Brasileiros brancos
Os brasileiros brancos, de acordo com o censo de 2022 do IBGE, formavam 43,46% da população do Brasil, com 88.252.121 pessoas, em um total de 203.080.756 habitantes. No mesmo censo, 92.083.286 se declararam pardos (45,34%) e 20.656.458 se declararam pretos (10,17%). Os brancos estão presentes em todo o território brasileiro e em 2015 deixaram de ser maioria no país, sendo superados pela população parda.
O conceito de "branco" no Brasil é diferente daquele que prevalece em outros países. Nos Estados Unidos, historicamente são consideradas como brancas as pessoas com ascendência exclusivamente europeia. No Brasil, isso não existe. Segundo uma pesquisa do ano 2000 feita no Rio de Janeiro, 52% dos entrevistados que se classificaram como brancos admitiram que tinham antepassados africanos ou indígenas. Assim, no Brasil, é normal que as pessoas saibam que têm ancestralidade negra ou indígena, e mesmo assim se vejam como brancas. No Brasil, foi historicamente impossível a formação de uma população branca de ascendência exclusivamente europeia. Nos primeiros séculos de colonização, praticamente somente homens portugueses imigraram para o Brasil, uma vez que as mulheres portuguesas eram muitas vezes impedidas de imigrar. Devido a esse desequilíbrio entre os sexos, os colonos portugueses frequentemente tiveram de relacionar-se com mulheres indígenas ou com negras africanas, dando origem a uma população extremamente miscigenada. Esse fenômeno foi seguido pelo denominado acasalamento preferencial: alguns filhos de um homem branco com uma mulher negra, por exemplo, nasciam com traços físicos mais europeus, ao passo que outros nasciam com traços mais africanos. Os irmãos com traços mais europeus tendiam a casar-se com outras pessoas igualmente claras e eram vistos como "brancos", enquanto que os irmãos com traços mais africanos tendiam a casar-se com pessoas igualmente escuras e eram vistos como "negros". Assim, formou-se no Brasil uma população "clara", mas com significativa ancestralidade africana, assim como uma população "escura" com significativa ancestralidade europeia, sendo a aparência física um fator fraco para determinar a origem genética da população.
Colonização portuguesa
O Brasil recebeu mais imigrantes europeus na sua época colonial do que os Estados Unidos da América. Entre 1500 e 1760, 700.000 europeus se instalaram no Brasil, enquanto 530.000 europeus se instalaram nos Estados Unidos no mesmo período. Nos primeiros dois séculos de colonização (XVI–XVII), estima-se que não mais que cem mil portugueses foram para o Brasil. Eram imigrantes mais abastados, que se fixaram principalmente nas capitanias de Pernambuco e Bahia, para explorar a produção de açúcar, que era a atividade mais lucrativa da colônia naquela época. Ao fim do século XVI, a população branca (portuguesa, na grande maioria) já passava de trinta mil indivíduos, concentrando-se principalmente nas capitanias de Pernambuco, Bahia e São Vicente. O processo de colonização continuou ao longo do século XVII e ao final do século, a população branca já era de cerca de cem mil pessoas.
Imigração em massa de europeus
O principal grupo imigrante a aportar no Brasil a partir do final do século XIX foram os italianos, e estes se dirigiram sobretudo para São Paulo. Nos primeiros tempos, predominaram os imigrantes da Itália setentrional, sobretudo do Vêneto, porém, no final do século, cresceu a corrente meridional, sobretudo de Campânia e da Calábria. Os italianos, premidos pela pobreza que assolava o país, rumaram para núcleos coloniais do sul do Brasil, onde se tornaram pequenos agricultores, assim como para as fazendas de café do sudeste, onde substituíam o trabalho escravo. Outros, sobretudo os meridionais, iam direto para os centros urbanos. O segundo grupo em importância numérica foram os portugueses que, somados aos povoadores dos primeiros séculos, formam o grupo europeu mais importante na constituição do Brasil. A fragmentação e o desaparecimento da pequena propriedade no Norte de Portugal no final do século XIX estimulou uma crescente emigração para o Brasil, que era visto pelos portugueses como uma terra de abundância e oportunidades de enriquecimento. Dos que chegavam, a maioria rumava para a cidade do Rio de Janeiro. Os jovens imigrantes que chegavam apoiados numa rede de solidariedade preexistente representavam de 8 a 11% do total, os qualificados ou possuidores de capital para investir no Brasil constituíam cerca de 10% do total, enquanto que os imigrantes sem nenhum tipo de qualificação perfaziam nada menos que 80% dos portugueses que chegavam ao Rio no fim do século XIX.
