Botijão de gás
Botijão e bujão (português brasileiro) ou botija e bilha (português europeu) de gás é o recipiente utilizado para o armazenamento e distribuição de fluidos voláteis, como o gás liquefeito de petróleo (GLP). Por extensão, no Brasil, o conteúdo armazenado neste recipiente leva o mesmo nome.
História do GLP engarrafado
Os primeiros fogões a gás instalados no Brasil funcionavam com gás de carvão betuminoso encanado, utilizado inicialmente para a iluminação pública desde 1872. O primeiro desse gênero em terras brasileiras foi instalado pelo governo do estado de São Paulo, em 1901, no Palácio dos Campos Elíseos. A utilização do gás nas casas, entretanto, permaneceu tímida e restrita aos bairros centrais das cidades, que possuíam a infraestrutura necessária do gás encanado. A popularização do GLP como combustível doméstico só aconteceu, no entanto, quase quatro décadas depois, em 1937, após o desastre do Hindenburg que pôs fim à era dos dirigíveis. A razão para esta data está no acúmulo de milhares de cilindros de propano, utilizados para reabastecimento das aeronaves, nas cidades de Recife e do Rio de Janeiro, capital federal na época: estes cilindros começaram a ser comercializados pela Empresa Brasileira de Gáz a Domicilio, fundada pelo imigrante austríaco Ernesto Igel, popularizando o fogão à gás em detrimento da lenha, do carvão, do álcool e do querosene.
Comércio de GLP engarrafado
Inicialmente fabricados no Brasil pela família Scarin, os botijões de gás são trocados a cada compra: o consumidor entrega seu cilindro vazio e recebe outro cilindro igual cheio de gás e lacrado. Os cilindros vazios são recolhidos e inspecionados pelas distribuidoras de GLP que os enchem novamente e os colocam à venda. Os cilindros reprovados na inspeção são retirados de circulação para ser requalificados ou descartados como sucata. A distribuidora de GLP é responsável por quaisquer problemas em cilindros com sua marca, razão pela qual os cilindros de uma distribuidora só podem ser cheios, inspecionados e revendidos por ela mesma ou por outra empresa por ela autorizada. No entanto, uma distribuidora não pode recusar-se a receber cilindros vazios de outras marcas em troca de cilindros cheios. Os cilindros recebidos com marca de outras distribuidoras são enviados a centros de troca, onde são retirados por suas respectivas distribuidoras.
Tipos de botijões
A capacidade dos botijões é expressa em quilos, com os modelos mais comuns utilizados sendo os de código P-2, P-5, P-13, P-20 e P-45. O antigo P-90 (90kg, 216 L), de uso industrial regido pela norma NBR 13794, caiu em desuso, sendo substituído por cilindros estacionários no local de capacidade igual ou superior, abastecidos por caminhões. No Brasil, o uso de GLP tem utilização proibida em veículos automotores com exceção de empilhadeiras que o utilização como combustível. Nessas empilhadeiras, são utilizados botijões P-20, os únicos que podem ser utilizados na horizontal.
Capacidade de vaporização
Um botijão com sua capacidade completa contém em seu interior cerca de 85% de GLP em estado liquefeito e 15% em estado vapor. O gás liquefeito se vaporiza à medida que o botijão se esvazia. Para passar do estado líquido ao estado de vapor o gás precisa 'ganhar calor' do ambiente. Por isso, se um botijão fornece mais gás que sua capacidade de vaporização, ele tende a esfriar, podendo chegar à formação de gelo no corpo do cilindro. À medida que o botijão se torna mais frio, sua capacidade de fornecer GLP em estado de vapor diminui, causando problemas aos usuários, e por isso as centrais de GLP devem ser planejadas levando-se em conta a necessidade de gás em estado vapor e a temperatura media do ambiente onde está instalada para garantir a evaporação adequada do gás.
Pressão de utilização
O GLP distribuído em botijões deve ter sua pressão diminuída para que seja utilizado na maioria dos aparelhos (fogões, aquecedores, etc.). No entanto, no caso do P-2, P-5 e P-13 é admitida sua utilização em alta pressão (sem regulador) em alguns aparelhos fabricados para uso em alta pressão como maçaricos, fogareiros, lampiões e alguns fogões industriais. A pressão de utilização do GLP nos aparelhos de baixa pressão deve ser de 280 mmca (milímetros de coluna de água) ou 2,74 kPa (kilopascal). A redução da pressão do GLP na saída do botijão para a pressão de utilização dos aparelhos é feita por um dispositivo chamado regulador de pressão.
O regulador de GLP para uso doméstico costuma ser vendido na forma de um kit contendo um regulador para 1 kg/h e 1,25 metros de uma mangueira específica a ser utilizada para ligação da saída do regulador à entrada do fogão ou outro aparelho, e ainda duas braçadeiras para fixação das extremidades da mangueira. Também podem ser encontrados reguladores de maior capacidade para instalações comerciais, industriais e residenciais de maior porte, nas quais o regulador é acoplado a uma tubulação que irá distribuir o gás para os vários aparelhos de utilização. Nestes casos é comum encontrar o regulador acoplado a válvulas de segurança OPSO (bloqueio por sobrepressão, mais comum) e ainda UPSO (bloqueio por supressão). A norma NBR 15526:2012 (Instalações internas de gás liquefeito de petróleo) considera indispensável o uso de válvula de segurança OPSO em instalações onde o GLP é canalizado.
Corte e solda
O botijão P-45 também pode ser utilizado em conjunto com um cilindro de oxigênio para corte e solda (sistema Oxi-GLP). Neste caso é utilizado um regulador especifico para esta função. Os seguintes mecanismos de segurança costumam ser utilizados em instalações internas de GLP em conjunto com o regulador de pressão. Válvula OPSO - Over Pressure Shut Off (Bloqueio por sobrepressão) Este mecanismo de segurança é montado após o regulador e corta o fluxo do gás quando a pressão na saída do mesmo ultrapassa um certo limite. Isto pode acontecer por falha mecânica, pelo rompimento do diafragma do dispositivo ou entrada de sujeira no regulador. Válvula UPSO - Under Pressure Shut Off (Bloqueio por subpressão) Bloqueia a tubulação a jusante da válvula UPSO quando a pressão neste trecho se torna muito baixa ou nula. Isto pode acontecer por rompimento da tubulação, falta de gás ou ainda por defeito em algum aparelho de utilização.


