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Guerra do Golfo

A Guerra do Golfo foi um conflito militar entre o Iraque e uma Coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, sob a égide da ONU. A Resolução 678 do Conselho de Segurança autorizou o uso da força para libertar o Kuwait, que havia sido ocupado e anexado pelas forças iraquianas sob o comando de Saddam Hussein.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 14/07/2026

Pontos-chave

  • A invasão do Kuwait pelo Iraque foi motivada por problemas econômicos, disputas territoriais e acusações sobre a produção de petróleo.
  • Os Estados Unidos, que apoiaram o Iraque na Guerra Irã-Iraque, lideraram uma Coalizão internacional para reverter a anexação do Kuwait.
  • A guerra começou com uma intensa campanha aérea, seguida por uma rápida ofensiva terrestre que libertou o Kuwait e invadiu o sul do Iraque.
  • O conflito resultou em milhares de mortes, principalmente iraquianas, e deixou a infraestrutura do Iraque em ruínas, levando a sanções e zonas de exclusão aérea.
  • A Guerra do Golfo foi amplamente televisionada, marcando um novo capítulo na cobertura midiática de conflitos armados.
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As Raízes do Conflito

A decisão de Saddam Hussein de invadir o Kuwait foi impulsionada por uma combinação de fatores econômicos, disputas territoriais e tensões históricas, agravadas pela situação pós-Guerra Irã-Iraque.

Tensões Iraque-Kuwait: Fronteiras, Petróleo e Dívida

Após a Guerra Irã-Iraque, a economia iraquiana estava em colapso, com grandes dívidas a credores como Arábia Saudita e Kuwait, que se recusaram a perdoá-las. Além disso, o Iraque reivindicava o Kuwait como parte de sua província de Baçorá, e a fronteira, traçada pelos britânicos em 1922, privava o Iraque de uma saída para o mar. Saddam também acusava o Kuwait de exceder as cotas de produção de petróleo da OPEP, derrubando os preços e causando uma perda anual de US$ 7 bilhões ao Iraque, o que levou a acusações de 'guerra econômica' e perfurações ilegais de poços na fronteira.

Relações EUA-Iraque Antes da Guerra

Historicamente, as relações entre EUA e Iraque eram conflituosas devido ao apoio americano a Israel e ao suporte iraquiano a grupos como o Abu Nidal. No entanto, durante a Guerra Irã-Iraque (após 1982), os EUA apoiaram o Iraque com ajuda alimentar, militar (armas e informações) e tecnologia de duplo uso, vendo-o como um contrapeso ao Irã. Essa cooperação se manteve até a véspera da invasão, com exceção de um breve período após o ataque à fragata USS Stark.

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Invasão e Anexação do Kuwait

A invasão e anexação do Kuwait por Saddam Hussein foi um erro de cálculo com consequências catastróficas, refletindo o nacionalismo agressivo e a personalidade impulsiva do líder iraquiano. O exército iraquiano, considerado o quarto maior do mundo na época, possuía vasta experiência de combate.

Breve Cronologia dos Eventos

Uma compilação não exaustiva dos momentos cruciais e seus antecedentes, com as referências horárias refletindo a hora oficial de Riade, capital da Arábia Saudita.

Iniciativas Diplomáticas para a Paz

Após a invasão, os EUA e o Reino Unido foram os primeiros a reagir, congelando bens kuwaitianos. O Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 660, condenando a invasão e exigindo a retirada imediata. Pela primeira vez, a União Soviética votou com as potências ocidentais. A Liga Árabe, em 3 de agosto, exigiu uma solução interna e a retirada iraquiana, mas Iraque, Líbia, OLP, Iêmen e Jordânia se opuseram à interferência externa ou apoiaram Saddam.

Razões para a Intervenção Militar da Coalizão

Os EUA e a ONU justificaram a intervenção pela violação da integridade territorial do Kuwait e pela necessidade de proteger a Arábia Saudita, um aliado crucial e produtor de petróleo. O presidente George H. W. Bush destacou em 11 de setembro de 1990 que a invasão do Kuwait e a ameaça à Arábia Saudita motivaram a ação contra a agressão iraquiana.