O censo brasileiro, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, Canadá ou Austrália, não pergunta de onde vieram os antepassados da população. Desta forma, não há números oficiais que mostrem quantas pessoas descendem (ou dizem descender) de cada nacionalidade que imigrou para o Brasil. Porém, uma pesquisa do IBGE realizada em 2008 nos estados do Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal analisou aspectos relacionados à raça e à ancestralidade. Ao serem indagados sobre sua origem familiar, 43,5% dos entrevistados disseram ser europeia. A maior porcentagem foi verificada no Rio Grande do Sul (64,5%) e a menor na Paraíba (12,1%). Origem familiar judaica foi apontada por 0,6% das pessoas e do Oriente Médio por 0,9%. Na pesquisa, 49% dos entrevistados se disseram brancos, 21,7% morenos, 13,6% pardos, 7,8% negros, 1,5% amarelos, 1,4% pretos, 0,4% indígenas e 4,6% deram outras respostas. Houve também quem identificou sua cor ou raça com uma nacionalidade europeia: 0,5% se disseram de cor/raça alemã e 0,4% italiana (quase todos no Rio Grande do Sul). Dos que se disseram brancos, 63,8% alegaram ser a família de origem europeia, 22,9% não sabiam, 14,2% indígena e 5,7% africana.
Renda e classe social
Vários estudos procuram entender a relação entre a ancestralidade de brancos brasileiros com indicadores de renda e classe, visto que o grupo branco não é homogêneo do ponto de vista socioeconômico. Na Pesquisa Mensal de Emprego de 1998, por exemplo, o salário mensal dos brasileiros brancos de origem judaica era de R$ 2.047,24, e o dos árabes era de R$ 1.759,26, sendo estes os dois grupos de maior renda. Em um nível intermediário estavam os descendentes de italianos (R$1.135.66), de espanhóis (R$ 1.134,55), de portugueses (R$ 1.071,97), de japoneses (R$ 1.038,87 - dos que se identificaram como "brancos") e de alemães (R$ 976,59). Por outro lado, os brancos que recebiam menos foram aqueles que apontaram ancestralidade brasileira (R$ 778,09), africana (R$ 698,84), negra (R$ 651,16) ou indígena (R$ 645,93).
Identificação como brasileiros
A pesquisa de 1998 mostrou, também, o grau de identificação como "brasileiros" entre os brancos. Como já apontado, 45,53% dos entrevistados que se disseram brancos identificaram a sua ancestralidade como "brasileira", sem especificar nenhuma outra origem. Outros 37,58% também identificaram sua origem como brasileira, porém também apontaram uma ancestralidade estrangeira. Portanto, 83,11% dos brancos identificaram a sua ancestralidade como brasileira, sozinha ou combinada com outra (italiana, portuguesa etc). Os descendentes de imigrantes mais recentes identificam a sua origem mais fortemente com o país de onde saíram seus antepassados. Isso varia de região para região: enquanto que em Recife (Pernambuco), independentemente da cor ou raça do entrevistado, 96% das pessoas se identificaram como brasileiras, essa porcentagem caiu para 83% em São Paulo e para 70% em Porto Alegre, regiões de imigração mais recente. Mais da metade de todos os grupos ancestrais se identificaram também como brasileiros. O grupo branco que mais se identifica como brasileiro é, curiosamente, o judeu que, apesar de ter vindo de lugares longínquos, como a Polônia, quase 60% marcaram sua ancestralidade como judaica e brasileira. Portugueses, italianos e espanhóis também se identificaram fortemente como brasileiros, mais da metade de todos. O único grupo que fugiu à regra foram os alemães, menos da metade (48,60%) se identificando como alemão e brasileiro, índice apenas superado pelos japoneses (41,10%).
DNA autossômico
De acordo com um estudo genético de 2018, o componente europeu que predomina no Brasil é proveniente de "Portugal/Oeste da Espanha", o que diferencia o Brasil de outros países latino-americanos analisados (México, Colômbia, Peru e Chile), onde a ancestralidade europeia proveniente do "Centro/Sul da Espanha" é a mais importante. Entre os brasileiros, também foi encontrada substancial ancestralidade italiana e alemã, sobretudo na região Sul. O estudo também concluiu que apenas 1% da ancestralidade dos brasileiros tem origem judaica sefardita. De acordo com um estudo genético de 2014, os brasileiros que se classificaram como pardos apresentaram 64,7% de ancestralidade europeia, 25,3% africana e 10% indígena. Por sua vez, os que disseram ser brancos tiveram 84,6% de ancestralidade europeia, 9,7% africana e 5,6% indígena e os negros 53,6% africana, 38,1% europeia e 8,3% indígena. De maneira geral, os brasileiros, sejam pardos, brancos ou negros, apresentam as três ancestralidades (europeia, africana e indígena), variando apenas o grau. Ademais, os pardos têm mais ancestralidade europeia do que africana ou indígena.
