enorme erro de cálculo por parte de Saddam Hussein, que teve consequências catastróficas para o Iraque. O impulso de tomar esta decisão pode ser encontrada no nacionalismo agressivo que sempre caracterizou e predominou a política iraquiana após a queda da monarquia em 1958, mais especificamente na impulsiva e rancorosa personalidade do seu líder, que em onze anos de poder absoluto, não tolerou oposição aos seus planos, tão pouco a sua imagem e grandiosidade fosse ofuscada por terceiros. Antes da invasão em agosto de 1990, acreditava-se que o exército iraquiano seria o quarto maior do mundo. Composto por um total aproximado de um milhão de soldados regulares, mais 450 mil reservistas, com uma vasta experiência de combate, proporcionada por oito anos de conflito armado com o vizinho Irã e claramente influenciado na sua organização e doutrina no modelo soviético, apresentava argumentos suficientes para ser considerado um adversário de respeito.

Breve cronologia

Compilação de dados dos momentos cruciais e seus antecedentes em modo não exaustivo, as referências horárias refletem a hora oficial de Riade, capital da Arábia Saudita.

Iniciativas de resolução do conflito por via diplomática

Consumada a invasão, a primeira reação de oposição aos acontecimentos não veio do mundo Árabe como seria esperado. Os Estados Unidos, que de imediato congelou os bens kuwaitianos em território norte-americano para evitar que os iraquianos os usassem, e o Reino Unido, são os primeiros a reagir, logo seguidos pela Alemanha, França e Japão. Reunido de urgência dada a gravidade dos fatos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprova a resolução 660 com 14 votos a favor e a abstenção do Iêmen, condenando veementemente a invasão e exigindo a retirada imediata e sem condições, repondo a situação anterior à agressão militar. Pela primeira vez e em consequência do degelo verificado nas relações internacionais, mas também porque os seus líderes se encontra entretidos a desmantelar uma super-potência, a ainda União Soviética vota incondicionalmente ao lado das potências ocidentais. Em 3 de agosto, a Liga Árabe aprovou sua própria resolução, exigindo que a solução do conflito fosse feita dentro da própria liga e pediu que não houvesse qualquer interferência externa. O Iraque e a Líbia foram as únicas nações árabes a se opor a resolução do grupo que pedia a retirada completa das tropas de Saddam do Kuwait. A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) também se opôs e afirmou apoiar Hussein. O Iêmen e a Jordânia, apesar de aliados do ocidente, se opuseram a interferências ocidentais nos assuntos internos da região. O Sudão também afirmou apoiar Saddam.

As razões para a intervenção militar da coalizão

Os Estados Unidos e a ONU deram várias justificativas para seu envolvimento no conflito, sendo o que mais ecoou foi a violação da integridade territorial do Kuwait. Além disso, os americanos queriam apoiar a Arábia Saudita, seu mais importante aliado na região e um importante produtor de petróleo. Logo após a invasão iraquiana do Kuwait, o secretário de defesa americano, Dick Cheney, fez a primeira de várias visitas a Arábia Saudita. Durante um discurso feito perante o Congresso, em 11 de setembro de 1990, o presidente George H. W. Bush dissertou sobre os motivos da guerra: "Em três dias, 120 000 soldados iraquianos e 850 tanques invadiram o Kuwait e ameaçaram a Arábia Saudita. Foi ai que decidi agir contra esta agressão".

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Preparações

Operação Escudo do Deserto

Uma das principais preocupações da Coalizão era proteger a Arábia Saudita. Após a conquista do Kuwait, o exército iraquiano estava extremamente perto dos campos de petróleo sauditas. Se esses campos fossem tomados, juntos com os dos kuwaitianos, e as reservas que o Iraque tinha, isso daria a Saddam controle da maioria das reservas do petróleo do mundo. Os iraquianos tinham várias queixas com os sauditas. A Arábia Saudita havia emprestado US$ 26 bilhões para o Iraque lutar contra o Irã. Os sauditas haviam apoiado os iraquianos durante este conflito pois eles temiam o avanço da influência da revolução xiita iraniana e havia o receio que as populações xiitas em países governados por sunitas (como o Iraque e a Arábia Saudita) se rebelassem também. Depois da guerra, Saddam acreditava que ele não devia pagar de volta o valor que lhe foi emprestado, pois ele já havia feito muito lutando na árdua guerra contra o Irã.

Iraque

Na véspera da invasão do Kuwait, o exército iraquiano tinha um milhão de homens em armas. No total, havia à disposição cerca de 47 divisões de infantaria, mais 9 divisões blindadas e várias brigadas mecanizadas. Além disso, ainda havia as doze divisões da Guarda Republicana. Esse alto número de tropas não se convertia necessariamente em qualidade, já que a maioria destes combatentes eram conscritos recém recrutados com pouco treinamento formal, enquanto os veteranos estavam fatigados depois de oito anos de guerra contra o Irã. Além disso, Saddam Hussein não confiava nos oficiais do seu exército. Durante a guerra anterior, ele mandou executar vários generais e oficiais (alguns notavelmente competentes).

