Bóris I da Bulgária
Bóris I foi o cnezo do Primeiro Império Búlgaro entre 852 e 889. Na época do seu batismo em 864, Bóris mudou seu nome para Miguel em homenagem ao seu padrinho, o imperador bizantino Miguel III, o Ébrio (r. 842–867). O historiador Steven Runciman colocou-o entre as maiores personalidades da história. É considerado santo pela Igreja Ortodoxa, como príncipe e batizador da Bulgária, e como "igual aos apóstolos", sendo festejado no dia 2 de maio.
Depois de sua conversão oficial ao cristianismo, Bóris adotou o nome cristão de Miguel e é muitas vezes chamado de Bóris-Miguel em obras historiográficas. As únicas evidências diretas do título que Bóris utilizava são seus sinetes e a a inscrição encontrada perto da cidade de Balshi (Albânia), atualmente em Varna. Nela, ele é chamado pelo título bizantino de "arconte da Bulgária", um título que geralmente se traduz como "governante", e, nos séculos X e XII, também como cnezo. Nas fontes búlgaras do período, Bóris I é geralmente chamado de cnezo e, posteriormente, durante o Segundo Império Búlgaro, de czar. Na historiografia moderna, é chamado por diversos títulos. A maior parte dos historiadores aceita que ele tenha mudado de título depois de sua conversão. Antes do batismo, ele se intitulava han ou Cã (khan) e depois, cnezo. De acordo com outra teoria, o título cnezo já seria utilizado pelos governantes búlgaros desde o reinado do fundador do império, Asparuque.
Situação na Europa central em meados do século IX
O início do século IX marcou o início de uma feroz rivalidade entre o ocidente grego e o oriente latino que culminaria no cisma entre a Igreja Ortodoxa de Constantinopla e a Igreja Católica de Roma. Já em 781, a imperatriz Irene de Atenas tentou buscar uma relação mais próxima com a dinastia carolíngia e o Papado. Ela negociou um casamento entre o filho dela, Constantino VI, e Rotrude, uma filha de Carlos Magno com sua terceira esposa Hildegarda. Ela chegou ao ponto de mandar um professor para ensinar o grego para a princesa franca. Porém, a própria Irene desfez o acordo em 787 contra a vontade do filho. Quando o Segundo Concílio de Niceia (787), sob os auspícios de Irene, reintroduziu a veneração dos ícones, o resultado não foi reconhecido por Carlos Magno, que governava uma significativa porção do que era o Império Romano do Ocidente, por não terem sido convidados bispos francos. A decisão do concílio aproximou o Império Bizantino do Papado, mas resultou numa guerra contra os francos, que tomaram a Ístria e Benevento em 788.
Campanhas militares
Bóris I era filho e sucessor de Presiano I. Em 852, ele enviou emissários à Frância Oriental para confirmar o tratado de paz de 845. Na época de sua ascensão, ele ameaçou os bizantinos com uma invasão, mas não atacou. Mesmo assim, Bóris recebeu um pequeno território na região montanhosa de Istranca, a sudeste, como suborno. O tratado não foi assinado, porém, mesmo depois da troca mútua de delegações diplomáticas. Em 854, o cnezo da Grande Morávia Rastislau persuadiu Bóris a ajudá-lo contra os francos. De acordo com algumas fontes, alguns francos teriam subornado o monarca búlgaro para que ele atacasse Luís, o Germânico. A campanha búlgaro-eslava foi um completo desastre e uma grande vitória para Luís, que invadiu a Bulgária. Na mesma época, os croatas declararam guerra aos búlgaros. Os dois povos haviam coexistido em paz até então, o que sugere que Luís os teria subornado para que atacassem o país vizinho para distrair a atenção de Bóris para longe de uma possível aliança para ajudar a Grande Morávia. Bóris nada conseguiu e ambos os lados trocaram presentes para firmar a paz. Como resultado destas campanhas, a paz entre a Bulgária e a Frância Oriental foi restabelecida, o que forçou Rastislau a enfrentar Luís sozinho. Neste ínterim, um novo conflito, desta vez contra os bizantinos, irrompeu em 855 e Bóris, distraído com Luís, perdeu Filipópolis (Plovdiv), a região de Zagora e os portos do golfo de Burgas no Mar Negro para o exército bizantino liderado por Miguel III, o Ébrio e pelo césar Bardas.
Conversão ao cristianismo
Por diversas razões diplomáticas, Bóris se interessou pela conversão ao cristianismo. Com o duplo objetivo de estender seu controle sobre os eslavos e conseguir uma aliança com um dos mais poderosos inimigos dos búlgaros, o Império Bizantino, Bóris buscou uma aliança com Luís, o Germânico, contra Rastislau da Grande Morávia através da qual Luís daria a Bóris missionários, o que teria colocado os búlgaros sob a esfera de influência de Roma. No final de 863, os bizantinos liderados por Miguel III, para evitar que a Bulgária se bandeasse para o ocidente, declararam guerra e os búlgaros viveram um período de fome e desastres naturais. Tomado de surpresa, o cnezo foi forçado a aceitar a paz prometendo se converter adotando os ritos orientais e, em troca, além do batismo, Bóris recebeu também a região de Zagora. No começo de 864, Bóris foi batizado em segredo em Plisca por um grupo de clérigos bizantinos juntamente com sua família e uns poucos membros selecionados da nobreza bizantina. Tendo Miguel III como padrinho, Bóris adotou o nome de "Miguel" (Mihail).
Anos finais
Em 889, Bóris abdicou ao trono para se tornar monge. Seu filho e sucessor, Vladimir, tentou liderar uma reação pagã. Bóris saiu do retiro em 893 e derrotou Vladimir, mandando cegá-lo. A esposa dele teve a cabeça raspada e foi enviada para um mosteiro. Ele convocou o Concílio de Preslava e pôs no trono seu outro filho, Simeão I, ameaçando-o com o mesmo destino se ele também abandonasse a fé. O velho cnezo retornou ao seu mosteiro e só emergiu novamente em 895 para ajudar Simeão a lutar contra os magiares, que haviam invadido a Bulgária em conluio com os bizantinos. Passada a crise, Bóris novamente se retirou e faleceu em 907. Não se sabe ao certo a localização do mosteiro de Bóris.