Linhagens paternas e maternas
Através de um importante mapeamento genético, chegou-se à conclusão que o brasileiro identificado como "branco" é descendente quase que exclusivamente de europeus do lado paterno (90%) (haplogrupos paternos encontrados no cromossomo y). Já no lado materno (haplogrupos maternos, DNA mitocondrial), apresenta 33% de linhagens ameríndias, 28% de africanas e 39% de europeias. Isso é explicado historicamente: no início da colonização, nem todos colonos portugueses trouxeram suas mulheres, o que acarretou no relacionamento entre homens portugueses com mulheres indígenas e, mais tarde, com as africanas. As linhagens paternas e maternas permitem inferir o padrão de relacionamento no Brasil Colônia: homens europeus (que controlavam o lugar) com mulheres europeias e não europeias. A absorção de ancestralidade indígena deu-se através de mulheres indígenas. O que aconteceu foi que muitos dos frutos dessas uniões iniciais vieram a se casar com recém chegados da Europa, dessa forma diluindo a contribuição não europeia. As linhagens maternas e paternas não determinam nem o fenótipo nem o coeficiente de "mistura". São retratos de apenas uma linhagem, de antepassado remoto, não servindo para quantificar o grau de ancestralidade em uma determinada população, o que é possível somente estudos através de DNA autossômico, os quais revelam todos os antepassados de uma dada pessoa, e não apenas uma linhagem materna ou paterna. Nos Brasileiros "brancos" e "pardos" a ancestralidade autossômica (a soma dos antepassados de um determinado indivíduo)tende na maior parte dos casos, de acordo com os estudos genéticos já levados a cabo, a ser predominantemente europeia, com um DNA mitocondrial (linhagem materna) não europeu (o que acusa uma antepassada não europeia em algum lugar no passado na linhagem materna), o que é explicado por sucessivas casamentos de mulheres brasileiras com novos colonizadores, durante a formação do povo brasileiro.
A distribuição de pessoas brancas pelo território brasileiro não é uniforme, devido a fatores históricos de colonização e povoamento. O Sul do Brasil é, historicamente, a região com maior percentual de brancos, somando hoje 78,5%. A Região Sul tem uma maioria branca desde os tempos coloniais, devido à menor presença de índios e negros e à significativa imigração de casais açorianos para a região, no século XVIII. Ainda no século XIX, tratava-se de uma região muito pouco povoada, após a redução da população nativa do Brasil. A chegada de imigrantes, em sua maioria alemães e italianos, teve um enorme peso demográfico, pois povoaram regiões anteriormente vazias ou habitadas pelos índios. O Sudeste do Brasil também é uma região de maior percentual de brancos, compondo hoje 49,9%, pois foi grande receptor de imigrantes europeus, como portugueses, italianos e espanhóis. Porém, o componente negro africano e mestiço foi de fundamental importância étnica regional. No restante do país, o número de brancos é superado pelo número de pardos.
Por estado
Os estados com maior percentual de cidadãos brancos são: Rio Grande do Sul (78,42%), Santa Catarina (76,28%), Paraná (64,57%) e São Paulo (57,78%). Essas unidades federativas foram predominantemente povoadas por imigrantes italianos, alemães, eslavos (poloneses e ucranianos), portugueses e espanhóis. Os outros estados brasileiros são aqueles cuja população branca é principalmente de ascendência portuguesa. Em números absolutos, os brasileiros brancos habitam sobretudo o estado de São Paulo, com mais de 25 milhões de pessoas, seguido do Rio Grande do Sul, com quase nove milhões. Outras unidades federativas com taxas significativas são: Mato Grosso do Sul (42,38%), Rio de Janeiro (41,98%), Minas Gerais (41,08%), Distrito Federal (39,98%), Rio Grande do Norte (39,49) e Espírito Santo (38,58%).
Por região
Segundo o censo do IBGE de 2022, a região Sudeste concentra quase metade da população branca de todo o Brasil (47,95%) e o Sul 24,62%. Portanto, 72,57% dos brancos brasileiros vivem nessas duas regiões. As grandes regiões do Brasil por porcentagem de indivíduos brancos (dados de 2022): Segundo pesquisa do Datafolha de 2018, feita com 9.173 pessoas em 341 municípios, os brancos são 36% da população brasileira, sendo maioria somente na região Sul do Brasil (67%) e são o grupo mais numeroso no Sudeste (41%). Nas outras regiões, predominam os pardos, sendo que na região Norte (15%) e no Nordeste (19%) os brancos não chegam a um quarto da população local.
Por município
Segundo dados do Censo de 2022, feito pelo IBGE, dos dez municípios brasileiros com maior população autodeclarada branca, seis estavam no Rio Grande do Sul e quatro em Santa Catarina, zonas de tradicional imigração alemã e italiana.


