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Bothrops

Bothrops é um gênero de serpentes peçonhentas pertencentes á subfamília Crotalinae, da família Viperidae. Popularmente, as espécies são denominadas de jararacas, caissacas, cotiaras e urutus. São endêmicas da Região Neotropical, habitando primariamente a América do Sul, alcançando a América Central e o sul do América do Norte. Ao longo de sua faixa de distribuição são recorrentes causadoras de acidentes ofídicos, classificadas como serpentes de interesse médico de maior importância, com altas taxas de morbidade e mortalidade anuais. A maioria das espécies de Bothrops apresenta um canto rostral bem definido e um focinho não elevado, exceto em B. barnetti, que possui um focinho ligeiramente curvado para cima e B. ammodytoides, que possui um apêndice nasal. O poro nasal é profundo nas narinas, não sendo visíveis externamente. As diferentes espécies de Bothrops apresentam grande variabilidade, principalmente nos padrões de coloração, porte, ação da peçonha, dentre outras características. Atualmente, 48 espécies são reconhecidas, mas é consenso dentre os pesquisadores que a taxonomia e sistemática deste grupo está não está bem resolvida.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

O termo Bothrops deriva do grego βόθρος (bothros) que significa "buraco" + ὄψ (ops) que significa "olho" ou "face", uma clara alusão as fossetas loreais, orgãos térmicos típicos dos crotalíneos. Os nomes comuns aplicados localmente ás serpentes deste gênero têm origem em línguas ameríndias, especialmente do tronco Tupi-Guarani. A palavra "jararaca" (e seu equivalente espanhol yarará) vem do termo tupi îara'ra (que agarra ou prende muito) + aka (presa ou colmilho) = (serpente) com presa que agarra/prende muito; "caiçaca" ou "caissaca" provém do tupi kaîa (arder/queimar) + (s)aka (colmilho/presa) = presa (dente) que arde, em alusão a sensação de ardência após a picada da serpente; "cotiara/quatiara" ou "boicotiara" vem do tupi mbóî (serpente) + kwatiara (desenhada, manchada) = serpente manchada, desenhada em referência a coloração de algumas espécies; “urutu”, de origem guarani, deriva de u(r)u (“atacar”, “picar”) + utú (“arremesso”) = a (serpente) que pica por arremesso, geralmente atribuído a Bothrops alternatus, em refrência ao botes ágeis e desordenados da espécie .

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Taxonomia e filogenia

O gênero foi descrito por Johann Georg Wagler em 1834. Na década de 2000, estudos moleculares demonstraram que o gênero Bothrops no sentido tradicional era parafilético, sendo subdividido em até cinco gêneros distintos: Bothrops, Bothriopsis, Bothrocophias, Bothropoides e Rhinocerophis. Em 2010, um estudo rejeitou o uso de Rhinocerophis por falta de caracteres morfológicos exclusivos. Em 2012, um novo estudo molecular mais abrangente demonstrou que o Bothrops sensu stricto continuava sendo parafilético e retificou o arranjo taxonômico mantendo o gênero Bothrocophias como distinto, e sinonimizando Rhinocerophis, Bothriopsis e Bothropoides com Bothrops. Um dos maiores problemas relativos à sistemática de espécies do gênero surgiram no complexo B. neuwiedi, um conjunto de populações de jararacas-pintadas que ocorrem no leste e centro da América do Sul. Até recentemente, essas populações eram atribuídas unicamente à espécie B. neuwiedi e até 12 subespécies foram reconhecidas para esta espécie. Uma revisão deste complexo relizada em 2004, com base em características morfológicas o dividiu em 7 espécies.: O número de espécies e subespécies em Bothrops têm sido objeto de debate há décadas. Atualmente de 48 espécies são reconhecidas para este gênero.