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Preparações para o Conflito

A Coalizão internacional se mobilizou rapidamente para proteger a Arábia Saudita e preparar uma resposta militar robusta, enquanto o Iraque, apesar de um grande exército, enfrentava desafios internos e de liderança.

Operação Escudo do Deserto: Protegendo a Arábia Saudita

A principal preocupação da Coalizão era proteger a Arábia Saudita, cujos campos de petróleo, junto aos do Kuwait e do Iraque, dariam a Saddam o controle da maioria das reservas mundiais. O Iraque também tinha queixas contra a Arábia Saudita por dívidas de US$ 26 bilhões da Guerra Irã-Iraque, que Saddam acreditava não dever pagar, alegando já ter feito sua parte na luta contra a influência xiita iraniana.

O Poderio Militar Iraquiano

Na véspera da invasão, o exército iraquiano contava com um milhão de homens, 47 divisões de infantaria, 9 divisões blindadas e 12 divisões da Guarda Republicana. No entanto, a qualidade das tropas era questionável, com muitos conscritos inexperientes e veteranos fatigados. A desconfiança de Saddam em seus oficiais, com execuções de generais, também afetava a moral e a eficácia do comando.

Formação da Coalizão Internacional

O consenso internacional sobre a agressão de Saddam e a liderança dos EUA uniu 34 países em uma coalizão militar sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. James Baker, secretário de Estado americano, garantiu apoio econômico e militar. Arábia Saudita, Egito, Síria, Omã, Reino Unido, Portugal, Espanha e Itália contribuíram com tropas ou equipamentos. Japão e Alemanha fizeram contribuições financeiras significativas (US$ 10 bi e US$ 6,6 bi, respectivamente). Os EUA forneceram cerca de 73% das 956.600 tropas da Coalizão.

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As Primeiras Batalhas

A guerra começou com uma campanha aérea massiva, seguida por retaliações iraquianas com mísseis Scud e um confronto terrestre significativo em Khafji, demonstrando a superioridade tecnológica da Coalizão.

A Campanha Aérea: Operação Tempestade no Deserto

Em 17 de janeiro de 1991, após o prazo da ONU, a Coalizão lançou a 'Operação Tempestade no Deserto' com uma campanha de bombardeios aéreos de 42 dias e noites. Mais de 100 mil ataques e 88.500 toneladas de bombas destruíram a infraestrutura militar iraquiana e causaram danos civis. Comandada pelo general Chuck Horner, a campanha priorizou a destruição da força aérea e defesas antiaéreas iraquianas, com surtidas a partir da Arábia Saudita e porta-aviões no Golfo Pérsico e Mar Vermelho.

Retaliação Iraquiana: Patriot vs. Scud

O Iraque retaliou com mísseis balísticos Scud B e FROG-7. Pela primeira vez, o míssil MIM-104 Patriot, atualizado com a capacidade PAC-1, foi empregado na defesa antimíssil. Baterias Patriot foram usadas para proteger cidades e bases militares, visando interceptar os mísseis iraquianos, que haviam sido uma prática comum na Guerra Irã-Iraque.

Batalha de Khafji: Confronto no Território Saudita

Em 29 de janeiro de 1991, patrulhas americanas reportaram colunas militares iraquianas, apoiadas por centenas de blindados, avançando sobre a cidade saudita de Khafji. As forças da Guarda Nacional Saudita e fuzileiros americanos responderam com intenso apoio aéreo e de artilharia. Apesar das perdas, os iraquianos conseguiram consolidar posições na cidade, que já havia sido evacuada devido a bombardeios.

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A Campanha Terrestre Decisiva

Após cinco semanas de sucesso na campanha aérea, a Coalizão lançou a ofensiva terrestre, demonstrando superioridade tecnológica e tática, culminando na libertação do Kuwait e na invasão do sul do Iraque.

