Botocudos
Botocudos foi uma denominação genérica dada pelos colonizadores portugueses a diferentes grupos indígenas pertencentes ao tronco macro-jê, de diversas filiações linguísticas e regiões geográficas, cujos indivíduos, em sua maioria, usavam botoques labiais e auriculares. Também chamados aimorés, eram numerosos na época das primeiras incursões do homem branco, distribuindo-se pelo sul da Bahia e região do vale do rio Doce, incluindo o norte do Espírito Santo e Minas Gerais. Ainda há grupos remanescentes, nas bacias dos Rios Mucuri e Pardo.
Os chamados botocudos eram considerados muito aguerridos, defendiam sua terra com determinação, e sofreram perseguição desde o século XVI, até ao início do século XX. Consta que atacavam aldeias dos puris ou goitacazes, seus adversários tradicionais, como também as caravanas de viajantes e as fazendas de sesmeiros, incendiando o que encontravam no caminho. Alguns grupos sobreviveram até o século XX nas matas localizadas entre o Rio Jequitinhonha e o Vale do Rio Doce, nos Estados da Bahia, de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os remanescentes dos grupos que viviam nos rios Mucuri e Jequitinhonha foram confinados na missão de Itambacuri, em Minas Gerais, onde se extinguiram. Os grupos do Rio Doce, sobreviventes destituídos de suas terras e aculturados em 1911, foram recolhidos a postos situados no Espírito Santo e em Minas Gerais. Os botocudos são também chamados aimorés, boruns ou guerens.
As primeiras notícias
(Algumas informações abaixo são da página na internet, sem autor:) As primeiras notícias sobre eles remontam ao século XVI. Gabriel Soares de Sousa, em sua relação das costas do Brasil, fornece-nos descrição dos aimorés (nome dado aos botocudos), sua vida e seus costumes, considerando-os descendentes dos tapuias, o que estudos posteriores não confirmaram. Os botocudos (alguns davam a si mesmos o nome de engerakmung) habitavam as costas brasileiras, e no período de seu máximo desenvolvimento, dominavam entre as latitudes sul de 13 graus a 23 graus. No início do século XIX, já estavam confinados entre os rios Doce e Pardo (15 graus a 20 graus de latitude sul).
A descrição e os costumes
A menção do seu nome e a conotação de que seus botoques ´desfiguravam o rosto´ despertaram, na mente do colonizador português, imagem de fealdade e inimizade. Já no século XVI eram considerados maiores e mais robustos que os outros. Mas os estudiosos apresentaram-nos como fortes, ora como musculosos ora como bem conformados, geralmente baixos, de caixa torácica larga e achatada na parte anterior, tronco alongado, mãos e pés pequenos, pernas finas e pescoço curto. O crânio do homem apresentava « uma fronte baixa e às vezes bastante inclinada para trás, o occipital deprimido e as têmporas ligeiramente conexas.» Observou-se também que sua altura era mediana e não baixa, como se dizia, o que parece mais com a realidade. O príncipe Maximiliano de Wied os considera "mais bonitos que os demais" e Saint-Hilaire afirma que se esquece sua feiura "por uma fisionomia mais franca" (que a dos índios das outras tribos) e um "ar de alegria". Têm pés delicados, mãos fortes e são espadaúdos. Não há acordo, também, quanto à cor. Uns os declararam canela-claro; outros, amarelo para o pardo, em virtude do "sol e da sujeira". As orelhas e os lábios inferiores são deformados pelos botoques, discos brancos feitos, em geral, de madeira leve da barriguda (Bombax ventricosa), secados ao fogo, de tamanho variado, chegando até 12 centímetros. Andam geralmente nus, sendo que alguns homens usam estojo peniano de folhas trançadas de issara a que dão o nome de gincann.
Na história moderna do Brasil
Até meados do século XIX, foram exclusivamente caçadores, competindo a pesca e coleta às mulheres e crianças. No século XVI eram famosos como «salteadores» de roças dos colonos. A caça era feita ora isoladamente, ora em grupo mas cada grupo tinha uma área especial. O arco e a flecha eram os instrumentos usados, havendo-os de três tipos: guerreiro, farpado e para caçar animais pequenos. Não usavam embarcações, que desconheciam, o que é estranho em região, ao contrário do dito por Métraux. Talvez tenham aprendido a nadar com o branco, ou outros índios, pois causava espécie a Gabriel Soares de Souza que eles não o soubessem, ao passo que Maximiliano de Wied já os vai declarar hábeis nadadores e trepadores de árvores.
Classificações
Os jesuítas haviam tentado classificar os índios, agrupando-os de acordo com a região que habitavam e a Língua usada. Numerosos antropólogos vêm criando classificações diversas, todas, entretanto, tendo como base a linguística e desconsiderando, quase que por completo, as demais características culturais. A grande diversidade dessas características, com certeza, impede que o trabalho de classificação do indígena do Brasil seja concluído de forma ampla e científica. Atualmente, considera-se a classificação do professor Aryon Dall'Igna Rodrigues como uma das mais completas. Seu estudo também utiliza os princípios linguísticos e estabelece seis grupos ou troncos. Segundo ele, o tronco macro-jê, ao qual pertencem os botocudos, ou aimorés, é subdividido em cinco famílias:
Um artigo científico publicado pelo jornal de ciências naturais "Proceedings of the National Academy of Sciences", feito por uma equipe multidisciplinar de diferentes universidades públicas brasileiras teve destaque na revista "Nature". Foram analisadas catorze caveiras que estavam no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde o século XIX, utilizando como base o DNA mitocondrial da parte interna dos dentes para evitar uma possibilidade de contaminação do material genético pelas muitas mãos que tocaram o crânio ao longo dos anos. Doze das caveiras apresentaram características de grupos Paleoamericanos, povos nativos da América, mas duas revelaram haplogrupos característicos da Polinésia, Ilha da Páscoa e outras ilhas do Oceano Pacífico. Um outro estudo de DNA também confirmou o perfil polinésio e não ameríndio das duas amostras, mediante o exame do DNA autossômico. O geneticista Sérgio Pena, participante do estudo, afirma ser um mistério o fato de haver sequências de genes de povos originários das ilhas do Pacífico em índios botocudos nativos da América. Uma das possibilidades é a vinda desses povos pela costa ocidental da América do Sul, uma vez que eram exímios navegadores (os polinésios colonizaram lugares como a Ilha da Páscoa, áreas remotas de suas terras originárias da Oceania). No entanto, o próprio Pena acredita ser improvável, pois mesmo que tal teoria fosse confirmada, seria muito difícil esses povos atravessarem a Cordilheira dos Andes e chegarem ao sudeste do Brasil.
Muitos foram os grupos indígenas denominados botocudos, devido ao uso de botoques labiais e auriculares, independentemente do ramo etnolinguístico a que pertenciam.


