Lúcio Júnio Bruto
Lúcio Júnio Bruto foi um personagem lendário, considerado o fundador da República, e um dos dois primeiros cônsules de Roma, em 509 a.C., juntamente com Lúcio Tarquínio Colatino.
Seu pai era Marco Júnio (Marcus Iunius), descendente de um dos colonos que vieram com Eneias depois da Guerra de Troia, e sua mãe era Tarquínia, filha do quinto rei de Roma, Lúcio Tarquínio Prisco e irmã do sétimo, Tarquínio Soberbo. É considerado um ancestral da gente Júnia, que incluía Bruto e Décimo Júnio Bruto, dois dos conspiradores responsáveis pelo assassinato de César em 44 a.C., o evento que desencadeou as guerras que acabaram com a República, e parente de Lucrécia, a nobre que foi estuprada pelo primeiro filho do rei Lúcio Tarquínio Soberbo, Sexto Tarquínio, e o estopim da revolução. Traição e punição Lúcio Júnio Bruto, foi um exemplo de justiça implacável, apesar de que, ao executá-la, devesse sentir o coração partido de dor. Com efeito, tendo seus filhos tomado parte de uma conspiração com o fim de restaurar o trono dos Tarquínio, Bruto, inteirado da verdade, em vez de usar de seu poder para dar-lhes o perdão, proferiu a sentença que mereciam como traidores e, antepondo os deveres para com a pátria ao amor pela família, condenou à morte os próprios filhos. [carece de fontes?]
Durante o tempo dos Tarquínios, o reino estendera-se até atingir cerca de 800 km², e a cidade tinha uns 35 mil habitantes. As cidades latinas reconheciam a força do rei romano e eram-lhe servis. Contudo, o ambiente em Roma não era nada amigável para estes reis etruscos. Em anos anteriores os reis convidaram as famílias nobres da cidade para que o aconselhassem, numa reunião chamada senado. Quando faleceu Sérvio Túlio, o novo rei Tarquínio recusou convocar estes nobres, e estes ofenderam-se. Nesta época foi-lhe dado o apelido de Soberbo (Superbus).
Segundo Lívio, Bruto tinha muitas reservas em relação ao seu tio rei, entre elas o fato de Tarquínio ter condenado à morte vários dos mais proeminentes romanos, incluindo seu irmão. Ele próprio evitou a desconfiança da família de Tarquínio fingindo ser lento no pensamento (a palavra latina "brutus" significa "bronco"). Ele acompanhou os filhos de Tarquínio numa visita ao Oráculo de Delfos. Eles perguntaram ao oráculo quem seria o próximo rei de Roma e receberam a resposta que seria a próxima pessoa a beijar "sua mãe". Bruto interpretou "mãe" como sendo a "Terra" e fingiu tropeçar para poder beijar o chão. Bruto, juntamente com Espúrio Lucrécio Tricipitino, Públio Valério Publícola e Lúcio Tarquínio Colatino, foi convocado por Lucrécia a Collatia depois de ter sido estuprada por Sexto Tarquínio, o filho do rei. Lucrécia, acreditando que o crime desonrava a ela própria e a sua família, se matou esfaqueando a si própria com uma adaga depois de relatar o ocorrido ao grupo. Segundo a lenda, Bruto, ao tirar a adaga do peito de Lucrécia depois de sua morte, imediatamente clamou pela queda dos Tarquínios.
Segundo Lívio, o primeiro ato depois da expulsão de Soberbo foi juntar o povo para que fosse realizado um juramento coletivo no qual os cidadãos romanos jamais permitiriam que uma pessoa reinasse sobre Roma novamente. Este juramento foi, fundamentalmente, uma nova versão do "juramento privado" realizado pelos conspiradores. Não existe consenso acadêmico sobre a veracidade histórica deste juramento; ele é relatado, de forma diferente, por Plutarco ("Poplicola", 2) e Apiano (Guerras Civis 2.119). Porém, é inegável que o espírito presente no juramento inspirou os romanos em diversas ocasiões, incluindo Marco Júnio Bruto, seu descendente e um dos assassinos de César.
Bruto e o enlutado marido de Lucrécia, Lúcio Tarquínio Colatino, foram eleitos como os primeiros cônsules de Roma no mesmo ano, 509 a.C.. Bruto, porém, insistiu que Colatino renunciasse sob o pretexto de que ele era um Tarquínio e Roma não seria livre até a expulsão todos os Tarquínios. Colatino viu-se pressionado e renunciou, exilando-se na povoação latina de Lanúvio. Depois o senado decretou que todos os Tarquínios deviam exilar-se, e o povo escolheu Públio Valério Publícola amigo de Bruto, como novo cônsul. Aparentemente, ninguém reparou no fato de Bruto ser um parente mais próximo dos reis que o exilado Colatino (embora Bruto não portasse o nome Tarquínio). Depois do juramento, Bruto repôs o número de senadores para 300 escolhendo entre os mais proeminentes homens da ordem equestre. Os novos cônsules também criaram o novo cargo de rei das coisas agradas para realizar as tarefas religiosas que eram realizadas antes pelos reis.
Lúcio Júnio Bruto é citado na peça "Júlio César", de Shakespeare ("Cássio a Marco Bruto, ato 1, cena 2). Uma das principais acusações da facção senatorial que conspirou contra Júlio César depois que ele forçou o Senado Romano a declará-lo ditador perpétuo foi de que ele estaria tentando se fazer rei e um co-conspirador, Cássio, instigou Marco Júnio Bruto, um pretenso descendente de Lúcio Júnio Bruto, a se juntar à conspiração fazendo referência ao seu ancestral: Além disto, Lúcio aparece ainda em outra peça de Shakespeare, como personagem principal em "The Rape of Lucrece", e na tragédia da época da Restauração (1680) "Lucius Junius Brutus; Father of his Country", de Nathaniel Lee. Bruto foi também um herói do republicanismo na época do Iluminismo e do neoclassicismo. Em 1789, às vésperas da Revolução Francesa, o pintor Jacques-Louis David exibiu uma obra de forte carga política, "Os Lictores Levando a Bruto os Corpos de seus Filhos", causando grande controvérsia.