A Libertação do Kuwait

Para enganar as forças iraquianas, a Coalizão lançou ataques aéreos e navais na costa do Kuwait. Em 24 de fevereiro de 1991, a 1ª e 2ª divisões de fuzileiros americanos, com o 1º batalhão de blindados, cruzaram a fronteira kuwaitiana. Encontraram pouca resistência, superando trincheiras e campos minados rapidamente. Muitos soldados iraquianos se renderam sem lutar, embora as defesas antiaéreas iraquianas tenham abatido nove aeronaves americanas. Uma segunda força de invasão, composta por soldados árabes, também avançou com poucas baixas.

Invasão do Sul do Iraque pela Coalizão

A fase terrestre, 'Sabre do Deserto', foi precedida por 2,5 horas de mais de 90.000 tiros de artilharia. As primeiras unidades da Coalizão a entrar no Iraque foram do Serviço Aéreo Especial britânico, em janeiro de 1991. Eles operaram atrás das linhas inimigas, coletando inteligência, destruindo lançadores móveis de Scud e linhas de comunicação. A destruição dos Scuds era crucial para evitar que Saddam provocasse uma retaliação israelense, o que poderia enfraquecer a Coalizão multi-muçulmana.

O Fim das Hostilidades e Consequências

Um cessar-fogo foi firmado no sul do Iraque, permitindo ao Iraque usar helicópteros militares devido à infraestrutura civil deteriorada. Essas forças foram usadas para reprimir revoltas xiitas no sul e curdas no norte, com pouca intervenção militar ocidental, resultando em 200 mil mortes. Milhares de curdos fugiram, gerando uma crise humanitária. A comunidade internacional impôs zonas de exclusão aérea (Northern Watch e Southern Watch) e sanções econômicas. No Kuwait, o Emir Jaber Al-Ahmad Al-Sabah foi restaurado, e cerca de 400.000 pessoas, incluindo palestinos, foram expulsas em retaliação ao apoio da OLP a Saddam. Mahmoud Abbas, líder do Fatah, pediu desculpas ao Kuwait em 2004.

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O Preço da Guerra: Vítimas e Custos

A Guerra do Golfo resultou em um alto número de vítimas, especialmente entre os civis e militares iraquianos, e gerou custos financeiros significativos, majoritariamente cobertos por nações aliadas.

Vítimas Civis do Conflito

Mais de 1.000 civis kuwaitianos morreram e 600 desapareceram durante a ocupação, com 375 encontrados em valas comuns. A intensidade dos bombardeios aliados, especialmente em Bagdá (centro do regime de Saddam), causou controvérsia devido ao alto número de baixas civis. Nas primeiras 24 horas da Operação Tempestade no Deserto, mais de 1.000 surtidas aéreas foram lançadas sobre a capital iraquiana.

Perdas Militares Iraquianas

As perdas iraquianas são incertas, mas estimativas variam entre 20.000 e 35.000 soldados mortos em combate. Um relatório da força aérea americana sugere mais de 10.000 mortos nos bombardeios e outros 10.000 em terra. Além das vidas, a infraestrutura militar e civil do Iraque foi devastada. Outro estudo estima entre 20.000 e 26.000 mortos e 75.000 feridos, com milhares feitos prisioneiros.

Baixas da Coalizão

Os EUA registraram 148 mortes em combate (35 por fogo amigo) e 145 em acidentes. O Reino Unido teve 47 mortes (9 por fogo amigo), a França 2, e outros países da Coalizão (excluindo Kuwait) perderam 37 soldados (18 sauditas, 1 egípcio, 6 emiradenses, 3 catarianos). O maior incidente de fogo inimigo foi em 25 de fevereiro de 1991, quando um míssil iraquiano Al Hussein matou 28 reservistas americanos em Dhahran, Arábia Saudita. No total, 44 da Coalizão morreram por fogo amigo e 57 ficaram feridos.

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Custos Financeiros da Guerra

Os Estados Unidos arcaram com um custo financeiro substancial na Guerra do Golfo, mas grande parte foi coberta por contribuições de outras nações aliadas.

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A Guerra na Mídia: Cobertura Televisiva

A Guerra do Golfo foi um marco na cobertura midiática, sendo a primeira a ser amplamente televisionada, permitindo que o público global acompanhasse os eventos ao vivo.

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Fontes consultadas

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