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Johannes Brahms

Johannes Brahms foi um compositor, pianista e maestro alemão do período médio-romântico. Nascido no seio de uma família luterana, passou grande parte de sua vida profissional em Viena. É considerado um dos "Três B" da música com Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven, um comentário originalmente feito pelo maestro do século XIX Hans von Bülow, que apelidou a primeira sinfonia de Brahms de "décima de Beethoven".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Biografia

No dia 7 de maio de 1833, em Hamburgo, nasceu Johannes Brahms. Seu pai, Johann Jacob, era contrabaixista e ganhava a vida tocando em bares e tavernas da cidade portuária. Logo ele percebeu os dotes pouco comuns do filho e, quando este completou sete anos, contratou o excelente professor Otto Cossel para dar-lhe aulas de piano. Aos 10 anos, o menino fez seu primeiro concerto público, interpretando Mozart e Beethoven. Também aos 10 anos, ele já frequentava as tabernas com seu pai e tocava lá durante parte da noite. Não tardou a receber um convite para tocar nas cervejarias da noite hamburguesa, sempre ao lado de seu pai. Enquanto trabalhava como músico profissional, Johannes tinha aulas com Eduard Marxsen, regente da Filarmônica de Hamburgo e compositor. Foi Marxsen quem lhe deu as primeiras noções de composição. Como músico de cervejaria, Brahms conhece Eduard Reményi, violinista húngaro que havia se refugiado em Hamburgo. Combinam uma tournée pela Alemanha. Nesta viagem, Brahms acaba conhecendo Joseph Joachim (famoso violinista, que viria a se tornar um de seus maiores amigos), Liszt e também os Schumann.

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Obra

Brahms dedicou-se a todas as formas, exceto balé e ópera, que não lhe interessavam — seu domínio era realmente a música pura, onde reinou absoluto em seu tempo. Podemos dizer que Brahms ocupou o espaço deixado por Wagner, que se dedicava à ópera, e com ele dominou a música da segunda metade do século XIX. A obra brahmsiniana representa a fusão da expressividade romântica com a preocupação formal clássica. Em uma época onde a vanguarda estava com a música programática de Liszt e o cromatismo wagneriano, Brahms compôs música pura e diatônica, e ainda assim conseguiu impor-se. Talvez este seja um de seus maiores méritos. Em contrapartida, um fator que faz com que Brahms seja de certa forma inovador, é o seu estilo de modulação, sendo que, muitas vezes, Brahms usa de modulações repentinas dentro do discurso harmônico de suas obras, sempre trilhando caminhos de intervalos de terça. Porém, a contragosto, Brahms viu-se no meio da querela entre os conservadores, capitaneados pelo crítico Hanslick, e os "modernistas", principalmente Hugo Wolf, sendo adotado pelo lado "reacionário". Como os wagnerianos acabaram por dominar a maior parte da crítica na virada do século, demorou muito para que a obra de Brahms fosse colocada no lugar que merecia.

Música para piano

Brahms dedicou grande parte de sua obra ao piano, principalmente na juventude e na velhice. As obras juvenis, como as três sonatas (em Fá Sustenido Maior, Dó Maior e Fá Menor), são vigorosas e apaixonadas, superabundantes em termos temáticos. Resolvidos os desafios da sonata, Brahms entrou no gênero em que se revelaria um mestre: a variação. O primeiro conjunto publicado foi a das Dezesseis Variações sobre um Tema de Schumann, escritas em 1854, onde já demonstra seu domínio técnico. Mas foi com as 25 Variações e Fuga sobre um Tema de Handel que Brahms atingiu o máximo no campo. Outras obras-primas são os dois grupos de Variações sobre um Tema de Paganini, de dificílima execução, e as Variações sobre um Tema de Haydn, para dois pianos, que ficariam célebres em sua versão orquestral.

Música de câmara

Este foi o gênero brahmsiniano por excelência, tendo exemplares em todas suas quatro fases. Entre as primeiras, destacam-se o ardente Trio op. 8, que seria revisado 35 anos mais tarde, o impressionante Sexteto de Cordas no. 1 e o exuberante Quarteto para Piano op. 25 — o último seria orquestrado por Schoenberg, que queria demonstrar as potencialidades sinfônicas da obra.

Música vocal

Brahms foi um grande compositor de canções. Numericamente, os lieder formam a maior parte da obra brahmsiniana. Entre os ciclos mais conhecidos encontram-se Romanzen aus Magelone e as Quatro Canções Sérias, este último sua obra derradeira. Na música coral de Brahms, destacam-se Um Requiem Alemão, talvez sua obra mais famosa, que o consagrou definitivamente, a Canção do Destino e a Rapsódia para Contralto, magnífica peça que encantou até Hugo Wolf, habitual crítico.

Música orquestral

Brahms levou relativamente um longo tempo para compor suas obras orquestrais: apenas na sua fase madura é que o gênero é explorado em peças de fôlego. Sua primeira obra-prima no campo é o majestoso Concerto para Piano n.º 1, que tem um caráter quase de sinfonia. As duas serenatas, opus 11 e 16, são bem mais leves e têm um sabor clássico. Mas foram as Variações sobre um Tema de Haydn em sua versão orquestral que realmente impulsionaram Brahms no gênero e abriram terreno para sua Primeira Sinfonia. Solene e dramática, esta sinfonia tem forte afinidade com as similares de Beethoven, principalmente com a Terceira e Quinta. Já a Segunda Sinfonia é mais mozartiana e pastoral — chega a lembrar a Sexta de Beethoven — com sua orquestração leve e brilhante. A Terceira, com dois movimentos lentos e um finale sombrio, que retoma as ideias do início, é, das suas sinfonias, a mais pessoal e enigmática.

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Instrumentos

Imagem: antefixus21 · BY-NC-ND · Openverse

Johann Brahms tocava principalmente pianos alemães e vienenses. Durante a sua juventude tocou num piano construído por uma empresa de Hamburgo, a Baumgarten & Heins. Em 1856, Clara Schumann ofereceu-lhe um piano feito por Conrad Graf. Brahms utilizou-o para as obras que compôs até ao ano de 1873. Depois doou-o à Sociedade dos Amigos da Música de Viena. Hoje está em exibição no Museu de História da Arte de Viena. Mais tarde, em 1864, escreveu a Clara Schumann sobre o seu interesse pelos pianos de Streicher. Como escreveu a Clara: “Lá eu sei sempre exactamente o que escrevo e o motivo pelo qual o faço de certa maneira”. Na década de 1880, Brahms utiliza quase sempre um Bösendorfer para as suas apresentações públicas. Nos seus concertos realizados na cidade de Bona tocou num Steinweg Nachfolgern no ano de 1880 e num Blüthner no ano de 1883. Brahms também utilizou um Bechstein em vários dos seus concertos: em Wurzburg e em Colónia, ambos no ano de 1882, e em Amsterdão, no ano anterior.

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Filmografia

Imagem: antefixus21 · BY-NC-ND · Openverse

Em 2008, a cineasta Helma Sanders-Brahms, parente distante de Brahms, dirigiu Geliebte Clara, premiado filme alemão sobre o possível triângulo amoroso formado por Brahms, Robert e Clara Schumann.

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Fontes consultadas

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