Formação da Coalizão

O consenso internacional sobre a gravidade da agressão de Saddam Hussein e a aceitação de que o os Estados Unidos eram a peça fundamental na elaboração da resposta, na liderança militar e nos esforços necessários para manter unida uma aliança de países sem precedentes na história mundial, galvanizou as nações a agir rapidamente e em força. Para garantir apoio econômico, James Baker, o secretário de Estado americano, viajou para dezenas de países. A Arábia Saudita foi o primeiro país a ser visitado e rapidamente concordou em, não só apoiar financeiramente, mas também disponibilizar seu território para as forças da Coalizão. Egito, Síria e Omã foram os outros países do Oriente Médio a apoiar os americanos. Várias nações da Europa ocidental, como Portugal, Espanha, Itália e, principalmente, o Reino Unido, também enviaram ou tropas ou equipamentos para a linha de frente. Ao todo, 34 países participaram da Coalizão, em algum nível. Esta foi a maior coalizão militar reunida desde a Segunda Guerra Mundial. Algumas nações, como Japão e Alemanha preferiram fazer contribuições financeiras, ajudando com US$ 10 bilhões e US$ 6,6 bilhões, respectivamente. No geral, cerca de 73% das 956 600 tropas da Coalizão enviadas para combater o Iraque eram dos Estados Unidos.

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Batalhas iniciais

Campanha aérea

A guerra começou com uma enorme campanha de bombardeios aéreos em 17 de janeiro de 1991. Durante 42 dias e noites consecutivos, as forças da coalizão submeteram o Iraque a um dos bombardeios aéreos mais intensos da história militar. Foram mais de 100 mil ataques e surtidas, com pelo menos 88 500 toneladas de bombas lançadas pelo ar e destruiu rapidamente a infraestrutura militar do Iraque, causando danos colaterais também, atingindo a infraestrutura civil do país. A campanha aérea foi comandada pelo general Chuck Horner. Um dia após passar da data limite estimado pela Resolução 678 da ONU exigindo a retirada das tropas iraquianas do Kuwait, as forças da Coalizão lançaram uma maciça campanha aérea contra o Iraque, dando início então a "Operação Tempestade no Deserto" (Desert Storm). A primeira prioridade era destruir a força aérea iraquiana e suas instalações de defesa antiaérea. A maior parte das surtidas saíram de bases na Arábia Saudita ou dos porta-aviões da Coalizão no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.

Retaliação Iraquiana (Patriot vs Scud)

No terço final da guerra Irã-Iraque o uso de mísseis balísticos foi uma prática comum, assim seria de esperar que também na guerra do golfo o seu uso fosse inevitável. Pela primeira vez num conflito armado é empregado o míssil MIM-104 Patriot [nota 7] na defesa antimíssil balístico. Esta arma cuja função original é a interceção de aeronaves a longa distância e grande altitude, foi submetida desde 1988 a um programa de atualizações conhecido como PAC-1 (Patriot Advanced Capability-1), [nota 8] que lhe conferiu uma capacidade limitada contra mísseis balísticos. Era no entanto a arma mais eficaz ao dispor das forças da coalizão para enfrentar a ameaça representada pelas variantes de construção local dos mísseis Scud B (designação Russa, R-11 até R-17) e FROG-7 (designação Russa, 9K52 Luna-M), tendo sido usadas diversas baterias para defender cidades, bases militares com grande concentração de meios terrestres ou aéreos e ainda possíveis alvos com grande valor estratégico.

Batalha de Khafji

Khafji, à época dos acontecimentos, era uma cidade Saudita na linha costeira junto à fronteira com o Kuwait, com aproximadamente 85 mil habitantes, os quais tinham sido evacuados na sequência de frequentes bombardeamentos da artilharia iraquiana. Sem que nada o fizesse prever, pelas 23 horas do dia 29 de janeiro de 1991, patrulhas do 3º Regimento da 1ª Divisão de Fuzileiros americanos, reportaram várias colunas militares iraquianas próximas, apoiadas por várias centenas de blindados, provenientes da zona de fronteira, progredindo em território saudita e dando combate as forças pesadas da Guarda Nacional Saudita e dos fuzileiros, que responderam apoiadas por um intenso ataque aéreo e de artilharia. No entanto e apesar das fortes perdas em homens e material, conseguiram atingir a cidade de Khafji e consolidar posições.