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Descrição

Escamas

Possuem numerosas escamas pequenas na coroa da cabeça de proporção e formatos variados, incluindo diversas escamas quilhadas na região frontal. As escamas frontais são planas ou viradas lateralmente, sendo mais longas do que largas; a borda da cavidade da fosseta loreal suavemente curvada. O número de escamas interorbitais (ao redor do olho) varia entre 3 a 14. Usualmente, ao redor da boca estão presentes entre 7 e 11 escamas supralabiais e entre 9 e 11 escamas sublabiais. Ao longo do corpo possuem entre 21 a 29 fileiras de escamas dorsais tipicamente quilhadas e não tuberculares; de 139 a 240 escamas ventrais e 30 a 86 escamas subcaudais geralmente divididas, com espinho terminal simples. Variações nos números e disposição de escamas dentro de uma mesma espécie são frequentes.

Hemipênis

O hemipênis evertido de Bothrops é bilobado com comprimento de 8-11 escamas subcaudais na maioria das espécies, onde o sulco espermático se bifurca próximo à base do órgão e segue até o topo de cada lóbulo. O formato dos lóbulos varia entre subcilíndrico (em B. atrox, B. alternatus) e moderadamente atenuado (B. asper, no complexo B. neuwiedi) ou fortemente atenuado (B. brazili), apresentando espinhos concentrados na metade proximal e cálices com microornamentações variáveis (papiladas, espinuladas ou cristadas) na porção distal. Em B. alternatus e espécies relacionadas o órgão apresenta uma base excepcionalmente longa, se dividindo ao nível da subcaudal 7-8, com bifurcação tardia e um sulco basal lateral liso.

Comprimento

As víboras do gênero Bothrops variam no porte, de relativamente esbeltas a robustas; as menores espécies medem entre 30-70cm enquanto as maiores atingem próximo de 2.5m no comprimento total (incluindo a cauda). Exibem claro dimorfismo sexual, onde as fêmeas são maiores e mais pesadas que os machos.

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Distribuição geográfica e habitat

Víboras do gênero Bothrops habitam amplamente a parte austral e central do continente americano, ocorrendo da Argentina ao sul do México. Além do continente, algumas espécies ocorrem em ilhas ao longo da costa atlântica, como em Santa Lúcia e Martinica das Antilhas e na ilhas de Queimada Grande, Alcatrazes, Franceses, Vitória, Moela e Ilha de Santa Catarina no litoral do Brasil, nos estados de São Paulo e Espírito Santo e Santa Catarina respectivamente. Os membros deste gênero incluem muitas espécies euritópicas que ocupam uma ampla gama de habitats desde regiões secas ao nível do mar á florestas nubladas localizadas a 2.500m de altitude, além de áreas antropizadas. No entanto, a maioria das espécies de Bothrops ocorre primariamente em planícies com altitudes de até 1.500 metros acima do nível do mar.

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Comportamento

Bothrops são serpentes tipicamente noturnas, como os demais viperídeos, embora haja algumas espécies diurnas nas altas altitudes e regiões insulares. São primariamente terrestres, com algumas espécies semi-arbóricolas, principalmente na fase juvenil. Espécies essencialmente arborícolas incluem B. bilineatus, B. chloromelas, B. pulcher, B. taeniatus e B. insularis.

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Relacionamento com seres humanos

Peçonha e epidemiologia

As espécies de Bothrops são responsáveis pela maioria dos acidentes ofídicos nas Américas, assim como pela alta mortalidade decorrente do envenenamento. As espécies mais representativas são B. asper (América Central e norte da América do Sul), B. atrox (Norte da América do Sul, na região amazônica) e B. jararaca (centro-sul do continente). A peçonha deste gênero apresenta forte ação proteolítica, coagulante e citotóxica. A região da picada apresenta dor e edema, por vezes acompanhado de manchas arroxeadas (equimose) e sangramento local, gengival, mucosas e em casos tardios, ocorre necrose tecidual. Outros sintomas incluem dor intensa, tontura, náusea, vômitos. Complicações frequentes incluem comprometimento do membro afetado e, em último caso, amputação. Em casos mais graves, a morte ocorre por hipotensão provocada pela hipovolemia e falência renal. O tratamento do acidente é realizado mediante a administração de soro imunobiológico antibotrópico.

Uso medicinal

A partir de estudos do farmacologista Sérgio Henrique Ferreira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, São Paulo, com proteínas da peçonha de Bothrops jararaca, foi desenvolvido o Captopril, um dos medicamentos mais utilizados para tratamento de hipertensão.

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