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Campanha terrestre

A campanha aérea inicial contra o Iraque durou aproximadamente cinco semanas e foi considerada muito bem-sucedida. Bases militares, posições defensivas iraquianas, além de hangares, postos de comando e comunicação, antenas de radar e plataformas de lançamento de mísseis Scud foram destruídas completa ou parcialmente pelos bombardeios. A superioridade aérea por parte da Coalizão deveu-se principalmente a sua tecnologia extremamente avançada. Isso permitiu que os aviões aliados voassem sem enfrentar muita resistência, assim executavam suas missões com mortal eficiência. A superioridade, contudo, não era só no ar, mas também na terra: os tanques de guerra aliados, o americano M1 Abrams, o britânico Challenger 1 e o kuwaitiano M-84AB eram vastamente superiores aos modelos utilizados pelos iraquianos (como o Type 69 chinês e o T-72 soviético). Além disso, as tripulações dos tanques ocidentais eram melhores treinadas e ainda tinham oficiais mais capacitados.

Libertação do Kuwait

Para distrair as forças iraquianas, os militares aliados lançaram ataques aéreos e navais contra a costa do Kuwait, fazendo com que o inimigo pensasse que a ofensiva principal seria pela região central do país. Por meses, unidades americanas estavam sendo alocadas na Arábia Saudita e, logo no começo da operação, começaram a ser atacadas pela artilharia iraquiana, além de mísseis Scud esporádicos. Em 24 de fevereiro de 1991, a 1ª e 2ª divisões de fuzileiros americanos, acompanhados pelo 1º batalhão de blindados do exército, cruzaram a fronteira kuwaitiana e se moveram em direção a capital do país. Eles encontraram trincheiras, arame farpado e campos minados, mas estas posições estavam pouco defendidas e foram superadas rapidamente em questão de horas. Houve confrontos com tanques iraquianos, contudo não houve uma grande batalha em larga escala e a resistência imposta por soldados de infantaria do Iraque foi pequena, bem abaixo do esperado. Pelo contrário, centenas de milhares de militares iraquianos preferiram se render antes de dispararem um único tiro. Mesmo assim, as defesas antiaéreas iraquianas conseguiram abater nove aeronaves americanas. Enquanto isso, uma segunda força de invasão (formada principalmente por soldados árabes) vieram do leste, também encontrando pouca resistência e sofrendo poucas baixas.

Forças da Coalizão invadem o sul do Iraque

A fase terrestre da operação foi oficialmente chamada Sabre do Deserto. Para preparar o terreno, mais de 90 000 tiros de artilharia contra posições defensivas iraquianas precedeu a ofensiva, com duração de 2,5 horas. As primeiras unidades da Coalizão a entrar no Iraque foram membros do esquadrão B do Serviço Aéreo Especial britânico ao fim de janeiro de 1991. Os homens deste grupo avançaram atrás das linhas inimigas e coletaram informações vitais de inteligência detectando, principalmente, as bases móveis de lançamento de Scuds. Eles teriam que destruir estes lançadores e também as linhas de comunicação de fibra óptica e passar mais informações para as tropas aliadas na vanguarda. A destruição dos Scuds era muito importante pois Saddam mirava propositalmente em Israel, esperando que este retaliasse. O líder iraquiano esperava que um ataque israelense a um país árabe pudesse enfraquecer a Coalizão, que continha vários países de maioria muçulmana.

O fim das hostilidades

Nos territórios do sul do Iraque, que estavam ocupados pelas tropas da coalizão, houve uma conferência entre as lideranças militares dos países envolvidos e um acordo de cessar-fogo foi firmado. Na conferência, foi permitido ao Iraque voar helicópteros militares próximos a fronteira, já que a infraestrutura civil em terra havia sido deteriorada. Logo, estes helicópteros e o que sobrou das forças armadas iraquianas foram lutar para sufocar revoltas xiitas no sul. Apesar dos líderes ocidentais apoiarem os rebeldes antiSaddam com retórica, não houve muito apoio militar direto e a rebelião foi esmagada. No norte, os curdos também iniciaram uma rebelião em larga escala, esperando que os americanos viessem em seu apoio. Contudo, os Estados Unidos novamente não interferiram e o exército de Saddam conseguiu sufocar as revoltas, matando 200 mil pessoas no processo. Milhares de curdos fugiram para as montanhas e para a região extrema do norte. A crise humanitária por todo o Iraque aumentou consideravelmente nos meses seguintes. A Comunidade Internacional finalmente resolveu responder e para evitar novas repressões étnicas, foram impostas duas zonas de exclusão aérea (as operações Northern Watch e Southern Watch) sobre o Iraque, além de pesadas sanções econômicas. No Kuwait, o regime do Emir Jaber Al-Ahmad Al-Sabah foi recolocado no poder e vários cidadãos daquele país acusados de colaborarem com a ocupação foram presos. Eventualmente, cerca de 400 000 pessoas foram expulsas do país, incluindo um grande número de palestinos, como represália ao apoio que a OLP deu a Hussein. Yasser Arafat, líder desta organização, não pediu desculpas por seu apoio ao Iraque, mas depois de sua morte, o líder do Fatah e presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, formalmente pediu desculpas ao Kuwait, em nome do seu povo, em 2004.

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Vítimas do conflito

Civis

Mais de 1 000 civis kuwaitianos morreram no conflito. Outros 600 desapareceram durante a ocupação iraquiana, sendo que 375 foram mais tarde encontrados enterrados em valas comuns. O aumento na intensidade dos bombardeios aliados por meio de aviões e mísseis de cruzeiro acabou causando controvérsia pois o número de baixas civis infligidas estava ficando muito altas. Nas primeiras 24 horas da Operação Tempestade no Deserto, mais de 1 000 surtidas aéreas foram lançadas, focando principalmente na região de Bagdá. A cidade sofreu com os pesados bombardeios, já que era o coração do regime de Saddam e onde ficava o Centro de Controle e Comando das forças armadas iraquianas. Muitos civis acabaram morrendo nestes ataques.

Iraque

As perdas sofridas pelas forças de Saddam Hussein são, até os dias atuais, desconhecidas, porém acredita-se que tenham sido muito altas. Algumas estimativas afirmam que entre 20 000 e 35 000 mil soldados morreram em combate. Segundo um relatório da força aérea americana, mais de 10 000 militares iraquianos morreram nas cinco semanas de bombardeios aéreos, e outros 10 000 morreram lutando em terra. Além das perdas em vidas, a infraestrutura militar e civil do Iraque após o conflito estava em ruínas. Um estudo alternativo estimou que entre 20 000 e 26 000 soldados iraquianos morreram em combate, com outros 75 000 ficando feridos. Milhares foram feitos prisioneiros.

Coalizão

O Departamento de Defesa americano afirmou que os Estados Unidos sofreram 148 mortes no conflito (35 devido a fogo amigo). Outros 145 americanos morreram em acidentes. Já o Reino Unido reportou 47 mortes sofridas (9 devido a fogo amigo), a França 2 fatalidades e outros países da Coalizão, não incluindo o Kuwait, perderam 37 soldados (18 sauditas, 1 egípcio, 6 árabes-emiradenses e 3 catarenses). O maior incidente de perdas da Coalizão devido a fogo inimigo aconteceu em 25 de fevereiro de 1991, quando um míssil Al Hussein iraquiano atingiu uma base americana em Dhahran, na Arábia Saudita, matando 28 reservistas oriundos da Pensilvânia. No total, as perdas da coalizão por fogo amigo chegou a 44, e outros 57 ficaram feridos.

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Custos

O custo financeiro sofrido pelos Estados Unidos foram altos. No total, segundo o Congresso, os americanos gastaram US$ 61,1 bilhões na guerra. Cerca de US$ 52 bilhões teriam sido pagos por várias nações árabes: US$ 36 bilhões pelo Kuwait, Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico. Cerca de US$ 16 bilhões foram dados pela Alemanha e pelo Japão. Cerca de 25% do pagamento saudita foi feito na forma de serviços as tropas aliadas, como comida e transporte. Como os americanos tinham, de longe, o maior exército, eles acabaram gastando consideravelmente mais do que qualquer país.

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Cobertura midiática

A guerra foi altamente televisionada. Pela primeira vez na história, pessoas de todo o mundo viam ao vivo imagens dos bombardeios, dos navios lançando mísseis de cruzeiro e dos caças saindo dos porta-aviões. A mídia mostrava em primeira mão o avanço das forças aliadas e toda a sua capacidade de fogo. Nos Estados Unidos, âncoras das "três grandes" emissoras de televisão iniciavam seus jornais principais com matérias sobre o conflito. Os âncoras Peter Jennings da ABC, Dan Rather da CBS, e Tom Brokaw da NBC, cobriram extensamente o início da campanha de bombardeios no anoitecer do dia 16 de janeiro de 1991. O correspondente da ABC News, Gary Shepard, reportava diretamente de Bagdá, falava com Jennings sobre como a cidade estava calma. Mas, momentos mais tarde, Shepard reportava o cair das bombas e o céu iluminado com o fogo das armas antiaéreas. Pela CBS, o público via o correspondente Allen Pizzey, que também estava ao vivo da capital iraquiana, reportando o começo das hostilidades. Mike Boettcher, da "NBC Nightly News", reportou a atividade intensa incomum na base aérea aliada em que ele estava em Dhahran, na Arábia Saudita. Momentos depois, Brokaw anunciou aos telespectadores que os bombardeios haviam começado.

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Fontes consultadas

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